terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Preguiça e vaidade


O que fazer quando uma onda de preguiça passa em sua vida? Alguém por favor me dê uma mão, porque fazem exatamente 27 anos que eu vivo preso num mar eterno de preguiça e ócio. Imagino o que alguns comentaristas anônimos que freqüentam o Dito não dirão com esta magnífica deixa. Quem sabe alguns dirão que eu sou um mimado histérico; outros dirão que vivo à custa da minha família, outros ainda que eu sou um doente. Exatamente. Marquem todas as alternativas e vocês acertarão em cheio. Sim, admitir os ataques que fazem contra você é a melhor arma para apaziguá-los, já que o que eles realmente querem é que você concorde com eles e organize sua vida como ELES gostariam que ela fosse. Um pouco estranho não? Mas é assim que funciona.

Volto à minha pergunta: o que fazer quando se tem que escrever um trabalho de psicologia organizacional e você não tem a mínima inspiração, saco ou interesse? Aceitar que a vida não é feita de balas de chocolate? Acho muito piegas. Fraco; não cola em mim. Hoje acordei me sentindo muito parecido com o Rafael de uns 5 ou 6 anos atrás: preguiçoso, ocioso, arrogante, independente e arrogante de novo. Defeitos indeléveis que sempre abracei com muito orgulho. Eu sempre acreditei que precisamos nos apegar aos nossos defeitos. - mentira- pensei nisso agora e tentarei argumentar. A verdade é que só podemos ter certeza mesmo dos nossos defeitos. Nossas qualidades podem nos derrubar na vala das vaidades e enganar nossos sentidos. Já reconhecer nossos defeitos já pressupõe certa humildade. Assim, creio que nossos defeitos são as únicas quase certezas que podemos ter sobre nós mesmos. Lógica não é meu forte, mas estou convencido que devo concentrar-me mais em meus defeitos do que nas virtudes.

Dito isto, nada mais resta a não ser concentrar-me em minha preguiça e aproveitar, de alguma forma, aquilo que o ócio tem a me oferecer. Vocês já ganharam um post , agora e o meu trabalho de organizacional?

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Soy brasileiro mesmo...




O Carnaval me tirou do eixo por alguns dias, não que eu goste de Carnaval. Podem me chamar de intelectual fajuta porque não valorizo a cultura brasileira, mas eu simplesmente não vejo sentido pra Carnaval num país que passa o ano todo em festa. Tem Carnaval, tem São João, tem as micaretas ( várias ao longo do ano e em cidades diferentes, ou seja, você pode passar o ano festejando), e aqui no Ceará tem forró todo dia. Simplesmente minha pobre mente não compreende o que tanto o povo brasileiro festeja; eu não tenho esse pique todo, ou , quem sabe, eu seja mesmo um intelectual prepotente e falsário. Alguns afirmam que o povo brasileiro é tão festeiro porque sofre muito. Bem, não vejo verdade nisso já que existem povos que sofrem pra caramba e, ainda assim, não fazem festa todo dia e nem saltitam ao som de qualquer batuque. Outros podem gritar de lá: “ Mas Rafael, nós brasileiros não fazemos guerra e não somos violentos porque extravasamos no Carnaval?. Aí eu digo: é mesmo? A Sapucaí é no Rio né? Então ta bom. Não falemos de guerra nem de violência, me parece que o Rio é uma cidade pacata. De qualquer forma eu não deveria estar me justificando porque não gosto de Carnaval. Se há uma coisa pela qual eu devesse me justificar hoje é pela minha preguiça. Estou gastando um post para falar mal da minha própria cultura, mas estou atolado até a alma nela: tenho dezenas de textos e livros pra ler e passei todo o carnaval me viciando em “ Lost”. Dois dias depois do Carnaval, enquanto meus compatriotas já voltaram ao trabalho, eu ainda estou de férias. Não fui a aula e não abri um livro. Ora vejam só...Não é que não há mesmo a tal neutralidade científica?

Acabei sendo brasileiro.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Porque não vou pra Guaramiranga



Eu não sou dado a folia, nunca fui. Dois amigos me convidaram para passar o carnaval na serra de Guaramiranga. Lá acontece um festival de Jazz e Blues; evento que se presta a atender ao povo que, aparentemente como eu, não gosta de folia. Digo aparentemente porque em nada me comparo a esta parcela dos fortalezenses que migram pra a serra nesta época. A verdade é que a maioria não entende patavina de Jazz ou Blues, e muito menos aprecia. Estes “pseudointelectualóides” vão pra desfilar numa cidade que não tem a mínima estrutura- em minha opinião- fora a beleza natural, não há nada pra mim em Guaramiranga. Se eu tivesse uma casa de campo lá, como alguns têm, aí sim, quem sabe valeria a pena passar uns dias curtindo o clima serrano e lendo meus livros. Mas ainda assim, eu não sairia de casa. Andar na noite de Guaramiranga é estar pronto para um ritual no mínimo patético. Eu não tenho saco pra todo o processo de poses e fingimentos pelo qual teria que passar. Centenas de cearenses ( peço perdão por meu etnocentrismo, mas não me contive) fingindo estarem na Suíça; de gola role, luvas e roupas de frio elegante. Uma cena no mínimo patética. Talvez seja importante denunciar que Guará não é a Europa e muito menos a maioria tupiniquim que desfila em suas ruas merece ser chamada de “ europeus”. Bem, tendo exposto meus motivos acho que fica bem claro que passarei o carnaval em casa mesmo. Bem longe da farsa que é a fina sociedade cearense, com a qual, há tempos, não tenho mais paciência.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Algumas sessões

Não gosto de deixar meus leitores sem novidades, mas estou em um período de seca. Mas não há de ser problema; estou tentando dar mais disciplina à minha desorganizada vida. Assim que eu conseguir creio que precisarei menos da inspiração para escrever, ou quem sabe, eu acabe descobrindo que preciso mesmo é da desorganização para viver e escrever.
Uma novidade é que na sexta passada comecei minha análise. Sinto que este blog fique um pouco mais frutífero depois de algumas sessões.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

O que sabe me entende.


O melhor de tudo é sermos polivalentes, ou melhor termos a alma eclética. Sermos tão diferentes de nós mesmo que nem o espelho nos revela mais. Nem nós mesmos. porque passeamos por todos os mundos ao mesmo tempo; e não temos morada fixa, nem fronteiras. É por isso que estou ouvindo agora Mount Moriah , um tradicional grupo de gospel negro. Adoro. Simplesmente limpa minha vida, ainda que momentaneamente, das minhas certezas e posso entregar-me com muita humildade a um mundo espiritual. Mundo este do qual nada sei e nem posso saber, mas posso sentir , mesmo que como se fosse tudo uma ilusão, um sentimento de plenitude. Freud espanaria na minha cara “ O Futuro de uma ilusão”. Sim, eu sei Freud. Mas que ilusão reconfortante a minha.

Outro conforto que sempre encontro é a literatura, por isso quando alguém me pergunta se eu gosto de ler eu respondo que não. Eu não gosto de ler; eu leio porque é natural ler. Não é ? acho que sim. Nunca parei pra pensar que eu gosto de ler. Estou tão entretido com as coisas que leio que não paro para pensar se gosto ou não de ler. Gosto das coisas que eu leio, é diferente. Ler é um ato. Falando nisso, como um exercício de minha incipiente humildade, vou confessar que comecei a ler, pela primeira vez, Grande Sertão: Veredas. Antes tarde do que nunca, não é mesmo? já que comecei o post de hoje tão espiritual, que tal fechar com um trecho que para mim foi marcante:

“...O senhor...Mire veja: o mais importante e bonito , do mundo, é isto : que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas—mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão. E , outra coisa: o diabo, é às brutas ; mas Deus é traiçoeiro! Ah, uma beleza de traiçoeiro—dá gosto! A força dele, quando quer—moço!— me dá o medo pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho—assim é o milagre. E Deus ataca bonito, se divertindo, se economiza...Bem o senhor ouviu, o que ouviu sabe, o que sabe me entende....”

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

o que é isso?

Sim. eu vou gastar um post inteiro para descobrir que diabos é essa frase que vejo estampada em todos os orkuts, blogs e msn do mundo:

" sou praeiro, sou guerreiro, to solteiro, quero mais o que?"

minha gente! Pelos poderes de Grayskull o que é isso???? é um novo mantra da mediocridade mundial? Um combinação bizarra entre todos os seres alienados e alienantes do planeta terra?
é..mas quem sabe eu esteja errado não é? realmente, o que pode querer mais uma pessoa que é praeira, guerreira e solteira? Nada. Realmente não pode querer nada, porque pra querer alguma coisa ela precisa no mínimo pensar.....E eu cá tenho minhas dúvidas se um ser que coloca tal frase como mote de seu orkut ou msn tenha essa capacidade.

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Desconexão


Com um ano novo todo pela frente ninguém resiste às velhas resoluções de ano novo. Comigo não foi nada diferente – caí de cabeça numa caderneta e deixei registradas algumas das mais importantes, outras, moralmente desprezíveis gravei em minha fraca memória. Mas uma delas posso contar pra todo mundo: decidi assistir e ler noticiários e jornais. Eu sempre fui contra tal prática porque eu realmente não tenho curiosidade em saber o que se passa ao meu redor. Isso sim é ser centrado na pessoa! Desculpe o psicologismo, mas não dá pra evitar de vez em quando.

O certo é que agora sou uma pessoa informada. Minha vida ainda não mudou em nada, no entanto, tenho uma rotina bem rígida a seguir de leituras e horários que preciso estar em casa para assistir aos noticiários. Estou tendo que acordar mais cedo pra ler os jornais porque não tem graça saber das coisas à noite quando todo mundo já está comentando tudo. Sabem que é até divertido ficar sabendo o que se passa no resto do mundo? Mesmo que seja somente aquilo que escolhem noticiar e escrever, e se você reparar bem todos os meios de comunicação noticiam as mesmas coisas.

Assim é que fiquei sabendo que as chuvas vão se intensificar no Ceará e que a temperatura pode cair dois graus. Nada me deixou mais feliz. Definitivamente eu não fui feito para viver no calor-minha cabeça coça o tempo todo e eu suo em bicas o dia todo nesta terra árida e úmida.

Não deixo também de achar que se Sadam foi enforcado não sei que pena poderíamos pensar para Bush que resolveu dizimar com a população masculina dos E.U.A. Oops...foi mal. Concordo com você que preciso ser mais específico: como os E.U.A não agüentam mais seus negros, latinos e pobres ( o índice de desemprego só cresce pra lá) eles acharam a formula mágica: fazer guerra! O país não passar dez anos sem fazer uma grande guerra pra dar uma aliviada étnica! Bravo Bush ! Bravo! Agora ele quer 245 bilhões pra guerras! 20% de todo o orçamento da nação. Pouco né?

Outra coisa que me divertiu muito hoje foi saber que o prefeito de São Paulo escorraçou de um posto de saúde um cidadão que fazia uma manifestação pacífica contra a falta de atendimento. Eu mesmo vi a cena, que foi toda filmada, e não vi motivos para o prefeito chamar o cidadão de “ vagabundo” pelo menos umas dez vezes. Foi triste. O prefeito alegou que o protesto era uma falta de respeito com os doentes do posto de saúde. Vocês precisam ver a cena. Deve estar aí pela net. Acho que o youtube já pegou.

Olhem só! Do nada tornei-me um cidadão informado. De qualquer forma, como eu disse anteriormente, minha vida não mudou em nada. Eu sempre soube que Bush é um vândalo, que o clima do mundo está louco e que os políticos são, em sua maioria, uma corja de covardes.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Domingo


Olá domingo.

Escapei de ser assaltado nas redondezas do Dragão do Mar, mas valeu a pena. Descobri um filme que me deixou pleno por alguns momentos; parece que o filme completou um desabrochar diferente em mim. Agora tenho certeza que escuto uma nova música e danço segundo meu ritmo, da minha própria maneira – não vou julgá-la, vou dizê-la neutra e sem predicativos. Tentar pelo menos uma vez não colorir minha vida. Quero deixar as cores surgirem como precisam ser; como num arco-íris me deixar simplesmente molhar e que as cores sejam.

Não sei o que falar do filme, melhor cada um assistir e se identificar com o que puder ou acontecer. O nome é C.R.A.Z.Y, loucos de amor. Outra bela descoberta foi a cantora Patsy Cline. Ela é a cantora favorita de um dos personagem e também dá a música tema do filme, Crazy. Divina. Completou o que faltava ao meu desabrochar. Doce e sereno.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

O Lobo da Estepe

Queria ter mil olhos. Uma frase que li na " Hora da Estrela" ainda está martelando : " ...feliz...e feliz serve pra que?". Por isso não digo hoje que estou feliz, simplesmente estou como estão milhares de pessoas no sábado a noite.
Queria ter mil olhos para ler todos os livros que surgem como companheiros melhores que alguns seres humanos. Hoje ouvi pela terceira ou quarta vez uma entrevista de Clarice e nela ela cita que a leitura de " O Lobo da estepe" foi algo que lhe deu febre. Em minha curiosidade incurável resolver procurar a obra e ler. Li um trecho e senti o que minha musa descreveu como febre. Uma identificação cruel com o personagem do livro como poucas vezes pude sentir. Resolvi então compartilhar um dos trechos que li. Boa leitura.

Cada espécie de homens tem suas características, seus aspectos, seus vícios e virtudes e seus pecados mortais. Um dos signos do Lobo da Estepe era o de ser noctívago. A manhã era para ele a pior parte do dia, causava-lhe temor e nunca lhe trouxera nada de bom. Nunca fora alegre em qualquer manhã de sua vida, nunca fizera nada de bom na primeira metade do dia, não tivera boas idéias, nem divisara nenhuma alegria para ele ou para os demais. Ao começar a tarde, ia reagindo lentamente, principiava a se animar e, ao cair da noite, em seus melhores dias, tornava-se frutífero, ativo e, às vezes, até brilhante e alegre. Disso decorria sua necessidade de isolamento e independência. Nunca existira um homem com tão profunda e apaixonada necessidade de independência como ele. Em sua juventude, quando ainda era pobre e tinha dificuldades em ganhar a vida, preferia passar fome e andar mal vestido a sacrificar uma parcela de sua independência. Nunca se vendera por dinheiro ou vida fácil às mulheres ou aos poderosos, e mil vezes desprezara o que aos olhos do mundo representa vantagens e regalias, a fim de salvaguardar a sua liberdade. Nenhuma idéia lhe era mais odiosa e terrível do que a de exercer um cargo, submeter-se a horários, obedecer ordens. Um escritório, uma repartição, uma sala de audiência eram-lhe tão odiosos quanto a morte, e o que de mais espantoso podia imaginar em sonhos seria o confinamento num quartel. Sabia subtrair-se a todas essas coisas, a custo de grandes sacrifícios e nisso residia sua força e virtude, nisso era inflexível e incorruptível, nisso seu caráter era firma e retilíneo. Só que a essa virtude estavam intimamente ligados seu sofrimento e seu destino. Ocorria a ele o que se dá com todos: o que buscava e desejava com um impulso íntimo de seu ser acabava por ser-lhe concedido, mas em grau demasiadamente superior ao que convém a um homem. A princípio, o que obtinha parecia-lhe um sonho e uma satisfação, mas logo se revelava como sendo o seu amargo destino. Assim, o poderoso era arruinado pelo poder, o rico pelo dinheiro, o subserviente pela submissão, o luxurioso pela luxúria. O Lobo da Estepe perecia por sua própria independência. Havia alcançado sua meta, seria sempre independente, ninguém haveria de mandar nele, jamais faria algo para ser agradável aos outros. Só e livre, decidia sobre seus atos e omissões. pois todo homem forte alcança indefectivelmente o que um verdadeiro impulso lhe ordena buscar. mas em meio à liberdade alcançada, Harry compreendia de súbito que essa liberdade era a morte, que estava só, que o mundo o deixara em paz de uma inquietante maneira, que ninguém mais se importava com ele, nem ele próprio, e que se afogava aos poucos numa atmosfera cada vez mais tênue de falta de relações e de isolamento. Havia chegado ao momento em que a solidão e a independência já não eram seu objetivo e seu anseio, mas antes sua condenação e sua sentença. O maravilhosos desejo fora realizado e já não era possível voltar atrás e de nada valia agora abrir os braços cheio de boa vontade e nostalgia, disposto à fraternidade e à vida social. Tinham-no agora deixado só. Não que fosse motivo de ódio e de repugnância. pelo contrário, tinha muitos amigos. Um grande número de pessoas o precisavam. Mas tudo não passava de simpatia e cordialidade; recebia convites, presentes, cartas gentis, mas ninguém vinha até ele, ninguém estava disposto nem era capaz de compartilhar de sua vida. Agora rodeava-o a atmosfera do solitário, uma atmosfera serena da qual fugia o mundo em seu redor, deixando-o incapaz de relacionar-se, uma atmosfera contra a qual não poderia prevalecer nem a vontade nem o ardente desejo. Esta era uma das características mais significativas de sua vida.

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Seja dondo do seu umbigo!


Encontrei esta campanha sensacional: Seja dono do seu umbigo. Adorei e caí da cabeça nela!! Convido você também a ser dono do seu próprio umbigo. Entre no site e confira o manifesto do Umbigo!!

http://www.donosdoumbigo.com.br/ctl.php?mdl=Umbigo&cmd=TelaExibeManifesto

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Histeria.


Cá estou com dor de dente, tenho quase certeza o que é: veneno acumulado. Vou me dar o direito de um pouco de histeria, afinal de contas sou histérico mesmo, então que eu faça algum uso dela pra alguma coisa. Este post, eu sei, vai parecer blog demais, mas fazer o que, moro sozinho e preciso desabafar o dia pra alguém.

Pra começar, o aquecimento global está me envelhecendo uns 30 anos por dia. Meu protetor 45 não dá conta do sol cearense. Como se não bastasse ter que agüentar o capitalismo acadêmico das produções, artigos e congressos e outras atividades feitas só para constar ( como estou percebendo) ainda tenho que suportar esse “ moto contínuo” num calor dos infernos. Uma coisa eu aprendi hoje: devo dar ouvido a mim mesmo e aos lugares que meu desejo me conduz, se me deixar conduzir pelo desejo alheio eu não ando nem um milímetro nesse mundo de alienação. “ Rafael você deveria fazer isso..aquilo... ir pra tal congresso... apresentar tal trabalho... isso é bom pra seu currículo, pra seu não sei o que , se você um dia quiser se professor, blá blá blá! Aff! Não enche! Se eu for dar ouvidos para todos os conselhos, dicas e macetes dos mecânicos ao meu redor eu não faço nada que parta de mim. Como eu diria: me larga, me solta, me deixa sambar! Vou dançar minha própria música- do meu jeito, ritmo e agonia- uma agonia que é minha e só minha. Não viverei a angustia e agonia de ninguém. As minhas já me bastam.

Mas vamos em frente, minha saga está apenas começando. Minha primeira aula foi um circo de horrores: a turma é composta de não mais que 15 pessoas, ou seja, terei que ter contato com quase todo mundo. para um sociopata como eu é tarefa hercúlea. Sim, sou sociopata. E não me venha com asneiras do tipo: como você pode querer ser psicólogo com essa atitude? Foda-se antes de qualquer coisa. Em frente. O professor é um mastodonte; monótono e enfadonho. Sinceramente não sei se posso resistir até o fim do semestre. Uma das “ colegas”, uma anta batizada, pediu a palavra: “ – professor é o seguinte- eu estou parada faz algum tempo. Tive que parar de estudar pra trabalhar, sabe como é, não posso me dar ao luxo só de estudar, como alguns aqui. Preciso trabalhar. Então eu estou meio desatualizada. Não estudei nada nesse meio tempo, então , eu acho que terei alguma dificuldade. O que o senhor me aconselha?” . Minha gente, quando esta fêmea calou a boca meu mundo tava todo girando! O professor, coitado, ficou atônito sem saber o que dizer. E eu vislumbrei todo o semestre de atrocidades que esta mulher vai soltar em gotas homeopáticas só pra me torturar. Fiquei histérico e saí pra tomar um pouco de ar fresco. Quando cheguei lá fora tive que voltar: o ar não estava fresco. A umidade e o calor das três da tarde eram sufocantes, voltei pra sala aos prantos só para testemunhar outro impropério- outro colega reclamava, novamente, da falta de “ parte prática” no curso de psicologia. A frase que não saía da boca do homem era “ o caráter prático do curso”. Aff! Eu não sabia que o curso tinha caráter, e essa besteira de prática no início do curso é uma balela. Se um estagiário de psicologia chega no estágio em clínica e não sabe o que fazer na frente do paciente é pura e simples incompetência e falta de vocação para o ofício. Que desista da profissão, é minha dica pra o neófito colega.

Mas o grand finale ainda estava por vir. Ao entrar na sala de “ Antropologia filosófica” qual não foi meu espanto ao ver uma turma de mais de 50 pessoas, ou pelo menos se reclamam de serem pessoas, apertadas numa sala minúscula. Eu era o único aluno da psicologia imerso em um mar de cursos menores que estavam ali simplesmente para cumprir com a obrigação de uma cadeira introdutória lá do primeiro semestre. Aliás, só passei por essa sessão de tortura chinesa por causa da burocracia da coordenação de psicologia que não quis aproveitar algumas de minhas cadeiras do curso de Direito e psicologia em São Luis. Aff! Mas sim, o professor. Eu não saberia descrevê-lo. Eu nunca pensei que alguém poderia ser uma caricatura de si mesmo. Ele ensina na UNIFOR há milhões de anos. Ele mesmo deve ter construído uma espécie de personagem dantesco para usar em suas aulas. Porque se esse homem é assim na vida real ele é a criatura mais patética que já pousou sobre a terra. Quando ele começou a dizer que ia falar sobre a filosofia, e que Filosofia era ser amante da sabedoria, e quando começou a dar exemplos dos mais xinfrins que eu já ouvi em toda minha vida de universitário ( dez anos fiz este ano desde que coloqueis os pés da UFMA em 97) eu quase surtei. Fiquei a ponto de pular da janela da sala. Ele soltou frases do tipo : “ todo profissional por mais profissional que seja é um ser humano”. Eu tive ânsia de vomitar. Passei mal. Fiquei estrábico. Foi um horror. Ao meu redor eu podia ver meus caros colegas anotando tudo e pedindo pra o “ professor” repetir uma frase solta. Ao fim de tudo, para coroar com glória, honra e majestade, o antílope ( vulgo professor) veio com a facada final: “- pessoal, eu trabalho com apostila. E é assim, quem trouxer a apostila na terça-feira que vem ganha 1 ponto líquido.” Minha gente, dito isto, eu , Rafael de Compostela, me levantei, olhei pra trás vislumbrando aquela corja de impostores e saí pela direita decidido a nunca mais retornar...Acabei de me re-matricular em outra cadeira, esta fatídica disciplina deixei pra frente quando poderei fazer com outro professor que me dê o mínimo de dignidade.

Como diz Leão Lobo: dignidade já! Até pra morrer é preciso dignidade, imagina pra estudar. Tenho dito.