domingo, 26 de agosto de 2007

silêncio

..e seu eu calar a minha voz? E guardar pra sempre dentro de mim tudo que existe?
..e se eu guardar para sempre a minha voz e nunca mais contar cada sentimento que se passa em mim?
...e seu decidir que ninguem nunca mais entrará no meu mundo?
....e se eu fizer um luto do convívio? vai ajudar a esquecer das pessoas ?

não quero deixá-las a par de nada.

silêncio e mistério.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Lentamente...muito lentamente.

...Lentamente tudo ao seu redor se partia. Ele precisava de estabilidade. Sob sua mesa os papéis, jogados a esmo, tinham sua própria forma de se organizar- ao léu , ao vento. Em seus pensamentos sentia braços ao seu redor- sua fantasia mais sensual: ser carregado por braços fortes e invisíveis. Sua fraqueza seria então sugada para outros mundos; braços de âncora que lhe dariam o maldito amparo. Há alguns dias que ele caia vertiginosamente; era sua escolha: deixar-se cair para não ter que andar. Cair lhe poupava as forças. Claro! Ele tinha que regrar sua energia. Metade dela era para respirar, a outra metade para manter as pessoas afastadas o suficiente para que não lhe roubassem mais energia.
...Lentamente tudo ao seu redor derretia. Ele precisava de visibilidade. Sentia que ninguém o via. Não como ele queria. Ele desejava...Desejava olhos que soubessem ver que ele nem sempre estava triste. Ás vezes, quando um raio de sol meio torto iluminava sua testa, gotas felizes escorriam pelo rosto...era feliz, mas ninguém olhava. Sem pessimismo, ele estava terrivelmente triste. Sua fraqueza estava sendo agora sua fortaleza em dias de desamparo.Já faz algum tempo que ele corria forçosamente rumo ao rumo que lhe deram. Correr lhe dava forças. Claro! Ele tinha que gastar sua energia. Metade dela iria para respirar, a outra metade para manter as pessoas perto o suficiente para roubar-lhes um pouco de força.

....Lentamente tudo ao seu redor escurecia..........

sábado, 18 de agosto de 2007

Só vendo

Em um só dia consegui reunir em minha cabecinha os filmes Mudança de Hábito, Evita e, daqui a pouquinho Bonequinha de Luxo.Só Deus sabe o que será de mim depois deste dia. A tristeza continua companheira e pelo visto não me abandonará tão cedo.
Bom dia tristeza....

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Novo Amor


Minha mais recente descoberta musical:

Jorge Drexler. Recomendo muitíssimo- Doce, alegre, triste e romântico na medida certa ( I know, almost impossible). Mais uma melancólica memória de BsAs.
Proclamo meu novo amor e paixão:

Drexler.

jorge Drexler - Todo Se Transforma
Jorge Drexler

Tu beso se hizo calor,
luego el calor, movimiento,
luego gota de sudor
que se hizo vapor, luego viento
que en un rincón de La Rioja
movió el aspa de un molino
mientras se pisaba el vino
que bebió tu boca roja.

Tu boca roja en la mía,
la copa que gira en mi mano,
y mientras el vino caía
supe que de algún lejano
rincón de otra galaxia,
el amor que me darías,
transformado, volvería
un día a darte las gracias.

Cada uno da lo que recibe
y luego recibe lo que da,
nada es más simple,
no hay otra norma:
nada se pierde,
todo se transforma.

El vino que pagué yo,
con aquel euro italiano
que había estado en un vagón
antes de estar en mi mano,
y antes de eso en Torino,
y antes de Torino, en Prato,
donde hicieron mi zapato
sobre el que caería el vino.

Zapato que en unas horas
buscaré bajo tu cama
con las luces de la aurora,
junto a tus sandalias planas
que compraste aquella vez
en Salvador de Bahía,
donde a otro diste el amor
que hoy yo te devolvería......

Cada uno da lo que recibe
y luego recibe lo que da,
nada es más simple,
no hay otra norma:
nada se pierde,
todo se transforma.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007


Nunca pensei que uma cidade pudesse entranhar tanto na alma quanto Buenos Aires. Sim, entrou em minhas veias; cada recôndito, cada rua penetrou profundamente e se misturou com desejos antigos....Minha alma se lavou e se sujou nas ruas de BsAs...meu coração despertou para anseios que dormiam e para outros que estavam sob hipnose. Uma hipnose dura e burlesca da qual eu já era enojado...mas não despertava. A cidade de Borges me veio como um soco no estômago..soco perfeito que até agora dói frio e denso. As imagens da cidade vão desvanecendo...Fica sobre mim um peso melancólico dos ares portenhos. Atrevo-me a roubar as palavras de Borges para tentar explicar meu espírito saudoso:
“ ya no quedan imágenes del recuerdo: sólo quedan palabras”.