quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Do espírito.

.. .e este espírito era como se quisesse acossa-la; persegui-la até o fim. Subia e descia em sua garganta num movimento lisérgico. Entrava e saia provocando os gritos mais agudos. Era como se todo seu corpo vergasse ante um prazer proibido; vetado por todos. Cada osso, cade músculo dava um grito profano, doído...Seus dedos enrijeciam sentido que não haveria de tocar nada. Pior de tudo, nada podia tocá-la. Estava fechada em si mesma nos meio daqueles luzes. E todo mundo dançando. Num canto a fumaça subia; no outro era o sexo a rasgar as paredes. Toda gente junta, amassada, acoplada umas ás outras. No meio disso tudo ela era tensa, rígida, pronta a quebrar-se. Na boca um gosto agridoce da procura. Olhava por todo lado e ninguém parecia vê-la. Tinha seu próprio segredo. Uma fé não confessada; pobre, suja. Fé maltrapilha em si mesma e nos outros. Olhava para o alto na última esperança: "já não creio mais". Mas ainda cria. Mentirosa. Sempre cheia de subterfúgios. Planejava suas quedas com toda determinação—tinha que cair, e cair feio pra sentir sua pele próxima, grudada ao corpo. Um abraço.

Correu para o banheiro. No espelho sua imagem mentirosa. Quem sou eu? Uma mentira não confessada na boca de um padreco. Uma espírito apertado na palma de sua mão. Não pode sair! Não pode sair! Espírito louco, porn, punk besta. Todo espremido guardando em si todas as profecias de seu mundo. Vivera de futuro. Era sempre se escondendo de viver porque acreditava que tinha sonhos; que tinha um futuro. Que sua vida ia bem. Já tinha tudo programado e isso tudo culminava numa esplêndida realização..Professora de piano, treinadora, médica. Por fim filhos e um homem pra chamar de seu. Tudo bem tramado. Um futuro certo onde as árvores davam sempre fruto e sua casa era ampla e iluminada. Cheia de subterfúgios. Ao redor tudo ruía. E na palma de sua mão todos os sentidos; todos os prantos...e reclamações...e gozos...e gemidos, e vida, e morte. Em sua mão um espírito liberto. Uma pata que voa bem longe.

E ela que fazia todas as concessões. Todas as concessões pelo vil olhar de um louco, de um ateu, de um preto escorado na porta. De um sexo por trinta minutos. A dor passava e com o cigarro voltava. Ela que deixava todos entrarem. Todos saírem.
Quebrou o espelho de um soco. Deixou o sangue correr em suas mãos.....E viu o espírito fumar um cigarro no prazer de quem se vai sem olhar para trás. Terra prometida numa coragem torta de ser. De ser mais. De ser para si mesma. Coragem de parar sozinha naquele lugar e respirar por si mesma uma fumaça quente e asfixiante . Era o ímpeto de pisar em si mesma; pisar no seu Eu confirmado depois de tantos anos. Ousadia para dançar uma só música sem olhar para tantos olhares, sem prescrutar os desejos e sem prever os romances.

...E o espírito era com se lhe espremesse os órgãos em uma miséria mais profunda do que a fingida. Miséria livre, sem capa, sem força, sem máscara. Era ela: sozinha num banheiro de um bar..E chorava sentada. Bêbada e inconsciente.

domingo, 17 de agosto de 2008

remake.



( este é um texto que escrevi em dezembro de 2007.decidi fazer algumas mudanças. Quem quiser comprar é a postagem do dia 16 de dezembro de 2007)

É preciso força para não reclamar da vida. Eu sinto o empuxo daqueles que só sabem reclamar da sua sina, de amores perdidos, de sorte mal amada. Acordei hoje com uma coisa meio: “se você crer em Deus, erga as mãos para o céu numa prece, agradeça ao Senhor, você tem o amor que merece”. Mas nem sempre consigo ser tão traiçoeiro comigo mesmo. Por vezes, me pego correndo atrás de mim mesmo; perseguindo-me além da conta. Chego a correr mais rápido que eu, uma luta injusta saber meus defeitos e fraquezas. Talvez fosse melhor me deixar alcançar; colocar-me a conversar comigo mesmo e deixar que eu ouça as vozes que me querem dizer segredos e ilusões. “Senhorinha levada batendo palminha, fugindo assustada do bicho papão...”. É a parte de mim que precisa reclamar e dizer o quanto odeia as obrigações de felicidade. Uma voz bem minha e que me arranca amargura das brechas do coração--daqueles lugares que não cicatrizam bem. É de lá que brotam flores murchas que não se pode dar a ninguém. Mesmo assim, se oferece as flores. Pétalas caídas de uma imensidão tão triste... Tão poética... Tão cálida. De tão frágil,tudo ao redor parecer ser tão pesado, tão denso. Mas, não é escuro. Tem sua graça e força. Se é verdade que o que não mata fortaleza, hoje sinto uma linha trêmula por cima do penhasco ( viu Sandra?).

Minha parte de pétalas não quer saber do ridículo, ou das regras que ensinam a ser menos ridículo. Ás vezes ela chora prenha, outras áridas e inférteis. Ouço gritos roucos que me dizem verdades objetivas: duras e ásperas. Minhas reclamações não alcançam ninguém. Mas há algo em mim que alcança alguém. São tentáculos psicodélicos de uma alma que é ávida mesmo. Admite porra.

Porque para alcançar é preciso saber dizer em palavras vulgares, no entanto, o mais importante não pode e nem deve ser dito senão pela poesia de palavras costuradas. As palavras secas dos que dizem não sofrer, não servem para nada. A não ser para ferir corações já por demais feridos. É...Os humanos não têm pena de si mesmo. É preciso também muita coisa para não se ter pena de si próprio, quando ninguém mais tem pena de nós. Oh Deus tende piedade.

"...os seres..., ávidos de gozar a vida, sentem frequentemente a nostalgia de coisas infinitamente delicadas: frieza virginal, misteriosa atração do inacessível...Não sei como definir tais coisas. Aparentemente, são muito materiais e muito sanguíneos, até um pouco grosseiros, e niguém suspeita dos devaneios romanescos e sentimentais a que se entregam, porque esses homens bulhentos e robustos têm uma alma cheia de pudor. débeis virgens pálidas não escondem mais pudicamente o que se passa nas suas almas. Compreendes ....Que estes íntimos sentimentos, impossibilitados de se exprimir na linguagem vulgar, façam artista o homem que os tem?É incapaz de dizer o que sonha; nós é que temos de crer na vida misteriosa que dentro dele se agita e que, de tempos em tempos, produz , á luz do dia, uma flor de muito delicado aroma..."
Niels Lynne ( J. Peter Jacobsen)

sábado, 9 de agosto de 2008

Pai!






Novamente dia dos pais. Lembro já ter feitos algumas postagens no dia dos pais ao longo desses anos de blogueiro. Hoje, entretanto, resolvi voltar ao básico. Resolvi fazer aquele tipo de carta que a gente escreve quando ainda é criança; quando o amor ainda é desprendido. Aquelas cartinhas que escrevemos para nossos pais quando ainda confiamos toda nossa vida a eles; quando nosso pai é o nosso mais supremo herói, incapaz de nos fazer algum mal ou nos decepcionar. Volto aos 10 anos.

“ Querido papai. Você é o melhor pai do mundo. Não quero outro pai. Sem você eu não seria nada. Devo tudo a você. Não é exagero. É a mais pura verdade. Você é o meu maior exemplo e meu eterno herói. Exemplo de força, coragem, integridade, fé e esperança. Com você aprendi tudo; o restante eu fui aperfeiçoando. Neste dia dos pais quero lhe dizer que tenho muito orgulho de ser seu filho e carregar seu nome até o fim de meus dias. Te amo pai. Feliz dia dos pais!”.

Rafael Pinheiro

domingo, 3 de agosto de 2008

Jorge Drexler



Soledad,
Aquí están mis credenciales,
Vengo llamando a tu puerta
Desde hace un tiempo,
Creo que pasaremos juntos temporales,
Propongo que tú y yo nos vayamos conociendo.

Aquí estoy,
Te traigo mis cicatrices,
Palabras sobre papel pentagramado,
No te fijes mucho en lo que dicen,
Me encontrarás
En cada cosa que he callado.

Ya pasó
Ya he dejado que se empañe
La ilusión de que vivir es indoloro.
Que raro que seas tú
Quien me acompañe, soledad,
A mí, que nunca supe bien
Como estar solo.