quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Hoje reinicio a leitura de "Um aprendizado ou o livro dos Prazeres". È uma obra de Clarice que me tocou muito este ano...Sinto que estou num momento que preciso re-aprender algumas coisas.

Desejo-me boa sorte.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Entre quatro paredes

Não adianta dizer que eu sou fatalista porque só vai me dar mais ódio.
Tem certas coisas que só acontecem comigo. Acho que já é do conhecimento de todos que na parede do meu quarto tem duas aberturas pra fora. Sim, caiu bem na cabeça da minha Land Lady de abrir dois furos na parede. Obviamente - qualquer ser humano imaginaria isso- quando chove, molha. Não restam comentários aqui.
Mas sim, eis que estou andando pelo meu quarto, à vontade como sempre, quando de repente, surge uma mão em uma das aberturas - ditas pra ventilação. Sim, uma mão. Um pedreiro, daqueles da reforma que não acaba nunca. Decidiram tapar os buracos. O infame está agora colando uns azuleijos para fechar as aberturas de fora pra dentro. Uma cena dantesca da qual jamais esquecerei.
Bem, depois que ele consegue tapar tudo, os azuleijos caem. Uma visão do inferno posso garantir.Enquanto eu escrevo ele está praticamente derrubando a parede do meu quarto.
Se tem uma coisa no mundo que eu tenho raiva é de construção. Minha casa em São Luís passou pelo menos metade da minha vida em reforma e no provisório para sempre.
De tanto ódio acendi um incenso. Veremos qual efeito tem sobre mim hoje.

Com tudo isso, ainda estou feliz ...é..a noite de ontem foi deveras agradável. Não tenho nada do reclamar.

É isso aí..no foolish games.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

A Pessoa Errada

A Pessoa Errada

Pensando bem, em tudo que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa,
não existe a pessoa certa pra gente

Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade a pessoa errada

Porque a pessoa certa faz tudo certinho

Chega na hora certa,

Fala as coisas certas,

Faz as coisas certas,

Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas

Aí é hora de procurar a pessoa errada

A pessoa errada te faz perder a cabeça

Fazer loucuras

Perder a hora

Morrer de amor

A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar

Que é prá na hora que vocês se encontrarem

A entrega ser muito mais verdadeira

A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa

Essa pessoa vai te fazer chorar

Mas uma hora depois vai enxugar suas lágrimas

Essa pessoa vai te tirar o sono

Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível

Essa pessoa talvez te magoe

E depois te enche de mimos pedindo seu perdão

Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado

Mas vai estar 100% da vida dela esperando você

Vai estar o tempo todo pensando em você

A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo

Porque a vida não é certa, nada aqui é certo

O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo,

Amando, sorrindo, chorando, emocionando, agindo, querendo, conseguindo

E só assim é possível chegar àquele momento do dia

Em que a gente diz: "Graças a Deus deu tudo certo"

Quando na verdade, tudo o que ele quer

É que a gente encontre a pessoa errada

Para que as coisas comecem realmente funcionar direito pra gente

Nossa missão:

Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.

Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas...

Luis Fernando Veríssimo

domingo, 19 de novembro de 2006

Para o Norte

E ele corria. Corria...corria...corria para o Norte. Observava as formigas; inquieto, pensava que talvez não fosse dar conta de levar aquilo até o fim. Continuou correndo—não queria pensar em nada—correr sempre o ajudou a manter a mente sã, atenta e alerta. Esta noite teve um sono enquanto corria, sim, porque nunca parava de correr. No sonho era como se estive em um templo, uma igreja. Eram tantas pessoas, parecia que ele já conhecia o lugar: bem iluminado com centenas de velas. Uma senhora gorda olhava para ele alegremente. Um sacerdote vinha em sua direção e lhe falava que conduzisse a reunião. Ele, sem saber o que fazer, tomou um livro na mão. o livro era o microfone. Tinha o lugar certinho de ser falar, logo perto do código de barras. Agora que fazia força pra se lembrar do sonho, bem que lhe parecia que o livro que segurava era essa coletânea de artigos do Pasquim. Achou que fosse. De qualquer forma falava à congregação através livro. Achou tudo aquilo muito desconfortável e pediu um microfone. A moça que cantava ao seu lado disse-vou pedir pra mudar pra 180, porque a freqüência ficar melhor e você não precisa ficar fingindo nada né? Ele não gostou nada do tom da menina. Começou a cantar uma música que não conhecia, algo como –“enche está casa com tua glória, enche...enche”.

Esse foi o sonho. Nenhum significado aparente. Mas, ele não tinha tempo para ficar pensando e decifrando sonhos. Ele tinha que correr. Correr e correr. Sempre para o Norte. Sim! As formigas. Ficava observando como elas paravam umas em frente das outras; sussurravam , pareciam dizer algo e a outra continuava. Alguém lhe disse que é assim que elas se comunicam—trocam substâncias, algo como comunicação química. ----Ah! À merda essas explicações! Que coisa! Falou com raiva mesmo. –Esse povo não se conforma de inventar explicação pra tudo. Eu acho que as formigas conversam mesmo. por que não? Se é química ou voz, qual a diferença. Eles só inventam isso pra dizer que as formigas são as formigas e os humanos são humanos. É um medo danado que a humanidade tem de se confundir com o Tudo.

É por isso que ele corria. Corria pra o norte. Já estava suado e suas roupas já gastas. Corria descalços, porque seu tênis não agüentou, deve ter ficado lá pra bandas do México. Não parava de correr. O clima já estava mais frio que o seu corpo descoberto pudesse suportar. Mas, ainda assim, não parou de correr. Correu até que suas pernas pediram arrego e lhe deixaram cai no chão frio. Ao cair, lembrou-se do sonho...Lembrou-se das formigas. Olhou para o Norte e neste momento, somente neste momento achou que não chegaria lá. Mas foi um pensamento rápido, desses que a gente tem ao acordar e logo se esquece. Deitado, não pensou mais que não conseguiria. Não tinha forças nem para andar. Olhou uma carreira de formigas que passeava ao seu lado. Elas conversavam entre si. Ele estava tão resoluto ao olhar para as formigas que não piscava. Estava tão cansado e queria tanto chegar ao Norte. Era tudo para ele. Foi por isso que correr tanto tempo. Seu coração já não batia tão forte, devia ser o frio. Mas não desistiu. Seu pensamento voou longe...volto ao sonho. Estava em frente à congregação novamente. A velha gorda já não lhe olhava com tanta alegria. O olhar agora era de uma comiseração venerada. Deixou-se cair em profundo sono, mas antes, olhou para as formigas, e , com esperança segredou: “ eu vou para o Norte..sim eu vou..nem que seja carregado pelas formigas”.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

visão do INferno.

Vou te contar....

A bosta da reforma aqui na casa ao lado não vai acabar nunca. E se a casa estivesse pelo menos ficando bonita eu até agüentava, mas não. Eu vejo aqui pela janela um tumor hediondo nascer bem perto de mim. O cara derrubou a casa toda—que alias era até simpática—pra construir um muquifo, aquilo que meu caro Diogo chamaria de o “ Arc bocó”. Um torre de observação de uns 6 metros de altura toda revestida de azulejo. Sim, porque desde que inventaram o azulejo o povo esqueceu os outros tipos de revestimentos. É azulejo verde minha gente, daquelas pastilhas! Um acinte è arquitetura...E olha que eu não tenho o mínio talento pra ser decorador, só bom gosto mesmo. Ricardo Bogéia teria um troço. Infarto no miocárdio na certa. Eu me esbaldo com esses imbecis que de uma hora pra outra acham que reformar a casa vai transformar o burucutu com quem eles casaram em uma linda mulher. O pior de tudo é a poeira. Eu acho que eu deveria ser indenizado. Eu não sei como ainda não morri de rinite com a quantidade de poeira que esses infelizes mandam pra dentro da minha casa.

Ah sim..e nem contei como a poeira entra. Minha casa tem dois buracos—diz que para ventilação— por eles passa de tudo. Ontem eu lutei com um grilo gigante que tentou me atacar. Antes de ontem foi o ataque dos besouros. Logo eu que morro de medo da doença de Chagas. Hoje vou falar com a inquilina pra mandar tapar essas merdas de buracos. Onde já se viu? Me esbaldo com essas idéias arquitetônicas cocô-de piriquito.

Eu to pensando em dá uma passadinha na praia. Mas ainda não fiz minha cabeça. Sabe lá Deus o que vou encontra lá. No último dia que fui, fiquei numa barraca de qualidade muito duvidosa recheada de mulheres untadas de blondô. Uma visão do inferno. Eu sei como vai ser o inferno:

Você vai acordar todo dia com pedreiros quebrando bem no seu ouvido e com milhões de mulheres estiradas na laje banhadas de blondô. O inferno é isso.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Everlasting God.

From The Inside Out
by Hillsong United
album: United We Stand (2006)

A thousand times I've failed
Still Your mercy remains And should I stumble again
I'm caught in Your grace
Everlasting
Your light will shine when all else fades
Never ending
Your glory goes beyond all fame

Your will above all else
My purpose remains
The art of losing myself
In bringing You praise
Everlasting
Your light will shine when all else fades
Never ending
Your glory goes beyond all fame

In my heart and my soul
Lord I give You control
Consume me from the inside out
Lord let justice and praise
Become my embrace
To love you from the inside out

Everlasting
Your light will shine when all else fades
Never ending
Your glory goes beyond all fame
And the cry of my heart
Is to bring You praise
From the inside out
Lord my soul cries out

sábado, 11 de novembro de 2006

vou de MAdre Tereza!!!

Um pausa nos contos e de voltas aos velhos tempos de destemperança e rancor.


Os bárbaros vêm de tudo o que é canto. Mas o lugar que eles mais gostam de invadir é o cinema. minha gente , eu não sei nem como contar o que esses ineptos fazem dentro de uma sala de cinema. Primeiro que escolhi sentar ( repare no movimento masoquítico) bem na frente de quatro adolescentes. O filme era Volver, de Almodóvar. Sinceramente eu não sei o que essas infelizes faziam vendo um filme desses. Em cinco segundos desvendei o grande mistério: as infames pensavam que o filme era uma comédia. Bem no meio do filme uma das infiéis pergunta pra outra: _ valha! Isso não era pra ser uma comédia—e pensar que eu tinha saído de casa pra ver um Almodóvar e dou de cara com essas traquinas!

Pelo menos não tinha nenhum gordo abrindo saco de plástico ou comendo pipoca—eu acho que pipoca era uma coisa que devia ser terminantemente proibida em cinema, mas isso é só eu. Muita gente acha que cinema é lugar de comida, eu acho desnecessário e perturbador as pessoas rasgando embalagens e mastigando pipoca no meio de um drama ou suspense—imagina como atrapalha? Demais. É uma merda.

Sabe qual é a verdade? Que quase não há pessoas interessantes no mundo. Essa baboseira de olhar o potencial de cara um ... e cada um tem um tesouro escondido dentro de si é conversa pra boi corno dormir. Isso não existe. Tem gente feia, chata, desinteressante, stressante, insuportável e demente no mundo. Tem gente boa e gente má. Gente superior e gente inferior. É fato minha gente.

Coisa intolerável, aliás, é este Iguatemi no sábado à tarde. É uma invasão de adolescentes infelizes e exalando hormônio pra todo lado. O cheiro é muito característico; é algo que só quem já foi professor reconhece: aquele cheiro de espinha com perfume importado é de matar. Eu pessoalmente detesto. Ainda mais eu que nunca fui adolescente, já nasci estragado; não precisei da adolescência pra estragar minha saúde mental: nasci entojado de tudo.

Fico imaginando os antipáticos que vão ler isso aqui e começar a tecer críticas e comentários cheio da mais repugnante compaixão: tadinho dele, é um infeliz. Pobre do Rafael..como ele foi ficar assim?

Aff, dá vontade até de morrer de imaginar esses miseráveis...nem tenho paciência pra imaginar a cena dantesca.

Invasões bárbaras é o sábado à noite e você sozinho em casa coçando ...isso sim é invasão. E ainda por cima saber que amanha de manhã uma trupe barulhenta de pobres pedreiros estarão quebrando a casa ao lado. Eu nunca vi uma reforma que não se constrói nada. há meses que os bestas quebram..hoje resolveram quebrar telhas...pensam que são gregos..não têm prato pra quebrar e quebram telha. É um inferno. Ir pro inferno é uma impossibilidade pra quem acorda todo dia ouvindo um quebra- quebra infernal desses...olha ..vou te contar...eu vou me fantasiar de Madre Tereza de Calcutá neste Carnaval!

terça-feira, 7 de novembro de 2006

sem alma ninguém te recrimina.

Esperança. Alguem muito especial sugeriu que eu escrevesse sobre esperança. Talvez hoje seja um bom dia para falar sobre o Esperar. Sobre a esperança que me dá paz. Deixarei de lado um pouco os contos por hoje ou será que não...acho que não.


...era como se sua alma estivesse pacata, santa e sem lutas. A luta tinha acabado . Tanta luta por nada- pensou em voz alta. Tanta luta e sacrifício de sua alma por alarmes inacabados e difusos. Sempre fora alarmada; vivia e ainda vive a vida feita de alarmes. Vive no assombro de cada momento- na iminência do catastrófico sobrevir ; destemida sempre vivera, insistia em viver. De sua insistência vampiresca tirava forças para acordar a cada manhã esperando pelo encontro com a Espera.

Espera inacabada também...tudo em sua vida era inacabado e gostava disso. Viver o inacabado era a única forma que encontrara para ter paz. Sentia que no fim tudo seria terrível. Hoje, por motivos que sabe, mas não quer contar, estava em paz. Como que renascida de uma longa hibernação. Hibernou para a morte e acordou feliz.

Sentiu que tinha a vida em suas mãos; como se de uma súbita tomada de consciência relembrasse o útero – paz divina de quem sabe que não pode morrer. De repente uma potência tomou seu ser: seria a vida a insistir novamente?

Não soube. Só sentia um renascimento espontâneo de uma nova chance para viver. Do inacabado fez o infinito- tomou o eterno pelo rabo e viajou sem limites...Fronteira do espaço entre si mesma e o fim de tudo. Deixou o tédio de lado...Sim, pelo menos hoje tentaria não gozar de sua melancolia..Haveria de ter novas formas de alegria. Sim, alegria pura, porque ser alegre é o máximo que se pode esperar da vida. Ser feliz é pretensão de ingênuos. Pretensiosa ela não era. Estar alegre era um brando alento para uma alma tão inquieta e volátil.

Sentiu sua alma fugir sem pressa...Correu como o vento corre..pra frente, para todos os lados...com força e sem rumo. Correu por cabelos por aí...Gente dispersa e errante...ventilou bocas e casamentos...sua alma foi e nunca voltou. Ela nem queria mesmo ter alma. Isso é coisa para atribulados- pensava com desassossego, pois não tinha certeza disso.

Sem alma e morta para a espera entregou-se ao Ser mais límpido que conhecia: seu corpo e sua conexão com o Eterno. Entrego-se sem reserva àquilo que não compreendia. Sentiu-se contente...um passo para se sentir alegre. Deitou-se mansa sobre a cama mal arrumada...acendeu um cigarro e fumou de uma vez.

_ sem alma ninguém te recrimina. Falou bem baixinho..sussurrando quase. Sossegada deixou o sono leva-la. Foi pra bem longe, para os sonhos aonde não era perseguida. Segui sozinha...foi um gozo sem tristeza. Fechou a boca e dormiu.