domingo, 31 de dezembro de 2006

Conto de ano novo - Para Guilherme

Era o início de verão. “ Como as coisas ficam espaçosas no verão”- pensou em voz alta. Talvez fosse a luz que deixava tudo tão amplo. A sensação de amplidão lhe dava náuseas, sempre ao acordar. E hoje não fora diferente. Sentia uma tontura selvagem que lhe roubava a vontade de levantar da cama. Pegou o telefone e discou o primeiro número que lhe veio à cabeça. Do outro lado um estranho atende do outro lado.
-- alô? Falou com voz rouca de sono.
--sim? Quem é?
-- você não me conhece. Mas estava pensando se você quer conversar. Acordei sonso. Acordei tonto e tontura me deixa susceptível a todo tipo de aventuras. E você, como acordou?
-- Eu não acordei. Como você tem meu número?
--Eu não tenho. Liguei ao léu...
-- eu não dormi ainda...Passei a noite em claro , Á procura de eu não sei o que. Mas a procura me cansou demais. Estou cansado. É como se esperasse por aquele motivo que me dessa vida outra vez; uma aventura que desse sentido a dor que sinto. Sem sentido é duro suportar dor, sabias disso?
-- É... Dizem por aí pela rua. Dizem que a vida dói. Eu não sei. Passo metade de minha vida dormindo e não sinto nada. Já estou começando a perder a capacidade de sentir asa coisas. Tem dias que acordo todo dolorido, outros que a vida passa por mim incólume, não sinto nada. Só uma pontada de ressentimento por ter a carne tão viva. Se, porque me sinto em carne viva. Sei que parece paradoxal que eu não sinta nada estando em carne viva, mas é que sinto outro nível se sentir.
-- Eu não entendi nada do que você disse. Mas também não me importo. Amanhã eu vou estar morto mesmo.
_morto mesmo? Ou morto só de pensamento?
--morto mesmo. Morto de morte que me vou conceder. Eu me concedo o dom da morte. Se a vida me foi dada como dom imerecido e não requisitado, em revolta, concedo-me a morte. É minha maneira de tomar o controle da minha vida: acabando com ela. Não suporto mais viver na precipitação do destino. Não me rendo, não me entregarei à morte acidental ou a alguma doença. Quero morrer porque decidi que preciso morrer, que a vida já não precisa mais ser vivida. Que as razões acabaram para viver. Eu mesmo quero decidir que já basta. Não tenho e nunca tive missão nesta vida. Morrerei quando assim o quiser. E quero que seja amanhã. Você é contra?
--- Se tem uma coisa que eu não sou é do contra. Já faz muito tempo que eu não luto mais com essas picuinhas do dia-a-dia. Discordar das coisas. Eu não discordo mais de nada. Guardo comigo minhas opiniões. Nada pior que uma pessoa cheia de opiniões. Eu já fui assim. Hoje em dia guardo comigo minhas palavras, a cada dia que passa sinto que falo menos. Não gostei da sua idéia de acabar com a própria vida, mas não quero e não vou explicar meus porquês.
- concordo. Você está certo. Mas morro amanhã mesmo. Vou desligar. Um bom dia. Qual seu nome mesmo?
--Cardoso. Meu nome é Cardoso. E o seu?
- Meu nome é Cardoso também.

Assustado sentou-se e desligou o telefone. Sentiu um ímpeto de ligar novamente, mas não conseguiu. Ficou sentado imóvel sorvendo aquele momento. Ele sabia agora que a sensação de familiaridade que sentia ao falar com o estranho era peculiar-dava-lhe uma sensação de eco. Passaram-se horas até que ele conseguisse sair da cama, mas saiu. E saiu para um amanhecer mais robusto, mais vivo, mais cheio de bossa. Era um novo dia, sua vida era uma bossa nova – densa, dramática, triste, porém com uma tenra esperança forçosa que se impõe sobre um coração melancólico. Decidia viver. “ Viver apesar de”.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Ler

preciso ler mais. estou ficando burro. quando eu for burro alguem ainda vai me escutar? melhor não.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

O menino Nasceu


Eu não costumo copiar as coisas, mas o post de natal do meu caro amigo Rafael Brito no http://nownada.blogspot.com/index.html me tocou tanto que preciso publicá-lo também.


Pronto. O menino nasceu. Me preocupa é o futuro dele. O que farão dele daqui a 33 anos.
(Pintura: Federico Barocci The Nativity

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Arte


Achei incrível esta exposição de arte na Antártica. Arte realmente é uma superação da realidade. Belíssimo.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Sobre minha fé em Deus

Alguns de vocês sabem que sou cristão. assim, resolvi, de tempos em tempos colocar algo que explique um pouco que tipo de cristão eu sou. Eis um texto do Ricardo Gondim , um importante pensador cristão.

No século passado, Karl Marx e Sigmund Freud representavam duas grandes ameaças contra a religião. Marx afirmava que a igreja serve a interesses ideológicos de controle político e de subjugação econômica. Freud, por sua vez, percebia os mecanismos infantilizantes da religião quando sacerdotes projetam em Deus nosso desejo por um pai perfeito. Para ele, a prática religiosa condena homens e mulheres a viverem como eternas crianças, sempre precisando de intervenções sobrenaturais para enfrentar as agruras da vida.
É preciso dar a mão à palmatória. Os dois leram as instituições religiosas dos seus dias corretamente, principalmente a cristandade. Desde Constantino, o apelo do poder mostrou-se arrasador e irresistível nas igrejas. Infelizmente, os ensinos do Nazareno foram usados para autenticar o expansionismo imperialista e colonialista dos grandes impérios que se auto-proclamaram cristãos. Padres, pastores e bispos se vestiram como a grande prostituta do Apocalipse e se entregaram por qualquer preço. Monarcas beijaram anéis episcopais enquanto obrigavam seus donos a lamberem suas botas. Assim, os mercadejadores do templo precisaram distribuir ópio religioso para poderem fazer vista grossa e abençoar inúmeras carnificinas – dos Tsares russos ao Batista cubano; das aventuras ensandecidas de Isabel espanhola às dos Bush, pai e filho.
A adoração do “Deus provedor” ocidental deu razão a Freud, que denunciava os recintos religiosos como incubadoras de oligofrênicos. O proselitismo missionário foi feito, em grande parte, precisando de uma espiritualidade funcional. Na tentativa de mostrar a superioridade de Jeová sobre as demais divindades, criou-se um fascínio por milagres. “Nosso Deus funciona”, clamaram os evangelistas por séculos. Desse modo, o sobrenatural passou a ser compreendido como uma intervenção legitimadora daquele que é o verdadeiro “dono do pedaço”. Assim, os crentes viciados em milagres se condenaram à freudiana dependência infantil.
Em minha opinião, só seria possível resgatar a mensagem de Jesus Cristo, caso a religião abrisse mão de suas hierarquias institucionais, demitisse elites, democratizasse o acesso a Deus, e esvaziasse os rituais da função de serem técnicas para se obter bênçãos. É importante que repensemos a fé, seguindo o exemplo de Jesus que viveu sem precisar de milagres e morreu sem apelar para os anjos. Iguais a ele, precisamos viver sem os cabrestos da religião e sem as intervenções de Deus.
Concordo com John Hick em “Evil and the God of Love” (New York, Harper & Row; London, Mcmillan, 1966, p. 317)
“Ao criar pessoas finitas para amar e serem amadas por ele, Deus precisa dotá-las com certa autonomia relativa quanto a si mesmo”. Mas como pode uma criatura finita, dependente do Criador infinito quanto à sua própria existência e a cada poder e qualidade do seu ser, possuir qualquer autonomia significativa em relação a esse Criador? A única maneira que podemos imaginar é aquela sugerida pela nossa situação efetiva. Deus precisa colocar o homem à distância de si mesmo, de onde ele então pode vir voluntariamente a Deus. Mas como algo pode ser colocado à distância de alguém que é infinito e onipresente? É óbvio que a distância espacial não significa nada nesse caso. O tipo de distância entre Deus e o homem que criaria certo espaço para certo grau de autonomia humana é a distância epistêmica. Em outras palavras, a realidade e a presença de Deus não devem se impor ao homem de forma coercitiva como o ambiente natural se impõe à atenção deles. O mundo deve ser para os homens, pelo menos até certo ponto, etsi deus non daretur, “como se Deus não existisse”. Ele precisa ser cognoscível, mas apenas por um modo de conhecimento que implique uma resposta livre da parte do homem, consistindo essa resposta em uma atividade interpretativa não-compelida através da qual experimentamos o mundo como realidade que media a presença divina”.
Uma nova igreja precisa se desvincular de seu fascínio pelo poder, qualquer um: político, econômico, militar ou espiritual. Repito, urge que homens e mulheres construam sua humanidade, sendo sal da terra e luz do mundo, sem necessitar de repetidos socorros celestiais.
Ricardo Gondim

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Invasões Bárbaras ( Sem número)


Sempre achei que as invasões bárbaras estavam restritas ao cinema- pelo menos quando elas me atacavam. Mas fui ingênuo. Os bárbaros estão tomando de assalto todo o planta. A derrocada da civilização é rápida e os bárbaros nos consomem de todos os lados. Para todos as lados que eu olho lá estão as marcas dos bárbaros. Então, pra não perder o costume trago mais um relato de invasões no cinema – depois conto a invasão de hoje.

Ontem fui tirado do meu conforto domingueiro para ver “o Céu de Suely”- um filme brasileiro recém lançado. Eu não gostei. Os dois amigos que foram comigo disseram que gostaram, mas eu não sei ao certo. A mim o filme não disse nada. Não passa de um roteiro mal feito contando uma história que eu já ouvi milhões de vezes: moça pobre- abandonada pelo marido- retirante do nordeste- pobreza- prostituição-final infeliz. O normal. Receita normal para se tentar fazer um filme cult. Não foram bem sucedidos. Pelo menos não para mim. Realismo no cinema é coisa difícil de fazer sem parecer um apelo à boa vontade dos cinéfilos. Mas sim, não estou aqui pra falar disso.

Imaginem vocês que os pipoqueiros estão atacando também nos cinemas ditos “ cult”. É claro que eles me cercaram, literalmente, ao meu redor só tinha pipoqueiro. E olha que eu me sentei longe de todo mundo, só que eles vieram até mim. Parece que advinham. Além da ruminação de milho duro, dessa vez, um velho antipático resolver amassar o saco de pipoca a cada grão que ele tirava do saco. Um barulho ensurdecedor. Algo inenarrável – perco até o ar de pensar. Eu dei várias olhadelas pra cara do velho, mas ele parecida tirar um gozo sarcástico daquela tarefa mefistofélica de ficar me aporrinhando. Pelo santo graal! No fim de tudo, além do barulho infernal, deixaram o chão do cinema um nojo- pipoca pra todo lado, sim porque a boca do povo é furada. Olha, vou te contar. eu enforquei Judas, só pode. Fora isso, é claro, uma gorda enorme não parava de ri ( se o filme era comédia até agora eu estou no limbo, porque não achei a menor graça-).

Mas voltemos à barbárie de hoje. Um dos meus divertimentos é ler as portas de banheiros quando sou pego desprevenido na rua. Sim, porque eu faço de tudo para não ter que usar banheiros fora de casa, mas ás vezes, como hoje, é inevitável – tive que me render ao trono público – uma indignidade. Então, já que estava preso no cubículo de tortura passei a ler os escritos de banheiro. São ótimo! Tem de tudo. Mas algo me chamou a atenção hoje. Um dos escritos dizia: “ viado+ Gays= AIDS. Eu fiquei alguns instantes estupefato com a frase. Pensamentos como : “ que preconceito! Quanta ignorância!”, passaram pela minha cabeça. Mas depois uma tristeza aguda me bateu. Tristeza quando penso que ainda vivemos numa sociedade tão violenta e tão bárbara. São pouquíssimas as pessoas que conseguem ver além dos muros invisíveis. Foi incrível como esta frase me lançou naquilo que os lacanianos vão chamar do “ Real”- o insignificável. Não pude dar sentido o que senti. Fui ao Caio (* Caio Fernando Abreu, ele tem sido um refúgio sombrio nestas madrugadas insólitas que busco uma alma boa) e gostaria de finalizar com ele:

“....Aquele menino trazia na testa a marca inconfundível: pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por que, não sei se na esperança de decifra-la ou se apenas pelo prazer de mergulhar. Essas são as escolhidas- as que vão ao fundo, ainda que fiquem por lá. Como aquele menino. Ele não voltou”. ( extraído do conto Eles).

domingo, 10 de dezembro de 2006

ùnica realidade

Da vida nada sei. Não sei mesmo. Só sei que minha coluna está doendo. Será a dor a única realidade?

Chico Buarque - Me deixe muda.
Não diga nada,
Saiba de tudo,
Fique calada,
Me deixe mudo.

Seja no canto,
Seja no centro,
Fique por fora,
Fique por dentro.

Seja o avesso,
Seja a metade,
Se for começo
Fique a vontade.

Não me pergunte,
Não me responda,
Não me procure,
E não se esconda.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Meu mundo é a santaninha


Acabo de ouvir – para ser mais preciso ler, porque foi no infame MSN-um dos pensamentos que eu mais detesto, ei-lo: “Rafael você até que é um cara legal, mas seu problema é que você complica muito a vida”. Como hoje não estou para “muitos amores”, mandei-o passar bem e me resignei à minha condição de louco complicado, porém legal. Eu deveria me dar por satisfeito né? Um sujeito desses, neo-capitalista, neo-bobo me faz um elogio desses, reafirmando meu lugar de “legal” no mundo e eu fico exasperado? Coisa de gente histérica né? Eu sei que devo me dar por satisfeito.

Mas não consigo parar de pensar que essa é uma das frases mais idiotas que eu escuto o tempo todo. Simplesmente porque a vida é A C_O_I_S_A mais complicada que eu conheço. Complicada como a vida é como posso não complica-la? Não tem como. Eu suspeito que meu amiguinho do MSN deva estar freqüentando algum grupo religioso, porque essa gana por simplificar o que não pode ser simples é coisa da Religião. Sei disso.

Bem, quanto à histeria, eu sou histérico mesmo. O histérico sempre quer “o mais do Desejo”. Esse sou eu. O eterno insatisfeito. Mas acho isso bom, porque no mundo que vivemos a Falta está sendo roubada dos corações e não resta mais espaço pra ninguém desejar nada. A oferta de satisfação é enorme, o Capitalismo não se beneficia do verdadeiro Desejo. Pelo contrário, quer deixar todos presos e fixados no primeiro objeto oferecido: é o marketing do consumismo. Ah! Creio que fiquei muito hermético, considerando os pobres mortais anti-Freudianos que passeiam nas amargas águas do Dito e Dizer. Voltemos à conversa no MSN.

Quando ouço que sou complicado sinto-me contente. Eu fujo da simplificação da vida. Alias, não fujo não. Para mim é tão natural achar tudo tão complicado que não faço o menor esforço para não simplificar. Naturalmente me complico todo. Sei que minha complicação às vezes incomoda e põe em cheque as fábulas de vida harmônica nas quais vive metade dos meus conhecidos, mas mesmo assim me nego a cair no baile. Bailo sozinho mesmo. Esta será, diga-se de passagem, minha resolução de ano novo: bailar sozinho. Foi assim que acabou minha “ converseta” com tal amigo. Passar bem simplicidade...

Ainda no tópico “bailar sozinho” fui ontem ao cinema sozinho. Ai que baile dos desacompanhados! Não vou dizer que foi de todo maravilhoso. Até porque no cinema, todos vocês sabem, eu sempre sofro retaliações. Claro que sempre tem aqueles que levam pipoca e ficam ruminando milho bem pertinho de mim. Mas ontem teve novidade! Eis que estou lá curtindo meu filme ( Little Miss Sushine, recomendado por Socorro que por sua vez recebeu a recomendação do seu analista. Psicanálise aí de novo minha gente!), quando subindo as escadas vem um gordo enorme. O gordo se senta onde? Do meu lado é claro. Esbaforido e aos peidos, vira-se pra mim e pergunta: “ Ei brother que filme é esse?”. Minha gente, o sangue ferveu. Mas “estanquei o sangue quando fervia”, respirei fundo e respondi placidamente: “ é a Pequena Miss Sunshine”. Lá se vai o gordo ladeira a baixo. Tinha entrado no filme errado e por azar, procurou quem para tirar a dúvida? Eu! Eu, o senhor simpatia. Até pra bailar sozinho temos que pedir permissão para gordos e pipoqueiros. Acho que vou apelar para o deputado Clodovil. Desocupado que só ele vai gostar do meu projeto de lei que proíbe pipoca nos cinemas.

Mas “ como não existe pecado do lado debaixo do Equador” eu perdôo o gordinho. Mas pedir que eu libere a pipoca é pedir demais! Pedir que eu tenha paciência com os neo-bobos também é pedir mais que minha pobre e rancorosa alma consegue elaborar! Como diz o Chico, para mim esse tipo de coisa é a “ gota d’água”e , como todos sabem, meu coração é um “ pote até aqui de mágoas”. Só Chico me tira no niilismo. Ta aí, o Chico pode bailar comigo, porque agora, para bailar comigo tem que estar “ à flor da pele”. Socorro tem razão, eu quero colocar a Sé na santaninha. Eu morro tentando...Eu sou a Sé, o mundo a santaninha.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Deus é realista.


Penso que vou ao cinema. Quem sabe surje algo que me imprima mais alegria que dúvidas. Sim, porque a dúvida é a eterna companheira da tristeza- se é em que dúvida conhecemos o Bem e o Mal, só sabemos tristeza desde o Éden. A felicidade é coisa dos humanistas. Não creio que Deus seja humanista , devo admitir- por mais que eu odeie a realidade- que Deus é realista. Depois que descobri a modestia de Deus e minha arrogância, decidi que deveria mudar minhas orações. Assim, faz muito tempo que não oro. Ainda estou tentando entender como conciliar a onisciência divina e a necessidade de orar.

Tenho dito.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Te vi



ONtem tive uma noite maravilhosa com minhas queridas Rebeca e Marta. Foi o nosso natal. Dedico esta música para vocês queridas.

Caetano Veloso

Un Vestido Y Un Amor (Te Vi)


Te vi... juntabas margaritas del mantel
Ya se que te trate bastante mal,
no se si eras un angel o un rubi
O simplemente te vi.

Te vi, saliste entre la gente a saludar
Los astros se rieron otra vez, la llave de mandala se quebro
O simplemente te vi.

Todo lo que diga esta de mas,
las luces siempre encienden en el alma
y cuando me pierdo en la ciudad, vos ya sabes comprender
Es solo un rato no mas, tendria que llorar o salir a matar.
Te vi, te vi, te vi... yo no buscaba nadie y te vi.

Te vi... fumabas unos chinos en Madrid
Hay cosas que te ayudan a vivir
no hacias otra cosa que escribir
Y yo simplemente te vi.
Me fui... me voy, de vez en cuando a algun lugar
Ya se, no te hace gracia este pais...
Tenias un vestido y un amor...y yo simplemente te vi.

Todo lo que diga esta de mas,
las luces siempre encienden en el alma
y cuando me pierdo en la ciudad,
vosya sabes comprender... es solo un rato no mas,
tendria que llorar o salir a matar...
Te vi, te vi, te vi... Yo no buscaba nadie y te vi.

Não entendo nada.

Ai que pataquada.

Ontem fiquei sem internet e caí nas desgraças da televisão. Desde a Diarista, Jornal da Globo ao Programa do Jô. Destes três ,o Jô se salva fedendo, mas até ele tem me irritado com sua incapacidade de fazer uma entrevista- não é um talk show- é o talk Jô!.
Sim, mas estou aqui é pra falar mal do nosso presidentizinho de merda.
Eu sempre detestei notícias, adoro ser desinformado. Até porque eu acho que jornal é que nem novela: toda vez que assistimos são as mesmas notícias e pautas, um saco. Uma droga.
Só sei que ontem já estorou mais um escândalo com o nome do Lula- umas contas não aprovadas pelo TSE. O ministro foi enfático: sem contas aprovadas , sem novo presidente. Eu ri à beça. Quando perguntado sobre o caso Lula deu uma resposta inovadora: " Eu não sei de nada, isso que você tá me perguntando eu não sei ...". Que legal né?
Ele nem muda...sempre a mesma lenga-lenga.....e ainda me dizem que o Alckmin seria pior? Pior pra quem?

Depois a notícias do caos nos aeroportos causado pelos controladores de Vôo...gente, tem coisa que eu não entendo. Antes da queda do avião da Gol tudo corria bem. Essa crise começou do nada? Como foi isso? Os controladores aproveitaram a situação pra sabotar a aviação brasileira? Ou isso é complô dos americanos? eheheheheh só podia ser..eu ia me esbaldar com essa. Sim, porque há pouco tempo nada disso existia, mas de repente, a aviação brasileira entrou em colapso! Essas coisas não acontecem da noite pro dia...

Entendeu por que eu não vejo noticiário? É por isso...eu fico angustiado...e não entendo nada.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Sentir novamente


Era insólita a noite sem luar. Fria e de uma espessura disforme que percorria as nuvens avermelhadas pela luz da cidade. Sentiu-se impotente perante àquela visão. Foi pro quarto aturdido pela falta de opções. Estar nas mãos de um outro é dor aguda, mas fugir disso seria desleal. Ele escolheu não fugir. Mas que não gostava nada disso era certeza lacerante. Sentou-se à mesa para escrever algo. Os papéis pareciam folhas frias que lhe desferiam golpes humilhados – escrever era mais uma fuga. Fuga de se estar nas mãos de um outro. Esta noite queria poder rasgar o outro – mandar tudo às favas e morar numa cabana solitária nos Andes. Fantasiou como as montanhas seriam graves e majestosas: escritor e cenário – juntos em companhia silenciosa. Pensou que só veria animais silvestres perdidos por entre as árvores, nada amistosos, só olhando de longe. Cansou também da fantasia. Queria o real do Real mais ardiloso. Ouvia um fado triste-apreciava uma tristeza ressentida das noites de domingo. Um sentimento fino de que algo poderia nunca acontecer. Nunca. Nunca acontecer. “Eu só conheço esse caminho do paraíso”. Cantou a voz chorosa de Portugal. O CD de fado era um presente de uma amiga sua – uma que ele acha que é bruxa-bruxa do bem. Paraíso ele não sabia se existia. Já dizem que o Inferno é aqui. Mas que Inferno bom—pensava ele. O Inferno na cabeça dele será sofrimento sem fim, a vida pra ele era dura, mas com intervalos de alegria. Porque felicidade pra ele é adjetivo. Não conhecia felicidade por nome, só por adjetivo. Sempre que ia à praia pensava : - que mar mais felicidade! A areia está uma felicidade! Gostava de mudar as coisas assim.

Começou a escrever--------------------

“....chama alguém pra falar comigo. Chama o corpo de bombeiros se for preciso. Mas não me deixe ficar só nesse vácuo. Rola solta minha indignação com os patos..para onde vãos os patos no inverno? Não sei . só sei que roubo essa dúvida de um Outro. mas que mania mas revolta de assumir um compromisso que não é meu? Doce é a vida...amargo sou eu”.

Deixou cair o lápis e deitou o rosto sobre o papel... Sentiu o cheiro do grafite. Queria poder ser citado um dia. Era um orgulho que não acabava. Pensou naquele momento que só ele podia dizer-se. Ninguém mais. Nunca. Nunca iria acontecer. Ele sentia que sua sina era essa mesmo—correr do impossível, mas só a ele amar. Uma fuga enigmática à procura de um fado explicável, todos eles lhe eram insensatos. Adormeceu sozinho. Ao redor a sala parecia falar-lhe, melhor, sussurrar. Os móveis segredavam confissões copiosas de um poeta esquecido. “Nunca... Nunca... Nunca poderá acontecer”. Com o tempo toda sala gritava de cálido desespero—“ nunca..Nunca...Nunca...nunca...o sentimento nunca pode ser escrito”. Na neutralidade da madeira havia mais sabedoria que em sua filosofia.

Louco, levantou-se e foi dormir. Conversou um pouco com a cama, deu boa noite ao travesseiro e dormiu ouvindo estórias de ninar contadas pelo abajur. Dormiu tranqüilo. Sem sanidade parecia sentir novamente.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Olha que letra bela

Weeping lyrics

(feat. Ladysmith Black Mambazo)

I knew a man who lived in fear
It was huge, it was angry,
It was drawing near.
Behind his house a secret place
Was the shadow of the demon
He could never face.

He built a wall of steel and flame
And men with guns to keep it tame
Then standing back he made it plain
That the nightmare would never ever rise again
But the fear and the fire and the guns remain.

It doesn't matter now it's over anyhow
He tells the world that it's sleeping
But as the night came round I heard
It slowly sound
It wasn't roaring, it was weeping
It wasn't roaring, it was weeping.

And then one day the neighbours came
They were curious to know about the smoke and flame
They stood around outside the wall
But of course there was nothing to be heard at all
"My friends," he said, "We've reached our goal
The threat is under firm control
As long as peace and order reign
I'll be damned if I can see a reason to explain
Why the fear and the fire and the guns remain."

It doesn't matter now it's over anyhow
He tells the world that it's sleeping
But as the night came round I heard
It slowly sound
It wasn't roaring, it was weeping
It wasn't roaring, it was weeping.

Say ah, say ah, say ah
Say ah, say ah, say ah

[Ladysmith's solo]

It doesn't matter now it's over anyhow
It doesn't matter now it's over anyhow

It doesn't matter now it's over anyhow
He tells the world that it's sleeping
But as the night came round I heard
It slowly sound
It wasn't roaring, it was weeping
It wasn't roaring, it was weeping.

Say ah, say ah, say ah
Say ah, say ah, say ah [to end]