terça-feira, 27 de março de 2007

Lá donna è mobile




....Ela sempre encontrava forças pra superar sua irresistível vontade de implorar. Ela olhava ao redor e buscava um suporte. Suas lágrimas vinham inevitavelmente, até em filme de faroeste. Nada mais a surpreendia—a disposição dos móveis podia ser desarrumada; os papéis poderiam estar jogados sobre a mesa, como de costume. Mas mesmo assim ela decidiu que hoje o melhor era arrumar: colocar em ordem o cosmos através de pequenas mudanças, que senão imprescindíveis eram completamente terapêuticas. Como se suas mãos pudesses mandar um sinal diferente para o cérebro. A desordem interior era bem pior, difícil de ser arrumada; talvez impossível. “A necessidade lacerante de ser algo, ou mais precisamente, de receber algo—” um muito mais do que isso”, do que ela sempre recebeu. Sua insatisfação hoje era visceral. A fim de colocar pra fora tantos objetos, cujo apego já não fazia mais sentido, resolutamente começou a arrumar.

Começaria pela escrivaninha. Os papéis se acumulavam há mais ou menos umas duas semanas. Contas, guardanapos velhos, papel de presente, maços de cigarros não fumados e um cinzeiro amarelado. Antes de arrumar lançou um olhar perturbado sobre os objetos na mesa e não pôde deixar de sentir desânimo ao pensar que seria melhor deixar tudo do jeito que está- que sempre esteve.

Passou para a sala. Ligou o cd player e deixou tocar “ la donna è móbile”. Ao som da La Traviata recolheu livros, pratos jogados ao pé do sofá, roupas por sobre o sofá e restos mortais de fotografias rasgadas- tentativas suicidas mal sucedidas.

Enquanto passava para cozinha repetia pra si: “amo tranqüilo... amar tranqüila... ame tranqüila”. Lembrou-se de suas lições de catequese nas quais aprendera que não se deve orar com vãs repetições....haveria alguma lógica espiritual em repetir para entender? Não saberia dizer. Melhor seria ficar com a arrumação.

Passou para o guarda-roupas. Separou roupas pelas cores e usos. No fim de tudo o guarda-roupas era uma visão clara, organizada e colorida de seu cotidiano. Gostou do resultado. Sentou-se na cama, acendeu um cigarro e fumou tranqüila até sentir sono. Sua mente agora, menos tensa e mais conformada, podia perceber as nuances de suas exigências para com a vida. Sempre quisera muito; tudo sempre fora pouco ou menor do que ela mesma. Em sua fantasia ela parecia estar assentada em um trono alto e soberbo; seus súditos estenderiam suas roupas a seu bel prazer para que desfilasse. E mesmo que sua experiência não confirmase essa doce ilusão, ela permanecia exigindo da vida serviço.

Levantou-se da cama e trocou a música. Colocou “ O que é o que é” de Gonzaguinha. Mirou-se no espelho e viu seu rosto esboçar felicidade—abraçou o primeiro rompante e dançou descompassada, sem vergonha ou exigência. Gozou por um minuto de uma alegria não dissimulada, não durou muito, mas durou o suficiente pra fazer com quem sua fome esvaísse por entre os dedos dos pés. Dançou por todo o quarto. Dançou tanto que derrubou o espelho que se quebrou em dois pedaços, derrubou roupas no chão, bagunçou a cama e derrubou uns dois quadros. Dançou e dançou até a música alagar toda sua alma. Dançou na lama e em uma bagunça interior que jamais experimentara. Dançou Gonzaguinha como se ouvisse sua voz:

---“...a vida devia ser bem melhor e será... eu só sei que confio na moça ,E na moça eu ponho a força da fé Somos nós que fazemos a vida, Como der ou puder ou quiser”

terça-feira, 20 de março de 2007

Resposta ao post do dia 13 de março



No post do dia 13 de março eu abri meu coração e revelei uma dúvida cruel que há muito tempo me persegue: gente burra tem voz de gente burra? Fiquei sem resposta por alguns dias; ninguém fez nem um mísero comentário e todos continuamos a viver como se a pergunta não fosse pertinente. Mas qual não foi minha surpresa hoje, ao deparar-me com Schopenhauer no livro “ A arte de escrever”, mais especificamente num brilhante trecho que compartilharei, em primeira mão, com meus ávidos blogueiros. Schopenhauer está tratando dos maus escritores que assumem um ar solene para disfarçar a pobreza do conteúdo de seus escritos, mas penso eu que podemos estender sua crítica àqueles que nada tem a dizer, mas , ainda assim, insistem em falar. Eis o trecho:

[...] não se encontra uma tradução que corresponda exatamente a style empesé ; mas se encontra com muita freqüência o estilo a que essa expressão se refere. Quando se associa ao preciosismo, esse estilo é, nos livros, o que a solenidade fingida, a falsa fidalguia e o preciosismo são no trato social: algo insuportável. A pobreza de espírito gosta de usas tal roupagem, da mesma maneira que, na vida, a burrice se disfarça com a solenidade e a formalidade[...] ( pág. 95 da edição da L&PM Pocket)

Fico feliz de ter encontrado resposta para esta lacerante dúvida que já me roubava o sono e os sonhos. Encontrei o prazere de ler Schopenhauer esta semana, como eu sempre digo: antes tarde do que nunca.

domingo, 18 de março de 2007

O nó



"...Mire e veja: o que é ruim, dentro da gente, a gente perverte sempre por arredar mais de si. para isso é que o muito se fala?"
( Grande Sertão: Veredas)



O restaurante estava lotando. O lugar não era de primeira, mas as pessoas pareciam satisfeitas, cada um se divertindo como podia. A música ajudava montar o clima---clássicos do brega brasileiro eram tocados por uma daquelas bandas iniciantes; o público não se importava, cantavam empolgados com tristeza renovada. A conversa era barulhenta e insistente. Um grupo de mulheres, já com seus cinqüenta anos nas costas dançava atabalhoadamente com copos de cerveja nas mãos. Logo ao lado uma senhora de chapéu azul bebia e acompanhava a música cantarolando, entre um gole e outro, as letras misturadas. De tempos em tempos ela lançava um olhar confiante e debochado para um rapazinho que almoçava com os pais. O rapaz não se continha em seu desconforto – o olhar feminino lhe penetrava como uma ameaça provocante. Ele não retribuía o olhar, pelo menos nunca de propósito, somente o suficiente pra fingir que não estava percebendo a paquera.

Em meio a toda movimentação de domingo de praia, ninguém notava um garoto que esperava seu almoço junto com a família. Uma menina que aparentava ser sua irmã lia com desinteresse o jornal do dia; a mãe, sempre calada, mastigava algo que não se sabe o que; o pai usava uns óculos escuros pra lá de démodé, também nunca abriu a boca pra falar. A família apreciava ficar em um silêncio angustiante, daqueles que sempre temos a impressão que alguém quer dizer algo: um barulhinho de nó na garganta que se ouve nos silêncios combinados. Era isso mesmo. Facilmente se podia ver que eles combinaram há muito tempo deixar o nó na garganta; aquela fala áspera que se ouve nos movimentos pesados e bruscos de quem grita com a pele. A família inteira gritava com a pele. O maior nó de silêncio parecia ser do garoto. Ele não podia ter mais que dezenove anos, mas tinha um peso de uma idade que se disfarça para não ser achada – uma idade adoecida. Usava preto e carregava uma corrente prata no pescoço. Ele passava maior parte do tempo com a mão direita segurando o queixo. Coberto por um ar de carência curtida em mãos alheias, ele esperava o almoço chegar. Seu olhar atravessava a multidão; perdido num ponto isolado lá fora, como um reflexo longínquo de sua alma. Ao redor os garçons iam e vinham no baile das bandejas. Vez por outra ele acompanhava um deles com olhar furtivo, mas logo voltava a se concentrar em seu nó. Cada membro daquela família tinha que guardar com muito cuidado o seu --- ninguém gostaria de ver um nó se desfazer em público; seria humilhante, muito claro, muito amplo: um nó é uma coisa que fala e que, só ás vezes, se escreve.

O garoto continuava olhando ao longe. Quem o observasse poderia sentir certa coerência lógica entre as músicas que tocavam e a expressão fugida do garoto. Seus finos braços continuavam sustentando com firmeza seu queixo que pendia. Seus olhos cantavam um pedido lânguido, porém insistente. Era como se uma ausência comprimisse seu corpo – ele se remexia na cadeira, procurando um lugar na saudade. Aos poucos o barulho, as danças e os garçons arrefeciam frente à força do seu nó. Caminhando agora em um mundo pacífico, mas monótono, o garoto perdia a suavidade no olhar tentando mostrar-se contente. Queria parecer faceiro para disfarçar o silêncio que devia carregar---lhe fora passado de pai pra filho, não poderia falhar agora. Manteve uma empáfia vigorosa até seu pai pagar a conta e os libertar. Seu olhar voltou a se fixar no ponto distante quando se levantou; o balanço de seu corpo falava de sua carência curtida e de sua força para mantê-la quieta. Antes de sair passou no banheiro e olhou-se no espelho. Gostou do que viu---tudo ainda estava lá. Saiu do restaurante deixando pra trás o salão barulhento que dava música a tantos outros nós que foram desatados.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Um pouco de esculhambação


Macaco Simão de hoje....hilário.

Ueba! Sou do partido PMDei Bem!


Os petistas vão ficar vendo estrelas. PT quer dizer Perda Total. Ops, Perca Total! Rarará

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
BBBesteiras! E aí o Bial perguntou pruma loiranta do "Big Bode Plasil": "Diga um dos sete pecados capitais".
"GRAND CANYON." Rarará!
E continuam as repercussões da declaração do papa Chico Bento 16: "O segundo casamento é uma praga". Tudo errado. O primeiro casamento é uma praga, e o segundo é reincidência! E casamento é sempre assim: começa em motel e termina em pensão.
E sabe qual é a diferença entre casamento e prisão? É que na prisão te deixam jogar bola! E numa coisa o papa tem razão: já imaginou agüentar duas sogras? Rarará! Esse papa é um inferno!
E o Sinistério do Lula? Corre pela internet a nova sigla do PMDB: PMDEI BEM! Qual é o teu partido?
Eu sou do PMDei Bem! E o PT? Os petistas vão ficar vendo estrelas. Literalmente. PT quer dizer Perda Total. Ops, Perca Total! E sabe o que o Lula tá cantando pro PT? Aquela canção do Roberto: "Estrelas mudam de lugar". Rarará.
E a Martox? Turismo! Ela vai ser ministra do Turismo. Ou ministra por turismo? É que o ponto G dela é em Paris! E ela tem tanto botox, mas tanto botox, que vai ser a única ministra IMEXÍVEL! Quem declarou isso foi um amigo meu que ainda pediu crédito. Resposta: crédito só nas Casas Bahia. Rarará!
E o chargista Sinfrônio mostra o que a bala perdida falou pra vítima?
"Me ajuda, tô perdida!" O Brasil virou o país das balas perdidas. Vou me mudar pra Bagdá. Prum lugar mais calmo.
E ainda querem construir o trem-bala ligando São Paulo ao Rio. Já sei como vai funcionar: o CV manda bala pra São Paulo, e o PCC devolve bala pro Rio. Abala! Vai ser o trem-bala perdida. É mole? É mole, mas sobe.
Ou, como diz o outro: é mole, mas chacoalha pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heróica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Porto de Galinhas, Pernambuco, tem um motel chamado VÁ ENTRANDO! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Ex-petista": companheiro especialista em espeto! Rarará! O lulês é mais fácil que o inglês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
No ponto G!

quinta-feira, 15 de março de 2007

Rilke


O POETA

Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é o meu açoite.
Só: da boca o que faço agora?
Que faço do dia, da noite?

Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.



Poesia




A ETERNIDADE

Tradução: Augusto de Campos

De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.


L'ETERNITÉ

Elle est retrouvée.
Quoi?
L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.

Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise: enfin.

Là pas d'espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.

Elle est retrouvée.
Quoi?
L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

[Mai 1872]



quarta-feira, 14 de março de 2007

O Papa não é pop




O Bento não é nada pop. Agora o cara surtou de vez. Reforçou que o segundo casamento de divorciados é uma praga social. Acentuou o celibato para os padres e quer que os seminaristas aprendam a rezar missas em latin e que os fiéis aprendam o canto gregoriano. Risível não?
Bem, a Igreja tá perdida mesmo. os Hernandes estão presos; o Papa vive na Idade Média - mais recalcado do que ele não há outro. Minha preocupação não é com o recalque, mas sim o seu retorno...Mas isso é assunto para conclaves psicanalíticos e não eclesiásticos. Mas eu , como bom protestante , não poderia deixar de protestar contra este reinado de brincadeira que é o papado. Ele brinca que legisla e os fiés brincam que respeitam suas leis. O poder disciplinar da Igreja Católica não é tão forte quanto a malha de vigias da Igreja Protestante. Neste sentido eu até prefereria ser católico, porque assim eu podia fingir ser católico como todo mundo. Mas, sabe que pensando bem, eu não sou nenhum nem outro . De qualquer forma vale a pena dizer que em termos Foulcautianos os protestantes dariam um novo Vigiar e Punir- versão revista e atualizada.

Aff...comecei o post falando mal dos Católicos e terminei espetando os Protestantes! Pra defender um pouco minha " raça", nós ainda não temos um Papa, entretanto , eu considero questão de tempo para que haja pelo menos uns 30 Papas evangélicos disputando o poder pelo Brasil à fora. Será a volta triunfal do Feudalismo- eu sua versão pós- moderna. Que cenário einh?

terça-feira, 13 de março de 2007

Quero saber


Ontem me propus uma séria questão: gente burra tem uma voz característica?

A questão parece ser simples à primeira vista, mas se nos debruçamos sobre ela por mais tempo percebemos que ele guarda tesouros inexpugnáveis.

Como a questão me surgiu?

Vou contar. Estava eu na minha aula de Filosofia, juntamente com mais oito personagens do segundo semestre em Psicologia. Neófitos em quase tudo. Mas com a ignorância eu normalmente tenho paciência. O que me dá nos nervos é o fingimento, coisa na qual os cearenses são notáveis. Então, cá estou eu absorto em meus pensamentos mais sórdidos, quando uma notável colega do outro lado da sala eleva sua voz, como num anúncio apocalíptico e, com uma voz falsamente enigmática e de uma melancolia às avessas faz uma pergunta inócua, uma mera repetição de uma frase do texto. A professora, assustada , não sabia o que dizer. Olhou por cima dos óculos, e disse: “ perguntas simples também são bem vindas, mas podem fazer perguntas difíceis também”. Tadinha. Eu entendo o desespero da mestra. Foi uma tentativa frustrada de ser elegante com a mentecapta.

Foi então, que entrei nesta saga de saber se quem é burro tem o tom de burrice. Não sei se isso existe. Se gente burra fala como gente burra. Mas aí eu teria que admitir que existe algo como “ a burrice” e que ela é como uma doença com sintomas bem característicos. Mas , como já disse, eu não sou nada bom em jogos lógicos, deixo isso pros meus amigos filósofos.

De qualquer forma a pergunta está lançada, cada um conte sua experiência. Gente burra tem voz de gente burra?

domingo, 11 de março de 2007

“ L’amour est un oiseau rebelle”.


Seus pés tocavam com displicência o vaso de flores. Balançando na rede, sentia seu coração opaco bater sistematicamente; uma cantiga velha e reticente. Cantiga que sempre carregou no peito pesado de amor.

O vento entrava com voracidade jogando velhos rabiscos ao chão. Sua antiga caixinha de música - presente de sua avó- balançava, quase que como tonta tocava sua musiquinha melancólica e insisitente. Tudo naquela casa insistia.

--O balançar da rede causaria vertigem à minha mãe, a velha nunca gostou de balançar-se em rede- passou-lhe magoadamente a memória da mãe morta. O corpo da mãe fora velado na mesma rede que morrera de repentino ataque de cólera. Seu ódio a matou. Ódio mata. Amor e ódio matam na mesma intensidade.

A rede continuava seu balanço; lento e barroco – canções de ninar tocavam ásperamente ao fundo de sua alma...Não amava e nem odiava . Se morreria de tédio ela não sabia. Tédio também Mata. Mata tanto quando ódio e amor. O Tédio é a antítese de tudo que faz sentido ; é a morte do sentido.

Acendeu um cigarro e o deixou queimar sozinho. Não deu nem mesmo um só trago. Não queria acelerar sua morte – pensou- queria mesmo morrer de tédio: uma morte lenta e gradual. Morreria para si mesma e para sua mãe. Morreria para a mágoa e para o rancor de sua felicidade; sua felicidade sempre fora a custa de sua mãe. Deixou o cigarro queimar e derrubou o vaso com os pés. O som do vaso se quebrando e seu grito rouco foram ouvidos ao longe- seu grito rouco e fingido.

--Eu mesma derrubei e quebrei à propósito da morte de minha velha avó – escreveu no ar com os dedos rígidos

“ L’amour est un oiseau rebelle”.

sábado, 10 de março de 2007

Fico até empolgado


Bush parece que resolveu admitir porque se tornou o grande Messias salvador do Oriente médio:



"As pessoas se perguntam por quê o presidente dos EUA está interessado em diversificar as fontes de energia. Uma das razões é que se dependemos de petróleo, que vem de fora, temos uma questão de segurança nacional."

"Nossa dependência do combustível de outra pessoa significa que estamos dependente de suas decisões. Queremos diversificar, sair do petróleo" ( G.W Bush)

Logo se vê que a questão de segurança nacional não é o terrorismo e sim o petróleo. Eu sei ...é clichê, mas dito por ele é bem diferente. É música aos meus ouvidos......


nos próximos post falo da visita do Papa ao Brasil. Tantos ilustres facistas nos visitando...fico tão empolgado.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Sobre o novo título.



Un.be.ha.gen
Sn (o. Pl) mal-estar, desconforto.

Mal-estar:

substantivo masculino
1 sensação desagradável de perturbação do organismo; indisposição que não chega a configurar doença; incômodo, indisposição
2 estado de inquietação, de aflição mal definida; ansiedade, insatisfação

Qem matou Odete Roitman?




Proposta de angustia matinal:

1- Por que Bush foi a São Paulo e não Brasília?
2- Por que Lula saiu do Palácio para visitar o visitante em Sâo Paulo?
3- Por que o paulistano que já sofre com trânsito caótico de SP todo dia tem que aguentar mais um transtorno devido à visita de Bush ?
4-Por que Hugo Chaves viajou à Argentina para protestar? Por que não fazer seu marketing em casa mesmo?
5- Por que Bush não vai dar uma passadinha na Argentina?
6- Por que Bush implica tanto com Hugo Chaves? ( vou dar uma dica: será o petróleo?; ou será que quando acabar com o Oriente sua nova guerrinha será contra o socialisto latino americano?).
7- Por que alguem deve ser preso por " ato obsceno" só pelo fato de estar nua e protestanto enrolada com a bandeira do Brasil? Será que essa é a maior obscenidade que estamos vendo?

Por último, darei destaque a algumas últimas perguntas:

Onde andará Zaratrusta?
Quem mexeu no meu queijo?
Quem matou Odete Roitman?


quarta-feira, 7 de março de 2007

GABO


Ontem Gabriel Garcia Marquez, o GABO, completou 80 anos . No mesmo dia " Cem anos de Soldião " completou 40 anos com mais de 32 milhões de cópias vendidas. Impressionante não?
Desejo vida longa ao mestre da solidão que já pode morrer feliz por ter escrito o que é , talvez, o melhor romance que já li durante meus 27 anos.....Parabéns Gabo.

Leia mais aqui.

terça-feira, 6 de março de 2007

Da evolução


Quero mais uma vez deixar um trecho do meu livro de cabeceira , " Cartas a um jovem poeta", de Rilke. Já estou na terceira ou quarta leitura. São poucos livros que tem esse poder de ser renovar a cada minuto. Sinto que preciso transcrever este trecho para aprofundar um pouco esta verdade em meu espírito. Sinto que isso é uma verdade pra mim.

"...as obras de arte são de uma infinita solidão; nada as pode alcançar tão pouco quanto a crítica. Só o amor as pode compreender e manter e mostrar-se justo com elas. É sempre a si mesmo e a seu setimento que deve dá razão contra toda explanação, comentário ou introdução dessa espécie. Mesmo que se engane, o desenvolvimento natural de sua vida interior há de conduzi-lo devagar, e , com o tempo, a outra compreensão. Deixe a seus julgamentos sua própria e silenciosa evolução sem a perturbar; como qualquer progresso, ela deve vir do âmago do seu ser e não pode ser reprimida ou acelerada por coisa alguma. Tudo está em levar a termo e, depois, dar à luz. Deixar amadurecer inteiramente, no âmago de si, nas trevas do indizível e do inconsciente, do inacessível a seu próprio intelecto, cada impressão e cada germe de sentimento, e aguardar com profunda humildade e paciência a hora do parto de uma nova claridade: só isso é viver artisticamente na compreensão e na criação" ( p.37- Cartas a um jovem poeta . Rainer Maria Rilke. Editora Globo).

segunda-feira, 5 de março de 2007

Nada bem vindo.


Se alguem tem benzedor que seja agora: Bush no Brasil esta semana.

É legal a gente ser o Messias salvador do mundo né? A única diferença é que o verdadeiro Messias entrou em Jerusalém- lugar onde seria assassinado- montado num jumentinho; Bush Cristo , ao contrário, conta com o maior esquema de segurança já feito no Brasil pra uma autoridade estrangeira.
Exigências para um salvador da pátria.

Espero que o MST sirva pra alguma coisa e faça um " protestozinho" contra o ditador.
O meu está feito.

Ele não é bem vindo.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Solidão é bom , mas dói


...E ele caminhou lentamente ao seu lugar. Sim; ele acreditava piamente que cada um de nós tem um lugar, uma habitação. Ele escolheu acreditar nisso: que seu lugar devia ser tomado, e, caso fosse preciso, tomado à força. Mesmo que fosse a força da música, ou literatura. Melhor que fosse a força da arte- a arte deixa pouco espaço para a mentira; arte que mente não é arte que se preze. Ele caminhou lentamente à sua morada – sentia que a cada momento que a noite crescia aumentava também a sensação de ser ele próprio o único responsável por tudo que sentia. Suas sensações não o enganavam; já não fazia mais sentido culpar as pessoas por sua solidão: seu lugar estava garantido. Mas não uma garantia sem preço – um alto preço precisava ser pago e ele estava, pelo menos nesta noite, disposto a pagar.

Eu pago.

Eu vou pagar, porque já cansei de pedir emprestado para a vida.

Hoje a noite pagarei. Quero pagar caro, porque só o difícil vale a pena.

Eu pago.

Ode à literatura. Deixa que ela flua.

Solidão é bom, mas dói muito.



Happy the man, whose wish and care
A few paternal acres bound,
Content to breath his native air
In his own ground.

Whose herds with milk, whose fields with bread,
Whose flocks supply him with attire;
Whose trees in summer yield him shade,
In winter, fire.

Blest, who can unconcernedly find
Hours, days, and years slide soft away
In health of body, peace of mind;
Quiet by day.

Sound sleep by night; study and ease
Together mixed, sweet recreation,
And innocence, which most does please
With meditation.

Thus let me live, unseen, unknown;
Thus unlamented let me die,
Steal from the world, and not a stone
Tell where I lie.

Alexander Pope