sexta-feira, 2 de março de 2007

Solidão é bom , mas dói


...E ele caminhou lentamente ao seu lugar. Sim; ele acreditava piamente que cada um de nós tem um lugar, uma habitação. Ele escolheu acreditar nisso: que seu lugar devia ser tomado, e, caso fosse preciso, tomado à força. Mesmo que fosse a força da música, ou literatura. Melhor que fosse a força da arte- a arte deixa pouco espaço para a mentira; arte que mente não é arte que se preze. Ele caminhou lentamente à sua morada – sentia que a cada momento que a noite crescia aumentava também a sensação de ser ele próprio o único responsável por tudo que sentia. Suas sensações não o enganavam; já não fazia mais sentido culpar as pessoas por sua solidão: seu lugar estava garantido. Mas não uma garantia sem preço – um alto preço precisava ser pago e ele estava, pelo menos nesta noite, disposto a pagar.

Eu pago.

Eu vou pagar, porque já cansei de pedir emprestado para a vida.

Hoje a noite pagarei. Quero pagar caro, porque só o difícil vale a pena.

Eu pago.

Ode à literatura. Deixa que ela flua.

Solidão é bom, mas dói muito.



Happy the man, whose wish and care
A few paternal acres bound,
Content to breath his native air
In his own ground.

Whose herds with milk, whose fields with bread,
Whose flocks supply him with attire;
Whose trees in summer yield him shade,
In winter, fire.

Blest, who can unconcernedly find
Hours, days, and years slide soft away
In health of body, peace of mind;
Quiet by day.

Sound sleep by night; study and ease
Together mixed, sweet recreation,
And innocence, which most does please
With meditation.

Thus let me live, unseen, unknown;
Thus unlamented let me die,
Steal from the world, and not a stone
Tell where I lie.

Alexander Pope

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