quinta-feira, 21 de junho de 2007

Dançando e ofendendo.


(cinco, seis, sete, oito)
Plié, demi-plié, arabesque, do-si-do, cara de cu!, gran jeté, comedor de bosta!, glissade de sous, flic-flac, pas de deux, cheira-rola!, degagé, stomp, stomp, cambré, pas marché, prega-frouxa!, filho de um pablito-boqueteiro!, demi-brás, developpé, elancé, pivot, senta no meu Aloísio e samba!, failli, demi-plié, plié.

Garipeira da beleza.


" ..o vento e a vela me levam distantes..."

ha..cansei. Definitivamente cansei... Como a vida é fácil. Difícil sou eu. Tudo é fácil. Eu devia ouvir Rilke e me aferrar ao difícil, porque o fácil já me é uma nódoa branca...Me enoja. O fácil não tem me trazido absolutamente nada: principalmente não tem me trazido para mim mesmo...mesmo assim, ainda reclamo de não me gozar como todos gozam. Não sei gozar a vida na facilidade....porque sou difícil. Mas a vida é fácil. Difícil sou eu. Repito e repito.
Difícil sou eu.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Saudades de mim


Preciso de mim mesmo. Que saudades de mim mesmo. Saudades de quando em mim havia um alguem que se fazia uma companhia gostosa e densa. Que saudade é essa que sinto se não é de mim mesmo?
É sim..saudade de mim e o cinema....Eu e um livro...eu e um amigo. Eu e minha companhia sempre aprasível. Nada como confiar em si mesmo e só de si esperar abrigo.

ABrigar-me em mim mesmo na certeza de um terno e contínuo abraço. Basta os tambores...é chegada a hora de escutar meu coração.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Amar se aprende amando.


"O mundo é grande e
cabe/ nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe/ na cama e no
colchão de amar. O amor é grande e cabe/
No breve espaço de beijar.

O ser busca o outro ser,
e ao conhecê-lo/
acha a razão de ser , já
dividido./ São dois em um :
amor, sublime selo/
que à vida imprime cor,
graça e sentido.

Amor-eu disse- e floriu uma rosa/
embalsamando a tarde
melodiosa/ no canto mais oculto do jardim,/
mas seu perfume não chegou a mim."

Drummond em " o mundo é grande" e " amor" de Amar se aprende amando.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Tão minha...só minha.


Chega uma hora que cansa. Solenemente decido que não preciso mais deixar ninguém à par das minhas dores. Minha existência é tão minha, e à parte de tudo, é inútil compartilhar. Além de tudo isso, mesmo sendo duro admitir, ninguém tem obrigações com minhas dores; nem entendem. Quando dizem que entendem, não passa de pérfido fingimento. Como as pessoas fingem mal. São péssimos personagens. Já eu, finjo muito bem, e , a partir desta data, mais ainda fingirei. É só fingindo que se pode passar pela vida. Fingindo ser feliz, fingindo ser melhor do que se é....fingir para não ter que explicar. Para não ter que explicar aquilo que é impossível de ser explicável. É que no mundo de hoje, é preciso explicar solidão, porque ninguém mais estende a mão. no mundo de hoje, é preciso explicar que se quer amor, porque há poucas pessoas disponíveis para amar.

Não há o que falar, nem o que dizer. Tudo que é dito carrega consigo o perigo de não ser compreendido, ou de ser. O que seria pior?

sábado, 9 de junho de 2007

MInha dor meus apelos


Que caiam as fronteiras e que se atei fogo às cercas brancas da existência. Que se anule o nome existência. Então, minha existência fica sem nome e sem esteio. Apoio-me em nada, e em coisa alguma procuro suporte.
“...vem , mas vem sem fantasia, que da noite pro dia você não vai crescer....”

quarta-feira, 6 de junho de 2007

SOu eu mesmo.

Onde eu estava com a cabeça que deixei meu centro ir para as beiras? Onde eu estava com a cabeça quando desconfiei de mim mesmo? não há certeza melhor e maior do que si mesmo.
Onde estava meu centro quando eu fugi de mim mesmo e me deixei cair em braços de ignomínia? Quando acreditei na falácia dos semi-deuses? Onde estava meu cérebro quando me conformei com este mundo? “ não vou conformeis com este século”. São Paulo era muito sábio...burro sou eu. Um burro inteligente que pensa que, em algum momento, pode ser burro. Não se pode. Eu não posso. Sou eu mesmo!
Quando esqueço que sou eu mesmo; que não posso ser nada além de mim mesmo. quando esqueço que eu mesmo posso ser desejado por mim mesmo e por um outro mim mesmo.....difícil de entender? É isso mesmo. Volta sensata ao dadaísmo, de onde nunca deveria ter saído. Haaa.....! ser o que se é . mais difícil que mudar. Mas só quero mudar se for para ser o que eu sou . “ Eu mesmo, a charada sincopada que ninguém da roda decifra!!”.

Álvaro de Campos

Sou Eu

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...