...Lentamente tudo ao seu redor se partia. Ele precisava de estabilidade. Sob sua mesa os papéis, jogados a esmo, tinham sua própria forma de se organizar- ao léu , ao vento. Em seus pensamentos sentia braços ao seu redor- sua fantasia mais sensual: ser carregado por braços fortes e invisíveis. Sua fraqueza seria então sugada para outros mundos; braços de âncora que lhe dariam o maldito amparo. Há alguns dias que ele caia vertiginosamente; era sua escolha: deixar-se cair para não ter que andar. Cair lhe poupava as forças. Claro! Ele tinha que regrar sua energia. Metade dela era para respirar, a outra metade para manter as pessoas afastadas o suficiente para que não lhe roubassem mais energia.
...Lentamente tudo ao seu redor derretia. Ele precisava de visibilidade. Sentia que ninguém o via. Não como ele queria. Ele desejava...Desejava olhos que soubessem ver que ele nem sempre estava triste. Ás vezes, quando um raio de sol meio torto iluminava sua testa, gotas felizes escorriam pelo rosto...era feliz, mas ninguém olhava. Sem pessimismo, ele estava terrivelmente triste. Sua fraqueza estava sendo agora sua fortaleza em dias de desamparo.Já faz algum tempo que ele corria forçosamente rumo ao rumo que lhe deram. Correr lhe dava forças. Claro! Ele tinha que gastar sua energia. Metade dela iria para respirar, a outra metade para manter as pessoas perto o suficiente para roubar-lhes um pouco de força.
....Lentamente tudo ao seu redor escurecia..........
eu só digo uma coisa....
ResponderExcluirGenial!
Desejava olhos...
ResponderExcluirSempre desejamos algo, sejam olhos que vejam além dos portões da carne ou afagos que façam eco, chegando até a semiótica da alma.