21:33 . Temperatura: 30 graus.
Já faz algum tempo que eu não falo do meu mal-estar de viver em comunidade. Quem sabe depois do relato da minha segunda-feira todos entendam, finalmente, a grande máxima da humanidade: no Brasil, pobre sofre.
Minha saga hoje começou cedinho. Levantei cambaleando da cama como se não tivesse dormido a noite toda. Já acordei cansado. Tomei um banho frio e comecei a me preparar para ir até a UNIFOR só para atender um paciente. Andei até a parada sob um sol escaldante. Agora vejam só: ainda são 8 :00 da manhã, e aqui na tal da terra do sol, já temos calor e luminosidade suficiente pra dar câncer de pele em um zulu. Pronto. Peguei meu famigerado Cidade 2000/Papicu e fiz minha primeira visita ao fétido Terminal do Papicu. Bem, o terminal é um epicentro de calor no meio do cu ( explico- o Papicu, bairro onde moro, é dividido entre o papi e cu: o papi é a parte melhor, o Cu, a parte mais periférica), povoado de ambulantes e pessoas, quase todas, desclassificadas. Esperar um por favor ou um mero obrigado aqui no Ceará já é coisa rara, imaginem dentro deste anti-sala do inferno. Mas é assim que começo meu dia, quase todo santo dia.
Bem, como se não bastante toda essa saga para chegar até a UNIFOR, quando adentro os portais do SPA ( serviço de psicologia aplicada) descubro que meu paciente não veio porque uma das super-hiper competentes secretárias da recepção cancelaram a consulta. Motivo? Um outro estagiário, também chamado Rafael , estava doente e pediu que todos os seus pacientes fossem cancelados. Agora, os erros aqui são muitos. Primeiro que a louca da secretária não se deu ao trabalho de checar de qual Rafael se tratava, colocando em cheque o tratamento do meu paciente. Depois que o outro estagiário sonhaaaaa que ele tem secretária. Não podemos pedir que as secretárias cancelem nossos compromissos dessa forma. Mas ele sonha que já é um psicólogo famoso. Assim é que dois incompetentes tornaram meu dia mais infernal.
Saindo da UNIFOR, lá vou eu para o Iguatemi tentar comprar um chip da OI. Sim, vou mudar meu número. A OI está com uma promoção bem legal. Mas isso é periférico. O importante é dizer que agora, às 10:30 da manhã o sol já me causa queimaduras superficiais na pele ( perdi meu filtro solar). Já no Iguatemi tento comprar o tal do chip. Primeiro problema: “ senhor, pré-pago só com dinheiro”. Já fico puto porque queria pagar com cartão de crédito. Tento com o débito automático ( que é pagamento à vista). A idiota vira pra mim e diz “ – Não senhor. É só com dinheiro mesmo”. Meu deus! Em que planeta eu estou? Eu ás vezes me pergunto minha gente! Aí , com toda placidez que é me é peculiar, vou até o caixa do Banco do Brasil. Aqui começa realmente a parte difícil.
Primeiro vamos combinar uma coisa: se os velhos têm mais direitos do que nós jovens, então que façam um caixa exclusivo para velhos, grávidas e outras minorias. Simplesmente eu passei mais de 40 minutos na fila porque não parava de chegar velho. Minha gente, um horror. Acreditem, eu respeito a velharia, mas tudo tem limites. Eu também sou cliente do banco, e como vocês podem ver, sou quase deficiente mental. Eu não suporto ficar muito tempo na fila observando seres energúmenos ( agora já não me refiro aos velhinhos, mas a todos que tentam usar as máquinas), que não sabem mexer com máquinas simplórias como um caixa eletrônico. Gente, uma anta lá, uma mulher mal vestida, passou tanto tempo digitando a senha errada que o cartão foi bloqueado. Enquanto isso, eu, pacientemente, vejo passar todos os caquéticos na minha frente. E eu, morto de dor nas pernas, suando em bicas (o ar-condicionado da agência é inútil), espero pela minha sagrada hora de sacar míseros 20 reais para o chip.
Finalmente chego ao caixa e o que acontece? Nenhuma caixa naquela agência leu meu cartão. Então, 40 minutos de tortura só serviram para fazer de mim um mestre da paciência. O que eu podia fazer a não ser andar até a outra extremidade do Xoping ( sim, é assim que o Aurélio escreve Shopping, chocante não?) e tentar sacar em outro caixa. Chegando lá o que eu encontro? Mais velhos. Realmente o Brasil deve estar melhorando. Antigamente não se via tantos velhos. Acontece que os velhos europeus são mais ativos e, portanto, não atrapalham a vida alheia como aqui. Nesta altura do meu post já sei de vários leitores meus que estão ávidos por me apedrejar. Eu não recomendo. Mas sim. Continuemos.
Lá estou eu com minha nota de 20 reais na mão; corro desesperado para comprar meu chip. O tempo passa e já estou faminto. No meio do caminho, como de costume, uma estúpida, gorda e , novamente, mal vestida, esbarra em mim. O que acontece? Ela consegue me dá um soco no saco! Genteeeeeeeeeeeeeeeeeee, a louca me deu um murro nos ovos! Eu quase morro. Agora, imagem vocês... Ela pediu desculpas? ÒBVIO que não. Aqui ninguém pede desculpas ou diz obrigado. São palavras proibidas em Fortaleza, por motivos que eu jamais descobrirei. Acho que remonta à seca..não sei.
Finalmente consegui comprar a merda do chip. Pronto. De volta à UNIFOR, isso já às 16:00, sol a pino, minha pele nórdica se derretendo procurei minha orientadora de estágio. Nada. Sumida. Mas descobri que tirei mais um 10. pá!
Da UNIFOR fui pra minha rotineira análise. Meu analista , como sempre, me deixou maluco. Na volta , de novo terminal do PapiCU. Às 20:00 um calor de 30 graus. Suor, gente feia, mais suor; esperando meu querido Papicu/ Praia do futuro. Lotado. Uma coisa gozada acontece aqui: as pessoas se aglomeram bem na porta do ônibus. Eu tive que me espremer até a saída e ainda desci na parada errada.
Chegando aos finalmentes....cheguei em casa quase às 21:00, torrado de calor, vermelho, pele queimada—já posso vislumbrar os câncer ou as lesões de pele que quem mora numa terra de sol 365 dias no ano.
A única coisa que restou a fazer foi preparar um escalda pé, passar litros de hidrantes no rosto e cuidar da minha cabeça, porque sabe como é: pobre sofre!!!
Nossa...
ResponderExcluirEu me identifico com a parte da fila no banco. Odeio fila.
Dias melhores virão...
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