segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

UM BOM BURACO NOVO.

Bem vindo à minha vida de curativos. Desde minha fatídica cirurgia que eu não sou o mesmo. Foi um baque poderoso da minha vaidade. Haja paciência viu? E no meu caso é literalmente paciência de Jó, porque como ele eu também tive minha parcela de chagas. E chagas abertas!
Um teste de paciência sem tamanho. Logo eu, que nunca tive tanta paciência; entro 2009 com chagas abertas. Toda aquela expectativa de que tudo será novo, que os erros do passado nunca mais serão cometidos, de que o ano trás coisas boas; não tenho fé em nada disso. Acho que cometerei os mesmo erros; acho que o ano em si não trás nada de bom para mim e que algumas coisas permanecerão as mesmas. Mas na minha chaga tenho fé. É que depois de um buraco ninguém é igual. Aí sim, a pele será novinha em folha, um tecido novo agora como parte viva do meu corpo. Em 2009 a única coisa realmente nova em mim será minha carne nova, pele nova para 2009. Esta é a única garantia que posso ter. Já que todo mundo gosta de garantias, eu dou essa: eu vou ter uma carne nova no lugar da que foi removida.
Então, confie no buraco. Só no buraco. E o melhor, esse vai cicatrizar. Outros buracos nunca cicatrizam, e eu que tenho um agora sei o que é carregar um buraco. E mais, é possível ser feliz carregado um buraco no centro de tudo. Tudo ao redor se adéqua ao buraco, e toda uma existência se constrói ao redor da força gravitacional do buraco. Ai de quem não tem um buraco. Quem não tem, fica sem centro gravitacional e se sente puxado para todos os lados. Só quem tem o buraco tem um centro firme, um poder gravitacional que puxa a si mesmo para dentro e mantém planetas ao seu redor.
Assim, em 2009 desejo a todos um bom buraco novo!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz aniversário.

Pai hoje é seu aniversário.
Quando você nasceu eu ainda não existia. Quando cheguei na sua vida você já tinha 24 anos de idade, se não me engano. Eu era um bebê. Eu não sabia nada de sua história antes de eu nascer, nada. Mas , isso não quer dizer que não havia uma história. Depois comecei a crescer e passei anos sem saber nada dessa história e de como você tinha se tornado quem foi para mim. A infância é um tempo bom para os pais, mas os filhos não se relacionam com os pais e sim com um ideal de pais que só serve para suprir suas necessidades. Aí chega a adolescência e a coisa desanda mais ainda.

Estranho os pais acharem que a melhor fase de seus filhos é quando eles são crianças. Na infância os filhos não trocam nada com os pais. A relação é absolutamente idealizada: os pais ainda acham que os filhos vão ser tudo que eles sonharam e os filhos acham que os pais são super-heróis, isto é, nem um dos dois realmente se conhece.

Hoje você faz 55 anos. É um homem maduro e experimentado. Ano que vem eu faço 30 anos. A infância e a adolescência já passaram. Esta é a melhor fase. As idealizações já passaram; as exigência se dissolveram. A única coisa que resta é a melhor parte da relação pai e filho, quando os dois podem se tornar amigos de verdades—um conhecendo as humanidades um do outro e ainda assim se amarem. A infância só é bonita; amizade e amor de verdade só vem muito depois quando ambos estão dispostos a se aceitarem exatamente como são: pai e filho unidos em sua mais verdadeira humanidade. Nesta fase não há mais lugar para arrependimentos ou lamúrias, tudo pode e deve ser reinventado.
É por isso que eu digo. Agora é a melhor fase. Somos todos adultos e podemos enfrentas a vida juntos e unidos num vínculo que é ainda mais forte do que pai e filho. Para isso só precisamos deixar de lado o medo e abraçarmos o amor. Eu o amo profundamente; agora muito mais do que na infância..., Porque agora vejo face a face, conheço como também sou conhecido. Esta é a diferença. Hoje não sendo mas a criança frágil e nem o adolescente impertinente , posso ouvir todas as histórias que fizeram de você o meu pai.
Um feliz aniversário,
RAFAEL.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Resistência.



Por algum motivo eu não entrei num espírito natalino este ano. Não quis ouvir músicas de natal, não fiz compras e não sinto vontade de desejar feliz natal a ninguém.
A véspera de natal está mais para uma anti-véspera de natal. Estou com dor de cabeça e cansado de tantos dias ainda me recuperando desta nefasta cirurgia. Estou como se estivesse de molho nos meus próprios fluidos; como se uma “ inhaca” tivesse se apoderado dos meus membros e eu sentisse que entro para depois sair. É um ninho que se forma em mim para receber uma espécie nova e forte que vai chocar ovos chocos. Mas eu sei que um há de vingar, quiçá.
É assim que sigo em direção em fim do ano sentindo um cheiro de um novo ano que se anuncia. Esse ano que se vai foi o meu Ano da Intolerância, agora vem, sem trombetas ou grandes anunciações o Ano da Resistência. Na vida de todos nós, para vivê-la, é preciso construir barricadas e alguns muros intransponíveis. Nada de portões nas muralhas. Elas devem ser firmes, para que aqueles que por elas passarem mereçam entrar. Uns já nascem dentro e bem aventurado aquele que nasce nos muros de uma cidade. Entrar nela fica para quem consegue quebrar ou seduzir os vigias. É assim que se anuncia o Ano da Resistência. Manter a cidade sitiada e a felicidade sempre burlando o possível; porque só se é feliz desejando o impossível. Eu suponho. Não tenho certeza mais. No Ano da Intolerância eu ainda tinha certezas; aí vieram os dias em sua realidade que sempre supera as expectativas. Então eu vi. Vi com meus próprios olhos. Foi quando as certezas arrefeceram e a pressa teve que sucumbir.
O ano da Intolerância teve o amor como inimigo. Neste ano que se anuncia sem dizer nada, o amor apresenta suas armas. O ano da Resistência me vomita antes mesmo de começar porque estou morno. Malgrado sua rejeição, volto ao meu próprio vômito –que sou eu—e viro pasta grossa que anda. Andarei mesmo vacilante e resistirei. Porque nós, os animais, temos essa resiliência, é essa capacidade concreta de retornar ao estado natural de excelência, superando uma situação critica. Assim, voltarei como a energia armazenada em um corpo deformado quando é devolvida logo que cessa a tensão causadora de tal formação elástica.
Eu não sei se conseguirei. Seguirei, no entanto, resistindo. Esse é meu desejo a todos neste natal. Resistam firme. Porque, es que la gente es muy mala. A população é imbecil. O futuro é incerto e em dois dias uma vida muda. Como disse uma amiga: quero que todos se afirmem, nem que seja em sua infelicidade. Resistam firme em seu núcleo quente e vulcânico. É que não se deve, jamais, nem sob tortura, ceder de seu desejo.
Desejo a todos o seu próprio desejo , e digo como Adriana: não há lugar para lamúrias, essas não caem bem—Não há lugar para calunias, mas por que não nos reinventar?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Na natureza selvagem.


Convenhamos: seria cômico se não fosse natural.

No mês passado, dois pinguins foram segregadas depois que foram capturadas roubando ovos de outros pingüins e colocando pedras no lugar. A "segregação" dos dois pingüins machos acabou gerando protesto por parte dos visitantes do local.



Devido às reclamações, de acordo com "Daily Mail", o zoológico decidiu dar dois ovos ao casal. "Decidimos dar-lhes dois ovos de outro casal cuja capacidade para chocar tem sido fraca", afirmou um dos guardas do zoológico.



Segundo o mesmo funcionário, "os pingüins gays mostraram-se os melhores pais de todo o zoológico". "É muito animador. Se isso terminar bem, vamos tentar torná-los verdadeiros pais com inseminação artificial", acrescentou.
Segundo o jornal inglês, especialistas explicaram que, apesar de o casal ser gay, os dois pingüins machos, que têm três anos de idade, ainda são impulsionados por um desejo de serem pais.
"Uma das responsabilidades de ser um macho adulto é cuidar dos ovos. Apesar do fato de que eles não podem ter ovos naturalmente, isso não lhes tira o desejo biológico de ser pai", afirmou um especialista ao "Daily Mail".

Fico aqui pensando: será que essas aves " viraram" gays porque estão vendo muita novela da globo? Será que eles tiveram pais ausentes? Ou simplesmente a natureza quis assim? Pensemos. Enquanto isso, o zoológico dá direito aos pinguins gays adotarem filhos e os seres humanos ainda não podem. Confuso não?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Homofobia novamente.



 




É preciso voltar a esta questão. No dia 27 de junho escrevi um post sobre homofobia evangélica em resposta ao protesto dos evangélicos contra a lei que quer criminalizar a homofobia. Para minha surpresa este foi um dos posts mais comentados do meu blog. Por esse motivo, pela popularidade que me deram, resolvi falar mais uma vez sobre essa questão,mas desta vez, decidi expor a barbárie do pensamento fundamentalista reinante no meio dito evangélico. Sugiro que releiam o post.

Hoje eu gostaria de mostrar os comentários que recebi de alguns cristãos anônimos. É claro o ódio, intolerância e discriminação nas linhas e entrelinhas. Qualquer energúmeno com o básico de história geral, pode perceber que a religião, até os dias de hoje, não serviu para nada se não para propagar o ódio, as guerras, assassinatos, complôs, intolerâncias e outras maldades. Não vou muito longe. Fiquemos com um exemplo bem recente: a escravidão. O sul dos Estados Unidos, que hoje é chamado de Bible belt ( cinturão da bíblia) por ser uma das regiões mais dominadas pelos evangélicos na América, foi o grande reduto da escravidão há pouquíssimo tempo. Os evangélicos era os maiores defensores, e até provavam biblicamente, que a escravidão era justificável e que o negro não tinha alma. Ora, prefiro não comentar não é? Presumo que escrevo meu post para pessoas com o mínimo de inteligência, oops, ledo engano não é? Já que os macaquinhos que escreveram os comentários abaixo demonstram que não lhes foi concedido o dom da vida interior, não é Sandra? ;)

A lei da criminalização da homofobia não tem por objetivo incentivar a homossexualidade, até porque, isso não é necessário. Há bicharada está solta pelo mundo a fora. Ah! E um segredinho: elas adoram os templos evangélicos onde as promessas de " cura" superabundam; todas promessas falidas. Não conheço um homossexual curado. Os que se dizem curados, ou não eram realmente homossexuais ou estão enganando suas pobres mulheres...Fico com a segunda opção.

É necessário sim que haja uma lei para proteger os cidadãos brasileiros homossexuais, homens e mulheres, contra a violência gerada pelo preconceito e burrice, até porque, afinal de contas, " es que la gente es muy mala". Se os homossexuais não podem ser amparados pela lei, então que eles deixem de pagar impostos, ou de fazer compras, ou de viajar pelo mundo inteiro alimentando a economia global. Se os gays não podem ser protegidos por lei, então que as igrejas não aceitem seus dízimos e voluptuosas ofertas, e muito menos seu talento. Sim, porque os " viadinhos" nas igrejas evangélicas só tem vez quando estão no palco à dançar e se exporem ao ridículo, ou então, quando estão por trás de algum microfone entretendo o populacho. Se os crentes tem tanto medo da lei contra a homofobia é porque eles são intolerantes e não estão pregando o verdadeiro evangelho de Cristo; nos quatro evangelhos não há uma só menção contra o comportamento homossexual, se ele fosse assim assunto tão importante creio que Jesus não deixaria passar. Se os crentes se prendessem ao amor, tolerância, compaixão e justa divisão de bens ( como eram com os tais apóstolos) não haveria tantos necessitados no meio da dita igreja e nem tanta diferença social. O Reino de Deus não é comida ou bebida, mas JUSTIÇA, PAZ E ALEGRIA.

A lei de criminalização à homofobia é uma lei justa que tem o objetivo de promover a paz , alegria e boa convivência numa sociedade que se diz múltipla e culturalmente rica como a brasileira. Agora, deixo-vos com os comentários " cheios de amor" que recebi dos irmãos evangélicos. Alguns vão logo ao ponto, e outros preferem dissimular seu ódio através do seu intenso desejo que eu venha a queimar no mármore do inferno. A estes só digo uma coisa: no inferno, já estamos todos nós. Um país que ainda há este tipo de pensamento é um verdadeiro inferno. Uma igreja dita evangélica que nunca compreendeu seu chamado é um inferno; para os homossexuais sinceros de fé em Deus que vivem nas igrejas evangélicas deste país, a igreja é um inferno. Então, meus caros, não é preciso me desejar um inferno, ele já está entre nós. Queira Deus que vozes se levantem neste país e proclamem verdadeiramente que é chegado o Ano aceitável do Senhor,onde haja amor, paz, justiça social e alegria no Espírito.

todos os comentários são anônimos, tamanha a integridade dos cristãozinhos, divirtam-se:



 


 

Vaidinhos, viadinhos!! Acho que todo gay deveria nascer já com um pinto na boca, pra parar de falar tanta merda... se bem que acho que vocês iam adorar.
Falam de preconceito, mas não podem receber uma cantada de uma mulher que ficam "LOUCAS", xingam, esculhambam. Isso não seria HETEROFOBIA????
Vão fazer filho, bando de merda.

7/16/2008 9:44 AM


Anônimo disse...

To a favor do cara aí de cima...
Além de viado é estúpido e ignorante. A pior raça que existe são essas bichas que são metidas a intelectuais. Ficam falando merda por aí. Se vc, sua bicha louca, quer ser um viado, doador de cú, isso é um problema seu, eu não sou obrigado a calar a boca e dizer que vc tá errado em ser essa aberração que vc é. Isso vale também pra esse monte de sapata que fica por aí falando merda.
obs: Se vcs querem respeito aprendam antes a respeitar.

8/31/2008 10:37 PM


Anônimo disse...

Lamento que os evangélicos sejam chamados de fanáticos, Olhei as fotos dos gays e percebi que ha fanatismo do lado gay, so que de forma patetica. lamento ver que homens e mulheres abriram mao da obra perfeita de Deus e tomaram rumos que darao no inferno. Pena destes gays.

10/12/2008 9:47 PM


Anônimo disse...

Deus ama o pecador, e não o pecado, mas tambem,e severo na ley, Deus nos Seus mandamentos diz bem claro homen não deita com homen, nem mulher deita com mulher.Saõ desobedientes, e Deus abomina,será que esta aberraçao, traz felicidade? para aqueles que praticam,Eu sei que eles choram tem um vazio, tam grande a ponto de acabar com a propria vida,è a dor do pecado da ofenza a " Deus " convido a todos os Homo... procura intimamente a Deus pede libertaçao e a paz e conta o milagre que Deus fará na tua vida . esto é felicidade . nao ter nada a pedir sò agradecer, Ele nosso Deus lindo é felicidade, paz plena.

10/16/2008 3:14 PM


Anônimo disse...

Irmão Deus te amae q ele tenha misericordia dos seus atos.... tenho 17 anos e Ele SEMPRE me amparou msmo nos momentos mais dificeis... quero que vc se lembre dessas palavras pois tenho certeza q um dia ele tem planos em sua vida!!
q Ele te abençõe!

abraços!

10/28/2008 8:54 AM


Anônimo disse...

continue com esse pensamento amigo!!
Tenho pena de vc!

12/02/2008 1:05 AM


Anônimo disse...

Nao se esqueça tembem que Jesus te ama , embora seu pensamento seja contrario ao dele! Isso nao importa como uma criatura ele te ama!
Quem sabe um dia vc seja filho dele e passe a se arrepender amargamente!
Mas nunca se esqueça de algo!!
CUIDADO, pois poderá ser tarde!! Abraços

domingo, 30 de novembro de 2008

a bunda



Nestes dias em que tenho tanta consciência de que tenho uma bunda, e de como ela me é importante, dei de cara com um site - http://www.ovidente.com.br/edicoes/09/index.htm--onde achei um poema, super prosaico, de um amigo meu. vejam como me cabe tão bem...

a bunda é sempre um choque
escancarando nossa existência
A bunda está sempre nascendo
e é um rosto.

Daniel Franção Stanchi.

este é só um pequeno trecho, mas ficou bem marcado. Sugiro que visitem o site, lá tem mais coisas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

uiIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Aos navegantes desinformados devo dizer que fiz uma cirurgia para retirar um cisto pilonidal. Aos leitores corajosos recomendo entrar no youtube e assistir a uma cirurgia semelhante a minha. Sim, por mais que a medicina esteja tão avançada eles ainda não arrumaram um jeito melhor de tratar esse problema. Como meu cisto fez um abscesso a ferida tem que ficar aberta e fechar de dentro para fora; eles chamam isso de cicatrizar por segunda intenção. Caso alguém tenha estômago para olhar as fotos no Google verão o tamanho do buraco que estou carregando aqui atrás. O rombo do meu orçamento fica na região sacral, mais conhecida como região acima do cóquix, vizinho do cu. Resultado: tenho agora um buraco de 8 cm de cumprimento por 6 cm de largura. Façam as contas. É enorme. Aberto. Tenho que fazer um curativo todos os dias; é o momento de maior suplício. A gastura e a dor que sinto são indescritíveis. Só desejo isso para meus piores inimigos! Sim! É um ótimo castigo dos deuses.

Por falar em deuses... Agora que tenho todo tempo do mundo para ficar deitado ( de ladinho ou de bruços) lendo, resolvi pegar uma obra digna do que estou passando: A Odisséia. Só mesmo os sofrimentos do pobre Ulisses para fazer jus à minha saga de sofrimento. Sim, porque antes da cirurgia o tal do cisto inflamou e encheu de pus. O médico fez uma punção enfiando a agulha pele adentro sem dor ou piedade. Nem precisa dizer que a dor foi lacerante, fui ao Hades e voltei. Vi estrelas cadentes, anjos e demônios. A cirurgia não foi nada comparado ao sofrimento da punção. Resultado: duas seringas cheias de puro pus misturado com sangue.

Antes que todos se perguntem: o que ele fez para merecer tudo isso?
Joguei pedra na cruz. Melhor, provavelmente eu era um dos pregos que matou Cristo. É a única explicação. O que tudo isso me ensinou? Que a bunda, o cóquix e o cu são as coisas mais importantes da vida. Sem eles nada feito. Por isso também que Montaigne já disse: no trono mais alto do mundo, os reis assentam-se sobre o seu cu.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Uma rápida mistura.

O saguão do hotel estava lotado. O movimento das pessoas, as malas e algumas crianças brincando davam um tom família para o hotel moderninho. A grande recepção tinha um alto pé direito que dava para uma brilhante clarabóia deixando entrar o sol. Lá embaixo, uma gringa se protegia do sol passando uma quantidade cavalar de protetor solar—fugia do câncer. Sentado num sofá branco, “ clean”, daqueles estilos pós-pós-pós modernos de decoração, que como um amigo diz é o modelo decoração hospitalar: branco e minimum;‘Menos é melhor’, dizem todos hoje em dia, lá estava eu, à espera como quem espreita.

Nervoso folheava uma revista de moda, tudo muito clean, light, leve , limpo e solto. Ajeitei o cabelo, cheirei meu punho—o perfume ainda estava fresco, causaria. Eu queria causar uma boa impressão, logo de cara, assim, poupava-me o trabalho na hora da sedução. Eu queria estar clean, light, limpo, leve e solto. O elevador se abriu e lá veio ele. Todo buliçoso, bem alegre, acenou ainda ao longe. Sentou-se ao meu lado cumprimentando o recepcionista. Senti um leve mal estar e propus conversamos do lado de fora.


“ vodka, pura..Não, com gelo, mas só um pouco. Sim, duas vodkas”.
_ gostei do lugar, alegre Né? To adorando sua cidade...
---é que você não a conhece bem, mas ela trata bem os turistas não?
-- até agora está ótimo.


Um silêncio calmo cortou a conversa por alguns instantes enquanto apreciávamos as bebidas. O barman esqueceu-se de pôr álcool. A bebida voltou mais forte . o movimento da mão, os lábios no copo e o olhar curioso cortavam o ar frio da madrugada. Senti um medo de conhecê-lo. Ele era tão desinteressado e, ao mesmo tempo, parecia que só eu estava ali presente. Desinteressado porém bem presente.

--bom perfume, me agrada muito— disse sem timidez. Fui bem direto já que o cheiro me confundia ainda dentro do carro a caminho.
--brigado..Acabei misturando dois perfumes sem querer..tinha passado um, esqueci, passei o outro..não gostei do efeito..Hahaha! Mas, que bom que você gosta.

O perfume dizia tudo. Era denso, sem tocar em nada. Como seus olhos. Negros, pequenos. Um olhar constante de curiosidade. Ávido pelo momento..momento após momento destruía minhas cinzas convicções. Eu nem sabia se havia vida inteligente além daquele olhar, mas ele prendia meu estômago revolto em mim. Era um riso controlado que me via. O perfume despertava a sensação...Aquela sensação que se vê perdida logo após o amor virar bruma e ilusão. Aquele cheiro despertava tudo isso: a paixão nova, descompromissada com o amor, nada além da fugacidade de uma experiência verdadeira, mais tenra que o próprio amor. Aquele perfume colocava em questão todo o amor. Repetindo mentalmente a palavra “ amor” eu ia perdendo seu sentido para sempre. “ amor” parecia uma descrição errada para algo que se aprende entre duas pessoas. De certo aquilo não seria amor. Não seria? Há aqueles que parecem ter descoberto o que é o “ amor” e o descrevem como aquela sensação de pertencimento que vem depois dos embates e dos choros compartilhados..Das perdas cultivadas e dividas. No amor é que se vive as verdadeiras culpas e é lá mesmo que elas se esvanecem, perdem todo valor. No amor não há culpados e talvez no amor, não haja tanto amor assim. De repente, em outro planeta, a paixão é amor, e o amor não é nada além de uma terrível dor de dente. Isso é amor: uma dor de dente que gostamos tanto porque localiza...localiza...espacialmente uma sensação. É. O amor localiza espacialmente, topologicamente uma sensação..E no meu caso, naquele dia, o amor localizou uma sensação num lugar específico: meu nariz. O perfume me provava que o amor existe, mas ninguém sabe exatamente o que ele é.

O cheiro ficou no meu travesseiro. Eu sei porque na manhã seguinte, quando não havia mais um corpo ao meu lado, cheirei o travesseiro.Penetrado por uma saudade qual bicho de pé, fiquei deitado, abraçado ao travesseiro...Tentando refazer minha metafísica do amor. Toda uma ontologia num traço de perfume misturado. Nuns olhos pequeninos curiosos de amor. Era isso? Olhos com curiosidade para amar? Só sei do cheiro. Do perfume de amor que eu senti num fim de semana que se foi e se acabou rompendo minha curta aula de filosofia.

Um encontro pode sim nos ensinar algo sobre o amor, mesmo que seja que o amor só é uma rápida mistura de dois perfumes.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Filosofia do copo de caju.

Não me deixe só. Isso...Assim...Abra os braços e eleve-os acima da cabeça, bem perto das orelhas. Isso...Não deixe escapar nada. Agora me abrace. Quero ficar junto ao teu peito. Respira perto de mim como uma água-viva. Respira pela pele, pelos pés, pelo rosto. Bem aqui ó: pertinho de minha boca. Vai...Me ressuscita. Vem...me faz levitar. Quero sair daqui de dentro. Deixa eu sentir teu hálito, bem misturado ao meu gás carbônico. Hidráulica alma. Alma minha. Lama minha. Quero deitar no chão e estender-me como um pulmão esticado. Isso..vai...deixa eu respirar claro. Cada percepção um gesto, um germe, uma conta, um cálculo de amor. Quero aprender essa matemática das metafísicas da alma.

E nem quero fazer sentido algum. “ teu problema é que você quero dar sentido a tudo”. Vê se pára de escrever, olha sua mão! Vai ficar bom nunca menino. Não quero ficar bom. Bom em que? E Clarice também disse que ter nascido lhe estragou a saúde. Filha de uma égua! Fica a me roubar as melhores frases. É por isso que faltam bons escritores—Clarice e Pessoa roubaram as frases de todo mundo. A mim, eles roubam tudo. Roubam até minha esperançazinha feia. De feio já basta eu.

E se é possível fazer filosofia de um copo de cerveja, pode ser com um copo de suco de caju? Sentado em cima da mesa há o copo de caju. Quase vazio; um filete de suco descendo por fora do copo molha a mesa. Lá está ele: impávido, sentado, teso. Tesão. Parece um gozo espalhada para todo lado. Cor de mijo. Mijo que alguém bebeu e esqueceu das pulsões cropófilas.

Sem sentido, gostou? Pás-de-sens. C-o-m-p-l-e-t-a-m-e-n-t-e pás-de-sens. Na esperança marota e simples de chegar ao fim. No fim de tudo a estória sem fim continua. Persigo o sempre no nunca, naquele que manca. É melhor mancar do que correr sem calça. Ou é melhor correr sem calça, sem alça, sem lança, sem ser de mansinho. Fortalece essas costas rapaz! É que nas pernas o peso é maior. Tem que sustentar todo esse teu ser: malicioso, estúpido. Que mentira. Fala consigo a verdade e mente pros outros. Mentir só existe pros outros. Pra si mesmo é sempre verdade. Há mais verdade num copo de suco de caju que nos manuais de filosofia. Agora entendo.

Deixa eu sentir sua mão perto da minha. Não me deixe só. Não quero ficar só, com o copo de suco e a ponta do cigarro. Não deixe sua mão, quero ficar só. Só o copo de caju perto da minha mão. Não quero a ponta do cigarro. Não quero ficar só. Deixe sua mão perto do cigarro...Apague o copo de caju, tome a ponta do cigarro. Não me deixe só. Não me deixo só. Tenho medo do caju, do cigarro e de minha mão.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

piece of me

Peço perdão aos poucos leitores pela minha ausência, mas a vida requereu minha atenção.

De qualquer forma apareço hoje com uma novidade: video novo da Britney com tudo que tem direito. Ofereço este video a todos os sem-teto que visitam este blog à busca de novidades sobre minha parca existência....

http://www.youtube.com/watch?v=JYbme1oq6cE

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Do espírito.

.. .e este espírito era como se quisesse acossa-la; persegui-la até o fim. Subia e descia em sua garganta num movimento lisérgico. Entrava e saia provocando os gritos mais agudos. Era como se todo seu corpo vergasse ante um prazer proibido; vetado por todos. Cada osso, cade músculo dava um grito profano, doído...Seus dedos enrijeciam sentido que não haveria de tocar nada. Pior de tudo, nada podia tocá-la. Estava fechada em si mesma nos meio daqueles luzes. E todo mundo dançando. Num canto a fumaça subia; no outro era o sexo a rasgar as paredes. Toda gente junta, amassada, acoplada umas ás outras. No meio disso tudo ela era tensa, rígida, pronta a quebrar-se. Na boca um gosto agridoce da procura. Olhava por todo lado e ninguém parecia vê-la. Tinha seu próprio segredo. Uma fé não confessada; pobre, suja. Fé maltrapilha em si mesma e nos outros. Olhava para o alto na última esperança: "já não creio mais". Mas ainda cria. Mentirosa. Sempre cheia de subterfúgios. Planejava suas quedas com toda determinação—tinha que cair, e cair feio pra sentir sua pele próxima, grudada ao corpo. Um abraço.

Correu para o banheiro. No espelho sua imagem mentirosa. Quem sou eu? Uma mentira não confessada na boca de um padreco. Uma espírito apertado na palma de sua mão. Não pode sair! Não pode sair! Espírito louco, porn, punk besta. Todo espremido guardando em si todas as profecias de seu mundo. Vivera de futuro. Era sempre se escondendo de viver porque acreditava que tinha sonhos; que tinha um futuro. Que sua vida ia bem. Já tinha tudo programado e isso tudo culminava numa esplêndida realização..Professora de piano, treinadora, médica. Por fim filhos e um homem pra chamar de seu. Tudo bem tramado. Um futuro certo onde as árvores davam sempre fruto e sua casa era ampla e iluminada. Cheia de subterfúgios. Ao redor tudo ruía. E na palma de sua mão todos os sentidos; todos os prantos...e reclamações...e gozos...e gemidos, e vida, e morte. Em sua mão um espírito liberto. Uma pata que voa bem longe.

E ela que fazia todas as concessões. Todas as concessões pelo vil olhar de um louco, de um ateu, de um preto escorado na porta. De um sexo por trinta minutos. A dor passava e com o cigarro voltava. Ela que deixava todos entrarem. Todos saírem.
Quebrou o espelho de um soco. Deixou o sangue correr em suas mãos.....E viu o espírito fumar um cigarro no prazer de quem se vai sem olhar para trás. Terra prometida numa coragem torta de ser. De ser mais. De ser para si mesma. Coragem de parar sozinha naquele lugar e respirar por si mesma uma fumaça quente e asfixiante . Era o ímpeto de pisar em si mesma; pisar no seu Eu confirmado depois de tantos anos. Ousadia para dançar uma só música sem olhar para tantos olhares, sem prescrutar os desejos e sem prever os romances.

...E o espírito era com se lhe espremesse os órgãos em uma miséria mais profunda do que a fingida. Miséria livre, sem capa, sem força, sem máscara. Era ela: sozinha num banheiro de um bar..E chorava sentada. Bêbada e inconsciente.

domingo, 17 de agosto de 2008

remake.



( este é um texto que escrevi em dezembro de 2007.decidi fazer algumas mudanças. Quem quiser comprar é a postagem do dia 16 de dezembro de 2007)

É preciso força para não reclamar da vida. Eu sinto o empuxo daqueles que só sabem reclamar da sua sina, de amores perdidos, de sorte mal amada. Acordei hoje com uma coisa meio: “se você crer em Deus, erga as mãos para o céu numa prece, agradeça ao Senhor, você tem o amor que merece”. Mas nem sempre consigo ser tão traiçoeiro comigo mesmo. Por vezes, me pego correndo atrás de mim mesmo; perseguindo-me além da conta. Chego a correr mais rápido que eu, uma luta injusta saber meus defeitos e fraquezas. Talvez fosse melhor me deixar alcançar; colocar-me a conversar comigo mesmo e deixar que eu ouça as vozes que me querem dizer segredos e ilusões. “Senhorinha levada batendo palminha, fugindo assustada do bicho papão...”. É a parte de mim que precisa reclamar e dizer o quanto odeia as obrigações de felicidade. Uma voz bem minha e que me arranca amargura das brechas do coração--daqueles lugares que não cicatrizam bem. É de lá que brotam flores murchas que não se pode dar a ninguém. Mesmo assim, se oferece as flores. Pétalas caídas de uma imensidão tão triste... Tão poética... Tão cálida. De tão frágil,tudo ao redor parecer ser tão pesado, tão denso. Mas, não é escuro. Tem sua graça e força. Se é verdade que o que não mata fortaleza, hoje sinto uma linha trêmula por cima do penhasco ( viu Sandra?).

Minha parte de pétalas não quer saber do ridículo, ou das regras que ensinam a ser menos ridículo. Ás vezes ela chora prenha, outras áridas e inférteis. Ouço gritos roucos que me dizem verdades objetivas: duras e ásperas. Minhas reclamações não alcançam ninguém. Mas há algo em mim que alcança alguém. São tentáculos psicodélicos de uma alma que é ávida mesmo. Admite porra.

Porque para alcançar é preciso saber dizer em palavras vulgares, no entanto, o mais importante não pode e nem deve ser dito senão pela poesia de palavras costuradas. As palavras secas dos que dizem não sofrer, não servem para nada. A não ser para ferir corações já por demais feridos. É...Os humanos não têm pena de si mesmo. É preciso também muita coisa para não se ter pena de si próprio, quando ninguém mais tem pena de nós. Oh Deus tende piedade.

"...os seres..., ávidos de gozar a vida, sentem frequentemente a nostalgia de coisas infinitamente delicadas: frieza virginal, misteriosa atração do inacessível...Não sei como definir tais coisas. Aparentemente, são muito materiais e muito sanguíneos, até um pouco grosseiros, e niguém suspeita dos devaneios romanescos e sentimentais a que se entregam, porque esses homens bulhentos e robustos têm uma alma cheia de pudor. débeis virgens pálidas não escondem mais pudicamente o que se passa nas suas almas. Compreendes ....Que estes íntimos sentimentos, impossibilitados de se exprimir na linguagem vulgar, façam artista o homem que os tem?É incapaz de dizer o que sonha; nós é que temos de crer na vida misteriosa que dentro dele se agita e que, de tempos em tempos, produz , á luz do dia, uma flor de muito delicado aroma..."
Niels Lynne ( J. Peter Jacobsen)

sábado, 9 de agosto de 2008

Pai!






Novamente dia dos pais. Lembro já ter feitos algumas postagens no dia dos pais ao longo desses anos de blogueiro. Hoje, entretanto, resolvi voltar ao básico. Resolvi fazer aquele tipo de carta que a gente escreve quando ainda é criança; quando o amor ainda é desprendido. Aquelas cartinhas que escrevemos para nossos pais quando ainda confiamos toda nossa vida a eles; quando nosso pai é o nosso mais supremo herói, incapaz de nos fazer algum mal ou nos decepcionar. Volto aos 10 anos.

“ Querido papai. Você é o melhor pai do mundo. Não quero outro pai. Sem você eu não seria nada. Devo tudo a você. Não é exagero. É a mais pura verdade. Você é o meu maior exemplo e meu eterno herói. Exemplo de força, coragem, integridade, fé e esperança. Com você aprendi tudo; o restante eu fui aperfeiçoando. Neste dia dos pais quero lhe dizer que tenho muito orgulho de ser seu filho e carregar seu nome até o fim de meus dias. Te amo pai. Feliz dia dos pais!”.

Rafael Pinheiro

domingo, 3 de agosto de 2008

Jorge Drexler



Soledad,
Aquí están mis credenciales,
Vengo llamando a tu puerta
Desde hace un tiempo,
Creo que pasaremos juntos temporales,
Propongo que tú y yo nos vayamos conociendo.

Aquí estoy,
Te traigo mis cicatrices,
Palabras sobre papel pentagramado,
No te fijes mucho en lo que dicen,
Me encontrarás
En cada cosa que he callado.

Ya pasó
Ya he dejado que se empañe
La ilusión de que vivir es indoloro.
Que raro que seas tú
Quien me acompañe, soledad,
A mí, que nunca supe bien
Como estar solo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Como o vento...


“O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. João 3:8

Este é um trecho de uma conversa que Jesus teve com um homem chamado Nicodemos.
Nicodemos era um mestre da lei judaica, mas desconhecia as grandes verdades existenciais que Jesus ensinava. Este príncipe dos judeus, tal como ele é chamado da bíblia, representa hoje tantos outros que reconhecem que Jesus veio de Deus; reconhecem sua divindade; quem sabe até são grandes líderes religiosos, entretanto, não conseguem ver o Reino de Deus.

Nicodemos acreditava no Reino como algo físico, referente a costumes, comida e bebida. Sabemos que São Paulo foi enfático ao dizer que o Reino de Deus não é comida, nem bebida, nem costumes, nem regras ou moral. O Reino de Deus é justiça, paz e alegria. Onde há justiça há Reino; onde há paz já Reino, e onde há alegria há Reino.

Eu acrescentaria só mais uma coisa: onde há amor, lá está o Reino. Quando Paulo ensinou que o Reino não é de comida ou bebida ele aponta para algo surpreendente—o Reino de Deus não se mostra fisicamente. O Reino são princípios. O Reino são sentimentos. O Reino são ações. O Reino é aquilo que nós vivemos e que está de acordo com a justiça, com a paz e com a alegria.

Jesus confirma minha reflexão quando ele diz que aquele que é nascido do Espírito Santo é como o vento. Ele sopra onde quer; não podemos vê-lo, mas o sentimos. Não sabemos de onde ele vem, nem para onde vai. Mesmo assim, seus efeitos são sentidos. Só que o Reino sopra onde quer. Assim é todo aquele nascido do Espírito. Com isto, creio que Jesus nos quer ensinar que todo aquele que quer ser parte do Reino deve nascer no Reino. Quem nasce da carne é carne, mas quem nasce do Espírito é espírito. Quem nasce nessa vida é mortal, quem nasce no Reino é espírito. Portanto, é como o vento. Sopra onde quer. Sabe-se vivendo uma existência terrena que ás vezes parece sem sentido e confusa. Mas ele sopra. E sopra onde quer. Ninguém ouve sua voz; ás vezes não sabe para onde vai, nem de onde vem, mas o fato é:ele sopra. E não sopramos ao leu—--sopramos a justiça, paz e a alegria que há no Reino.
Principalmente sopramos o amor que há no Reino.

Para mim não há nada mais parecido com o vento do que o amor. É por isso que ás vezes o comparamos a um grande furação; uma ventania que parece querer nos arrebatar. É assim. O amor sopra onde quer. Escutamos a sua voz, mas não sabemos de onde ele vem, nem para onde vai. Mas, isso não impede que vivamos o amor; muito menos nos impede de amar. É como o velho Freud gostava de dizer: isso não impede de existir. É assim no Reino. Estamos nele como o vento, e é assim que temos que viver:

Mesmo sem saber para onde estamos indo, tão confusos e perdidos. Só sabemos de uma coisa: nada disso impede de existir no Reino.

Assim eu vou....como o vento...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ano sabático


Meu canal preferido sem dúvida alguma é a GNT. Cá estou eu novamente plugado assistindo o “ happy hour”, que é um programinha simpático sobre os assuntos mais prosaicos. Para vocês terem uma idéia, ontem o tema foi “ mania de fazer listas”. Mas, o que me traz aqui hoje é o tema “ ano sabático”. Eu sempre fui um grande entusiasta do ócio e da preguiça. Eu acho a preguiça acho fenomenal. Acho que porque no fundo eu não acredito que exista preguiça. Nosso organismo não foi programado para sentir preguiça. Aquilo que chamamos de “ marasmo” ou “ preguiça” nada mais do que falta de desejo de fazer algo que não nos interessa. Dizem então, que o contrário da preguiça é a disciplina. Discordo novamente. Se não existe preguiça então, o contráro dela também não existe. Acho que por disciplina as pessoas querem dizer “ resignação”. Existem aqueles que se resignam a fazer algo que não gostam ou acham desinteressante porque têm alvos prazerosos a longo prazo.


O ano sabático é um ano no qual você pára de trabalhar e de fazer as atividades rotineiras para viver de outra forma. A maioria das pessoas viajam no sabático, mas nada impede que você permaneça em sua própria cidade, contanto que tudo mude. Na verdade, a questão não é parar de trabalhar ou sair da rotina, mas é viver a vida conforme seu desejo em outro ritmo de vida. As coisas podem até sair do controle, mas não existe preguiça já que você está vivendo de acordo com o seu desejo. O melhor de tudo é não precisar ter disciplina! Pra que disciplina se você está tão engajado naquilo tudo? Ficar um ano fora da rotina nos leva, inexoravelmente, a mudar tudo; principalmente nós mesmo. Eu acho que um ano sábatico ideal é aquele que você faz uma viagem, de preferencia viajar para outro país. Morar um ano em outro país muda qualquer pessoa. Eu mesmo já experimentei tirar um ano sabático. Tranquei o curso de Direito e me mandei pro Texas.


Morei um ano em Dallas num bible college. O lugar foi o Christ for the Nations, um instituto de formação religiosa. Mas, a coisa toda não foi simplesmente estudar a bíbilia; principalmente foi entrar num mundo todo novo para mim. Qualquer um pode pensar que eu escolhi o lugar errado para aprender a ser cosmopolita. Ledo engano. Eu tinha meia bolsa, mas gringo não dá nada de graça, então fui pagar minha bolsa trabalhando na biblioteca. Somente os alunos internacionais trabalhavam no campus; os gringos não tinham esse privilégio, já que eles podem arranjar emprego fora do campus. Foi exatamente esta bibiloteca que me abriu o mundo todo. Tive que dividir o local de trabalho com a Dinamarca, África, Nepal, Japão, Usbekistão, México, Hungria, Índia, Canadá, Israel. Esses são os países que eu lembro! Nada era mais interesante do que ouvir as estórias de Sarah, uma judia convertida ao cristianismo. Ela fora deserdada depois que seus pais descobriram que ela havia se convertido ao cristianismo. Seu pai fez inclusive um funeral com enterro e tudo! Com direito a caixão e vela preta para sepultar para sempre sua filha infiel.


Vivi nos E.U.A de agosto de 2001 a agosto de 2002. Vivi de perto o 11 de setembro e toda aquela paranóia que o mundo viveu. Foi um dos anos mais significativos de minha vida. Mudou minha cabeça ( e meu corpo, engordei 10 kilos!) e meu espírito. Deixei um velho Rafael lá e nunca mais o reencontrei.


Adoro viajar. A última grande mudança que eu fiz foi vir morar em Fortaleza. Faz exatamente três anos que estou morando aqui. Há três anos nesta mesma época do ano eu estava vivendo algo semelhante: arrumando um novo apartamento e me readaptando à uma nova vida. Papai tem uma teoria que a vida de um homem deve mudar de três em três anos. Esse é o lado astrólogo dele! Não sei se ele tá certo quanto a isso, mas em minha vida a regra se aplica sempre. Em 2005 eu estava completando mais um ciclo de três anos, eu tinha 26 anos, ou seja, entrando em mais um múltiplo de 3! Aos 27 anos eu já estava bem instalado em Fortaleza vivendo uma vida absolutamente nova. Hoje, três anos depois, estou vivendo em outro aparatamento há menos de um mês.

Ano que vem faço 30 anos ( outro múltiplo de 3! ) e já estarei formado e pronto para enfrentar mais um ciclo de 3 anos. O Rafael que chegou aqui em fortaleza há três anos ficou pra trás. Mal o reconheço...Ele se foi.

Comecei o post falando de ano sabático e terminei escrevendo sobre a teoria astrológica de papai! Ufa! De qualquer forma acho que no fundo eu queria mesmo era comemorar meus três anos vivendo aqui no Ceará. Provei mais uma vez o inconsciente; já que eu não fazia a mínima idéia que acabaria escrevendo sobre isso. Olhando o calendário agora percebo que cheguei aqui dia 14 de Julho. Esta foi a data exata quando voltei de minhas férias de São luís semana passada! Assim, acho que escrevi o post inteiro para comemorar mais um ciclo de três anos que começa!
Abraço a todos!

sábado, 12 de julho de 2008

Uma barricada arranhada




Sentado sobre sua mesa preferida ele pensava. Nada refletia, nada pedia, nada esperava. Sentia simplesmente uma leve expectativa de acontecimento. Algo que , ao acontecer, causasse uma ruptura tal em sua tão prezada homeostase que lhe fosse impossível voltar atrás. O telefone tinha tocado várias vezes; em todas mandou dizer que dormia. Hoje não-- pensou enfadado—hoje eu não falo com ninguém. Alguem o convidara para tomar um café e colocar os assuntos em dia. Convite ao qual recusou peremptoriamente. Estava farto de pequenas conversas nas quais destilamos amenidades estúpidas com o fim de nos mantermos mais e mais afastados. Chegara, ainda que tardiamente, à conclusão que todos têm suas agendas secretas e que o altruísmo é mais raro do que se imagina. Cada ser humano tem seus próprios propósitos e, assim que outro pobre mortal se coloca em seu caminho, o bicho pega, e pega todas as vezes.

Ficar em casa era sempre a decisão mais sábia; em todo caso podia sempre ler um livro ou comer, comer e comer. Tudo bem que a companhia humana pode ser o que há de mais alegre que se pode conhecer, mas ninguém há de negar que “alegria é mãe de choro”, e que, antes só que mal acompanhado—diz o batido ditado. Companhia em excesso só nos faz esquecer o quanto é bom ter alguém por perto. O excesso do outro sufoca nossa plena liberdade de ser; e ser, em última instância , independe do outro. É fato que o outro nos dá a primeira chance de ser, mas ser com o outro pra sempre é o mesmo que nunca ter sido nada.

Depois de tudo isso, olhou para o canto. Lá, apertada contra a parede, havia uma tímida aranha. Era preciso enfrentar seu medo. O pequeno inseto sempre lhe causou os mais terríveis pesadelos. Sonhava que a aranha se entranhava em sua barriga; que lhe picava o cérebro; que comia seu sexo e que lhe revirava de cabeça pra baixo numa teia...Sugava seu sangue. Hoje seria o dia em que ele ia enfrentar esse bicho. Agarrou o jornal para matá-la. Depois de aproximar-se viu que de nada adiantaria matar o inimigo. Melhor era deixá-la viva a lhe assombrar a vida todos os dias; só assim seria provado todo dia pelo medo de um iminente ataque. Enquanto abaixava o jornal, olhou a aranha. Seus milhares de olhos lhe penetravam profundamente. Assombrado, ele retrucou:

-- então você acha impossível ficar só? Não é possível ser feliz sem usar alguma muleta? Olha...Te digo logo uma coisa, e não me lance esse olhar maldito; animalesco e terrível que me penetra desafiando minha solidão. Ficar sozinho é um aprendizado que a vida ensina a poucos. Aos poucos que estão dispostos a ficar sozinhos tempo suficiente até que a companhia de outro ser humano faça tanto sentido que eles entendem que é melhor mantê-lo o mais longe o possível, até que sua companhia se torne completamente preciosa. Qualquer um que não se agüente sozinho está sempre surdo em relação a si mesmo, e surdez quanto a si é também surdez para o próximo.

Então, que ousadia da sua parte afrontar minha solidão! É pretensão sua achar que alguém consegue realmente romper as barricadas de nossa solidão. Isso é coisa dura de roer, o vazio de ser! Cercados de tanta gente cá está ela por trás de tudo; impulsionando tudo e , acima de tudo, sempre pedindo por mais e mais. É a solidão dentro de nós; esse impostor que nos habita com altas pretensões de saciedade. E queremos amigos, e mais amigos; amor e mais amor; mais amor e sempre amor. Depois alegam que os solitários são infeliz porque não têm nada disso. Mal sabem eles que o impostor está sempre à espreita—como você a me olhar, com seus múltiplos olhares, todos eles malditos.

Desistindo da aranha foi para cama. Resoluto, tenso, nada zen. Não meditou. Dormiu teso e duro sobre o colchão king size. Dormiu sozinho na diagonal, usando toda cama para si mesmo. Puxou o lençol que lhe ficou um pouco curto...Dormiu com frio mesmo; sem alento e sem vontade de alento. Dormiu neutro e teimoso, entrando num sono profundo rumo ao mundo dos sonhos onde nunca estamos a sós, mas no qual inventamos tudo sozinhos.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

parabéns!

Marta e Sandra ( coloquei em ordem alfabética pra não dá ciúmes..)


Feliz aniversário minhas queridas. Mesmo que tanta gente ache bobagen celebrar a data de nascimento, continuo achando que devemos marcar bem cada ano que passa, tal como marcos existenciais. Parece-me que a vida foi feita pra ser compartilhada. Sinto-me muito honrado em compartilhar a minha vida com vocês duas.

É gozado que ambas façam aniversário logo depois de minha mãe, que fez ontem 51 anos muito bem vividos. Digo isto porque, aí em Fortaleza, Marta e Sandra são muito mais que amigas. Elas são para mim aquilo mais poderia se assemelhar a uma mãe. Imagino que alguns achem isso piegas ou de mau gosto compará-las a uma mãe. Mas, para mim não é. Fortaleza para mim foi um novo nascimento; uma nova e importante etapa de minha vida. Como um bebezinho existencial eu não poderia passar sem uma mãe. Deus foi tão bom comigo e me deu logo duas! Na verdade, seria mais acurado dizer que elas são minhas parteiras—me ajudam a parir o que há de melhor e mais autenticamente eu! Por isso, obrigado amigas queridas.

Marta sempre foi uma amiga carinhosa, e uma das pessoas mais altruístas que conheço. Mesmo que não parece—devido ao seu temperamento forte e incisivo--- Marta está sempre pronta a se doar aos seus. Fico muito feliz que, tão rápido, eu tenha sido considerado “ seu”. Para você, Marta, desejo muita coragem para todos os seus sonhos; nunca é tarde pra sonhar e recriar a vida. Amo você.

Sandra foi um presente que recebi neste último ano. Amiga, te conhecer foi essencial. Você foi um encontro que tinha que acontecer. De certa forma você continua sendo minha professora, a diferença é que agora eu sei que também te ensino algumas coisinhas... Porque somos amigos. Você continua a ser minha parteira; uma mulher verdadeira que “ arranca” de mim a coragem para ser. Amo você.

Feliz aniversário querida “ parteiras”! Um beijo de coração. Que Deus lhes dê sempre saúde e alegria.

Amo ,

Rafael.

sábado, 28 de junho de 2008

Parabéns mãe!




Parabéns mãe,


Não se preocupe, não revelarei sua idade. Até porque eu mesmo não sei, já que você tem o seu próprio método de contagem. Pode ficar tranqüila; eu também já passei dos 20 e sei como é isso.
Vamos aos conselhos de aniversário.
Ontem lhe falei que um bom método de se sentir bem no aniversário é nos compararmos a outras pessoas que estão bem piores do que nós. Quero fazer somente uma pequena retificação; a única comparação que realmente vale a pena é quando nos comparamos com nós mesmos. Só assim temos a chance de refletirmos sobre nossa vida. Então, meu primeiro conselho é que a vocE se compare somente consigo mesma. E olhe, vou lhe dizer; se você olhar bem vai notar que está muito melhor hoje do que antes, quando aparentemente era mais novinha.

Dizem que quando ficamos adultos sentimos saudades da nossa infância. Eu nunca entendi o porquê disso. Quando você tinha 9 anos de idade, provavelmente sonhava em estudar e ser uma excelente profissional. Depois, aos 15 sonhava com seu príncipe encantado; queria que ele viesse lhe resgatar. Sonhava com sua própria casinha onde você pudesse reinar magnânima sobre seu lar feliz. Aos 15 anos você tinha tantos sonhos, mas eles não passavam disso—sonhos. Aos 9, 15 ou até 20 anos vivemos de sonhos e fantasias. Na verdade, nem vivemos. Fazemos planos e lutamos para que nossos sonhos se tornem realidade.

Enfim, aos 20 anos você sonhava em ter filhos; em vê-los crescerem felizes ao redor da mesa de jantar. É verdade que no início esse sonho parecia impossível, mas graças a Deus, não há nada impossível para Ele. Assim é que eu inaugurei um útero que ainda iria produzir muita coisa boa.

Então mãe, hoje com a idade que você completa ( desistam, não revelarei), você está muito mais completa do que antes. Faça a comparação. Hoje você vive os sonhos que você tanto sonhou. Tudo bem que nem tudo sai como a gente planeja, mas é que nós seres humanos temos a mania de achar que a vida é um conto de fadas—mas não é.

Entretanto, mesmo que as coisas não saiam bem como planejamos, se formos honestos e modestos, perceberemos que somos e temos o suficiente para sermos felizes.
Hoje, a insegurança e medo de sua infância se foram. Você não é mais aquela adolescente magrinha e desengonçada que “ não dava um bife”. Você é uma mulher forte, elegante, bem sucedida e, que os outros homens não escutem isso, mas você dá muito mais que um bife!

Seu príncipe encantado não é mais uma miragem; ele é bem real e ainda está casado com você depois de 30 anos. Não é algo sensacional e tão raro em nossos dias? Seus filhos estão todos crescidos e bem criados. Sua parte já está feita, daqui pra frente é com eles.

Viu só? Comparando você consigo mesma, vemos que só há o que comemorar. Nostalgia e saudosismo são para pessoas que não realizaram seus sonhos. Este não é seu caso. Quem disse que envelhecer é ruim? O problema é que nosso corpo não acompanha o amadurecimento de nosso espírito, mas basta olhar pra você para ver que aos 51 ( droga, falei) você está muito, mas muito melhor do que aos 15 anos.

Comemore, celebre esta fase maravilhosa. Chegar à maturidade é um privilégio de Deus. É só agora que você pode olhar pra trás e ver como Ele foi bom e fiel para com todos nós. Neste dia, desejo que os próximos 51 anos sejam de muita saúde, muito mais realização. Sabe por quê? É que o bom da vida é que sempre podemos sonhar de novo. Se alguns sonhos e planos não saíram como previmos, nada impede que sonhemos tudo de novo; planejarmos outra estratégia, aprendermos com os erros e jogar a bola pra frente. Há uma máxima existencialista que diz que o importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos do que fizeram de nós. Eu diria de outra forma—o importante não é ficar preso àquilo que somos. Vou concordar com Fernando Pessoa.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo

Dessa forma, não é o que somos ou o que fizeram de nós, ou o que fazemos que nos define. O Importante é que cada ser humano tem em si todos os sonhos do mundo, e é isso que nos faz sempre querer viver mais.
Parabéns mãe, que Deus te dê uma vida longa e saudável e cheias de sonhos!

Te amo,

Rafael.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Homofobia evangélica.


Mais uma vez o fanatismo evangélico mostra suas caras. Sinto que há poucos “moderados” no meio evangélico. Aqueles que se dizem liberais ou mais moderados, não passam de componentes da ala dos covardes: são aqueles que pensam como os conservadores , mas não tem coragem de admitir.

As últimas notícias mostraram um grupo insano de evangélicos liderados pelo senador Magno Malta, tentando invadir o congresso nacional. Os “ protestantes” querem impedir a criminalização da homofobia.
Devido a minha falta de paciência de tratar este assunto, limitar-me-ei simplesmente a comentar as declarações de alguns líderes evangélicos presentes.


Segundo notícia da Agência Brasil, o senador Magno Malta acredita que o projeto propiciaria a impunidade de crimes como pedofilia e necrofilia. "O pedófilo vai dizer que a opção sexual dele é menino de 9 anos", declarou. Malta pensa que o Brasil viraria “um império homossexual”.

Nota-se o tamanho da ignorância deste cavalo ocupante de uma cadeira no senado brasileiro. Comparar a homossexualidade à pedofilia e a necrofilia foi um ultraje. Não vou me desgastar para explicar para este beócio que um pedófilo não é necessariamente um homossexual, e que o crime de pedofilia pode ser cometidos por qualquer homem ou mulher, homo ou hétero. O que o senador afirmou, implicitamente, é que a homossexualidade é uma doença e , portanto, deve ser combatida e banida da face do planeta.
Há muitos anos que o homossexualismo não é mais considerado doença ou distúrbio psicológico. Suas causas são as mesmas que determinam se alguém gosta de carne ou frango, ou seja, uma complexa mistura entre o substrato orgânico e sua interação social. Não é doença, muito menos um transtorno a ser tratado. Os homossexuais não são pedófilos, muito menos necrófilos. É preciso que a sociedade repudie declarações tão preconceituosas como as destes protótipo de senador da república.



“No estado democrático ninguém está imune à crítica”, disse o vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), pastor Silas Malafaia. Ele considera o projeto de criminalização da homofobia "uma afronta à democracia" porque inibe a liberdade de expressão.

Silas Malafaia sempre foi um falastrão, um ladrão e um hipócrita que assina bíblias pelo Brasil a fora, arrecadando milhões para sua conta no céu. Malafaia é um evangélico fundamentalista e nunca esteve mais distante do Reino de Deus. Ele é daqueles sobre os quais falou Jesus quando disse: “ sepulcros caiados”. Esta anta, acéfala e estúpida ( estou usando minha liberdade de expressão), ousa comparar uma crítica a uma atitude preconceituosa. Quem sabe então, agora fosse o caso das pessoas que não gostam da cor preta, criticarem as pessoas que nasceram com a cor da pele negra. Talvez fosse o caso de eu, que abomino a atitude dos evangélicos, de dizer que “ evangélico é burro”. Eu estaria usando minha liberdade de expressão, entretanto, eu estaria sendo preconceituoso, porque no Brasil, as pessoas são livres para escolherem sua religião. Silas ( um nome tão bom para um homem tão mau) não tem fundamento a não ser seu profundo preconceito com todos aqueles que são diferentes de sua moral suja e hipócrita. Silas Malafaia ignora as centenas de homossexuais que são agredidos e outros tantos mortos em nome do preconceito e intolerância.

"Senhor, sabemos que há uma maquinação para que esse país seja transformado numa Sodoma e Gomorra. Um projeto desses vai abrir as portas do inferno", disse o pastor Jabes de Alencar, da Assembléia de Deus. em frente à entrada principal do Legislativo enquanto promovia orações dos manifestantes.

Maquinação? Da parte de quem? Este outro troglodita fecha os olhos para a verdadeira maquinação que há no Brasil. Os evangélicos nunca bateram na porta do congresso nacional para protestar contra a corrupção, ou contra a pobreza e desigualdade social. Nunca tentaram invadir o congresso nacional quando políticos corruptos eram declarados inocentes. Jabes Alencar representa o que há de mais reacionário, machista e preconceituoso no meio evangélico. As portas do inferno já estão abertas. Jesus alertou que os fariseus não entravam no céu e nem deixavam os outros entrar. Neste caso, faço uma pequena inversão—sim, as portas do inferno estão abertas. Talvez , alguns homossexuais irão entrar por elas, mas de certo, o pastor Jabes Alencar vai na comissão de frente. Isso claro, se eu acreditasse na condenação eterna. Sorte sua pastor Jabes.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

De dentro do meu coreto



Aqui na minha cidade tem uma pracinha jeitosa onde todos gostam de caminhar. Lá tem uns banquinhos de madeira bonzinhos de sentar. Gosto de ficar sentado olhando os que passam com suas vidas rotineiras, cheias de bobagens interessantes. E tem uns que andam a ver navios; outros são gordos e outros são magros. Há velhos e moços jovens que se balançam num caminhar que, no fundo, é bem parecido. Passam por lá os garotinhos à procura de um tio; tem as meninotas com seus velhos maridos e , por fim, tem os passantes aleatórios que esbarram com a praça no caminho ao trabalho.

Eu gosto daquela praça porque lá tem um coreto. Gosto de chamá-lo de “ o coreto no centro da praça”. Toda praça tem que ter um centro, penso cá comigo e meus botões desgastados. Praça sem coreto não tem graça porque é lá que, normalmente, se namora. E namorar é tão bom. Fico pensando nas praças sem coreto. E onde é que o povo lá namora ein? Porque é no coreto que os namoradinhos se escondem dos passantes e sentam-se a escutar passarinhos e a contemplar as flores. Sim, porque todo coreto tem que ter muitas flores. E no “ coreto no centro da praça” tem tantas flores.

Foi nesse coreto que conheci Notwen. Ela tem os cabelos pretos por sobre os ombros, e uma pele clara que, de tão sedosa, faz me escorregar os dedos ao deslizar com carinho.

Era um tarde morna de luz serena quando vi Notwen pela primeira vez sentada a ver os pássaros. Ela sempre gostou de pássaros; gosta de se inclinar numa janela qualquer e dar boas vindas a qualquer um que se preste a cantar. Eu cheguei de leve e fui mostrando minha simpatia tão peculiar. Andam dizendo por aí que eu não sou nada cortês; nada poderia estar mais longe da verdade. Sou bem gentil até, mas tenho um olhar e uma cara torta que sempre dá impressão de que flerto com a soberba. Nem é isso. Se podem me acusar de algo é de humor volátil e ser, ás vezes, um pouco castiço. Posso mudar de humor em minutos—fico triste e alegre na mesma intensidade e não gosto de explicar por que.

Cheguei de levinho e fui mostrando meu sorriso. Notwen devolveu um olhar sereno e alegre. Ela é sempre receptiva; acredita na bondade de algumas pessoas, enquanto eu as tenho em total descrédito. Depois de um minuto de troca de olhares, ela chegou pertinho e me sussurrou: “ prefiro nem começar, e se te perco?”.

“ Ando bem perdido, não tem como você me perder. Acho que é mais fácil você ter me encontrado do que você me perder. Acho-me em você”.

Anos depois Notwen ainda não entenderia minhas palavras. Eu a amo todos os dias; sim, na minha maneira trôpega de ser, mas amo profundamente. Ela ainda não entendeu que ela não pode me perder assim tão fácil; que ela me achou... Que eu me acho nela. Ela ainda não entendeu que naquele coreto encontrei uma paz que ainda não nomeei. Depois dela não me sinto solto por aí à procura de qualquer rabo de saia. Sinto uma firmeza de raízes preso a ela. Talvez ela goste de se sentir insegura; talvez goste que eu a conquiste todos os dias. Tem gente que é assim, já aprendi.

É por isso que todo dia eu volto ao coreto; quero me lembrar do dia quando nos conhecemos e as flores e os pássaros estavam ali a ver-nos. Lembro da paz que senti ao vê-la e de que depois disso nada foi igual. Gosto de olhar pro coreto e pensar em novas formas de conquistar Notwen. Ela tem um nome forte, não? Uma pronúncia feliz que agrada. Ela gosta de deitar no meu peito e , mansamente, chegar como quem não quer nada pedindo um amor e um beijo de testa. Ela gosta de se sentir beijada até “ a alma se sentir beijada”, diz o poeta.

Aqui na minha cidade tem um coreto no meio de uma praça onde todos gostam de caminhar. Mas, ninguém caminha como ela, no meio das flores é ela quem passa tal brisa de arco-íris. Ela tem um jeito manso de me fazer rodeios e me deixar todo serelepe. Gosto dela de tanto que gosto dela, e passo por ela nas voltas pelo coreto no centro da praça.

É que na cidade onde eu moro tem um coreto no centro da praça que, de passagem, as pessoas gostam de caminhar quando vão para os seus trabalhos aleatórios. Já eu, gosto da praça porque no centro dela tem Notwen, sentada imperiosa entre os melancólicos bem-te-vis. Gosto dela sentada na praça, no centro do meu coreto, no centro de minha música, bem na minha praça mais querida. E quando escrevo, faço pra ela essa conquista diária; sempre contando, crendo que ela não se esqueça o quanto gosto de conquista-la sempre que ela requisite meus romances e minhas estórias. É porque contando uma estorinha eu conto como gosto dela; mantenho também a conquista forte e tenra das palavras bem colhidas lá de dentro, de dentro do meu coreto.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Crede em mim




Então é natal? Sim. Natal é quando se nasce. Cada um.
Eu sei que você não é muito dado a comemorações natalícias, mas eu não quero deixar passar o momento de dizer-te algumas coisas. São poucas, mas são honestas.

Minha experiência de vir morar em sua terra foi feita de tantas experiências que mal posso enumerar. Mas, uma delas, foi poder experimentar de Deus algo que só se via no Antigo Testamento: vi anjos.

Passei por maus bocados em minha adaptação a um novo momento no qual tudo era absurdamente novo e difícil para mim.Hoje , quando olho “ back” aos três anos percebo quantos anjos estiveram comigo fazendo de cada momento um caminho especial. A Sandra Helena sempre diz que a cerveja ajuda a enfrentar a realidade, como você sabe, meus amigos fazem o mesmo trabalho e com a vantagem de me manter sóbrio.
Tenho três pilares aqui em Fortaleza: Marta, você e Sandra. Não desmereço os outros amigos que fiz aqui, mas guardo um canto especial para os primeiros anjos que me foram enviados. Armarinho e Felipe são da segunda leva, mas isso não os faz menos importantes. Só que hoje o dia é seu.

Lembra de quando nos conhecemos? Lembra das corridas da madruga em seu carro? Perambulávamos pela cidade em busca de algo. Enquanto isso, conversávamos. Como bons geminianos, fomos atraídos rapidamente um ao outro: uma falta de saber unida com outra falta de saber.

Aproveito o dia para agradecer por você ter atendido o chamado de ser meu anjo. Os anjos não são perfeitos, é por isso que não te louvo pela perfeição, mas por ter atendido ao chamado. E você o cumpriu muito bem. Eu imagino como deve ser chato e complicado ser anjo da guarda de um velho rabugento como eu, mas ao que me parece, você se diverte com isso. Então, de uma outra forma sou também o anjo de sua melancolia. Fique sabendo que gosto do cargo.

Feliz aniversário anjo amigo. Sua data natalina me é cara porque sem você meu caminho seria bem mais difícil. Sua amizade veio em um momento periclitante para mim; eu a prezo com grande carinho.

Nesta nova fase de sua vida—início de carreira, novo amor, novo percurso acadêmico--, meu desejo é que eu seja o que você foi e é para mim, um anjo.
Quero terminar com uma fala de Cristo que eu gosto muito. Quando os discípulos estavam aflitos com tantas mudanças que iriam acontecer, o Mestre foi simples e direto. Faço das Dele as minhas palavras:

“ Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus e também em mim”.

É isso amigo. Em tempos de aflição e quando sua alma “coçar”, creia também em mim.

FELIZ ANIVERSÁRIO!

terça-feira, 17 de junho de 2008

O paradoxo do sexo


Não costumo publicar textos de terceiros no meu blog, mas este texto vale a pena cada palavra. Sinto que eu mesmo o escrevi. assino embaixo.

Há, de fato, mais ou menos liberdade de acordo com as opções sexuais?

Por Francisco Bosco ( Revista cult)

Alguns acontecimentos recentes permitem apontarmos um paradoxo no modo como se pensa a sexualidade hoje, no Brasil, ou pelo menos nas suas cidades maiores e mais cosmopolitas. Vejamos os dois lados contraditórios da moeda. De um lado, têm se tornado freqüentes as declarações públicas de celebridades a respeito de sua sexualidade plenamente livre: gosto de homens, gosto de mulheres, sou bi, tri, penta, e o que mais tiver vontade de ser. Ora, do ponto de vista ético, isso está perfeito: cada um agindo de acordo com seu desejo, desde que esse desejo não interfira na liberdade do de outras pessoas. O problema, entretanto, está nessa concepção de sexualidade e, simultaneamente, na concepção de liberdade de que se faz o elogio, vinculando uma coisa à outra.

Já faz mais de um século que Freud, em seu revolucionário "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade", afirmou que entre a pulsão sexual e seu objeto não existe uma relação inata e com uma direção normal, mas sim, para usar a sua precisa metáfora, uma solda. Todo sujeito possui uma quantidade de energia sexual (libido), mas os objetos sexuais sobre os quais o sujeito investirá essa energia são independentes dela mesma. Trocando em miúdos, ninguém nasce heterossexual, homossexual, bissexual, multissexual; no princípio há apenas a libido. Isso, entretanto, não significa que a pulsão sexual de cada sujeito poderá escolher, em sua vida adulta, qualquer objeto que sua vontade determinar. A "escolha" dos objetos vai sendo determinada pela singularidade da formação do sujeito, por meio de tramas complexas, identificações, alienações constitutivas, marcas, recalques etc. Está claro que escrevi "escolha" assim, entre aspas, porque o que está em jogo tem pouco ou nada de voluntário.

Não quero com isso incorrer num fatalismo da formação da sexualidade, que determinaria para todo sempre o destino da mesma em cada sujeito. Acredito que há acontecimentos na vida que podem mudar as regras do jogo, transformando o sujeito no cerne mesmo de suas fantasias, isto é, efetuando rupturas, abrindo novos caminhos, reconfigurando sua sexualidade. Mas esses acontecimentos não são propriamente cotidianos, são raros; ou seja, a sexualidade não é um campo plenamente livre, no sentido de uma tabula rasa a se deixar escrever por escolhas conscientes, voluntárias. Mesmo um sujeito com uma sexualidade que permite uma ampla gama de escolhas de objetos é um sujeito marcado pela determinação de seu desejo. Essa possibilidade é tão singular e marcada por uma história pessoal quanto qualquer outra. Um sujeito bissexual não me parece mais livre, sob essa perspectiva, do que um heterossexual homofóbico, por exemplo.

Mas o que é ainda mais questionável é a própria concepção de liberdade que está em jogo nessa declaração de irrestrita e incondicionada liberdade de escolha objetal. Ao associar a liberdade ao poder de escolher entre uma multiplicidade ilimitada de objetos sexuais, o que parece ocorrer é uma extensão do ditame do hiperconsumo à esfera da sexualidade. No entanto todos sabemos que não somos necessariamente mais felizes por poder escolher um perfume numa loja que os tem aos milhares. Portanto fica a pergunta: haverá mesmo alguma vantagem existencial em se representar a sexualidade sob a lógica do free shop?

Liberdade sexual
Por outro lado, o episódio envolvendo o jogador Ronaldo e três travestis fez vir à tona o avesso daquela liberdade improvável: a homofobia, a hipocrisia, o machismo, o conservadorismo, em suma, o que há de pior nas representações sociais da sexualidade. Ronaldo está sendo condenado, digo, massacrado, porque pegou travestis para fazer um programa. Não nos confundamos: o massacre nada tem a ver com o possível consumo de drogas pelo jogador, com o fato de ele ter se envolvido com prostituição ou com as implicações éticas que esse ato traz à sua relação amorosa (ele está, ou estava, noivo). As pessoas que o condenam parecem autorizar o consumo ilegal de drogas, o sexo pago e a "traição" masculina (não vou entrar no mérito desses três pontos), mas se sentem aviltadas por um ídolo ter ido parar num motel com travestis.

Pior, o próprio Ronaldo faz coro aos que o julgam. A entrevista que ele concedeu ao Fantástico, no dia 4 de maio, foi um dos momentos mais deploráveis da televisão brasileira. O jogador disse inúmeras vezes estar "profundamente envergonhado" por ter cometido um "erro gravíssimo" e assegurou todos quanto à sua heterossexualidade convicta. Argumentar que, em o fazendo, Ronaldo estava pensando na manutenção de seus contratos de publicidade apenas reforça o que se deve dizer com todas as letras: Ronaldo comportou-se como um covarde, um hipócrita, e subscreveu a pressão homofóbica. Se houve "erro gravíssimo" de Ronaldo, e houve, foi esse: o de admitir uma culpa que não lhe cabe e, com isso, contribuir para a falta de liberdade sexual de nossa sociedade.

Assim verificamos o paradoxo a que o título dessa coluna se refere. De um lado - entre os "artistas", as celebridades e os "descolados" - apresenta-se uma concepção duvidosa da sexualidade e uma concepção ainda mais duvidosa da liberdade; de outro, apresenta-se uma concepção normatizante da sexualidade, que condena qualquer suposto desvio e, assim, atenta contra a liberdade da sexualidade. Em meio a isso, que idéia mais vantajosa de liberdade podemos oferecer? Já será um grande passo se conseguirmos realizar essa, de tão simples aparência: que cada sujeito possa exercer a sexualidade de acordo com seu desejo, desde que não oprima o desejo do outro.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Into the wild



Acabo de assistir um filme genial: “ Into the wild”- Na natureza selvagem.
Apesar das intensas dores que sinto em minha mão devido aos últimos dias de intenso trabalho no computador, não posso deixar de dizer algumas palavras.

O dia parece ser propício—dia dos namorados no Brasil.
No início do filme pensei: bem, esta coisa de morar na selva para fugir de tudo me parece uma grande babaquice. Depois de ver o filme confirmo que de fato o é. Entretanto, no caso do jovem no filme configurou-se uma travessia. Uma metáfora de tudo que fazemos ao passar “ pelo vale da sombra da morte”. uma escapada que desemboca num retorno. A questão é que o caminho, o vale de travessia pelo qual temos que passar para só então retornar, ás vezes, ou quase sempre, tem seu próprio caminho.

Tudo na vida é uma travessia, uma repetição na qual, se formos bem sucedidos, consegue-se voltar ao ponto de partida, melhores para nós e para o outro. O engraçado é que no fim a mudança só diz respeito a nós mesmos. Há um esvaziamento interior; um fluir intenso do perdão. Deve ser por isso que vivemos tanto: para aprender amar e perdoar. Nem sempre conseguimos amar bem alguém com o amor aprendido, ou conceder o perdão a alguém quando perdemos o rancor, mas, como eu disse, no fim diz respeito somente a nossa própria mudança.

Mesmo assim, a travessia vale a pena cada centímetro. Cada vale e sofrimento. E cada luta também, com os outros e consigo mesmo. O filme tem um belo e emocionante final—um simbolismo da vida. De fato a mudança só diz respeito a nós mesmos; falo isso de seus efeitos. No entanto, o prazer da mudança, o júbilo que com ela vem só tem sentido acompanhado. “ Felicidade só vale a pena se for compartilhada”.

É bom mudar; é melhor ainda perdoar, reconhecer no outro nossa natureza selvagem. Mas, para mim, melhor ainda é compartilhar toda mudança, felicidade e amor sentido com alguém especial. Não com qualquer um. Felicidade é um dom que não se deve compartilhar com qualquer pessoa. Só presta se for com alguém que a valorize tanto quanto nós. Aqueles que ainda acham o amor e a felicidade coisas piegas, bregas ou ultrapassadas são as piores pessoas para se compartilhar felicidade.
Já houve um tempo em que eu achava brega ser feliz. Mas...
Atravessei o vale...
Habitei o selvagem...
Morei com as feras e fiz minha tenda entre os lugares inóspitos...
Chorei na escuridão...
Dormi ao relento e vi a luz.

Hoje eu acredito na felicidade, no amor e na fugacidade da alegria.
Acredito no amor e que é possível amar e ser amado.
Sinto hoje menos necessidade de cobrar meus pais, irmãos e parentes.
Ferve em mim uma felicidade que gosta de ser compartilhada.
Acima de tudo, tenho alguém com quem compartilhá-la.

Feliz dia dos namorados.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Recomendação

Quero recomendar a todos a leitura de um outro blog no qual escrevo junto com meu pai. É um blog para textos relativos à fé . Meu pai escreveu um excelente texto que recomendo a leitura aos interessados. Eis o link:

http://rafaelpinheiro08.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tempo


Paciência leitores. Estou num período de entresafras e fico sem escrever. Os artigos e relatórios acadêmicos têm tomado todo meu tempo e inspiração. Aproveitem para ler as dezenas de posts que o blog oferece. Usem os marcadores que isso pode facilitar os posts de seu interesse. VocÊ pode encontrar os marcadores na coluna à sua direita, abaixo da barra de videos. Alguns posts estão sem marcadores, mas grande parte está marcada. Os marcadores são : ...( não pude tematizar);Crítica de filme, Escritos ( coias que escrevi para mim, contos ou poesias). Histeria ( meu sintoma falando);Literatura e notícias.

Bom proveito.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Protesto!



( A pintura é O Navio dos Loucos, ou A Nave dos Loucos, pintura de Hieronymus Bosch, leva o espectador para um mundo tanto real como surreal. Esta pintura critica os costumes da sociedade da época em que foi pintada, de forma alegórica: a devassidão e a profanidade presentes em todos os grupos sociais (incluindo o Clero, como se pode ver, em primeiro plano na pintura), o jogo e o álcool)


No boletim da I igreja Batista de Fortaleza neste último domingo saiu uma matéria sobre os transexuais e a cirurgia de mudança de sexo que agora poderá ser feita pelo SUS. O pastor manifestou sua indignação com aquilo que ele chamou de “ depravação sexual”. Ele diz : “ não quero pagar a depravação sexual de ninguem. Mas, o duro é que não me perguntam se eu concordo ou não. Lamentavelmente não tenho escolha: sou obrigado a pagar e pronto. O que posso fazer é registrar meu protesto. É o que estou fazendo”.

Acho lamentável que ainda existam opiniões de natureza tão fundamentalista e beirando o fascismo. É exatamente por isso que eu peço a Deus que os evangélicos jamais alcancem o poder político como eles tanto querem. O que o pastor sugere é que as minorias de nossa sociedade não tenha representatividade política e que nem sejam tratadas como cidadãos pelo Estado. É um elogio ao fascismo. Uma democracia representativa funciona exatamente ampliando os espaços para a diferença. Os deputados estão ali para representar seus eleitores, sejam eles héterossexuais, homossexuais, transexuais, bissexuais, brancos, pretos, católicos e protestantes.

Uma sociedade livre e democrática pressupõe que haja espaço para a diversidade que é a manifestação humana. O referido pastor usa o bobo argumento de que quem determina o sexo de uma pessoa é Deus. Quanto a isso eu prometo que escreverei um longo artigo dizendo o que eu realmente acho sobre isso. Mas, posso dizer agora que esta forma de pensamento é extremamente limitada. Qualquer pessoa que se dedique ao estudo da psicologia, sociologia ou antropologia saberá, sem muito esforço, que sexo e gênero são construções diferentes. Masculino e feminino, isto é, o gênero é uma construção social e historicamente datada. A constituição psíquica de um sujeito em masculino e feminino não segue exatamente seu sexo biológico.

Com isto não quero dizer que concordo com uma intervenção cirúrgica tão forte como a mudança de sexo requer. Estou simplesmente tentando mostrar que dizer que os transexuais são depravados sexuais é um pensamento radical e muito, muito perigoso. Se este pastor tivesse o poder, o que ele faria com o milhares de transexuais no mundo a fora? Certo. Primeiro lhes ofereceria a salvação a “ mudança de vida em Jesus”. Certo. E caso eles não aceitassem? Os obrigaria a vive isolados em guetos devidamente cercados pela polícia cristã a fim de que esses depravados não se aproximem nem um pouco de nossa santa sociedade cristã? É neste tipo de sociedade que os evangélicos querem viver?

Outro argumento usando pelo pastor é que o governo tem usado o “ seu “ dinheiro para financiar festas pecadoras como o Carnaval. Quanto a isto eu só tenho a dizer que, sendo assim, o gonverno não deve apoiar nenhuma manifestação cultural, seja ela carnaval, são joão ou as famigeradas Marchas para Jesus”. Quem foi que mandou os crentes marcharem para Jesus? Até onde eu saiba essas marchas não passam de um arremedo de carnaval fora de época dos crentes. Acho que eles deveriam deixar de ser recalcados e, já que querem cair na gandaia, que se joguem em uma boite ou mesmo num divertido baile de carnaval. Mas, não. Isso seria depravação sexual.

Enquanto isso, logo depois que leio este triste boletim, sobe no palco na igreja um grupo vocal interdenominacinal que se apresentava naquele domingo. De cara eu pude avistar uns três, não, minto, quatro homens um pouco diferentes no palco. Sim, eram nitidamente homossexuais. Entretanto, eram homossexuais “controlados”. Recebidos no seio da igreja eles foram “ transformados” por Jesus e agora não são mais depravados sexuais. Eles podem cantar, tocar, dançar ( e como temos tantos deles na dança!). Podem fazer tudo que as mulheres fazem, ou seja, podem ser bichas dentro das paredes da igreja na mais pura santidade.

É esse o tipo de sociedade que o pensamento fascista e retrógrado da igreja evangélica quer formar: uma sociedade hipócrita de excluídos. Ou vocês conhecem algum homossexual que foi transformado? Eu conheço vários que se dizendo transformados vivem uma vida infeliz de erros e acertos, entre depressões, culpa e tentativas de suicídio. A maioria vive uma vida aparentemente transformada, mas por de trás da cortinas vivem no submundo do sexo e da pornografia. Mas, o que a igreja quer não é mudança verdadeira: para ela o que mais importa é a aparência:dizer-se mudado por Jesus!

Depravação sexual é propor um tipo de sociedade inviável para se viver. Este é o projeto da moral evangélica: uma sociedade totalitária que aniquila todo e qualquer rastro de diferença. Em última instância—peço desculpas se agora me torno hermético—o que a igreja quer fazer é apagar a marca daquilo que nos faz mais humanos: a diferença sexual. Apagar a diferença sexual é entrar no reino da psicose. Alias, é isto que a igreja evangélica mais produz: desubjetivação, sujeitos psicóticos, lançados e capturados no desejo de um Outro todo poderoso representado pelas figuras despósticas de seus líderes.

Da mesma forma que o referido pastor escreveu seu boletim em seu pleno direito de protestar, eu escrevo este post como um grito de protesto contra esta moral aterrorizante que , num passado não muito remoto, alimentou tantas guerras e mortes. Basta citar as grandes cruzadas e a guerra entre protestantes e católicos. Isso sim, foi uma grande depravação sexual. É por este caminho que queremos seguir?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pais e filhos



Comentário dos meus pais no meu aniversário:


"Nós temos muito a dizer. Tu chegaste como um milagre. os médicos diziam que nao podiamos gerar filhos, mas Deus disse em nós: "haja Rafael"; e assim vieste.
Por isso temos a dizer: Tu foste, tu és e sempre serás bem-vindo entre nós.Parabens filho.
Teu e pai e tua mãe"

quarta-feira, 28 de maio de 2008

29 .




Faço 29 anos. Hoje me veio minha imagem nascendo há 29 anos.
E pra que mesmo é que se nasce?
29 de maio fazendo 29 anos. Bem cabalístico não? A idade coincidindo com o dia do meu nascimento. Babozeira né?
É que no dia do nascimento não se tem nada a dizer. Ou melhor: eu não tenho nada a dizer. Na verdade, chego ao meus 29º aniversário com quase nada para dizer. Não há mal-estar, não há alegria ou júbilo de estar vivo. Não há necessidade de festejar com os amigos. Pelo menos resta um dizer por aqui, ou melhor, um semi-dizer.

Se eu disser que estou sem paciência não seria acurado. Acho que o que expressa melhor é que não quero dizer o que eu tenho para dizer para ninguém. Também não estou tendo crise adolescente de “ ninguém me entende”. Isso é um fato consumado desde sempre: ninguém entende ninguém. Mas não é isso. A questão é que não encontro alguém a quem endereçar agora essa fala que me brota. É algo que no momento me basta dizer a mim mesmo. Narcisismo primário? Acho que não. não está no registro da admiração, mas de algo que quero dizer mesmo. Uma verdade que só pertence a mim.
Sabe que liberdade isso representa?
Não. Provavelmente se você está achando o post arrogante e me julgando por individualista, narcisista e auto-suficiente você não sabe nada e nem entende nada.

29 anos.

sábado, 24 de maio de 2008

Tendas e trends...







Ontem tive a oportunidade de visitar mais uma igreja em Fortaleza. É a “igreja da tenda”, como é chamada pelos fiéis entusiasmados.

Para quem ainda não sabe, eu nasci em uma família protestante que se converteu em uma igreja Batista. Foi lá onde eu cresci e aprendi os primeiros passos da teologia protestante. De lá para cá já fazem alguns bons anos ( mas não revelo minha idade nem sob tortura!) vividos no meio evangélico. Já vi todo tipo de mudanças: desde a saída da minha família de uma igreja história tradicional para uma nova comunidade de cristão mais progressistas até que meu pai se tornou pastor de uma denominação neo-pentecostal. Hoje ele preside uma comunidade evangélica de cunho neo-pentecostal moderada.



Fui criado nesse meio, portanto, posso dizer que já vi quase toda a evolução da igreja evangélica nos últimos 20 anos. Hoje o que vemos é uma profusão de filiais de grandes impérios espalhadas pelo país semelhantes a “ Mac Donalds” religiosos. Eu vivi o início da Igreja Universal do Reino de Deus>; Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra, Igreja Bola de Neve, etc, só para citar algumas denominações neo-pentecostais.



Basicamente, a teologia destas “ igrejas” fundamenta-se na obtenção de poder, graça e prosperidade no aqui e agora. Curas miraculosas, “ passes espirituais” e , principalmente, promessas de obtenção de riquezas por meio de doações voluptuosas são os temas mais explorados por seus “ pastores”. A igreja evangélica já experimentou todas as modas possíveis e imagináveis em seu afã de arrebatar mais e mais fiéis.

Já passamos pela fase do “boom” da música, quando os velhos hinários foram substituídos por canções com uma roupagem mais contemporânea e de conteúdo espontâneo. Passamos também pela fase da “ quebra de maldições hereditárias”, nas quais acreditava-se que o sujeito tinha que quebrar as maldições herdadas dos pecados de seus antepassados.



Depois veio a era do “cair no espírito”, das línguas espirituais, dos “arrebatamentos”, “ dente de ouro”, “ unção do riso”; essa foi a fase das grandes e inovadoras manifestações do Espírito Santo.



Mais recentemente, os evangélicos passaram, e ainda estão passando, pelo delírio de “ Pink e o Cérebro”. Neste famoso desenho animado ( hilário aliás..) dois ratinhos tentam, sempre sem sucesso, com planos mirabolantes, conquistar o mundo.



Surgiu o movimento G-12 na Colômbia que se espalhou pelo mundo todo incitando os fiéis a conquistaram o mundo por meio da evangelização em massa, o trunfo? As células. Essa fase permanece até hoje. Na verdade, o G-12 é só um sintoma de uma moda que já vinha se estabelecendo: o ativismo. Em reação às igrejas protestantes históricas, começaram a criar os mais variados métodos para fazer a experiência religiosa o mais assimilável possível aos não crentes. É assim, sai moda, entra moda e os evangélicos todos vão como formiguinhas atrás de açúcar! Desesperados por algo que lhe tire do marasmo de sua parca, fria e superficial experiência espiritual.



Qualquer coisa ta valendo, contanto que eles sintam que estão no caminho certo. Se a igreja não cresce, eles logo encontram a solução: não estamos usando o método certo. Se os jovens não mais freqüentam a igreja, logo eles descobrem uma nova fórmula: temos que modernizar. Se os fiéis não são mais tão engajados, não tarda e eles encontram uma solução: O monge e o executivo.



Na verdade, o que menos os evangélicos fazem é refletirem sobre o impacto que sua dita relação com Cristo tem sobre suas vidas. Todas essas modas e ventos de novas doutrinas nada mais são do que tentativas frustradas de preencherem um vazio espiritual deixado por sua fé rasa e sem brilho. O fulgor e vitalidade de sua fé estão enevoados por um excesso de falso moralismo e afundados nas trevas de regras como “ não toque”, “não mexa”, “ não faça”.



A vida de Cristo nos crentes está apagada por uma fé acética que luta em não aceitar que nós somos na verdade “ humanos, demasiado humanos”. O brilho de Jesus está quase que todo apagado por olhos que vêem maldade em tudo; olhos disciplinantes que, como nos tempos de Jesus, não tiram a trave de seu olhos antes de tirar o cisco no olho do outro.

É assim que, através dos anos, os evangélicos tentam suprir o vazio de sua experiência de conhecer o verdadeiro Cristo com métodos, modas e princípios. Cada vez que os estudos em administração de empresas criam um novo método, em pouco tempo a igreja já o “ evangelizou”. Rapidamente, pastores encontram versículos bíblicos que justifiquem o uso de tais métodos para “ melhorar” a vida da igreja. É uma triste realidade, mas não é nada diferente das andanças da igreja católica que já passou por todo esse mesmo processo de decadência. O que a igreja Católica é hoje a igreja evangélica será daqui a não menos que 50 anos. Talvez menos.



Quanto a “igreja da tenda”...Já nem lembro como fui chegar neste ponto. Acho que tinha alguma coisa a ver com modismos e “ trends” no meio evangélico. De repente, a nova moda agora vai ser erguer tendas por todo o Brasil.....