quinta-feira, 12 de junho de 2008

Into the wild



Acabo de assistir um filme genial: “ Into the wild”- Na natureza selvagem.
Apesar das intensas dores que sinto em minha mão devido aos últimos dias de intenso trabalho no computador, não posso deixar de dizer algumas palavras.

O dia parece ser propício—dia dos namorados no Brasil.
No início do filme pensei: bem, esta coisa de morar na selva para fugir de tudo me parece uma grande babaquice. Depois de ver o filme confirmo que de fato o é. Entretanto, no caso do jovem no filme configurou-se uma travessia. Uma metáfora de tudo que fazemos ao passar “ pelo vale da sombra da morte”. uma escapada que desemboca num retorno. A questão é que o caminho, o vale de travessia pelo qual temos que passar para só então retornar, ás vezes, ou quase sempre, tem seu próprio caminho.

Tudo na vida é uma travessia, uma repetição na qual, se formos bem sucedidos, consegue-se voltar ao ponto de partida, melhores para nós e para o outro. O engraçado é que no fim a mudança só diz respeito a nós mesmos. Há um esvaziamento interior; um fluir intenso do perdão. Deve ser por isso que vivemos tanto: para aprender amar e perdoar. Nem sempre conseguimos amar bem alguém com o amor aprendido, ou conceder o perdão a alguém quando perdemos o rancor, mas, como eu disse, no fim diz respeito somente a nossa própria mudança.

Mesmo assim, a travessia vale a pena cada centímetro. Cada vale e sofrimento. E cada luta também, com os outros e consigo mesmo. O filme tem um belo e emocionante final—um simbolismo da vida. De fato a mudança só diz respeito a nós mesmos; falo isso de seus efeitos. No entanto, o prazer da mudança, o júbilo que com ela vem só tem sentido acompanhado. “ Felicidade só vale a pena se for compartilhada”.

É bom mudar; é melhor ainda perdoar, reconhecer no outro nossa natureza selvagem. Mas, para mim, melhor ainda é compartilhar toda mudança, felicidade e amor sentido com alguém especial. Não com qualquer um. Felicidade é um dom que não se deve compartilhar com qualquer pessoa. Só presta se for com alguém que a valorize tanto quanto nós. Aqueles que ainda acham o amor e a felicidade coisas piegas, bregas ou ultrapassadas são as piores pessoas para se compartilhar felicidade.
Já houve um tempo em que eu achava brega ser feliz. Mas...
Atravessei o vale...
Habitei o selvagem...
Morei com as feras e fiz minha tenda entre os lugares inóspitos...
Chorei na escuridão...
Dormi ao relento e vi a luz.

Hoje eu acredito na felicidade, no amor e na fugacidade da alegria.
Acredito no amor e que é possível amar e ser amado.
Sinto hoje menos necessidade de cobrar meus pais, irmãos e parentes.
Ferve em mim uma felicidade que gosta de ser compartilhada.
Acima de tudo, tenho alguém com quem compartilhá-la.

Feliz dia dos namorados.

2 comentários:

  1. adorei o filme, até pq diz muita coisa de mim - de cada um de nós, mais precisamente. mas criei outros sentidos, um tanto quanto diferentes do que vc atribuiu à sua leitura. na natureza selvagem é um estado utópico, que não podemos nos desvencilhar dele. infelizmente... queria também fazer igual o personagem, mas meus problemas deverão ser confrontados, e resolvidos (pudera eu ter tal poder) aqui, no meio da floresta de pedra (vc usou essa expressão?). ainda sou muito ligado ao que nego, ao que rejeito, ou melhor, ao que queria descartar; mas aí eu desfecho ressaltando o queria, ou seja, fica apenas no plano do desejo, tanto no que se refere ao desvencilhamento quanto ao que poderia ser desvencilhado.

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  2. Olá Rafael, quanto tempo hein...
    Dei uma passada aqui no seu blog pra ver o que constava, então encontrei algumas respostas que precisa ter, o que então só pertence a mim. A felicidade de fato é algo que precisa ser conquistada, na superação da dor, da falta, da perda, enfim, isso diz respeito a cada um, porém só assim ela existe, passando por isso tudo é que brotará o verdadeiro valor a ela. Ao ler suas palavras, me lembrei de algo - que assisti há algum tempo - que fala do que é ser herói. O herói é aquele que mitologicamente tem um caminho a ser traçado mesmo quando o caminho por si só se faz, então ele segue, enfrenta as dificuldades e volta com toda a honra que merece (o que seria de são jorge sem o dragão?). Então posso perceber que a felicidade é está muito relacionada com o "ser heroi", pois é almejada por quase todo mundo, assim como carregar no pescoço uma medalha dourada, mas nem todos se submetem a encontra-la, e as vezes ela cai na casa do piegas.

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