segunda-feira, 24 de março de 2008

ALMA

Ah, o progresso de uma alma jamais poderá ser dito. Alma é coisa que a gente não diz; dela não se fala e nem se deve falar. Nossa alma é um sentimento tão próprio, uma insolvência tão grande—uma dívida eterna comigo mesmo que nem tem tempo para dor. A dor passa como uma brisa vitoriana: rígida, tensa e conformada.
Porque na vida é preciso ser conformado. Não falo de forma ou conformação, mas sim de um sentimento de desconforto pacífico e lúcido; como a lagarta que não se sabe borboleta e assim mesmo se submete ao processo de metamorfose.
Sim, eu me metamorfoseio, sem escolha e sem padrão. Deixo-me grudar em qualquer dessas janelas, caules ou folha. A vida não escolhe padrões, sob sua espada somos todos vítimas de um crime sem rosto.
Sei de uma tristeza que me faz andar no que jamais poderia ser dito. Um enunciado forte demais para se sustentar em mim. Sou desses que nasceu para não ser dito—um segredo de loucos que não se permitem a graça de ter um oráculo. Sou um segredo não confessado na boca de um padre ou uma beata. Sou também uma penitência mentida. Sou um chicote que nunca foi usado. Sou uma mentira mal contada. Sou uma verdade mal elaborada.
...não se pode dizer do progresso de uma alma. Alma é coisa que a gente diz mal-dito. Alma é definitivamente coisa maldita...de uma inexpressão que despreza nossas tentativas piegas de dar sentido a tudo.
Alma é coisa triste.
Sinto-me terrivelmente triste.

Um comentário:

  1. Escolher uma identidade pra comentar??

    Vou escolher o Google/Blogger que embora apareça o nome de Letícia ela nao ta por aqui não. rsrsr

    Agradeça minha audiência. Estou de volta. rsrsr

    To adorando tudo... os anônimos são "maravilhosos", Diogo o mesmo "monstro" de sempre... não sei por onde andava. Mas estou de volta!

    Filho pródigo!

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