Marta e Sandra ( coloquei em ordem alfabética pra não dá ciúmes..)
Feliz aniversário minhas queridas. Mesmo que tanta gente ache bobagen celebrar a data de nascimento, continuo achando que devemos marcar bem cada ano que passa, tal como marcos existenciais. Parece-me que a vida foi feita pra ser compartilhada. Sinto-me muito honrado em compartilhar a minha vida com vocês duas.
É gozado que ambas façam aniversário logo depois de minha mãe, que fez ontem 51 anos muito bem vividos. Digo isto porque, aí em Fortaleza, Marta e Sandra são muito mais que amigas. Elas são para mim aquilo mais poderia se assemelhar a uma mãe. Imagino que alguns achem isso piegas ou de mau gosto compará-las a uma mãe. Mas, para mim não é. Fortaleza para mim foi um novo nascimento; uma nova e importante etapa de minha vida. Como um bebezinho existencial eu não poderia passar sem uma mãe. Deus foi tão bom comigo e me deu logo duas! Na verdade, seria mais acurado dizer que elas são minhas parteiras—me ajudam a parir o que há de melhor e mais autenticamente eu! Por isso, obrigado amigas queridas.
Marta sempre foi uma amiga carinhosa, e uma das pessoas mais altruístas que conheço. Mesmo que não parece—devido ao seu temperamento forte e incisivo--- Marta está sempre pronta a se doar aos seus. Fico muito feliz que, tão rápido, eu tenha sido considerado “ seu”. Para você, Marta, desejo muita coragem para todos os seus sonhos; nunca é tarde pra sonhar e recriar a vida. Amo você.
Sandra foi um presente que recebi neste último ano. Amiga, te conhecer foi essencial. Você foi um encontro que tinha que acontecer. De certa forma você continua sendo minha professora, a diferença é que agora eu sei que também te ensino algumas coisinhas... Porque somos amigos. Você continua a ser minha parteira; uma mulher verdadeira que “ arranca” de mim a coragem para ser. Amo você.
Feliz aniversário querida “ parteiras”! Um beijo de coração. Que Deus lhes dê sempre saúde e alegria.
Amo ,
Rafael.
Antes de um acordo ideal entre o dito e o dizer, queremos dar lugar à suprema diferença entre o dito e o dizer de quem fala, e que leve em conta também a possibilidade de modificarmos nossa posição subjetiva em relação ao dito.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
Parabéns mãe!
Parabéns mãe,
Não se preocupe, não revelarei sua idade. Até porque eu mesmo não sei, já que você tem o seu próprio método de contagem. Pode ficar tranqüila; eu também já passei dos 20 e sei como é isso.
Vamos aos conselhos de aniversário.
Ontem lhe falei que um bom método de se sentir bem no aniversário é nos compararmos a outras pessoas que estão bem piores do que nós. Quero fazer somente uma pequena retificação; a única comparação que realmente vale a pena é quando nos comparamos com nós mesmos. Só assim temos a chance de refletirmos sobre nossa vida. Então, meu primeiro conselho é que a vocE se compare somente consigo mesma. E olhe, vou lhe dizer; se você olhar bem vai notar que está muito melhor hoje do que antes, quando aparentemente era mais novinha.
Dizem que quando ficamos adultos sentimos saudades da nossa infância. Eu nunca entendi o porquê disso. Quando você tinha 9 anos de idade, provavelmente sonhava em estudar e ser uma excelente profissional. Depois, aos 15 sonhava com seu príncipe encantado; queria que ele viesse lhe resgatar. Sonhava com sua própria casinha onde você pudesse reinar magnânima sobre seu lar feliz. Aos 15 anos você tinha tantos sonhos, mas eles não passavam disso—sonhos. Aos 9, 15 ou até 20 anos vivemos de sonhos e fantasias. Na verdade, nem vivemos. Fazemos planos e lutamos para que nossos sonhos se tornem realidade.
Enfim, aos 20 anos você sonhava em ter filhos; em vê-los crescerem felizes ao redor da mesa de jantar. É verdade que no início esse sonho parecia impossível, mas graças a Deus, não há nada impossível para Ele. Assim é que eu inaugurei um útero que ainda iria produzir muita coisa boa.
Então mãe, hoje com a idade que você completa ( desistam, não revelarei), você está muito mais completa do que antes. Faça a comparação. Hoje você vive os sonhos que você tanto sonhou. Tudo bem que nem tudo sai como a gente planeja, mas é que nós seres humanos temos a mania de achar que a vida é um conto de fadas—mas não é.
Entretanto, mesmo que as coisas não saiam bem como planejamos, se formos honestos e modestos, perceberemos que somos e temos o suficiente para sermos felizes.
Hoje, a insegurança e medo de sua infância se foram. Você não é mais aquela adolescente magrinha e desengonçada que “ não dava um bife”. Você é uma mulher forte, elegante, bem sucedida e, que os outros homens não escutem isso, mas você dá muito mais que um bife!
Seu príncipe encantado não é mais uma miragem; ele é bem real e ainda está casado com você depois de 30 anos. Não é algo sensacional e tão raro em nossos dias? Seus filhos estão todos crescidos e bem criados. Sua parte já está feita, daqui pra frente é com eles.
Viu só? Comparando você consigo mesma, vemos que só há o que comemorar. Nostalgia e saudosismo são para pessoas que não realizaram seus sonhos. Este não é seu caso. Quem disse que envelhecer é ruim? O problema é que nosso corpo não acompanha o amadurecimento de nosso espírito, mas basta olhar pra você para ver que aos 51 ( droga, falei) você está muito, mas muito melhor do que aos 15 anos.
Comemore, celebre esta fase maravilhosa. Chegar à maturidade é um privilégio de Deus. É só agora que você pode olhar pra trás e ver como Ele foi bom e fiel para com todos nós. Neste dia, desejo que os próximos 51 anos sejam de muita saúde, muito mais realização. Sabe por quê? É que o bom da vida é que sempre podemos sonhar de novo. Se alguns sonhos e planos não saíram como previmos, nada impede que sonhemos tudo de novo; planejarmos outra estratégia, aprendermos com os erros e jogar a bola pra frente. Há uma máxima existencialista que diz que o importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos do que fizeram de nós. Eu diria de outra forma—o importante não é ficar preso àquilo que somos. Vou concordar com Fernando Pessoa.
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo
Dessa forma, não é o que somos ou o que fizeram de nós, ou o que fazemos que nos define. O Importante é que cada ser humano tem em si todos os sonhos do mundo, e é isso que nos faz sempre querer viver mais.
Parabéns mãe, que Deus te dê uma vida longa e saudável e cheias de sonhos!
Te amo,
Rafael.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Homofobia evangélica.

Mais uma vez o fanatismo evangélico mostra suas caras. Sinto que há poucos “moderados” no meio evangélico. Aqueles que se dizem liberais ou mais moderados, não passam de componentes da ala dos covardes: são aqueles que pensam como os conservadores , mas não tem coragem de admitir.
As últimas notícias mostraram um grupo insano de evangélicos liderados pelo senador Magno Malta, tentando invadir o congresso nacional. Os “ protestantes” querem impedir a criminalização da homofobia.
Devido a minha falta de paciência de tratar este assunto, limitar-me-ei simplesmente a comentar as declarações de alguns líderes evangélicos presentes.
Segundo notícia da Agência Brasil, o senador Magno Malta acredita que o projeto propiciaria a impunidade de crimes como pedofilia e necrofilia. "O pedófilo vai dizer que a opção sexual dele é menino de 9 anos", declarou. Malta pensa que o Brasil viraria “um império homossexual”.
Nota-se o tamanho da ignorância deste cavalo ocupante de uma cadeira no senado brasileiro. Comparar a homossexualidade à pedofilia e a necrofilia foi um ultraje. Não vou me desgastar para explicar para este beócio que um pedófilo não é necessariamente um homossexual, e que o crime de pedofilia pode ser cometidos por qualquer homem ou mulher, homo ou hétero. O que o senador afirmou, implicitamente, é que a homossexualidade é uma doença e , portanto, deve ser combatida e banida da face do planeta.
Há muitos anos que o homossexualismo não é mais considerado doença ou distúrbio psicológico. Suas causas são as mesmas que determinam se alguém gosta de carne ou frango, ou seja, uma complexa mistura entre o substrato orgânico e sua interação social. Não é doença, muito menos um transtorno a ser tratado. Os homossexuais não são pedófilos, muito menos necrófilos. É preciso que a sociedade repudie declarações tão preconceituosas como as destes protótipo de senador da república.
“No estado democrático ninguém está imune à crítica”, disse o vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), pastor Silas Malafaia. Ele considera o projeto de criminalização da homofobia "uma afronta à democracia" porque inibe a liberdade de expressão.
Silas Malafaia sempre foi um falastrão, um ladrão e um hipócrita que assina bíblias pelo Brasil a fora, arrecadando milhões para sua conta no céu. Malafaia é um evangélico fundamentalista e nunca esteve mais distante do Reino de Deus. Ele é daqueles sobre os quais falou Jesus quando disse: “ sepulcros caiados”. Esta anta, acéfala e estúpida ( estou usando minha liberdade de expressão), ousa comparar uma crítica a uma atitude preconceituosa. Quem sabe então, agora fosse o caso das pessoas que não gostam da cor preta, criticarem as pessoas que nasceram com a cor da pele negra. Talvez fosse o caso de eu, que abomino a atitude dos evangélicos, de dizer que “ evangélico é burro”. Eu estaria usando minha liberdade de expressão, entretanto, eu estaria sendo preconceituoso, porque no Brasil, as pessoas são livres para escolherem sua religião. Silas ( um nome tão bom para um homem tão mau) não tem fundamento a não ser seu profundo preconceito com todos aqueles que são diferentes de sua moral suja e hipócrita. Silas Malafaia ignora as centenas de homossexuais que são agredidos e outros tantos mortos em nome do preconceito e intolerância.
"Senhor, sabemos que há uma maquinação para que esse país seja transformado numa Sodoma e Gomorra. Um projeto desses vai abrir as portas do inferno", disse o pastor Jabes de Alencar, da Assembléia de Deus. em frente à entrada principal do Legislativo enquanto promovia orações dos manifestantes.
Maquinação? Da parte de quem? Este outro troglodita fecha os olhos para a verdadeira maquinação que há no Brasil. Os evangélicos nunca bateram na porta do congresso nacional para protestar contra a corrupção, ou contra a pobreza e desigualdade social. Nunca tentaram invadir o congresso nacional quando políticos corruptos eram declarados inocentes. Jabes Alencar representa o que há de mais reacionário, machista e preconceituoso no meio evangélico. As portas do inferno já estão abertas. Jesus alertou que os fariseus não entravam no céu e nem deixavam os outros entrar. Neste caso, faço uma pequena inversão—sim, as portas do inferno estão abertas. Talvez , alguns homossexuais irão entrar por elas, mas de certo, o pastor Jabes Alencar vai na comissão de frente. Isso claro, se eu acreditasse na condenação eterna. Sorte sua pastor Jabes.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
De dentro do meu coreto

Aqui na minha cidade tem uma pracinha jeitosa onde todos gostam de caminhar. Lá tem uns banquinhos de madeira bonzinhos de sentar. Gosto de ficar sentado olhando os que passam com suas vidas rotineiras, cheias de bobagens interessantes. E tem uns que andam a ver navios; outros são gordos e outros são magros. Há velhos e moços jovens que se balançam num caminhar que, no fundo, é bem parecido. Passam por lá os garotinhos à procura de um tio; tem as meninotas com seus velhos maridos e , por fim, tem os passantes aleatórios que esbarram com a praça no caminho ao trabalho.
Eu gosto daquela praça porque lá tem um coreto. Gosto de chamá-lo de “ o coreto no centro da praça”. Toda praça tem que ter um centro, penso cá comigo e meus botões desgastados. Praça sem coreto não tem graça porque é lá que, normalmente, se namora. E namorar é tão bom. Fico pensando nas praças sem coreto. E onde é que o povo lá namora ein? Porque é no coreto que os namoradinhos se escondem dos passantes e sentam-se a escutar passarinhos e a contemplar as flores. Sim, porque todo coreto tem que ter muitas flores. E no “ coreto no centro da praça” tem tantas flores.
Foi nesse coreto que conheci Notwen. Ela tem os cabelos pretos por sobre os ombros, e uma pele clara que, de tão sedosa, faz me escorregar os dedos ao deslizar com carinho.
Era um tarde morna de luz serena quando vi Notwen pela primeira vez sentada a ver os pássaros. Ela sempre gostou de pássaros; gosta de se inclinar numa janela qualquer e dar boas vindas a qualquer um que se preste a cantar. Eu cheguei de leve e fui mostrando minha simpatia tão peculiar. Andam dizendo por aí que eu não sou nada cortês; nada poderia estar mais longe da verdade. Sou bem gentil até, mas tenho um olhar e uma cara torta que sempre dá impressão de que flerto com a soberba. Nem é isso. Se podem me acusar de algo é de humor volátil e ser, ás vezes, um pouco castiço. Posso mudar de humor em minutos—fico triste e alegre na mesma intensidade e não gosto de explicar por que.
Cheguei de levinho e fui mostrando meu sorriso. Notwen devolveu um olhar sereno e alegre. Ela é sempre receptiva; acredita na bondade de algumas pessoas, enquanto eu as tenho em total descrédito. Depois de um minuto de troca de olhares, ela chegou pertinho e me sussurrou: “ prefiro nem começar, e se te perco?”.
“ Ando bem perdido, não tem como você me perder. Acho que é mais fácil você ter me encontrado do que você me perder. Acho-me em você”.
Anos depois Notwen ainda não entenderia minhas palavras. Eu a amo todos os dias; sim, na minha maneira trôpega de ser, mas amo profundamente. Ela ainda não entendeu que ela não pode me perder assim tão fácil; que ela me achou... Que eu me acho nela. Ela ainda não entendeu que naquele coreto encontrei uma paz que ainda não nomeei. Depois dela não me sinto solto por aí à procura de qualquer rabo de saia. Sinto uma firmeza de raízes preso a ela. Talvez ela goste de se sentir insegura; talvez goste que eu a conquiste todos os dias. Tem gente que é assim, já aprendi.
É por isso que todo dia eu volto ao coreto; quero me lembrar do dia quando nos conhecemos e as flores e os pássaros estavam ali a ver-nos. Lembro da paz que senti ao vê-la e de que depois disso nada foi igual. Gosto de olhar pro coreto e pensar em novas formas de conquistar Notwen. Ela tem um nome forte, não? Uma pronúncia feliz que agrada. Ela gosta de deitar no meu peito e , mansamente, chegar como quem não quer nada pedindo um amor e um beijo de testa. Ela gosta de se sentir beijada até “ a alma se sentir beijada”, diz o poeta.
Aqui na minha cidade tem um coreto no meio de uma praça onde todos gostam de caminhar. Mas, ninguém caminha como ela, no meio das flores é ela quem passa tal brisa de arco-íris. Ela tem um jeito manso de me fazer rodeios e me deixar todo serelepe. Gosto dela de tanto que gosto dela, e passo por ela nas voltas pelo coreto no centro da praça.
É que na cidade onde eu moro tem um coreto no centro da praça que, de passagem, as pessoas gostam de caminhar quando vão para os seus trabalhos aleatórios. Já eu, gosto da praça porque no centro dela tem Notwen, sentada imperiosa entre os melancólicos bem-te-vis. Gosto dela sentada na praça, no centro do meu coreto, no centro de minha música, bem na minha praça mais querida. E quando escrevo, faço pra ela essa conquista diária; sempre contando, crendo que ela não se esqueça o quanto gosto de conquista-la sempre que ela requisite meus romances e minhas estórias. É porque contando uma estorinha eu conto como gosto dela; mantenho também a conquista forte e tenra das palavras bem colhidas lá de dentro, de dentro do meu coreto.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Crede em mim

Então é natal? Sim. Natal é quando se nasce. Cada um.
Eu sei que você não é muito dado a comemorações natalícias, mas eu não quero deixar passar o momento de dizer-te algumas coisas. São poucas, mas são honestas.
Minha experiência de vir morar em sua terra foi feita de tantas experiências que mal posso enumerar. Mas, uma delas, foi poder experimentar de Deus algo que só se via no Antigo Testamento: vi anjos.
Passei por maus bocados em minha adaptação a um novo momento no qual tudo era absurdamente novo e difícil para mim.Hoje , quando olho “ back” aos três anos percebo quantos anjos estiveram comigo fazendo de cada momento um caminho especial. A Sandra Helena sempre diz que a cerveja ajuda a enfrentar a realidade, como você sabe, meus amigos fazem o mesmo trabalho e com a vantagem de me manter sóbrio.
Tenho três pilares aqui em Fortaleza: Marta, você e Sandra. Não desmereço os outros amigos que fiz aqui, mas guardo um canto especial para os primeiros anjos que me foram enviados. Armarinho e Felipe são da segunda leva, mas isso não os faz menos importantes. Só que hoje o dia é seu.
Lembra de quando nos conhecemos? Lembra das corridas da madruga em seu carro? Perambulávamos pela cidade em busca de algo. Enquanto isso, conversávamos. Como bons geminianos, fomos atraídos rapidamente um ao outro: uma falta de saber unida com outra falta de saber.
Aproveito o dia para agradecer por você ter atendido o chamado de ser meu anjo. Os anjos não são perfeitos, é por isso que não te louvo pela perfeição, mas por ter atendido ao chamado. E você o cumpriu muito bem. Eu imagino como deve ser chato e complicado ser anjo da guarda de um velho rabugento como eu, mas ao que me parece, você se diverte com isso. Então, de uma outra forma sou também o anjo de sua melancolia. Fique sabendo que gosto do cargo.
Feliz aniversário anjo amigo. Sua data natalina me é cara porque sem você meu caminho seria bem mais difícil. Sua amizade veio em um momento periclitante para mim; eu a prezo com grande carinho.
Nesta nova fase de sua vida—início de carreira, novo amor, novo percurso acadêmico--, meu desejo é que eu seja o que você foi e é para mim, um anjo.
Quero terminar com uma fala de Cristo que eu gosto muito. Quando os discípulos estavam aflitos com tantas mudanças que iriam acontecer, o Mestre foi simples e direto. Faço das Dele as minhas palavras:
“ Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus e também em mim”.
É isso amigo. Em tempos de aflição e quando sua alma “coçar”, creia também em mim.
FELIZ ANIVERSÁRIO!
terça-feira, 17 de junho de 2008
O paradoxo do sexo
Não costumo publicar textos de terceiros no meu blog, mas este texto vale a pena cada palavra. Sinto que eu mesmo o escrevi. assino embaixo.
Há, de fato, mais ou menos liberdade de acordo com as opções sexuais?
Por Francisco Bosco ( Revista cult)
Alguns acontecimentos recentes permitem apontarmos um paradoxo no modo como se pensa a sexualidade hoje, no Brasil, ou pelo menos nas suas cidades maiores e mais cosmopolitas. Vejamos os dois lados contraditórios da moeda. De um lado, têm se tornado freqüentes as declarações públicas de celebridades a respeito de sua sexualidade plenamente livre: gosto de homens, gosto de mulheres, sou bi, tri, penta, e o que mais tiver vontade de ser. Ora, do ponto de vista ético, isso está perfeito: cada um agindo de acordo com seu desejo, desde que esse desejo não interfira na liberdade do de outras pessoas. O problema, entretanto, está nessa concepção de sexualidade e, simultaneamente, na concepção de liberdade de que se faz o elogio, vinculando uma coisa à outra.
Já faz mais de um século que Freud, em seu revolucionário "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade", afirmou que entre a pulsão sexual e seu objeto não existe uma relação inata e com uma direção normal, mas sim, para usar a sua precisa metáfora, uma solda. Todo sujeito possui uma quantidade de energia sexual (libido), mas os objetos sexuais sobre os quais o sujeito investirá essa energia são independentes dela mesma. Trocando em miúdos, ninguém nasce heterossexual, homossexual, bissexual, multissexual; no princípio há apenas a libido. Isso, entretanto, não significa que a pulsão sexual de cada sujeito poderá escolher, em sua vida adulta, qualquer objeto que sua vontade determinar. A "escolha" dos objetos vai sendo determinada pela singularidade da formação do sujeito, por meio de tramas complexas, identificações, alienações constitutivas, marcas, recalques etc. Está claro que escrevi "escolha" assim, entre aspas, porque o que está em jogo tem pouco ou nada de voluntário.
Não quero com isso incorrer num fatalismo da formação da sexualidade, que determinaria para todo sempre o destino da mesma em cada sujeito. Acredito que há acontecimentos na vida que podem mudar as regras do jogo, transformando o sujeito no cerne mesmo de suas fantasias, isto é, efetuando rupturas, abrindo novos caminhos, reconfigurando sua sexualidade. Mas esses acontecimentos não são propriamente cotidianos, são raros; ou seja, a sexualidade não é um campo plenamente livre, no sentido de uma tabula rasa a se deixar escrever por escolhas conscientes, voluntárias. Mesmo um sujeito com uma sexualidade que permite uma ampla gama de escolhas de objetos é um sujeito marcado pela determinação de seu desejo. Essa possibilidade é tão singular e marcada por uma história pessoal quanto qualquer outra. Um sujeito bissexual não me parece mais livre, sob essa perspectiva, do que um heterossexual homofóbico, por exemplo.
Mas o que é ainda mais questionável é a própria concepção de liberdade que está em jogo nessa declaração de irrestrita e incondicionada liberdade de escolha objetal. Ao associar a liberdade ao poder de escolher entre uma multiplicidade ilimitada de objetos sexuais, o que parece ocorrer é uma extensão do ditame do hiperconsumo à esfera da sexualidade. No entanto todos sabemos que não somos necessariamente mais felizes por poder escolher um perfume numa loja que os tem aos milhares. Portanto fica a pergunta: haverá mesmo alguma vantagem existencial em se representar a sexualidade sob a lógica do free shop?
Liberdade sexual
Por outro lado, o episódio envolvendo o jogador Ronaldo e três travestis fez vir à tona o avesso daquela liberdade improvável: a homofobia, a hipocrisia, o machismo, o conservadorismo, em suma, o que há de pior nas representações sociais da sexualidade. Ronaldo está sendo condenado, digo, massacrado, porque pegou travestis para fazer um programa. Não nos confundamos: o massacre nada tem a ver com o possível consumo de drogas pelo jogador, com o fato de ele ter se envolvido com prostituição ou com as implicações éticas que esse ato traz à sua relação amorosa (ele está, ou estava, noivo). As pessoas que o condenam parecem autorizar o consumo ilegal de drogas, o sexo pago e a "traição" masculina (não vou entrar no mérito desses três pontos), mas se sentem aviltadas por um ídolo ter ido parar num motel com travestis.
Pior, o próprio Ronaldo faz coro aos que o julgam. A entrevista que ele concedeu ao Fantástico, no dia 4 de maio, foi um dos momentos mais deploráveis da televisão brasileira. O jogador disse inúmeras vezes estar "profundamente envergonhado" por ter cometido um "erro gravíssimo" e assegurou todos quanto à sua heterossexualidade convicta. Argumentar que, em o fazendo, Ronaldo estava pensando na manutenção de seus contratos de publicidade apenas reforça o que se deve dizer com todas as letras: Ronaldo comportou-se como um covarde, um hipócrita, e subscreveu a pressão homofóbica. Se houve "erro gravíssimo" de Ronaldo, e houve, foi esse: o de admitir uma culpa que não lhe cabe e, com isso, contribuir para a falta de liberdade sexual de nossa sociedade.
Assim verificamos o paradoxo a que o título dessa coluna se refere. De um lado - entre os "artistas", as celebridades e os "descolados" - apresenta-se uma concepção duvidosa da sexualidade e uma concepção ainda mais duvidosa da liberdade; de outro, apresenta-se uma concepção normatizante da sexualidade, que condena qualquer suposto desvio e, assim, atenta contra a liberdade da sexualidade. Em meio a isso, que idéia mais vantajosa de liberdade podemos oferecer? Já será um grande passo se conseguirmos realizar essa, de tão simples aparência: que cada sujeito possa exercer a sexualidade de acordo com seu desejo, desde que não oprima o desejo do outro.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Into the wild

Acabo de assistir um filme genial: “ Into the wild”- Na natureza selvagem.
Apesar das intensas dores que sinto em minha mão devido aos últimos dias de intenso trabalho no computador, não posso deixar de dizer algumas palavras.
O dia parece ser propício—dia dos namorados no Brasil.
No início do filme pensei: bem, esta coisa de morar na selva para fugir de tudo me parece uma grande babaquice. Depois de ver o filme confirmo que de fato o é. Entretanto, no caso do jovem no filme configurou-se uma travessia. Uma metáfora de tudo que fazemos ao passar “ pelo vale da sombra da morte”. uma escapada que desemboca num retorno. A questão é que o caminho, o vale de travessia pelo qual temos que passar para só então retornar, ás vezes, ou quase sempre, tem seu próprio caminho.
Tudo na vida é uma travessia, uma repetição na qual, se formos bem sucedidos, consegue-se voltar ao ponto de partida, melhores para nós e para o outro. O engraçado é que no fim a mudança só diz respeito a nós mesmos. Há um esvaziamento interior; um fluir intenso do perdão. Deve ser por isso que vivemos tanto: para aprender amar e perdoar. Nem sempre conseguimos amar bem alguém com o amor aprendido, ou conceder o perdão a alguém quando perdemos o rancor, mas, como eu disse, no fim diz respeito somente a nossa própria mudança.
Mesmo assim, a travessia vale a pena cada centímetro. Cada vale e sofrimento. E cada luta também, com os outros e consigo mesmo. O filme tem um belo e emocionante final—um simbolismo da vida. De fato a mudança só diz respeito a nós mesmos; falo isso de seus efeitos. No entanto, o prazer da mudança, o júbilo que com ela vem só tem sentido acompanhado. “ Felicidade só vale a pena se for compartilhada”.
É bom mudar; é melhor ainda perdoar, reconhecer no outro nossa natureza selvagem. Mas, para mim, melhor ainda é compartilhar toda mudança, felicidade e amor sentido com alguém especial. Não com qualquer um. Felicidade é um dom que não se deve compartilhar com qualquer pessoa. Só presta se for com alguém que a valorize tanto quanto nós. Aqueles que ainda acham o amor e a felicidade coisas piegas, bregas ou ultrapassadas são as piores pessoas para se compartilhar felicidade.
Já houve um tempo em que eu achava brega ser feliz. Mas...
Atravessei o vale...
Habitei o selvagem...
Morei com as feras e fiz minha tenda entre os lugares inóspitos...
Chorei na escuridão...
Dormi ao relento e vi a luz.
Hoje eu acredito na felicidade, no amor e na fugacidade da alegria.
Acredito no amor e que é possível amar e ser amado.
Sinto hoje menos necessidade de cobrar meus pais, irmãos e parentes.
Ferve em mim uma felicidade que gosta de ser compartilhada.
Acima de tudo, tenho alguém com quem compartilhá-la.
Feliz dia dos namorados.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Recomendação
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Tempo

Paciência leitores. Estou num período de entresafras e fico sem escrever. Os artigos e relatórios acadêmicos têm tomado todo meu tempo e inspiração. Aproveitem para ler as dezenas de posts que o blog oferece. Usem os marcadores que isso pode facilitar os posts de seu interesse. VocÊ pode encontrar os marcadores na coluna à sua direita, abaixo da barra de videos. Alguns posts estão sem marcadores, mas grande parte está marcada. Os marcadores são : ...( não pude tematizar);Crítica de filme, Escritos ( coias que escrevi para mim, contos ou poesias). Histeria ( meu sintoma falando);Literatura e notícias.
Bom proveito.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Protesto!

( A pintura é O Navio dos Loucos, ou A Nave dos Loucos, pintura de Hieronymus Bosch, leva o espectador para um mundo tanto real como surreal. Esta pintura critica os costumes da sociedade da época em que foi pintada, de forma alegórica: a devassidão e a profanidade presentes em todos os grupos sociais (incluindo o Clero, como se pode ver, em primeiro plano na pintura), o jogo e o álcool)
No boletim da I igreja Batista de Fortaleza neste último domingo saiu uma matéria sobre os transexuais e a cirurgia de mudança de sexo que agora poderá ser feita pelo SUS. O pastor manifestou sua indignação com aquilo que ele chamou de “ depravação sexual”. Ele diz : “ não quero pagar a depravação sexual de ninguem. Mas, o duro é que não me perguntam se eu concordo ou não. Lamentavelmente não tenho escolha: sou obrigado a pagar e pronto. O que posso fazer é registrar meu protesto. É o que estou fazendo”.
Acho lamentável que ainda existam opiniões de natureza tão fundamentalista e beirando o fascismo. É exatamente por isso que eu peço a Deus que os evangélicos jamais alcancem o poder político como eles tanto querem. O que o pastor sugere é que as minorias de nossa sociedade não tenha representatividade política e que nem sejam tratadas como cidadãos pelo Estado. É um elogio ao fascismo. Uma democracia representativa funciona exatamente ampliando os espaços para a diferença. Os deputados estão ali para representar seus eleitores, sejam eles héterossexuais, homossexuais, transexuais, bissexuais, brancos, pretos, católicos e protestantes.
Uma sociedade livre e democrática pressupõe que haja espaço para a diversidade que é a manifestação humana. O referido pastor usa o bobo argumento de que quem determina o sexo de uma pessoa é Deus. Quanto a isso eu prometo que escreverei um longo artigo dizendo o que eu realmente acho sobre isso. Mas, posso dizer agora que esta forma de pensamento é extremamente limitada. Qualquer pessoa que se dedique ao estudo da psicologia, sociologia ou antropologia saberá, sem muito esforço, que sexo e gênero são construções diferentes. Masculino e feminino, isto é, o gênero é uma construção social e historicamente datada. A constituição psíquica de um sujeito em masculino e feminino não segue exatamente seu sexo biológico.
Com isto não quero dizer que concordo com uma intervenção cirúrgica tão forte como a mudança de sexo requer. Estou simplesmente tentando mostrar que dizer que os transexuais são depravados sexuais é um pensamento radical e muito, muito perigoso. Se este pastor tivesse o poder, o que ele faria com o milhares de transexuais no mundo a fora? Certo. Primeiro lhes ofereceria a salvação a “ mudança de vida em Jesus”. Certo. E caso eles não aceitassem? Os obrigaria a vive isolados em guetos devidamente cercados pela polícia cristã a fim de que esses depravados não se aproximem nem um pouco de nossa santa sociedade cristã? É neste tipo de sociedade que os evangélicos querem viver?
Outro argumento usando pelo pastor é que o governo tem usado o “ seu “ dinheiro para financiar festas pecadoras como o Carnaval. Quanto a isto eu só tenho a dizer que, sendo assim, o gonverno não deve apoiar nenhuma manifestação cultural, seja ela carnaval, são joão ou as famigeradas Marchas para Jesus”. Quem foi que mandou os crentes marcharem para Jesus? Até onde eu saiba essas marchas não passam de um arremedo de carnaval fora de época dos crentes. Acho que eles deveriam deixar de ser recalcados e, já que querem cair na gandaia, que se joguem em uma boite ou mesmo num divertido baile de carnaval. Mas, não. Isso seria depravação sexual.
Enquanto isso, logo depois que leio este triste boletim, sobe no palco na igreja um grupo vocal interdenominacinal que se apresentava naquele domingo. De cara eu pude avistar uns três, não, minto, quatro homens um pouco diferentes no palco. Sim, eram nitidamente homossexuais. Entretanto, eram homossexuais “controlados”. Recebidos no seio da igreja eles foram “ transformados” por Jesus e agora não são mais depravados sexuais. Eles podem cantar, tocar, dançar ( e como temos tantos deles na dança!). Podem fazer tudo que as mulheres fazem, ou seja, podem ser bichas dentro das paredes da igreja na mais pura santidade.
É esse o tipo de sociedade que o pensamento fascista e retrógrado da igreja evangélica quer formar: uma sociedade hipócrita de excluídos. Ou vocês conhecem algum homossexual que foi transformado? Eu conheço vários que se dizendo transformados vivem uma vida infeliz de erros e acertos, entre depressões, culpa e tentativas de suicídio. A maioria vive uma vida aparentemente transformada, mas por de trás da cortinas vivem no submundo do sexo e da pornografia. Mas, o que a igreja quer não é mudança verdadeira: para ela o que mais importa é a aparência:dizer-se mudado por Jesus!
Depravação sexual é propor um tipo de sociedade inviável para se viver. Este é o projeto da moral evangélica: uma sociedade totalitária que aniquila todo e qualquer rastro de diferença. Em última instância—peço desculpas se agora me torno hermético—o que a igreja quer fazer é apagar a marca daquilo que nos faz mais humanos: a diferença sexual. Apagar a diferença sexual é entrar no reino da psicose. Alias, é isto que a igreja evangélica mais produz: desubjetivação, sujeitos psicóticos, lançados e capturados no desejo de um Outro todo poderoso representado pelas figuras despósticas de seus líderes.
Da mesma forma que o referido pastor escreveu seu boletim em seu pleno direito de protestar, eu escrevo este post como um grito de protesto contra esta moral aterrorizante que , num passado não muito remoto, alimentou tantas guerras e mortes. Basta citar as grandes cruzadas e a guerra entre protestantes e católicos. Isso sim, foi uma grande depravação sexual. É por este caminho que queremos seguir?
Assinar:
Comentários (Atom)