
“O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. João 3:8
Este é um trecho de uma conversa que Jesus teve com um homem chamado Nicodemos.
Nicodemos era um mestre da lei judaica, mas desconhecia as grandes verdades existenciais que Jesus ensinava. Este príncipe dos judeus, tal como ele é chamado da bíblia, representa hoje tantos outros que reconhecem que Jesus veio de Deus; reconhecem sua divindade; quem sabe até são grandes líderes religiosos, entretanto, não conseguem ver o Reino de Deus.
Nicodemos acreditava no Reino como algo físico, referente a costumes, comida e bebida. Sabemos que São Paulo foi enfático ao dizer que o Reino de Deus não é comida, nem bebida, nem costumes, nem regras ou moral. O Reino de Deus é justiça, paz e alegria. Onde há justiça há Reino; onde há paz já Reino, e onde há alegria há Reino.
Eu acrescentaria só mais uma coisa: onde há amor, lá está o Reino. Quando Paulo ensinou que o Reino não é de comida ou bebida ele aponta para algo surpreendente—o Reino de Deus não se mostra fisicamente. O Reino são princípios. O Reino são sentimentos. O Reino são ações. O Reino é aquilo que nós vivemos e que está de acordo com a justiça, com a paz e com a alegria.
Jesus confirma minha reflexão quando ele diz que aquele que é nascido do Espírito Santo é como o vento. Ele sopra onde quer; não podemos vê-lo, mas o sentimos. Não sabemos de onde ele vem, nem para onde vai. Mesmo assim, seus efeitos são sentidos. Só que o Reino sopra onde quer. Assim é todo aquele nascido do Espírito. Com isto, creio que Jesus nos quer ensinar que todo aquele que quer ser parte do Reino deve nascer no Reino. Quem nasce da carne é carne, mas quem nasce do Espírito é espírito. Quem nasce nessa vida é mortal, quem nasce no Reino é espírito. Portanto, é como o vento. Sopra onde quer. Sabe-se vivendo uma existência terrena que ás vezes parece sem sentido e confusa. Mas ele sopra. E sopra onde quer. Ninguém ouve sua voz; ás vezes não sabe para onde vai, nem de onde vem, mas o fato é:ele sopra. E não sopramos ao leu—--sopramos a justiça, paz e a alegria que há no Reino.
Principalmente sopramos o amor que há no Reino.
Para mim não há nada mais parecido com o vento do que o amor. É por isso que ás vezes o comparamos a um grande furação; uma ventania que parece querer nos arrebatar. É assim. O amor sopra onde quer. Escutamos a sua voz, mas não sabemos de onde ele vem, nem para onde vai. Mas, isso não impede que vivamos o amor; muito menos nos impede de amar. É como o velho Freud gostava de dizer: isso não impede de existir. É assim no Reino. Estamos nele como o vento, e é assim que temos que viver:
Mesmo sem saber para onde estamos indo, tão confusos e perdidos. Só sabemos de uma coisa: nada disso impede de existir no Reino.
Assim eu vou....como o vento...
Ah, quanta dor vejo em teus olhos
ResponderExcluirtanto pranto em teu sorriso
tão vazias as tuas mãos
de onde vens assim cansado
de que dor, de qual distância
de que terras,de que mar...
Só quem partiu pode voltar
e eu voltei pra te contar
dos caminhos onde andei
fiz do riso amargo pranto
no olhar sempre teus olhos
no peito aberto uma canção
Se eu pudesse de repente
te mostrar meu coração
saberias num momento
quanta dor há dentro dele
dor de amor quando não passa
é porque o amor valeu
Essa letra é do Nelson Motta, mas a melodia é do Dori Caymmi, que compõe como se fosse uma flecha ao vento.
Colei aqui porque essa canção me faz lembrar do vento, ela é puríssimo vento, aliás, algumas canções são como o vento. Embevecem o espírito de algo terno e afetuoso, como se fosse um abraço de anjo, um consolo em forma de oração ou uma conversa com Deus.
Procura na internet a gravação com a Simone Caymmi, é linda!
abraços!
P.S. adorei o post.
ResponderExcluirJustiça, paz e alegria. Um trio fundamental para se viver bem. O amor como vento, que nos verga quando menos esperamos, que nos acalenta e afaga a alma quando mais precisamos.
eu soube que rolou bolo aí...
ResponderExcluirpô, guarda um pedaço pra mim!!!!!!
impingir nomes e condições Àquilo que existe por excelência, lembra deixar de ser vento pra ser chumbo que não se sustenta no ar, mas é envolto dele.
ResponderExcluiremocionei-me ao ler teu texto. pelo que li, pelo que lembrei, pelo que senti.
abraço.