terça-feira, 3 de março de 2009

Começando a viver.

Todos já sabem da minha última cirurgia, o tal do cisto que removi. Bem, é de conhecimento geral também a minha falta de sorte – outros dizem que é meu pessimismo que atrai minhas catástrofes pessoais--, assim, hoje fui parar na mesa de cirurgia do dentista para consertar minha gengiva. Pode? Simplesmente ela resolveu que ia crescer por sobre meu dente. Este bendito dente terá que ser submetido a um tratamento de canal, ou seja, daqui pro fim do ano termino minhas visitas ao dentista. Depois de ficar bom da cirurgia vou pro canal, do canal vou pra limpeza e assim sucessivamente até que eu tenha deixado de lado toda minha vida pra cuidar dos dentes.

Mas, no fundo eu acho que essas cirurgias sempre vêm em boa hora. Como se meu corpo soubesse a hora de parar um pouco e retomar meu eixo existencial. Na época do cisto foi o buraco que me lançou de volta ao meu centro, à minha falta estrutural. Agora, é minha boca que me obriga a fica calado e quieto. Posso ler e ver filmes, e é claro, usar a internet ( até o dia que minha síndrome do carpo resolva parar meus dedos de digitar). Só o fato de ficar parado e não poder fazer nada em si já é terapêutico, tem poder de ruptura, sendo deleuziano. Um fato corriqueiro como mexer na gengiva pode ser um verdadeiro “ acontecimento” que oferece uma ruptura no fluxo existencial de alguém. No meu caso fez minha mente parar e descansar; não planejar nada, já que não vou poder sair de casa mesmo pelo menos até amanhã. Posso ficar parado aproveitando o ócio, sem culpa ou racionalização e me recolocar na linha. Rever meu caminho e , como diz o salmista, “ contar meus dias”. Sempre digo que uma vida não refletida não vale a pena ser vivida. Outra coisa que aprendi com as cirurgias é que ter uma dor física presente nos coloca em outra relação com nosso corpo, com o sofrimento e com a mente. É como se a dor tornasse a vida mais pura e sem imaginação; sem rodeios a dor aguda mantém a mente sempre ativa. Não sei explicar, mas a dor é algo essencial da vida. Não há como fugir.
É por isso que eu digo: pra viver a gente tem que se lançar sem medo de ser feliz, e acima de tudo, sem medo de ser machucar. Porque ás vezes, sentir dor não é tão ruim assim, pode ser o início de realmente se começar a viver.

6 comentários:

  1. Meu Deussssssss Rafael, cm isso retrata exatamente oq estou passando. Fui lendo e relendo esse texto e me vi am algumas frases, e revivi de fato a dor -esta pela qual é necessária,
    para que de fato possamos mudar ou até mesmo dar uma nova perspectiva a vida, ou mesmo para COMEÇAR A VIVER de fato. OU cm minha mãe costuma dizer: qd mente sofre o corpo padece!
    Amei de verdade.
    beijo grande
    Com adimiração
    Erica Alencar

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  2. Oi Rafael.. Ninguém pode dizer que você não sabe contar suas histórias. Irei tentar observar melhor as catástrofes da minha existência de outros ângulos, quem sabe encontro outros sentidos, que sabe ate motivos, motivações.. rssss!!
    Um abraço!

    samia.

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  3. obs: congrego na Casa.. samias2jesus@hotmail.com

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  5. obs: congrego na Casa.. samias2jesus@hotmail.com

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