O natal chegou e sempre chega pelas músicas. Soli Deo Gloria.
Antes de um acordo ideal entre o dito e o dizer, queremos dar lugar à suprema diferença entre o dito e o dizer de quem fala, e que leve em conta também a possibilidade de modificarmos nossa posição subjetiva em relação ao dito.
domingo, 20 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Retrospectiva 2009
E lá vai eu na minha tentativa de despistar a tal da Auditoria de Vida! Tentando fugir de avaliar o ano que agora se esvaia me pego driblando minha consciência e inventando mil maneiras de fazer uma auto-avaliação menos clichê. Flanando pelo blog do Nazarian vi que ele fez uma breve retrospectiva que ficou bem legal. “ lai vai a minha!”.
Em janeiro voltei a São Luís. Cheguei triunfalmente carregando meu buraco, tive um feliz buraco novo e, ao redor dele, construir todos os planos para o novo ano: deveria ficar como buraco, como diria meu analista.
Minha primeira leitura foi Niels Lyhne. Quando pensei em qual seria meu primeiro livro do ano não tive dúvida; eu tinha que reler Jacobsen. Há uma profundidade de vida interior que só encontrei neste livro. Sinto que ele será novamente minha primeira leitura. Todo mundo precisa de um livro de cabeceira.
Janeiro foi um mês cheio, mas o principal evento foi minha tão aguardada formatura. Depois de 11 anos de universidade, ( entre o Direito e a Psicologia; entre uma transferência e mudança de cidade)finalmente, literalmente em chagas abertas, formei. Foi feliz, mas foi só um começo feliz.
Depois de me estabelecer em São Luís retomei minha análise, eu sabia que seria essencial para iniciar minha carreira como clínico. Comecei também minha prática clínica. Gentilmente recebi o convite de uma tia para atender em seu consultório. Foi uma ajuda inestimável pela qual sou muito grato. Iniciei uma série de posts tentando incluir mais da teoria psicanalítica,em uma linguagem acessível no texto do blog. Iniciei assim, uma tentativa, a meu ver, bem sucedida, de tornar a psicanálise parte da vida dos meus leitores e de meus escritos.
Devido a intensidade que vivi minha análise pessoal, o blog lentamente começou a tomar um tom muito mais intimista e confessional. Muito mais do que sempre foi. Este ano foi de vivências intensas, mudanças, riscos. Dei minha cara a tapa, ás vezes sem saber exatamente o que eu estava fazendo, outras propositadamente. Por vezes, impulsivo, carente, imaturo e infantil. Mas, todas as mudanças pelas quais passei estão gravadas no blog. Quem tem olhos bons para ler poderá ver tudo. Meu maior defeito é ser transparente, entretanto, termino o ano sabendo que é preciso algo velar. O mundo é mal e a população é imbecil. Já era tempo de aprender, afinal de contas em 2009 completei meus cabalísticos 30 anos.
Aos 30 anos me senti à beira de um precipício. Escolhi saltar. Não cheguei ao outro lado. Cai vertiginosamente, e talvez, isso responda porque eu, até o momento, esteja me sentindo estagnado. Porque o salto foi pequeno. Eu deveria ter saltado mais alto. Tive medo e cai no abismo. Não há de ser nada. Reconheço a queda e sei que com o Eterno a gente cai pra cima.
Em 2009 também tentei fazer as pazes com minha vocação espiritual. Como muitos de vocês sabem, não deu muito certo. Mas, realizei alguns seminários na tentativa de ajudar outros a expandirem sua experiência espiritual. Não deu certo. Certamente porque ainda era um salto pequeno; uma tentativa besta de me auto-justificar. Como que um pedido de permissão.
No mês de Julho participei de uma seleção para trabalhar como psicólogo num projeto especial da Defensoria Pública do Maranhão. Fui selecionado e em agosto comecei a trabalhar na assistência gratuita aos presos e familiares. Uma experiência ímpar de uma entrada num mundo que jamais imaginei existir. Fui com a cara e a coragem. Ainda não me arrependo. No mundo prático e concreto foi uma das minhas grandes realizações neste findo ano.
Ha! Como esqueci. Antes disso MJ morreu. Choquei, fiquei rosa chiclete. Uma pena ele ter ido logo, mas não há dúvidas que seu semblante, aquilo que ele causa e representa ficou mais forte do que nunca, pois é assim com os mitos: quando morrem ficam muito mais fortes, e mostram que sua força nunca foram eles mesmos , mas o desejo que causam.
Em agosto as águas começaram a se agitar. Decisões há muito tomadas em meu coração começaram a pedir satisfação. O pequeno salto que dei reclamou suas conseqüências. Vivi mais. Senti tanta coisa ao mesmo tempo; escorreguei nos percalços. Gastei energia em tudo, comigo, com os outros. Dormi pouco esse ano porque minha alma estava acesa. Crendo em tudo e vendo tudo ao sol me espantei com as possibilidades. Vivi muito, mas fui pouco eu mesmo. Não é triste, não. Descobri a tempo...Tem gente que vive a vida toda sem tornar-se o que é. Ainda posso corrigir. Neste sentido, dia 15 de setembro cometi o maior dos “ pecados”. Rompi de completo com minhas relações com a igreja Evangélica. Excomunguei-me.
Refletindo assim, faz pouco tempo. As conseqüências ainda virão. Meu mal é que vivo três meses como se fossem cem anos. É tudo muito intenso...Parece até que nasci prematuro. Tomei a consciência de minha avidez pela vida. A pressa de viver.
Refletindo assim, faz pouco tempo. As conseqüências ainda virão. Meu mal é que vivo três meses como se fossem cem anos. É tudo muito intenso...Parece até que nasci prematuro. Tomei a consciência de minha avidez pela vida. A pressa de viver.
Chego ao fim. Se me perguntam o que de prático fiz, eu digo: malhei durante o ano todo. Logicamente não estou sarado. Mas, o fato de insistir na academia o ano todo é uma vitória. Minha vocação para o levantamento de pesos mostrou-se pífia. Chego lá! 2010 eu continuo a saga rumo ao meu corpo, um dia faço as pazes com ele.
Ufa! Olhando para trás dá pra ver que não fui tão inútil quanto eu sinto ser. E por que essa sensação de estagnação? Foi o ano da minha graduação, iniciei meu consultório ( com relativo sucesso), comecei em um razoável emprego, publiquei um artigo científico, apresentei um trabalho num congresso Sul-Americano de Psicanálise, fiz novos amigos, aprofundei amizades antigas, conheci novos lugares, viajei, ajudei pessoas. Ainda assim, sinto que continuo a cair e não chegar do outro lado do salto. Acho que vislumbro a resposta... “a dúvida não desinflama enquanto a gente não se der”.
Sinto que bebi o ano de uma vez; goladas voluptuosas, enormes, enchentes de vivências. Talvez precise diminuir o ritmo. Ano passado foi o buraco que me fez parar. Este ano é a coluna. Tive uma contratura muscular ontem, o que me obrigar a parar, diminuir o ritmo e acreditar mais na minha própria experiência solitária. Crer no que posso tirar de mim mesmo. Das minhas lembranças, dos meus sentidos. A dor sempre foi meu tutor. Espero um dia não mais precisar sentir dor para sentir a mim mesmo. A dor parece me chamar pra perto de mim na hora que mais preciso de mim. Meu corpo é sábio, ele sabe melhor do que eu a grandeza que carrego em mim. Como diria Clarice, “ sou mais forte do que eu”. Questão é que ainda não vejo ou se vejo, nisso não acredito. Mas os ventos de 2010 alertam-me: escute a parte de você mais forte do que isso! Quem sabe no ano que vem eu faça as pazes com a dor e comece a sentir as coisas de outra forma
Na vida não tem prova de recuperação. Quando a gente reprova começa tudo de novo, mas é sempre uma nova escola. Tem sempre uma nova chance: sem auto-comiseração, sem remorsos ou feridas lambidas. Encerra-se um ciclo, lança-o no ostracismo e bebe-se tudo de novo. Cuidado só nas goladas. Mais graves, menos desperdício, mais medida. Nem tão perto do chão, nem alto demais. O mundo, como dirá Nietzsche, parece mais belo à meia altura.
Mozart.
Laudate Dominus é uma peça belíssima de Mozart que me encantou recentemente.
Ei-la para seu deleite...
Ei-la para seu deleite...
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Mastigando bem.
Fim de ano se aproxima. Mas, como já deixei claro, este ano, não farei auditoria de vida. O que vivi, já foi vivido e foi importante. Sou meio burrinho e é por isso que para entender meus limites preciso entrar no âmago de cada experiência, sorvê-la, atravessá-la até que tudo se faça compreender sem abstrações ou racionalização. Simplesmente surge um saber, ou melhor dizendo, saber-fazer com a vida e seus mistérios.
Contudo, não resisto à tentação de fazer minha lista de resoluções de ano novo. Não comecei a listar nada ainda, mas tem uma coisa com a qual ando flertando faz um tempo. Preciso tomar decisões práticas, como por exemplo: dormir mais cedo, gastar menos energia com aquilo que não é alma. Ler mais, arrumar meu quarto, comprar roupas que digam algo sobre mim. Acho que estou tentando dizer que preciso olhar para dentro; tirar as garras das expectativas alheias de mim. Ouvir meu próprio corpo. Sentir mais as coisas. Sempre fui muito intenso e passional, entretanto preciso admitir que não sinto muito as coisas, talvez por isso preciso ser tão intenso. Para melhor senti-las preciso presta atenção, parar de me distrair com o olhar do outro e suas constantes inquisições. Preciso me perdoar do Outro. Gastei muita energia neste ano, estou cansado e sobrecarregado.
Será que o que Jesus quis dizer quando disse para lançarmos sobre ele o nosso fardo fosse exatamente isso? Sim. Carregar menos peso. Tudo que recebemos do outro pesa muito, porque não é nosso, é do outro. O nome disso, em psicologuês é introjeção. Introjetar é simplesmente engolir as palavras do outro, incorporar a demanda que vem do outro como sua. A saída saudável seria ,metaforicamente,mastigar o que vem do outro, assimilar aquilo que se harmoniza com nossas reais necessidades e rejeitar o que não condiz como nossa experiência. Mamãe sempre me diz que para uma boa digestão é preciso mastigar a comida 32 vezes, no mínimo. Eia meu desafio para o ano de 2010. Mastigar bem.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
São Luís-- nossa ópera -Bufa
Ilustração de Fernando Botero
Disciplina. É o que está faltando em minha vida. Muita disciplina. Caso contrário, como Fernando Pessoa, direi no fim dos tempos, sem a grandeza do mestre: não sou nada, nunca serei nada. A diferença entre esses dizeres é que um é dito pelo maior mestre da língua Portuguesa e o outro é dito por uma pessoa tão medíocre quanto uma lagartixa. Meu mérito é que eu sei que sou medíocre, ao contrário de 95% da população maranhense que jura que é merda boa. E não é.
Hoje fui a um concerto de uma cantora lírica, soprano muito boa, graduada pela Escola de Música do Maranhão que fez seu debut hoje em grande estilo em sua noite de formatura. O espetáculo era gratuito, mas ainda assim se havia 100 pessoas era demais. Lógico, é perfeitamente compreensível: não era Pool Party ( ingresso entre 40 a 60 reais), não era Castelo da fantasia ( ingressos até de 90 reais), não era Babilônia ( uma famigerada boate que pensa estar em Ibiza). Resumindo: era cultura. A geração tupiniquim maranhense não tolera cultura. O que eles gostam mesmo é puro entretenimento. Explico. Entretenimento é mera diversão, oba-oba, sentidos embotados. A cultura promove produção de sentido, o pensamento, eleva a alma, dá vida ao corpo, dá beleza aos olhos, produz um novo saber e um novo dizer sobre o que se vê e se admira. Mas, quem quer cultura nos dias de hoje? Poucos. Raros. O populacho vibra ao som do infame verso: “só se quer amar , se quer amar, se quer amar!”. Bobinhos.
Entretanto, no palco do Arthur Azevedo vi pessoas humildes se superando. Todos claramente vinham de castas sociais não muito favorecidas, mas exercendo magnificamente seu talento musical. Todos acima de nós. Aí pensei: quantos da fina burguesia média, farsante e auto-complacente de São Luís, que eu conheço, estudam música, canto ou algum instrumento musical? Quem produz cultura? Desconheço. Certamente tenho andando com o grupo errado de pessoas. A cultura está alhures. A única coisa que encontramos, aqui e ali, são filhinhos da aristocracia maranhense com sua incompetência católica tentando se aventurar nos palcos de respeitáveis teatros. Não sem antes mexer seus pauzinhos juntamente com a laia condescendente com esta barbárie na qual vivemos. Um lambendo as feridas dos outros e achando muito bonito. Patrocínio para pequenos infantes presunçosos e exibidos tem aos montes. E, lógico, público se consegue nos conchavos e favores sociais que todos eles devem a si mesmos. Comparecer a um evento cultural só se der status. Se for visto, se entrarei na mídia, ou entrar para aquele folhetim triste e opaco que de ótimo não tem nada e ter sua foto estampada com uma legenda referendando.
Quando se tem um evento da qualidade deste, de canto lírico da mais alta estirpe, de graça, ninguém comparece. Mas, que venha o Circo Du Solei ( que aliás é grandioso, mas caindo já no puro entretenimento por motivos que escreverei em outros dias...) com seu ingressinho de 500 reais, aí sim. Vai ter briga por camarote, por isso e por aquilo... E fulano foi, e fulano tava vestido assim, assado, cozido, frito e grelhado!! Pra festa de Jesus Luz ( sim, o capacho de Madona. Aquele garotinho bonito cujo único talento é ser bonito, namorar com Madona e ser esperto para aproveitar tudo isso e ganhar 20 mil por ser Dj durante 40 minutos) todos irão. Com suas roupinhas adequadas, bem fashionistas, cada um ligando para seu cada qual querendo saber como vai vestido. “Quem vai estar na festa. Vai bombar? Ficaste com quantos? Viu fulaninho lá? Todo mundo vai ta lá, tenho que ir”. Coisa e tal. Resumo da ópera: já deu né? Como viram cansei. Dei meu ataque histérico. Fiz minha oposição e plantei minha árvore de lucidez. Quiçá eu consiga ao menos arejar um pouco a pesada névoa de entorpecência cultural que paira sobre nossa não mais tão nobre capital maranhense.
De resto, parabenizo Cleidiane Silva pela belíssima demonstração de verdadeiro talento, disciplina, arte e superação. Espetáculos assim me tiram do conforto de minha casa. Agora, tentativas trôpegas de pura exibição, narcisismo e síndrome de BBB não me fazem mover minha bunda deste computador.
Tenho dito.
domingo, 6 de dezembro de 2009
De cara feia
Eu preciso aprender o segredo da diferença, da individualização. Sou infeliz a cada vez que não procuro meu próprio caminho, meu estilo, meu tipo, minha língua. Quero aprender a minha própria língua. Por que não sobreviver à tensão provocada pela diferença? Quando se vai a um bar ou boate o que mais chama atenção são todos vestidos exatamente iguais. Aliás, as marcas e grifes são o ápice da massificação. Mas, ninguém pode dizer que estar igual a todos, vestido igual, andando igual, dançando igual, tudo igual não dá um certo conforto. É que sustentar a diferença, seu estilo e personalidade não é nada fácil. Requer uma brutal morte narcísica. Mas como atrair o reconhecimento se não pela afirmação de sua diferença, de seu desejo? É certo que é mais fácil se vestir igual e ser tudo igual, se integrar à burrice comum e à mediocridade complacente da pequena burguesia, mas não se ganha nada a não ser o mesmo do mesmo. Ta aí mais uma resolução de ano novo: lutar pelas minhas próprias formas de dar conta do não-sentido dessa vida; meu próprio estilo em tudo. Talvez, sintomaticamente se explique porque não gosto de sair pra comprar roupas, deve ser minha dificuldade em descobrir meu próprio estilo. Preciso me assumir. Assumir minha completa diferença de tudo isso aí que está posto. Das vozes, dos coros, das roupas, dos tipos, dos homens, das mulheres, dos sexos, de tudo que há. Há muito do mesmo e eu não sou o mesmo. Devo engolir a vergonha de ser diferente e não sofrer pra ser igual. Começo a semana de cara feia. De cara torta pra quase tudo. Só uma dor permanece...Demoramos muito para aprender a viver e no fim aprendemos a viver só pra morrer. Senti uma urgência de viver, uma urgência quase apocalíptica, uma coisa um pouco morte anunciada. Dá até calafrios escrever. Mas é assim. É que preciso começar a viver minha própria vida, e não ser vivido por garras ferozes. Expurgar meu parasita, sacudir suas garras. Não será tão fácil, mas nunca é fácil apagar toda turba falante que nos precedeu, mas é um desafio e um bom projeto de vida. Uma boa semana a todos.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Auditoria de vida.
Hoje li uma frase que me colocou a pensar: “ não faça auditória de sua vida”. Ultimamente tenho tido esse péssimo hábito de averiguar se minha vida anda como deveria, como era esperado ou se está de acordo com minhas metas. Chego à conclusão de que não posso ter tantas metas assim, principalmente quando a maioria delas é irrealista e perturbada por ilusões as mais diversas. Acho importante ter objetivos e alvos na vida, no entanto é preciso ter a sensatez, humildade e paciência consigo mesmo e nada desses alvos atrelar ao nosso Ser. Parece que o sofrimento vem quando atrelamos nossas realizações ao nosso Ser. Em fim de ano sinto-me compelido a auditar minha vida, minhas escolhas e resultados. Mas, muito mais desafiador é ter coragem de me perdoar os erros e as escolhas infrutíferas. O tempo passa e de seus efeitos sentimos o vento duro dos futuros incertos. Tenho medo, não posso negar: das incertezas, dos amores, da vida, do dinheiro e da paixão. Tudo dá tanto medo, como aquele frio na barriga perante o amado. Quero chegar ao fundo de tudo; ao fundo de mim mesmo. Ontem quase cheguei. Resisti ao impulso para o fácil e tal como Rilke me ensinou, aferrei-me ao mais difícil. Não cedi de mim mesmo; tentei abrir as vias do desejo. Fiquei com a falta. Com a sensação de queda, de rompimento, de que meu Ser se rompia e expandia em calda. Respirei e sentei-me à mesa do bar. Paguei o preço de não ter o que quero. De não ser o que quero. Lembro de Kierkegaard quando em “ Temor e Tremor” fala do desmame da criança. Para facilitar o desmame o seio vai escurecendo até que a criança seja desmamada. Preciso chorar e não ser ouvido. Quero ter a força de vontade, “eu quero, eu posso, eu consigo”. Minha única resolução de ano novo será ter força na minha vontade para não ceder aos caminhos mais fáceis: das pérolas aos porcos até meu complexo da mulher Samaritana, aquela que nunca bebe da água do poço.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Dia mundial de luta contra a AIDS.
Hoje é o dia mundial da luta contra a AIDS. O que fazer perante perante tamanha desrazão? O que fazer com algo que emerge por dentro de nossa sexualidade, regulando, disciplinando, aterrorizando nosso prazer? Incrível, não? A AIDS é a morte em carne viva que espreita, o pior da doença é que ela atualiza todas nossas culpas cristãs com seu castigo certo e mortal sobre o sangue.Talvez por isso seja tão difícil destruir o estigma sobre os portadores do vírus, talvez porque no fundo, todos achamos que eles merecem o que receberam, por justo castigo divino.
Nada poderia estar mais longe da verdade. Enquanto virmos a AIDS com castigo ou merecimento nunca passaremos do estado de barbárie intectual. Até porque preconceito é burrice intelectual, não há outra explicação. Preconceito é burrice.
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