Hoje li uma frase que me colocou a pensar: “ não faça auditória de sua vida”. Ultimamente tenho tido esse péssimo hábito de averiguar se minha vida anda como deveria, como era esperado ou se está de acordo com minhas metas. Chego à conclusão de que não posso ter tantas metas assim, principalmente quando a maioria delas é irrealista e perturbada por ilusões as mais diversas. Acho importante ter objetivos e alvos na vida, no entanto é preciso ter a sensatez, humildade e paciência consigo mesmo e nada desses alvos atrelar ao nosso Ser. Parece que o sofrimento vem quando atrelamos nossas realizações ao nosso Ser. Em fim de ano sinto-me compelido a auditar minha vida, minhas escolhas e resultados. Mas, muito mais desafiador é ter coragem de me perdoar os erros e as escolhas infrutíferas. O tempo passa e de seus efeitos sentimos o vento duro dos futuros incertos. Tenho medo, não posso negar: das incertezas, dos amores, da vida, do dinheiro e da paixão. Tudo dá tanto medo, como aquele frio na barriga perante o amado. Quero chegar ao fundo de tudo; ao fundo de mim mesmo. Ontem quase cheguei. Resisti ao impulso para o fácil e tal como Rilke me ensinou, aferrei-me ao mais difícil. Não cedi de mim mesmo; tentei abrir as vias do desejo. Fiquei com a falta. Com a sensação de queda, de rompimento, de que meu Ser se rompia e expandia em calda. Respirei e sentei-me à mesa do bar. Paguei o preço de não ter o que quero. De não ser o que quero. Lembro de Kierkegaard quando em “ Temor e Tremor” fala do desmame da criança. Para facilitar o desmame o seio vai escurecendo até que a criança seja desmamada. Preciso chorar e não ser ouvido. Quero ter a força de vontade, “eu quero, eu posso, eu consigo”. Minha única resolução de ano novo será ter força na minha vontade para não ceder aos caminhos mais fáceis: das pérolas aos porcos até meu complexo da mulher Samaritana, aquela que nunca bebe da água do poço.
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