sexta-feira, 30 de abril de 2010

Em defesa da Psicanálise.




Está uma LOUCURA na França o novo livro do Michel Onfray no qual ele despeja crítica ridículas ao velho e bom Freud. Leia aqui na íntegra um artigo da fulgurante Elisabeth Roudinesco, historiadora e psicanalista que tomou a causa de defesa da Psicanálise na França. 






LEIA AQUI.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Inferno astral

Peço perdão aos meus leitores,mas não estou escrevendo esses dias. Espero que ainda esta semana eu melhore. Entrei no meu inferno astral. Daqui há um mês faço 31 anos e o stress me pegou pesado. Estou uma pilha de nervos, atacado e histérico. Não consigo produzir nada . E ainda tem a prova do mestrado chegando.

Hell.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Serviço de utilidade pública.


Alguns posts importantes que deve sempre ser lidos por recém-chegados ao Dito.

Podem comentar. Entretanto, como o Dito primordial reservo-me o direito à moderação, principalmente quando  os blogs atiçam as fantasias fetichistas de alguns leitores e os levam a criar anônimos os mais criativos possíveis. Eu não sou pistoleiro minha gente...comente à vontade. Quem comenta com a cara limpa faz como eu - escrevo do Dito com a cara limpa e sem medo de críticas. A moderação é meramente estética posto que a grande maioria tenta usar os comentários para fazer da vida um espetáculo circense. Obrigado leitores!

Homofobia , se quiser mais vá no marcador " Homofobia".
Psicanálise. para mais sobre psicanálise vá no marcador " Psicanálise".

Boa leitura!



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cômico se não fosse trágico.




Caros leitores, 

Uma das melhores coisas de ter um blog é perceber o efeito que ele tem nas pessoas e apreciar as reverberações mais impressionantes dos ditos nos leitores. Algumas são tragicômicas como a que  vos trago hoje.
Não, eu não sou malvado e nem faço isso pra depreciar ninguém, mas não posso deixar de rir ao ver as interpretações as mais obtusas possíveis.  Dessa vez, alguém que não quis se identificar ao ler meu mais recente post me sugeriu a leitura deste gozado livro.
Achei uma doçura. Até porque tenho plena convicção de que esta pessoa teve as melhores intenções: me ajudar, me oferecer consolo e cura. Eu agradeço muito porque tenho aprendido a ver além das aparências. No entanto, tornou-se jocoso. Primeiro porque o post não tratava do tema em questão, mas de coisas muito mais amplas; angustias da alma de um ser humano pelas quais passam héteros e homossexuais. Ledo engano achar que sofrimento e angustia sejam porque alguém está reprimindo seus desejos sexuais. Isso só tem sentido na lógica pérfida das igrejas da terra. O dito é um lugar onde escrevo o meu mal-estar e dos meus leitores na civilização. Estar civilizado é angustiante e doloroso, pois não é natural. Quem não se angustia corre o risco de cair na desubjetivação total, ou seja, perder sua humanidade. Assim é que tanto homens e mulheres, não importa se héteros ou gays padecem. E não  há nada de errado em padecer. Foi de padecimentos que fomos agraciados por tantos “ belos lamentos” na arte, literatura e cinema. Eles são sofrimento refinado. Adoro. 
Enquanto isso esse livro é uma ode aquilo que há de mais violento contra o ser humano: curar a condição. Não se cura a condição humana e a sexualidade é condição humana. Enquanto escrevo este texto vejo a notícia que na Uganda rola um projeto de lei que prevê prisão perpétua e até pena de morte para homossexuais. Fico de cabelo em pé com a triste realidade dos gays na Àfrica e no oriente médio; muito pior do que aqui. Entretanto, aqui no ocidente os homossexuais sofrem numa guerra velada e em pequenas opressões tais como a sugestão de leitura do referido livro. 



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eis o mundo em minha mão!




O que mais ouvi na vida é que sou chato, insuportável, irascível e exigente. Sim, sempre falaram a verdade a meu respeito.  Gosto das coisas densas, importantes e graves e um dos meus maiores defeitos/qualidade é dar gravidade àquilo que pode parecer corriqueiro ou desimportante. É que são com essas “ besteiras” que fazemos todo o ludibriar da vida. Toda essa dança de cores desbotadas que são as relações humanas; esses trejeitos e falatório que chamamos de comunicação, e que não comunica nada porque uma palavra pode ter infinitos sentidos já que ela não significa o que se escreve, mas o que se ouve. E o fonema tem todos os sentidos possíveis no ouvido alheio – daí todos os “disse-me-disses” da vida.
Escrever para mim serve para deixar marcos; quando finco uma estaca de decisão na vida venho ao blog e escrevo. Tento dar novos sentidos; tento compreender num dito aquilo que me atravessa a garganta. E tanto me atravessa a garganta hoje:
O medo. O medo do incalculável; pavor do inesperado. Aquilo que Lacan diria depois a “tiquê”, isto é, aquilo que vem como que acaso; o tropeço do acaso que rompe com a continuidade das coisas: um acidente, a morte, a doença, as partidas...


A superficialidade. Tudo hoje é muito, exagerado, grande e intenso. Porque tudo é raso. As pessoas são rasas, amizades são como uma compra no Mac – rápidas e utilitárias. O vampirismo emocional reina e quando você se recusa a sustentas as fantasias alheias... Aí então, prepare-se para não ter mais amigos. É óbvio que sei que toda relação sustenta-se em algum tempo de simbiose, mas eu disse simbiose e não vampirismo. O vampiro é uma sanguessuga; não te dá nada. Já a simbiose tem suas trocas, inversões e alimentações. Hoje cada um se transforma numa máquina de usufruto. Querem simplesmente gozar do outro e encontrar em alguém um sustentáculo para fantasias e ilusões. Eu não agüento sustentar fantasias fora do divã. Quer me contar anedotas? Enganar-me? Fingir ser gente? Então, deite- no meu divã e alugue meu tempo. Mas, amizade c’est une autre chose.  E portanto, chega um tempo da vida que começamos a perder essa necessidade doente de confirmação e de ser compreendido. Você começa a se dar o direito de ser mal compreendido, porque tudo é mal-entendido nessa coisa de falar! Outro dia alguém me disse que meu blog tem um tom profético e que isso era desagradável. E se eu for um profeta? Ei de agradar a todos? Profetizo para mim mesmo; no entanto, se minhas palavras ecoam em alguém e se alguém sente-se compelido a ouvi-las como profecias, que posso eu fazer? Não coloco verdade aqui não seja verdade antes no peito de um leitor. Eis que o dito e o dizer é algo que se faz aí em seus olhos e não aqui em meus dedos. Posto que o que é dito nem sempre é o que se quis dizer ou mesmo não sei se carregar dizer algum. Quem escreve para si escreve.
Atravessa-me a garganta a falta de poder que sinto. Quando me sinto fraco perante meu próprio juízo. Quando perco para mim mesmo é quando mais sinto medo. E estou apavorado porque eu sou meu maior inimigo. Meu desejo, meu gozo e minha pulsão. Todo é meu e não posso por a culpa em ninguém. Que maior desespero há de não poder culpar alguém? Quando toda a responsabilidade de vida recai sobre mim? Há! A liberdade das liberdades! Eu, o autor de minhas graças e desgraças. E pobre do homem que sem recursos culpa a Deus. Deus não é o artífice de mãos atadas, mas também não é o vigia do universo. Eis o mundo em nossas mãos... Hércules sofreria menos!


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Minha humanidade.



Ainda não tinha prestado atenção na letra dessa música, mas hoje a frase "  o que eu ganho o que eu perco ningúem precisa saber" me atacou como uma pontuação psicanálitica, além dela " pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então!". A música entra como parte do meu processo de humanização - aceitar que não sou tão diferente ou que pelo menos não preciso lutar tanto para ser diferente, especial, respeitável. Isso inclui o blog também: dar-me a liberdade de, talvez, cair no lugar comum e ordinário. Quis ser especial e no pacote ganhei também a tristeza especial -- uma infelicidade peculiar. Eis o caminho a percorrer: de uma infelicidade neurótica para uma infelicidade comum na qual vivem todos os mortais dos quais sempre fugi e quis me separar.
Este movimento requer de mim quase tudo; aceitar minha humanidade...Expandir no meu olhar um novo pedido. Isso significa se permitir à vida, ao amor...Acima de tudo quer dizer se permitir ser amado.


sábado, 10 de abril de 2010

Morrer .


como morrer eu mesmo? Como matar essa parte minha tão lustrosa? Esse meu eu cheio de razões e dignidade. Meu lado mais obscuro e moralista que me persegue a cada decisão e onde estão cristalizados toda a turba falante que me precedeu?

Destino sórdido. Leio " Os diários"de Susan Sontag e preparo o meu próprio projeto de vida:

só preciso morrer, porque quem vive em mim ( ah! duas almas habitam meu peito!) quer que eu atinja a máxima dignidade de escolha. E nem sempre é assim , não? Sempre quis viver; viver o que preciso viver, sem medo de ser. Um ato falho na análise definiu bem minha vida: Eu me falso...

Preciso deixar de me falsificar-- ainda que não agrade preciso rasgar o véu...Desvendar o rosto e ver que o brilho há tempo já seu foi.



domingo, 4 de abril de 2010

Autopercepção

Leite desnatado e torradas podem ser uma desculpa para um dizer? Um dizer que traduza um dia de domingo?
Leite e torradas levadas à boca em grandes mãozadas;o espectro tedioso de um acontecimento que não ousa se revelar. Um dia que não começa de uma vez, mas aos poucos vai engolfando a gente sem perceber e, quando damos conta é domingo tedioso. É o leite quente que estou tomando; desnatado e sem gosto.  Aos pés minha cadela se deita placidamente simplesmente vivendo seu olhar silencioso... Quase um pedinte sem mendigar. Acho que aí está o segredo dos animais: não demandam – a demanda petrifica nossa humanidade, pois sempre é uma demanda exagerada lançada sobre alguém que não pode ou não quer supri-la. Merda de vive na carne e no espírito!
Um suplício fascinante deveras....

Leite e torradas e música me trazem de volta ao bom senso. Porque infinitamente mais do que o saber ou conhecimento é essencial ter bom senso. Quase todas as decisões que precisamos tomar só exigem de nós o velho bom senso. E foi Pavarotti com sua sublime voz que me devolveu a mim neste tão repetido domingo. O esforço em tentar dizer algo sobre o efêmero momento vivido é um exercício de autopercepção incrível. Recomendo.  
Mas, é fugaz como todo momento. Veio e já se foi. Desculpem-me leitores é que o mar nem sempre está pra peixe!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O espírito vivificante.


“ A letra mata, mas o espírito vivifica”. Eis uma das frases de Cristo que se prestam a muitas interpretações.  No campo da psicanálise e mais precisamente na formação de um analista ela pode lançar preciosa luz. Esses dias estive lendo a linda oba de Octave Mannoni “ Isso não impede de existir”. O autor trata do perigo que há no estudo e aplicação da teoria para um jovem analista. Como ensinou Freud, a teoria “não impede de existir” a experiência concreta e singular de cada analisante. O livro nos relembra que o analista é um artífice da experiência  e que sua principal ferramenta de trabalho é seu próprio inconsciente. No fim das contas no ato de uma interpretação são dois inconscientes que respondem um ao outro.

Daí a importância crucial da análise pessoal na formação de um analista. Ontem mesmo vivi uma experiência crucial em minha própria análise que me levou a finalmente a compreender alguns conceitos que não passavam de “ letra morta”. Agora, eles fazem todo sentido não somente como teoria mais como experiência vivida e, como nos ensinou Freud – aquilo que se experimenta sob as forças da transferência jamais se esquece. Conceitos como gozo, Desejo, sublimação só podem ser aprendidos de fato quando deitamos num bom divã.  O mais excitante é que os efeitos de uma boa análise se estendem além do divã e a análise continua fora dele.  Assim foi comigo ontem: a vontade súbita de ir às compras e um telefona que recebi tiveram efeitos interpretativos do meu inconsciente e fizeram como que eu me desse conta do meu desejo e do meu gozo. Desejo e Gozo são dois conceitos periclitantes em psicanálise; são daqueles que quando achamos que os temos apreendidos eles nos escapam mais uma vez. É somente na experiência analítica que experimentamos a morte com a qual nos fere o gozo; é somente em análise que percebemos o vazio do Desejo e a satisfação que podemos obter na busca por novos significados. Enquanto o gozo obtura os sentidos na fixação de uma repetição vazia o Desejo aponta para a falta, nossa e do outro, obrigando-nos a soluções criativas que nos lançam para fora do ciclo da repetição cansativa e desgastante de nossa buscar pela felicidade. Ontem quando tive vontade de comprar roupas novas foi que me dei conta de que há muito eu não fazia algo para mim mesmo de fato, e que estava mais preso ao gozo do outro do que imaginava. O Outro não precisa ser nosso semelhante; o Outro é alteridade que nos constitui, em última instância a própria linguagem — o simbólico.  Ir às compras, ao invés de ter se tornado em compulsão a repetição foi uma saída criativa para não cair novamente no mortífero gozo do Outro. Comprei: uma calça e uma camiseta.  Assim, experimentei em minha própria carne o efeito certeiro de uma boa interpretação analítica. Eu jamais entenderia e compreenderia o alcance do inconsciente sem sofrer os efeitos da transferência. A teoria psicanalítica pura mata, é só para aquele que atravessou a experiência de sua própria análise que a teoria se torna vida e poder vivificante.
Ah Sim! E o telefonema? Bem...Não atendi! Mas, aí já querem saber demais...