quinta-feira, 20 de maio de 2010

Maneta.

Tamanha proximidade do meu aniversário não me deixaria ficar incólume. Dei vazão ao bom mal humor: Sabe aquele estado de espírito que te deixa levemente individualista somente ao ponto de você perceber que está precisando cuidar mais de si? Oscar Wilde, sabiamente em De Profundis já tinha nos avisado que o pior vício é a superficialidade e que um grande pecado não é ser individualista demais, mas de menos.  Quando estamos dispostos a quase tudo para não perdemos o outro aí está o grande perigo de nunca sermos felizes. Porque, de fato, o outro não tem o que queremos. Fantasiamos e alimentamos a ilusão de que se nos esforçarmos bastante o outro vai acabar dando para nós o que precisamos. Ledo engano. Não vai mesmo. Esperamos do outro o que não damos e o que o outro não pode dar. Aí depois ficamos tristes e decepcionados porque algo não ocorreu como gostaríamos. Pura carência. E não há nada pior no planeta do que um ser humano carente—ele é um bocó. Vive com medo de perder aprovação. Não é a toa que um dos ensinamentos mais complicados de Cristo é o “ arrancar o olho que lhe faz pecar”. Sempre causa problema e todo mundo fica achando que Jesus realmente queria que fossemos todos mutilados.  No meu caso, chego perto dos 31 anos sabendo que devo cortar algumas coisas e pessoas com urgência se ainda quero manter minha alma até o fim. Porque não adianta ganhar o mundo inteiro e perder sua alma. Se for preciso, corte um dedo, um pé, uma mão ou um olho. Mas, livre-se do que lhe suga as energias.  Se o teu olho te faz pecar, arranca-o fora. Gosto disso. E ainda tem mais: toda árvore que não dá fruto Ele corta e lança no fogo. Sem piedade é preciso lançar fora. Meu dever de casa, pelo menos por essa semana já está feito: cortei o que tinha que cortar.  Melhor ficar maneta do colocar a perder todo o corpo no fogo....Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.



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