sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pra você.

 


Então quer dizer que vc se arrependeu
vc está na minha porta
então quer dizer que vc retira 
tudo que vc me falou antes
de que vc não queria 
nunca mais me ver
disse que nunca mais voltaria 
mas aqui está vc de novo.

porque nós pertencemos juntos!
para sempre unidos aqui de alguma forma
vc tem uma parte de mim
e honestamente, 
minha vida seria uma droga sem vc!


Baby eu fui estúpido em dizer pra vc ir
talvez eu estava errado em inventar uma briga
eu sei que eu tenho problemas
mas vc é bem maluco também
de qualquer forma, eu descobri que eu não sou nada sem vc.

porque nós pertencemos juntos!
para sempre unidos aqui de alguma forma
vc tem uma parte de mim
e honestamente, 
minha vida seria uma droga sem vc!


Estar com vc é tão disfuncional
eu não devia sentir saudades de vc
mas eu não poso deixar vc ir assim
oh yeah!


'porque nós pertencemos juntos!
para sempre unidos aqui de alguma forma
vc tem uma parte de mim
e honestamente, 
minha vida seria uma droga sem vc!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Amizade sobre a rocha.



Em clima de despedida recebi hoje um email do meu querido amigo Felipe Pontes. O bom amigo é aquele que sente, intuitivamente, como está o coração de seu amigo. Felipe Pontes leu meu coração, ainda que distante. Esta minha ida pra Fortaleza não está sendo muito fácil. Estou muito apegado a São Luís, à minha família e meus queridos amigos. Estou indo porque é o momento de ir; a vida se impõe e o destino me chama. Estou indo com o coração apertado, mas sei que tenho uma família me esperando em Fortaleza. Desde minha amada Sandra que vai me receber em sua casa com todo amor e carinho...À minha doce amiga Marta que sempre vem com o consolo certo. Deve-se no entanto, dar a César o que é de César. Assim, meu amado amigo Felipe Pontes é o ombro amigo sempre presente. Felipe consegue ver o que quase ninguém vê. Nunca me julgou; sabe de toda minha vida, da parte boa e ruim . Ainda assim, tenho sempre seu braço amigo a me guiar. E para quem queira saber eu e Felipe somos unidos por um laço maior do que nós dois. Temos histórias de vida muito parecidas e algo que nos une fortemente é a fé. Cristo em nós, a esperança da glória.Felipe, tu cumpres a Palavra quando diz: Há amigo mais chegado que um irmão. 
Eis o email lindo que Felipe Pontes me mandou hoje. Obrigado amado! 

Amigo bom e fiel,

Estou aqui em meu trabalho tentando começar a escrever algo, mas os jornalistas dessa cidade parecem que hoje estão mais ávidos do que nunca. Eles ligam incessantemente a procura de informações; números de processos e etc... Mas entre um textinho e outro, uma fotografia aqui outra acolá, e estes toques de telefones que se fazem irritante orquestra nesta tarde de quinta feira, reservo um tempo para escrever o teu retorno!

Como bem sabes, tua amizade é para mim uma edificação em cima de um rochedo. Qual casa se constrói em cima da areia? Nenhuma. Vem a maré, com mil circunstâncias, e cava os alicerces; o sol racha e desgasta a madeira. O que foi erguido desce ao chão. Caí, como bem sabes. Mas quando a pedra é firme... Aah quando a pedra é firme! As paredes da casa se aproveitam das ondas que batem com força. A espuma de sal  só lava a construção já levantada.

É certo que cada relacionamento, seja ele qual for, se configura em uma linguagem própria. De todos que me rodeiam, para cada um, existe um forma ímpar de ser e estar. A tua, é não só toda única, é especial! Essa tal casa construída sobre a rocha é de uma arquitetura toda formosa - de vanguarda - e ao mesmo tempo simples, como convém aos que são dotados do bom gosto. Contigo é assim amigo! Tua presença ou não, está guardada por debaixo de sete chaves; dentro do coração.

Bem vindo de volta amigo. Estamos nós aqui de novo: você, eu, Sandra, Lucas, Rox, Marta, Nilton Júnior, Eduardo, Armarinho, Veleiro... e por aí vai... Ou seja, uma parte da tua vida que voltará a estar próximo de ti. E das nossas experiências já vividas; dos medos; dos terrores; e das deliciosas gargalhadas vis,  fica hoje a garantia da minha alegria. Deste meu paupérrimo texto rsrrsrs, mas cheio de veracidade, fica sim a minha imensa alegria pelo teu retorno à Terra da Luz. E se a verdadeira amizade resiste ao tempo e a distância, eis a prova do meu amor por ti: entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo.

In fraternitates amore,

Felipe Pontes Eugênio (M.O)

domingo, 25 de julho de 2010

Despedida.

Nesta mesma época em 2005 eu estava partindo pela primeira vez para Fortaleza.  Aos 26 anos fui pra Fortaleza iniciar meu projeto “ Fernando Pessoa”.  Explico. Antes de ir eu acreditava muito em mim; sabia quem eu era. Eu sabia exatamente que tipo de pessoa eu era ou queria me tornar. Eu tinha tantos sonhos e tudo acabou sendo completamente diferente do que eu imaginava ou previa. Fortaleza mudou minha vida. Acabou comigo. Destruiu a pessoa. Quase quatro anos lá derreteram a pessoa que eu tentava ser e deste então eu não sei mais nada. A cada dia que passa sei menos sobre mim. Não há mais pessoa. Quando não resta mais pessoas abre-se um mundo de vida, um mundo de possibilidade.  Este é o sentido que pode ser dado  aos versos de Fernando Pessoa- Eu não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada.  Hoje, nem posso mais me dar ao luxo de querer ser alguma coisa, pois ser alguma coisa me definiria; ser alguma coisa me daria um nome, algo a me aferrar. Ser uma pessoa me obrigaria um centro. Obrigaria uma metafísica pessoal e isso mataria toda chance de eu algum dia dar uma resposta criativa ao drama de ser humano.
Ontem foi minha festa de despedida. Quando eu era pessoa certamente eu teria achado desnecessário um ritual de passagem dessa natureza, mas não hoje.  Eu queria sentir vividamente esse momento porque sei que é mais um momento de ruptura. Sei que dou um adeus solene a tantas pessoas em mim e fora de mim.  Estiquei muito o braço; agora não há mais volta: é preciso passar para o outro lado. Cavei o buraco sobre a pessoa que eu era e surgiu um abismo... E sobre ele vou estender uma corda; como diria minha querida Marta Léo – Equilibrista onde se lê equilibrado. Outra grande amiga, com quem agora terei o prazer de morar sob o mesmo teto, um dia me disse o seguinte há mais ou menos três meses:
“Você não resistirá se olhar tão fundo, com tanta acuidade e precisão. Desista da lucidez, esqueça-se na opacidade, no claro-escuro, na incoerência salvífica, no titubear, no balbuciar, em levantar, cair, chorar desesperadamente, depois levantar e ir lavar o rosto. Pra que serve a verdade, meu amor? Quem precisa dela depois de possuí-la? É como o gozo que te aprisiona, essa verdade que é um doer dos sentidos. O único mistério das coisas é haver quem pense no mistério. Vem que te acolho na minha ignorância e prepara-te para morrer um pouco. Aceita a perda...de ti no teu sonho fantasmático...Escuta-te perguntando: o que queres? Livra-te de ti”.

Confesso que quando li achei que tinha entendido. Mas só hoje entendo o alcance destas palavras que hoje penetraram fundo que doeu. É isso aí Sandra...Comecei ontem a me livrar de mim mesmo e ainda fiz uma festa pra marcar a data. Livrando-me de mim acabo me livrando também  de sentimentos e pessoas que antes se apoiavam em minha pessoa. Morrer é um caminho solitário e reverente. É uma morte viver e sempre se morre um pouco quando se parte. Eu parto para melhor e morro fazendo isso. E tudo isso é de um prazer angustiante. Salvífico.
Aqui algumas fotos da festa intercaladas pelo tão oportuno poema "Lisboa Revisitada" de Fernando Pessoa. Obrigado a todos pelo carinho. Vocês são parte também de minha morte em vida. Deixo meu carinho com vocês, sempre. Morro hoje para nascer em pedaços... Agora saibam...É com sofreguidão que anuncio minha partida, mas não o faço sem dor. Beijo carinhoso em todos que festejaram comigo ontem. 


NÃO: Não quero nada. 
Já disse que não quero nada. 
Não me venham com conclusões! 
A única conclusão é morrer. 
Não me tragam estéticas! 
Não me falem em moral! 
Tirem-me daqui a metafísica! 
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas 
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — 
Das ciências, das artes, da civilização moderna! 
Que mal fiz eu aos deuses todos? 
Se têm a verdade, guardem-na! 



Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. 
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. 
Com todo o direito a sê-lo, ouviram? 
Não me macem, por amor de Deus! 
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? 
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? 
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. 
Assim, como sou, tenham paciência! 
Vão para o diabo sem mim, 
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! 
Para que havemos de ir juntos? 



Não me peguem no braço! 
Não gosto que me peguem no braço.  Quero ser sozinho.  
Já disse que sou sozinho! 
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! 

Ó céu azul — o mesmo da minha infância — 
Eterna verdade vazia e perfeita!  
Ó macio Tejo ancestral e mudo, 
Pequena verdade onde o céu se reflete! 
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! 
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta. 
Deixem-me em paz!  Não tardo, que eu nunca tardo... 
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Teologia do Silêncio.


Encontrei um velho amigo hoje no MSN. Descobrir que ele está estudando teologia num seminário presbiteriano. Conversamos por um tempinho e lá pelas tantas ele me pergunta: “ E como vai tua vida com Jesus?”. 

Fui o mais sincero possível. Mais do que eu jamais já fui em toda minha vida.  respondi:
Eu não sei. Sinceramente quando alguém me pergunta sobre Deus hoje não escuta uma resposta pronta; não dou uma retumbante prova de fé, muito menos reajo com o cinismo cético acadêmico. Deus para mim é de um silêncio teológico. Meu amigo achou por um momento que tinha me colocado numa sinuca de bico, mas não. Ao contrário, quando me perguntam sobre Deus fico sereno e ao mesmo tempo destemido. Silencio sem medo ou culpa acerca de um assunto do qual não sei mais nada.  Já houve um tempo em que eu sabia muito sobre Deus. Perdi todas as minhas crenças. Sobre o assunto Deus e Cristianismo atravessei a fina linha que divide o medo e o temor ao divino. Fiquei com o temor e ele me deu forças suficientes para me esvaziar de tudo o que minha antiga formação me dera. Hoje, ao pensar em Deus ou em Cristo eu não consigo dizer nada. Um silêncio denso cai sobre mim.  Só sinto uma ausência, como se um buraco tivesse sido criado em mim e um imenso vazio pudesse tomar conta de tudo ao meu redor. Sem respostas. Quase sem fé.

 Mas eu disse quase; e no quase há um universo de possibilidades. Decidi ficar com o quase. O “ quase” me libertou das certezas que me martirizavam e que me tornavam algoz do meu próximo. O “ quase” me regenerou e deixou a parcela de dúvida necessária para  dobrar a empáfia de um homem. Quando eu tinha certezas, morria de medo de ter dúvida; não queria vacilar. Hoje descobrir que o “ quase” me dá o desprendimento  necessário para ter fé— fé como um grão de mostarda. É tudo que eu tenho hoje. Sou um homem de pequena fé e me sinto muito satisfeito.  Esqueci as respostas que tinha acerca de Deus e comecei a me preocupar com as respostas que preciso dar aos humanos próximos. A bíblia que já foi um livro que tanto li , hoje está na cabeceira.  Não a leio faz algum tempo. Deixei de divinizá-la, mas nunca a desprezei. Ao contrário...Nutro uma reverência que me fez afastar-me dela por um tempo. É como se algo em mim estivesse se formando para que, quando eu volte a ler, eu a leia de forma diferente. Estou despertando em mim a letra bíblica para que ela mesma se leia: sem interpretações ou conveniências.

Quanto à pergunta inicial do meu amigo vou responder com um trecho do livro que estou lendo no momento, Crônica da casa assassinada:
“....Abaixei a cabeça, implorando apenas a Deus que iluminasse aquela triste alma prisioneira de si mesma - e enquanto assim o fazia, senti que uma visão se impunha ao meu pensamento, uma visão daquilo que faltava, que faltava  a todos nós, ao mundo inteiro – e cuja carência devia ser o motivo de um combate cotidiano e áspero: a presença de Cristo. Ou melhor, sua ausência. Uma ausência tão decisiva, tão presente e tangível, que à nossa volta era quase como se formasse um vácuo de intensa e acusadora lembrança. A verdade veio espontaneamente aos meus lábios...” Trecho do capítulo II Discurso do Padre.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Segura essa bola Bruno!

O que há de errado numa sociedade que idolatra e demoniza seus pares tão rapidamente?

Retirantes- Portinati
Bruno foi a sensação do campeonato  brasileiro, ídolo da maior torcida do Brasil.  Referência para toda aquela turba de garotos sem rumo, torcedores do flamengo, Bruno era alvo do amor de milhões de brasileiros- amor expresso no fanatismo ensandecido de seus seguidores.  De repente, na mesma proporção, ele se torna um monstro digno de todo ódio possível.  Ninguém viu quando ele matou; 99% dos brasileiros tiram suas opiniões unicamente da impressa, não são investigadores ou envolvidos nas investigações.  

Ninguém tem informação em primeira mão, mas mesmo assim alimenta um repúdio mortal pelo pobre rapaz. O fino tecido de nosso laço social parece carecer de qualquer bom senso ou razão. Na mesma proporção que amamos também odiamos o próximo. Há uma crescente necessidade de referências que posam sustentar esse lugar de amado e odiado em nossa cultura. Talvez porque os pais, esses educadores sem legitimidade, não consigam mais sustentar um lugar de amor e ódio para seus filhos. Ontem no Fantástico saiu a matéria sobre a proibição da palmadinha nas crianças.  Uma psicóloga multimídia falava de como não se deve causar dor ou sofrimento a uma criança na hora de educar. Qualquer tipo de trauma deve ser banido da educação dos filhos.  Não faço apologia à varinha da sabedoria, a única coisa que posso dar é o testemunho de alguém que apanhou e não se ressente disso. Concordo que há outros meios de disciplinar uma criança, mas nenhum deles sem causar algum tipo de dor ou trauma. O trauma é indispensável não só para inserir a criança num mundo de limites, mas para tirá-la de um estado de narcisismo e abri-la para o mundo externo.  O mais importante é que aquele que educa seja capaz de sustentar o lugar de ser alvo de sentimentos de ódio e agressividade por parte da criança.  Quando os pais só  querem ser amados a coisa fica preta!  Pierre Lebrun ,em seu novo livro “ A perversão comum”, explica:

Hoje, como sabemos, muitos pais sentem-se até obrigados a estar sempre em condições de atender aos pedidos dos filhos, e o argumento que acabam dando ao clinico para justificar esse comportamento é que, caso contrário, arrisca o filho não gostar mais deles. É claro, sempre se admitiu que os pais deviam ser amados pelos filhos, que não convinha que estes fossem sem cessar sujeitados, punidos. Mas o objetivo primeiros dos pais não era, de modo algum, ser amado pelos filhos. A tarefa de educá-los era primeira; e bastava dosarem suas intervenções para não serem detestados pela prole. Hoje, o objetivo número um parecer ter-se tornado, em todo caso para certos pais, serem amados pelos filhos, o que muda consideravelmente a perspectiva.
 Para o autor, pais deslegitimados, ou mais ocupados em se interrogar se tem mesmo legitimidade para educar seus filhos, não se sentem mais capazes de assimilar o golpe de suas crianças. Acham que não tem mais o dever de sustentar a posição de interdição, necessária para limitar o gozo do “ tudo é possível”.  O pai hoje se esquiva do ódio da criança, evitando sempre o conflito. Neste caso, o jovem não se confronta mais com um outro, que, antes dele, pôde se virar mais ou menos bem com este ódio. Logo, não recebe mais o testemunho de que pode sim transformar seu ódio em outra coisa, sublimá-lo. O autor finaliza dizendo:
E disso resulta, como muito bem veicula sua maneira de falar, que ele não sente mais— como ontem dizia—ódio por seus velhos, de agora em diante só tem ódio! Tem ódio como teria gripe ou sarna, algo que o atinge, mas que ele não sabe apreender como seu, que precisamente, ele não consegue subjetivar.
Assim é que não resta muita alternativa para uma sociedade que vive desamparada a não ser eleger seus próprios ícones. Simulacros da função de referência como o também desamparado Bruno.  Alvo dos sentimentos mais próprios do homem em sua polaridade amor-ódio, Bruno representa o desamparo de uma comunidade capenga. 

Capengamos na educação de nossas crianças... No respeito ao próximo. No jeitinho brasileiro; na solidariedade, no amor, na justiça e na misericórdia. A justiça vale para todos, não sendo assim, não vale como justiça. Quando entregamos um homem para ser julgado pela mesma turba ensandecida que o ovacionava nos estádios, estamos perdendo lugar para a barbárie.  O que sabemos de certo neste caso é que Bruno também já foi vítima, disso todo mundo esquece. Se foi ele o responsável pela morte da garota-que-só-queria-amor(?) já não se pode afirmar com tanta segurança.  Num país sem Lei condenar antes de um julgamento adequado dos fatos é um perigo para cada um de nós. E não só isso. A comoção em torno de casos como esse mostra muito mais do que gana por justiça: mostra o substrato frágil e efervescente do laço que nos une ao próximo.  Nem um goleiro consegue segurar tantas bolas no ar ao mesmo tempo....

Leia mais sobre Violência em outro artigo meu : AQUI

domingo, 18 de julho de 2010

Designa-os..... para Guilherme, Vinícius e Samuel.

Em dias de investigação do meu branco oco, lembrei de minha adolescência, dos 13 aos 20.  Exploração e investigação são palavras que caracterizam bem esta fase, Mas não pra mim.  Esses foram anos de um esforço enorme para ser outro além de mim e lutando para me adequar.  A inquisição roubou meus melhores anos. Mas não me queixo— cheguei aqui por entre as fileiras dos sobreviventes de subjetividade e emergi em cores....Quero chegar ao fim sem ressentimentos ou arrependimentos, apesar de ser tão difícil olhar pra trás e admitir que perdi muito para ganhar o osso duro de minha espinha dorsal.

Ontem foi o baile de formatura de Guilherme. Na mesa designada pra mim eu era o mais velho, os outros passeavam pela faixa de 18 e 19 anos.  Jovens calouros, felizes e cheios de dias. Sei que pareço um ancião falando assim, mas não é esse o sentimento.  Senti admiração e respeito pela geração precedente. Rostos ainda tenros e cheios de fé na vida; experimentando tudo e ensinando seus pais que ainda é possível mudar e ser diferente. Guilherme e sua entrada ao som de Bad Romance foram a epígrafe da noite. Como sempre, ele consegue, na dose certa, imprimir seu poder de ruptura e afirmação. E afirmação foi a palavra da noite. Eu pude ver que ali ninguém tinha medo de afirmar, cada qual pagando seu preço. Quando se está tentando existir com sinceridade e entusiasmo não há pecado que não seja perdoado.

 Ontem, no fim da noite eu pude sentir a absolvição que só a juventude dá, apesar de eu já viver na diáspora da vida adulta. Henrique, Jucinara, Pedro, Eduardo e agora eu novamente nos dispersamos, cada um à procura de superar seu próprio destino...Daqui há duas semanas vou seguir o meu; só que desta vez com mais pesar do que da primeira vez. Estou mais ciente do que me aguarda e do que deixo para trás. Ontem senti um ciclo se fechar ao fazer novos amigos. E como um vampiro suguei o máximo de vida e esperança dos seus olhares....Voltei pra casa mais vivo do que nunca e pronto para luta.

Minha gratidão à formatura de Guilherme que acabou, por sobeja, formando a mim também. Parafraseando Susan Sontag, eu senti que ainda posso derrotar a vida-- a minha própria impetuosidade--e renunciar tudo a fim de morrer sendo....E quando vejo meus novos jovens amigos não posso dizer nada além do que já foi dito por um escritor mais forte, um certo Hopkins: " resigna-os, designa-os, sela-os, liberta-os para Deus..." 

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O branco, o oco e o vazio do mar.




Eu nunca tinha reparado em como o mar é solene.  Sentei pra vê-lo hoje à noite. Sozinho. Um carro passou perto e uma moça gritou vitoriosa: “ sozinho aí né? Coitado!”. Pensei comigo que ficar sozinho hoje em dia é cumprir pena, é um acinte e uma transgressão.  Depois pensei que talvez minha solitude tenha agredido esta moça. Quase ninguém tolera ficar só , principalmente frente ao vazio que é o oceano. Um vazio preenchido por si só; por suas ondas e sua amplitude fazendo borda no infinito.  Fui embevecido pelo espaço do mar. O barulho de suas ondas quebrando com tanta ostentação, sem timidez de estar ali soberbamente plácido. Então pensei em ligar para alguém, mas antes mesmo que minhas mãos fossem ao celular fui arrebatado pela sensação de que naquele momento eu não precisava de ninguém. Caímos tão rápido nos braços do outro, mesmo quando o outro não tem como compartilhar da vida interior que é somente nossa em determinados momentos. E ali era somente eu e o velho mar. O ancestral mar consigo mesmo e seus quebrantos. Olhei por ele meus olhos e vi meu vazio. Sempre lá no meu olhar; olhando-me por dentro esse vazio esteve sempre ali causando toda minha vida.  E eu lutando contra ele enquanto toda poesia do mundo estava dentro dele. O vazio é minha melhor parte, mas preciso fazer as pazes com ele. Com o vazio do oceano em mim. Aí foi que me senti todo solene também. Grande, inchando, crescendo de dentro pra fora e por todos os lados. Senti meus pés fincarem na areia e tudo ao redor perder força...Fui me agigantando, despedaçando sobre a areia meus sonhos caricatos. Eu vi minha caricatura sobre a areia e vi o mar levá-la consigo. Fui invadido pelo oco do mundo. Era meu oco. Abracei o oco porque ninguém mais pode abraçá-lo por mim...Por isso não quis ligar pra ninguém. Pra quem eu ia entregar meu oco, meu vazio, minha platitude? Quem poderia beijar minha monotonia tão viva? Ser é monótono. A vida não é uma grande aventura. A aventura foi a vida de alguém que se apostou em si. A vida em si é oca e branca. Tudo é branco como a espuma do mar... E não há nada triste nisso. Porque o branco não é triste. O branco é.  O oco é o negativo de pegar o telefone e ligar pra alguém. Sentei em cima do vazio e o oco-branco do meu olhar e deixei acontecer. Então a poesia aconteceu e eu tive um lapso de glória. Só então senti que eu também matei Deus porque Ele quer ser morto. Deus é branco quando ele diz que É.  E é tudo tão inassimilável, a gente só inventa e conta...A gente diz e diz...Diz do branco, do oco e do vazio. Eu nunca tinha visto como o mar é solene quando contemplado por alguém que começa a perder o medo do vazio.  Porque o medo do vazio e tapá-lo cria monstros, pesadelos e vida em paranóia. Comecei hoje a abrir os portais eternos. Como a bíblia, esse livro branco, diz:  “ um abismo chama outro abismo”. Não é coisa ruim não gente. Não é bom e nem ruim. É branco. 

Melhor que Maradona pelado.




Notícia quentinha da Argentina. Gays começam a virar gente no país de Maradona:
( fonte: UOL)


O Senado da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira (15) uma reforma no Código Civil que abre espaço para o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país.
A medida segue agora para assinatura da presidente Cristina Kirchner, último passo para que a Argentina se torne o primeiro país na América do Sul e o décimo no mundo a reconhecer o matrimônio gay.
Após 14 horas de debate (começou por volta das 13h30, no horário de Brasília), o projeto foi aprovado com 33 votos a favor, 27 votos contra e três abstenções.
A reforma substitui as palavras “homem e mulher” da versão atual da legislação por “cônjuges” e “contraentes”, o que torna indistinto perante a lei a orientação sexual do casal que contrai matrimônio.
Sem a instituição civil do casamento, pelo menos 78 direitos civis expressamente garantidos aos heterossexuais na legislação brasileira ficam negados aos homossexuais, segundo análise do advogado Carlos Alexandre Neves Lima, Conselheiro Político do Grupo Arco-Íris (RJ). Fica excluída, por exemplo, a proteção legal em temas como posses comuns, direitos de família e direitos de representação.
*Com informações do jornal "El Clarín"

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Make a change.

 Gonna make a change for once in my life.



O velho Freud pode até errar, mas ele acerta bem mais que erra. E quanto a sublimação enquanto conceito psicanalítico ele deu um salto gigantesco. Algo que descobri hoje foi que quando vemos um outro ser humano produzindo e criando beleza, isto é, sendo sublime dá uma inveja maluca!  Sentimos que temos um potencial criador imenso, mas ficamos presos e enlaçados em nossos próprios gozos privados de cada dia e perdemos a chance de ascender ao sublime. A sublimação faz avançar a cultura; aquece nosso coração exatamente porque é um prazer produtivo e pleno de sentido. Bem, isso aí eu já to careca ( literalmente) de saber. A questão é dar o passo e tomar a decisão. Escolher é uma coisa danada de difícil porque obriga a gente a abandonar tudo aquilo que nos torna dependentes do outro para viver. Sabe quando alguém diz pra gente a infame frase: “ você é quem sabe”? Certamente nos obriga a pelo menos duas coisas:

1.    1.  Desagradar essa pessoa tomando nossa própria decisão e seguir nosso caminho;
2.    2 Assumir a responsabilidade por nosso sucesso ou fracasso que se seguir.

No fundo sempre sabemos a decisão a ser tomada. Quase sempre evitamos escolher por medo ou vergonha de assumirmos nosso verdadeiro desejo. Assim, nos aferramos a prazeres mais fáceis do que adiar a satisfação por um prazer mais longo e duradouro. Não posso deixar de lembrar do Evangelho quando nos diz que Jesus suportou todo sofrimento porque mantinha os olhos na glória que lhe estava proposta. 


Questões religiosas a parte, temos muito a aprender. Vivemos numa sociedade que nos estimula a ter sempre nossos desejos satisfeitos num passe de mágica. A sociedade de consumo cria sujeitos dispostos a tudo para ter um pequeno prazer. Nossa resistência à angustia está cada dia menor e estamos disposto a quase tudo pra sermos “ felizes”. Só que todo mundo sabe que felicidade verdadeira não vem sem muito trabalho. Certamente já ouvimos centenas de vezes que um gênio é feito de 90% de suor e só 10% de talento. Já tá virando um clichê, mas não deixa de ser verdade. Conheço muita gente com um vasto conhecimento e muita inteligência e que ainda assim não são felizes e realizados. Os sofredores de plantão dirão na minha lata: e o objetivo da vida é ser feliz? Não. A vida nem tem objetivo. E este é o pronto. Como a vida não tem um objetivo claro, ou seja, não tem sentido, cabe a cada um de nós construir um sentido que seja válido para si e lutar por ele até morrer. Talvez seja isso a felicidade: tentar ser feliz seguindo um sentido de vida próprio pelo qual , para você, vale a pena trabalhar, suar e lutar até a morte. Vivemos tempos sem ideologias, sem motivos pelos quais lutar. E agora lembro de nosso sublime Cazuza...Mesmo assim é possível: ideologia, eu quero uma pra viver.  

sábado, 10 de julho de 2010

Maria Rita Kehl

Vale  a pena conferir este belo texto de Maria Rita Kehl acerca do futebol. Aproveitando a final da Copa do mundo e minhas longas discussões sobre o futebol no Brasil com Felipe Pontes trago esta pequena pérola para coroar nossos debates amigo!


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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Susan Sontag



Estou finalizando a leitura do primeiro volume dos Diários de Susan Sotang. O que mais me impressiona é seu estilo conciso e forte na escrita. A capacidade de sintetizar em poucas palavras muita emoção e força. Este tem sido meu novo desafio como escritor deste blog-- espremer em poucas palavras o máximo de expressividade. Um tipo de expressionismo minimalista das letras. 
Um exemplo claro de sua força e expressão está aqui
:
“ Quero ser capaz de ficar sozinha, achar isso revitalizante—e não apenas uma espera” Susan Sontag.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

All we need is love.




Some days all we need is a little love and things suddenly get fixed.  Love just has the power to fix things; put them together, unite.
I admit it : all I need is love.
Love is what binds Ulisses to the boat. Please tie me hard.

domingo, 4 de julho de 2010

VUVUZELA





A  Copa pro Brasil acabou, mas eu continuo torcendo. Ao contrário dos opositores da Copa do Mundo eu sou um grande incentivador do grande evento. Acho que ele tem o grande mérito de juntar as nações em torno de algo, e sempre que as nações se unem eu sinto algo da humanidade que não sei dizer exatamente. É o mesmo que senti ao ver esse vídeo. Tão despretensioso e brincalhão ele acaba dizendo muito. No início da Copa as Vuvuzelas se tornam objeto de debate internacional. Uns dizem que atrapalhava a concentração dos jogadores, muito barulho, muitos decibéis, etc e tal.  A FIFA fincou o pé e disse que não iria intervir em algo que é da cultura do país sede. Sábia decisão. Eu mesmo já fui contra porque o barulho parecia ensurdecedor, no entanto, hoje quase no fim da Copa percebo que a tolerância quase sempre vale a pena. As vuvuzelas fizeram sucesso: torcedores de todos os países aderiram ao barulhento instrumento. Garanto que na Copa de 2014 não vão faltar vuvuzelas sendo vendidas em todo o Brasil.  Assimilar aspectos de outras culturas pode ser sempre salutar— coloca a gente no sapato do outro. O nome disso é empatia: ver o mundo com os olhos do outro. O velho “ se colocar no lugar do outro”...Ou talvez, sendo mais religioso- “ amar ao próximo”. As vuvuzelas africanas viraram brasileiras, portuguesas, inglesas, norte americanas, etc.  Depois de ver o vídeo eu percebi porque gosto tanto da Copa do Mundo. É simples: é um evento internacional que nos une a todos em torno de uma só festa; cada um em sua fronteira mas olhando bem de perto o outro. A Copa acaba aproximando as pessoas, de um jeito ou de outro.