Desde que vi o trailler fiquei excitado para ver o filme. Um empuxo, uma curiosidade incontrolável. Talvez o campo, o Rio Grande do Sul, a internet e a vida de um adolescente no atravessamento desta fase tão linda e incontornável. Como incontornável é a travessia daquilo que você deve ser e o que você pode e escolhe ser. O cinema brasileiro fica de parabéns com uma obra de arte de sensibilidade rara nas telinhas; não é a toa que na sala havia somente umas 8 pessoas vidradas e embaladas pela sutil trilha sonora de Bob Dylan. O diretor consegue plasmar muito bem a lentidão do interior gaúcho- o frio, a paisagem lúgrube, a imigração, o branco fosco que dá tristeza.
Fomos ver o filme, eu e mais duas mulheres. A boa obra de arte é a que consegue arrancar de cada um sua memória e acendê-la habilmente. Uma viu sua adolescência nem tão hipermoderna, mas em sua essência doce e desafiadora; a outra viu seu tempo vivido em uma cultura fria e dura enquanto ela destoava como um bicho híbrido. Eu vi minha figura lânguida e vulnerável a buscar meu esconderijo na íngreme escada que levava à biblioteca do Colégio Batista em meus idos 15 anos... Eu vi os contornos tortos e finos de minha adolescência e a presença sempre forte e confiante da mãe.
“ naquele cidade cada um sonhava em segredo:, menino sem nome conheceu a garota sem pernas, mas mesmo assim, não precisava de ninguém pra ir embora”. Assim começa e termina o filme numa metáfora brilhante de um garoto que precisa deixar sua vida e enfrentar o canto sedutor de morte que nos espreitar de soslaio. O enlace familiar é tratado com a delicadeza que o tema merece, tanto que, para os desavisados, o âmago do filme pode passar completamente despercebido. O direto, entretanto, deixa claro nas postagens do menino protagonista. Uma em especial traduz o que atravessa o filme todo: “ ...nossas bocas sonhando até o fim, como o que ficou pra trás, como o que nunca será descoberto, como o que nunca mais voltará a ser três”. Atravessar a ponte fica marcado como a metáfora mais forte daquele que precisa cruzar seu destino e abandonar o apego nostálgico ao “três” e, finalmente, fundir-se ao seu desejo. Palmas para o diretor.
Ainda me lembro também da escada da biblioteca do Colégio Batista, era sombria, foi um colégio que marcou com suas estórias e mitos.A sada de v´deo era legal também.rsrsr
ResponderExcluirLembra da est´ria do cemitério nos fundos do colégio?
Abraços e sucesso.