
O vento entrava com voracidade jogando velhos rabiscos ao chão. Sua antiga caixinha de música - presente de sua avó- balançava, quase que como tonta tocava sua musiquinha melancólica e insisitente. Tudo naquela casa insistia.
--O balançar da rede causaria vertigem à minha mãe, a velha nunca gostou de balançar-se em rede- passou-lhe magoadamente a memória da mãe morta. O corpo da mãe fora velado na mesma rede que morrera de repentino ataque de cólera. Seu ódio a matou. Ódio mata. Amor e ódio matam na mesma intensidade.
A rede continuava seu balanço; lento e barroco – canções de ninar tocavam ásperamente ao fundo de sua alma...Não amava e nem odiava . Se morreria de tédio ela não sabia. Tédio também Mata. Mata tanto quando ódio e amor. O Tédio é a antítese de tudo que faz sentido ; é a morte do sentido.
Acendeu um cigarro e o deixou queimar sozinho. Não deu nem mesmo um só trago. Não queria acelerar sua morte – pensou- queria mesmo morrer de tédio: uma morte lenta e gradual. Morreria para si mesma e para sua mãe. Morreria para a mágoa e para o rancor de sua felicidade; sua felicidade sempre fora a custa de sua mãe. Deixou o cigarro queimar e derrubou o vaso com os pés. O som do vaso se quebrando e seu grito rouco foram ouvidos ao longe- seu grito rouco e fingido.
--Eu mesma derrubei e quebrei à propósito da morte de minha velha avó – escreveu no ar com os dedos rígidos
Adorei tudo, o texto, o novo layout.tudo!
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