
No post do dia 13 de março eu abri meu coração e revelei uma dúvida cruel que há muito tempo me persegue: gente burra tem voz de gente burra? Fiquei sem resposta por alguns dias; ninguém fez nem um mísero comentário e todos continuamos a viver como se a pergunta não fosse pertinente. Mas qual não foi minha surpresa hoje, ao deparar-me com Schopenhauer no livro “ A arte de escrever”, mais especificamente num brilhante trecho que compartilharei, em primeira mão, com meus ávidos blogueiros. Schopenhauer está tratando dos maus escritores que assumem um ar solene para disfarçar a pobreza do conteúdo de seus escritos, mas penso eu que podemos estender sua crítica àqueles que nada tem a dizer, mas , ainda assim, insistem em falar. Eis o trecho:
[...] não se encontra uma tradução que corresponda exatamente a style empesé ; mas se encontra com muita freqüência o estilo a que essa expressão se refere. Quando se associa ao preciosismo, esse estilo é, nos livros, o que a solenidade fingida, a falsa fidalguia e o preciosismo são no trato social: algo insuportável. A pobreza de espírito gosta de usas tal roupagem, da mesma maneira que, na vida, a burrice se disfarça com a solenidade e a formalidade[...] ( pág. 95 da edição da L&PM Pocket)
Fico feliz de ter encontrado resposta para esta lacerante dúvida que já me roubava o sono e os sonhos. Encontrei o prazere de ler Schopenhauer esta semana, como eu sempre digo: antes tarde do que nunca.
Ah, Schopenhauer é demais. Admiro nele como trata sem meias palavras essas verdades, rs.
ResponderExcluirDas séries "A arte de..." gostei muito do "A arte de ser feliz", embora ele seja caracterizado por tamanho pessimismo à respeito da vida, mas indico! Já não indico o "A arte de lidar com as mulheres". Preconceituoso por demais, mas vivendo há séculos eu dou um desconto de leve à ele. Esse "A arte de escrever" ainda não li.
Que bom que encontrou sua resposta.
Grande abraço
eh Rafael, a burrice veste fraque e a idiotice prada, rs.
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