
Querida mãe,
Enquanto penso no que dizer para minha mãe neste dia dedicado a ela, a única coisa que me vem a cabeça é que ,como filhos, devemos passar mais tempo com nossas mães. A única coisa que consigo pensar é em como a minha mãe me faz falta e como faz falta também o tempo que deixei passar sem estar com ela o quanto ela gostaria que eu estivesse. Penso também na fidelidade do amor materno-que aprende desde cedo a se doar. É uma doação que eu ainda não aprendi. Se eu verdadeiramente quero aprender a amar, preciso olhar para minha mãe. Preciso me lembrar de todas as noites nas quais me arrumei para sair e não foi com ela, e ainda assim, ela permitiu que eu partisse; e mesmo que no fundo houvesse ciúmes ou saudades, mesmo assim ela me deixou ir. Amou-me e me deixou ir. Não há maior amor.
Lembro de Maria, mãe de Jesus. Teve em seu ventre o Rei dos reis; o amou até o fim, mais do que todos nós, e mesmo assim deixou seu filho ir... E ele foi até a morte. Mas ela nunca o deixou. Foi com ele até à cruz. É a maior de mãe de todas.
Neste dia das mães não posso deixar de pensar que a minha mãe também, que sempre me amou, nunca me impediu de ir. Sempre amou e insistiu em amar. Amou tanto alguém que hoje, talvez não seja mais o menino que ela carregou nos braços e que, quem sabe, ela nem mais reconheça. Mas ela ama. Ser mãe é algo completamente incompreensível, mas ao mesmo tempo é possível experimentar o amor materno. Meu presente hoje é perceber que preciso de mais tempo com a minha mãe. Hoje alguém me disse que eu preciso abrir os olhos para as coisas que estão ao meu redor. Então, estou abrindo, e uma das coisas mais belas que estão ao meu redor é a minha mãe e o amor que ela depositou em mim; eu não posso ser displicente com este amor. Nenhum filho pode. É uma leviandade das mais cruéis. Há tanto a aprender com nossas mães. Eu especialmente, tenho muito ainda a aprender com a minha mãe. Ser filho também é difícil. Passamos meses dentro delas; depois nascemos e passamos mais alguns anos debaixo de suas saias. Depois, resolvemos que precisamos sair de perto delas e termos nosso espaço. Mas chega um tempo em que sentimos que precisamos voltar pra bem perto delas e reviver tudo de novo. Só que agora já não temos medo de nos perdemos dentro delas. Regressamos ao seio materno e sentimos falta do tempo que perdemos tentando nos separar delas. Foi necessário; foi natural – mas foi um tempo que se perdeu, e não há nada mais doloroso.
Mas, o belo de tudo isso é que o caminho de volta está sempre aberto. Sabe por quê? Porque é semelhante ao amor de Cristo; é quase ágape: nós amamos nossas mães porque elas nos amaram primeiro. O caminho do amor nunca se fecha.
Meu presente neste dia das mães é:
Estou pronto para o caminho do regresso. Obrigado mãe por sempre me amar; confiar e me deixar ir.
Amo você, mãe, de todo coração. Obrigado por tudo.