segunda-feira, 28 de maio de 2007

Não sou nada.


Às vésperas do meu aniversário estou regado à Caetano e Nietzche; não sei qual dos dois está mais presente neste exato momento. Acho que Nietzche me lembra hoje que é "preciso aprender a arte de esquecer: quando se completa vinte e oito anos é necessário esquecer do que para trás fica. É necessário não se arrepender de nada. Aprendi que a vida sempre tem razão-todas as vezes. No meu caso, percebo que tudo em mim sempre teve razão; dores e paixões; mortes e vidas; afastamentos e aproximações; quente e frio. Tudo serviu para retirar os limites da minha existência. Eu não escolheria nada diferente, pois eu não sei como seria se algo fosse diferente. Prefiro o que foi ao perigo de continuar fazendo parte do rebanho que é a humanidade.
Sinto-me novamente vivo como uma pele que surge das profundezas de um mar de incertezas. As certezas que construí ao longo dos anos, a cada ano que passa, se desfazem em meio às minhas verdades inventadas.


"Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo".

( Fernando Pessoa)

terça-feira, 22 de maio de 2007

é isso aí...


Eu faço minhas coisas,
você faz as suas. Não estou neste mundo para viver


de acordo com as suas expectativas.


E você não está neste mundo para viver de acordo


com as minhas.


Você é você, e eu sou eu.


E se por acaso nos encontrarmos, é lindo.


Se não, não há nada a fazer".


( F. Perls)

sábado, 19 de maio de 2007

Ainda Chico....


Ainda estou escutando Chico. Eu deveria estar estudando, mas não pude. A cada dia que passa mais eu sinto que devo fazer o que eu posso, e no momento não posso estudar. Chico me arrebata e inflama meu coração. Isso é bom- saber que meu coração está inflamado. Está vermelho por coisas que eu não posso ainda ver- é uma vermelhidão que arde aumentando toda a percepção das coisas ao meu redor....

“ ..talvez a espera da garota que naquele tempo andava longe...muito longe de existir”.
( Chico)

Sim, como um tecido inflamado ao vento faço poesia roubada de contos contados por ventos fugidos. Os pensamentos se desvanecem, e muitos deles não são meus. Devo a Chico a sensação de inflamação. Algo inflamado é algo que cresce, e crescendo pode até matar. Mas eu não temo morte morrida; nem morte morrida de desespero. É bom saber-se desesperado; é melhor que não saber. É melhor que pensar que se é alegre quando a alegria é um disfarce de uma tolice essencial. Eu já disse que gosto de ser sonso: o sonso essencial. Mas entre ser sonso e disfarçar minha tolice com alegria, prefiro ser sonso. Ser banal.

Obviamente, sei que não sou banal, mas as tentativas de sê-lo são diárias. Algo me diz que se eu fosse banal eu seria mais feliz...

“ no teu riso teu silêncio...serão meus ainda e sempre...dura a vida alguns instantes...”
( Chico)

Chico diria que “ cada instante é sempre”....No instante que vivo agora preciso viver a inflamação; não só do coração, mas da alma inteira. Viver a inflamação é uma coragem que só os tolos- os tolos tristes, possuem. Tenho coragem...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Chico


Hoje a noite é do Chico. Ele me ajuda a esgotar os significados. É só ouvir Chico que eu começo a dizer coisas que antes queria dizer, mas não sabia. Decidi que hoje vou ouvir o Chico como nunca ouvi--quero prestar atenção no seu tom de voz, na música e, principalmente, nas letras das músicas. São elas que me enriquecem para continuar me alegrando.

O Chico é mais ou menos como um bom vinho, só que quem tem que amadurecer sou eu para ouví-lo. A cada momento ele se torna mais vivo. É isso mesmo, sou fã de carterinha.

uma letra só pra explicar porque gosto tanto do homem:


Onde andará Nicanor?
Tinha mãos de jardineiro
Quando tratava de amor
Há tanta moça na espera
Suas gentis primaveras
Um desperdício de flor
Onde andará Nicanor?
Tinha amor pro porto inteiro
Um peito de remador
Ah, quem me dera as morenas
Pra consolar suas penas
Para abrandar seu calor

Olha elas sempre aflitas
Bata o vento ou caia chuva
Cada uma mais bonita
E mais viúva
Todas elas fazem ninho
Da saudade e da virtude
Mas carinho
Queira Deus que Deus ajude


Onde andará Nicanor?
Tinha nó de marinheiro
Quando amarrava um amor
Mas há recantos guardados
Nos sete mares rasgados
Sete pecados tão bons
Onde andará Nicanor?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Arthur

Este é meu cearense preferido, o Arthur.

Hoje é seu aniversário por isso , resolvi escrever algumas palavras de reconhecimento.
Quando eu decidi vir morar em Fortaleza eu sabia que seria difícil, e que a solidão seria meu pior inimigo. Então, entrei no orkut e anunciei minha chegada na comunidade da Unifor. Foi a primeira vez que tive contato com o coração generoso e disposto a acolher do meu querido Arthur. Ele foi o único que respondeu meu post, me passou seu msn e todos os contatos. Começamos nossa amizade alguns meses antes da minha mudança definitiva para Fortal. Jamais esquecerei o dia que fui assistir à primeira aula na Unifor- psicologia social—e lá estava ele! De braços abertos me recebeu como se me conhecesse há anos! Rapidamente me senti em casa. Ele me introduziu em seu círculo de amigos e, em pouco tempo ,a solidão foi se dissolvendo em meio ao seu acolhimento. E foi assim todo o tempo em que ele esteve no Brasil. O Arthur é a única pessoa que agüenta ouvir minhas reclamações ( que são muitas ) o dia inteiro. Ele ouve, e ouve, e ouve...Sempre com consideração e respeito.

Quando penso nele lembro-me de um texto da Bíblia que diz que devemos levar as cargas uns dos outros, e assim estaremos cumprindo a lei de Cristo. Sendo assim, o Arthur sempre cumpriu em minha vida a lei de Cristo; e ele sabe disso muito bem.

Hoje ele está na Espanha, mas em breve estará de volta à terra da luz. Quando ele se foi ele achava que logo eu me esqueceria dele e que a saudade diminuiria, ledo engano: a saudade sempre esteve firme, porque não há nenhum outro amigo aqui que tome o lugar que ele abriu no meu coração.

Volte logo querido amigo. Parabéns e muita vida pra você.

Amo muito você,

Rafa.

sábado, 12 de maio de 2007

Mãe


Querida mãe,

Enquanto penso no que dizer para minha mãe neste dia dedicado a ela, a única coisa que me vem a cabeça é que ,como filhos, devemos passar mais tempo com nossas mães. A única coisa que consigo pensar é em como a minha mãe me faz falta e como faz falta também o tempo que deixei passar sem estar com ela o quanto ela gostaria que eu estivesse. Penso também na fidelidade do amor materno-que aprende desde cedo a se doar. É uma doação que eu ainda não aprendi. Se eu verdadeiramente quero aprender a amar, preciso olhar para minha mãe. Preciso me lembrar de todas as noites nas quais me arrumei para sair e não foi com ela, e ainda assim, ela permitiu que eu partisse; e mesmo que no fundo houvesse ciúmes ou saudades, mesmo assim ela me deixou ir. Amou-me e me deixou ir. Não há maior amor.

Lembro de Maria, mãe de Jesus. Teve em seu ventre o Rei dos reis; o amou até o fim, mais do que todos nós, e mesmo assim deixou seu filho ir... E ele foi até a morte. Mas ela nunca o deixou. Foi com ele até à cruz. É a maior de mãe de todas.

Neste dia das mães não posso deixar de pensar que a minha mãe também, que sempre me amou, nunca me impediu de ir. Sempre amou e insistiu em amar. Amou tanto alguém que hoje, talvez não seja mais o menino que ela carregou nos braços e que, quem sabe, ela nem mais reconheça. Mas ela ama. Ser mãe é algo completamente incompreensível, mas ao mesmo tempo é possível experimentar o amor materno. Meu presente hoje é perceber que preciso de mais tempo com a minha mãe. Hoje alguém me disse que eu preciso abrir os olhos para as coisas que estão ao meu redor. Então, estou abrindo, e uma das coisas mais belas que estão ao meu redor é a minha mãe e o amor que ela depositou em mim; eu não posso ser displicente com este amor. Nenhum filho pode. É uma leviandade das mais cruéis. Há tanto a aprender com nossas mães. Eu especialmente, tenho muito ainda a aprender com a minha mãe. Ser filho também é difícil. Passamos meses dentro delas; depois nascemos e passamos mais alguns anos debaixo de suas saias. Depois, resolvemos que precisamos sair de perto delas e termos nosso espaço. Mas chega um tempo em que sentimos que precisamos voltar pra bem perto delas e reviver tudo de novo. Só que agora já não temos medo de nos perdemos dentro delas. Regressamos ao seio materno e sentimos falta do tempo que perdemos tentando nos separar delas. Foi necessário; foi natural – mas foi um tempo que se perdeu, e não há nada mais doloroso.

Mas, o belo de tudo isso é que o caminho de volta está sempre aberto. Sabe por quê? Porque é semelhante ao amor de Cristo; é quase ágape: nós amamos nossas mães porque elas nos amaram primeiro. O caminho do amor nunca se fecha.

Meu presente neste dia das mães é:

Estou pronto para o caminho do regresso. Obrigado mãe por sempre me amar; confiar e me deixar ir.

Amo você, mãe, de todo coração. Obrigado por tudo.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Não sou um escritor


Já não tenho mais dúvidas de que sou um péssimo escritor- só escrevo quando sinto inspiração e isso para mim é um tormento. Ontem na Tv um homem –que não sei se é cineasta ou escritor, ou algum outro artista menor—disse que a inspiração não tem nada a ver; que os artistas românticos pintavam ou esculpiam por encomenda e que o prazo e a demanda em nada atrapalhavam sua criatividade e genialidade. É fato. Reconheço que ele está correto. No entanto, eu só escrevo quando a inspiração me toma e me obriga a dizer algo; só consigo escrever quando algo me compele de tal forma que, se eu não o fizer, todo meu ser se remexe e me comprime. Só escrevo se a angustia me acua; ela é um carrasco, mas também é minha professora. Daquelas bem malvadas que ainda usa de castigos corporais: todo meu ser resvala ao seu chamado.

Escorrego de um salto alto de certezas e caio num forçoso bater de asas que costuma dar numa escrita qualquer. Fazendo assim, penso que não sou escritor mesmo. Escrevo porque é um sintoma. E não é um sintoma que se apresenta a todo momento- vem quando quer. Não sou dono nem mesmo disso. Sinto que me ressinto de não ser dono de minha inspiração. Vejo que me magôo comigo mesmo quando me vejo sem nada a dizer sobre alguma coisa específica. Fico confuso; sinto-me angustiado e perdido quando não encontro em mim motivo para escrever...

.... Muita angustia por não ter inspiração acaba produzindo inspiração para escrever tudo de novo.... Fico mais angustiado porque o dilema só tem resposta quando sento para escrever. É como um vício. Não se sabe como começou; é difícil precisar; mas sabe-se que a compulsão é firme e se sustenta em tantas vontades e desejos que seria impossível enumerar uma delas sem falar de todas.

....escrevo... , Mas não sou um escritor.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Family



Desde sexta-feira estive ausente do mundo cibernético devido a uma gripe quase fulminante. De acordo com o segundo médico que me atendeu é uma gripe no sentido científico do termo; creio eu que isso deve ser o codinome para Peste bubônica, porque eu quase morro. Mas o doutor quis me poupar e simplesmente disse que era uma gripe bem tipificada. Eu prefiro pensar que eu tive a Peste e sobrevivi. Devo dizer todavia, que só sobrevivi por causa da minha família cearense.

Engraçado que lembrei de uma passagem no Evangelho quando Jesus estava com seus discípulos atendendo as multidões, quando sua mãe o chama. Jesus, não podendo atender ao chamado de sua família de sangue, faz uma pergunta: “quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? Aqueles que me ouvem e andam comigo, esses são minha mãe e meus irmãos”. Acho Jesus fantástico porque definia sua vida em seus relacionamentos; ele nunca desprezou sua mãe, até porque todos sabemos que ela foi a única que esteve com ele até o fim; mas ele sabia que aqueles com os quais nos relacionamos e que estão conosco em todo tempo, esses são também nossa família.

É desta forma que agradeço aos meus caros amigos que cuidaram de mim nestes dia de convalescença.

De forma especial, não posso deixar de agradecer ao meu caríssimo Rafa Branco por te me acolhido em casa quando a Peste tava quase me levando. Brigado Rafa!

Beijos e abraços a quem couber.

Nas fotos de cima pra baixo, da esquerda pra direita: eu, Rebeca ( minhoca), Marta.

Na segundo foto: Marta, Eu e Rafa Branco.