
Já não tenho mais dúvidas de que sou um péssimo escritor- só escrevo quando sinto inspiração e isso para mim é um tormento. Ontem na Tv um homem –que não sei se é cineasta ou escritor, ou algum outro artista menor—disse que a inspiração não tem nada a ver; que os artistas românticos pintavam ou esculpiam por encomenda e que o prazo e a demanda em nada atrapalhavam sua criatividade e genialidade. É fato. Reconheço que ele está correto. No entanto, eu só escrevo quando a inspiração me toma e me obriga a dizer algo; só consigo escrever quando algo me compele de tal forma que, se eu não o fizer, todo meu ser se remexe e me comprime. Só escrevo se a angustia me acua; ela é um carrasco, mas também é minha professora. Daquelas bem malvadas que ainda usa de castigos corporais: todo meu ser resvala ao seu chamado.
Escorrego de um salto alto de certezas e caio num forçoso bater de asas que costuma dar numa escrita qualquer. Fazendo assim, penso que não sou escritor mesmo. Escrevo porque é um sintoma. E não é um sintoma que se apresenta a todo momento- vem quando quer. Não sou dono nem mesmo disso. Sinto que me ressinto de não ser dono de minha inspiração. Vejo que me magôo comigo mesmo quando me vejo sem nada a dizer sobre alguma coisa específica. Fico confuso; sinto-me angustiado e perdido quando não encontro em mim motivo para escrever...
.... Muita angustia por não ter inspiração acaba produzindo inspiração para escrever tudo de novo.... Fico mais angustiado porque o dilema só tem resposta quando sento para escrever. É como um vício. Não se sabe como começou; é difícil precisar; mas sabe-se que a compulsão é firme e se sustenta em tantas vontades e desejos que seria impossível enumerar uma delas sem falar de todas.
....escrevo... , Mas não sou um escritor.
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