É preciso algo além de disciplina interior para evitar reclamar da vida. Não gosto das pessoas que só sabem reclamar da sua sina, de amores perdidos, de sorte mal amada. Gosto de preferir uma coisa meio: “se você crer em Deus, erga as mãos para o céu numa prece, agradeça ao Senhor, você tem o amor que merece”. Mas nem sempre consigo ser tão traiçoeiro comigo mesmo. Por vezes, me pego correndo atrás de mim mesmo; perseguindo-me além da conta. Chego a correr mais rápido que eu, uma luta injusta saber meus defeitos e fraquezas. Talvez fosse melhor me deixar alcançar; colocar-me a conversar comigo mesmo e deixar que eu ouça as vozes que me querem dizer segredos e ilusões. “Senhorinha levada batendo palminha, fugindo assustada do bicho papão...”. É a parte de mim que precisa reclamar e dizer o quanto odeia as obrigações de felicidade. Uma voz bem minha e que me arranca amargura das brechas do coração--daqueles lugares que não cicatrizam bem. É de lá que brotam flores murchas que não se pode dar a ninguém. Mesmo assim, se oferece as flores. Pétalas caídas de uma imensidão tão triste... Tão poética... Tão cálida. De tão frágil,tudo ao redor parecer ser tão pesado, tão denso e escuro. Tudo sem graça. Minha parte de pétalas não quer saber do ridículo, ou das regras que ensinam a ser menos ridículo. Ás vezes ela chora prenha, outras áridas e inférteis. Ouço gritos roucos que me dizem verdades objetivas: duras e ásperas. Minhas reclamações não alcançam ninguém. Aliás, quase nada em mim alcança alguém. Porque para alcançar é preciso saber dizer em palavras vulgares, no entanto, o mais importante não pode e nem deve ser dito senão pela poesia de palavras costuradas. As palavras secas dos que dizem não sofrer, não servem para nada. A não ser para ferir corações já por demais feridos. É...Os humanos não têm pena de si mesmo. É preciso também muita coisa para não se ter pena de si próprio, quando ninguém mais sente piedade de você.
Piedade meu Deus. Tende piedade de nós....
"...os seres..., ávidos de gozar a vida, sentem frequentemente a nostalgia de coisas infinitamente delicadas: frieza virginal, misteriosa atração do inacessível...Não sei como definir tais coisas. Aparentemente, são muito materiais e muito sanguíneos, até um pouco grosseiros, e niguém suspeita dos devaneios romanescos e sentimentais a que se entregam, porque esses homens bulhentos e robustos têm uma alma cheia de pudor. débeis virgens pálidas não escondem mais pudicamente o que se passa nas suas almas. Compreendes ....Que estes íntimos sentimentos, impossibilitados de se exprimir na linguagem vulgar, façam artista o homem que os tem?É incapaz de dizer o que sonha; nós é que temos de crer na vida misteriosa que dentro dele se agita e que, de tempos em tempos, produz , á luz do dia, uma flor de muito delicado aroma..."
Niels Lynne ( J. Peter Jacobsen)
......, chega uma determinada hora, um instante, que não podemos mais nos dar a irresponsabilidade de fugirmos do caminho, esquecer as horas, nos desviar, decidir não ir por causa da chuva ou como a hora já está bastante avançada, dizer: "é melhor deixar para outro dia". Tudo isso até pode rolar com uma boa parte das pessoas, mas para quem já começa a se conhecer meu caro, é no mínimo burlar a nossa felicidade ou a suposta própria vida. É dar uma rasteira em querer saber da verdade. Por isso, vamos enfrentar a vida que Deus não salta a nossa mão. Abraços. Luciano
ResponderExcluir"Tem dias que a gente se sente
ResponderExcluirComo quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"
Preciso dizer mais? No dito e dizer, o que nao eh dito diz tudo.
E quem volta precisa ir? Eu voltei, mas sera que fui?
http://diogoviana.blogspot.com/2007/12/voltei.html
Saudacoes, amigo. Corra e volte, que de repente, voce se alcanca.
I