sábado, 19 de janeiro de 2008

Wilde lê Jesus


De tempos em tempos gosto que meus amigos e leitores saibam um pouco acerca da minha posição espiritual diante da vida. Reafirmo que é um posicionamento espiritual porque nunca tive parte com a religião tal qual a conhecemos, mesmo quando eu não passava de um menino conduzido à escola dominical. Desenvolvi muito cedo uma grande paixão pelo mundo espiritual e pelo exemplo de Cristo. Com o tempo, meu amor só aumentou e aumenta a cada dia das formas mais inusitadas possíveis. Nestes últimos dias a leitura de Oscar Wilde foi o que mais me inspirou a seguir a Cristo e sua vida. O melhor de tudo isto, e acho que este paradoxo deixa Jesus mais que satisfeito –sua vida foi cheia de paradoxos—é que Wilde foi mantido preso por dois anos sob acusação de pederastia. "De Profundis" é uma verdadeira epistola que ele escreve no cárcere para o seu amante, Sir Alfred Douglas. Recomendo fortemente a leitura. Sei que ela há de inspirar fé, amor e esperança nos corações mais endurecidos. Para deixá-los com vontade de ler transcrevo alguns trechos que me tocaram profundamente.

“ Vejo uma conexão bem mais íntima e imediata entre a verdadeira vida de Cristo e a verdadeira vida do artista...E não é apenas porque podemos perceber em Cristo aquela união da personalidade com a perfeição, que constitui a verdadeira diferença entre os movimentos clássicos e românticos na vida, mas a própria base da sua natureza era igual à natureza do artista—uma imaginação intensa, semelhante a uma chama. Ele percebeu, em todos os níveis das relações humanas, aquela afinidade imaginável que , ao nível da arte, é o único segredo da criação. Era capaz de entender a lepra do leproso, a escuridão do cego, a angústia dos que vivem apenas para o prazer, a estranha pobreza dos ricos....
...e não há dúvida de que , se o seu lugar está entre os poetas, ele é o maior dos amantes. Ele percebeu que o amor era o primeiro segredo do mundo, o segredo que os homens sábios procuravam e que só através do amor era possível chegar ao coração dos leprosos ou aos pés de Deus. E, acima de tudo, Cristo é o supremo individualista. A humildade como a aceitação artística de todas as formas de experiência é apenas um tipo de manifestação. O que Cristo procura sempre é a alma do homem. Ele a chama de o “Reino de Deus” e a encontra em todos nós. Ele a compara à pequenas coisas, a uma sementinha, um punhado de levedo, uma pérola. Isto porque só podemos perceber nossa alma se nos libertarmos de todas as paixões estranhas, toda a cultura adquirida, todas as possessões externas, quer sejam elas boas ou más....quando conhecemos nossa alma tornamo-nos simples como crianças, tal qual Cristo ensinou que deveríamos ser...para Ele não havia regras, mas apenas exceções...”

Como Cristo adorava dizer , e ainda diz: “ quem tem ouvidos para ouvir ouça...”

Um comentário:

  1. Quando eu estava comecando o mestrado, as pessoas me perguntavam aqui como era possivel que eu fosse cristao e trilhasse a carreira cientifica.... Me perguntavam como eu podia crer em Deus e ama-lo e ao mesmo tempo pensar objetivamente.

    Afff.... apenas os pes de chinelo, os burros, os imbecis dentro da academia pensam que intelectualidade e amor Deus sao coisas distintas. E os burros de fora da academia o repetem, bovinamente. Se me permites, Rafael, acho que vou roubar tua tematica e escrever eu mesmo um post sobre isso.

    Curta a ponte entre o saber tangivel da ciencia e a sabedoria inefavel de Deus. Platonicamente!

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