
Domingo é um diazinho agradável para mim. Sempre que posso faço coisas que não posso fazer durante a semana, uma delas é ir ao culto. É uma experiência agradável, mas que também me desafia sempre a repensar minha fé e a instituição “igreja”. As crianças da igreja apresentaram uma pequena cantata sobre o que os evangélicos costuma chamar do “ plano de salvação”: desde o mito do Gênesis até a morte de Cristo. No meio da apresentação as crianças falavam sobre Jesus. Uma das coisas ditas foi que Jesus veio e morreu por nós e que através dele temos a solução de nossos problemas e felicidade.
Bem, disso eu não tenho dúvida. Ele de fato veio para salvar e trazer solução e felicidade, a questão é que os evangélicos nunca sabem o que falam. É a respeito deles que Jesus diz: “ Pai..eles não sabem o que falam”.A questão é que ele não veio resolver problemas—ele veio resolver O problema. Não é que ele veio eliminar nossas tristezas, ele veio eliminar A tristeza e trazer A felicidade, que com certeza não é como a conhecemos. Os cristãos temem tocar neste assunto. Fogem dele como o diabo da cruz: o problema que Cristo resolveu é de ordem existencial que, obviamente , tangencia toda nossa vida mundana ( mundana no sentido que um Merleau-Ponty traria à questão), mas que não diz respeito a questões meramente triviais. O maior problema do homem sempre foi da ordem da questão do que abrange sua existência e a existência de Deus. A existência de Deus afeta profundamente a existência do homem como aquele que só existe em referência a Deus. O problema do “pecado” é de tal natureza: um abalo nefasto na relação da existência do homem com a de Deus. O fato primordial é que Deus existe e que, o homem vive num plano de ex-istência em relação à natureza de Deus.
A obra redentora de Cristo é de uma magnitude muito maior do que a proclamada pela ingênua fé evangélica. Eles não só subestimam o problema como subestimam, e muito, a solução providência por Deus: que é Cristo em nós, a esperança de convergimos novamente com Deus. Essa convergência proporcionada pelo sacrifício de Jesus muda tudo, não só para nós como para todo o cosmos; mundo material e espiritual, já que a redenção diz respeito a toda criação. Por meio da fé no sacrifício redentor Deus reconcilia não só o homem, mas toda a natureza em uma possibilidade de um novo céu e uma nova terra.
Vemos assim, que o problema é bem maior ( e eu mal toquei nele de forma aprofundada). Ver que o problema é maior amplia nossa visão de quem é Deus, Cristo e nós mesmos. Só assim podemos ver brotar uma fé e um amor verdadeiro por Cristo—um amor que permanece apesar de. Apesar da vida, de nossas trivialidades e dores passageiras. A presença de Cristo conosco até o fim dos tempos é a certeza viva de que há uma esperança de que no fim tudo seja feito de novo. Novo.
Jesus não morreu para resolver nossos problemas e para acabar com nossa tristeza. Ele morreu porque sua morte era necessária para que todas as coisas convergissem naquele momento único no qual o Deus se fez Verbo, habitou entre nós, manifestou sua glória e foi feito sacrifício para que todo aquele que nele crer tenha uma nova espécie de vida. Isso é existencial. Além tudo é transcendental e nos devolve a uma posição. quanto a isto falarei em outro momento.
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