domingo, 11 de janeiro de 2009

Niels Lyhne


Resolvi começar o ano relendo “ Niels Lyhne”. A maioria das pessoas entra em contato com Jacobsen através da obra do poeta Rilke no celebrado “ Cartas a um jovem poeta”. Mas, depois que alguém começa a ler Niles Lyhne um mundo de prosa em poesia aparece, claro e avassalador. Todos os personagens carregam em sim parte dos dilemas existências de uma vida toda. O amor aparece num romantismo seco e trágico. Deus e o destino se confundem com as escolhas que cada personagem precisa fazer.
Quando pensei em qual seria meu primeiro livro do ano não tive dúvida; eu tinha que reler Jacobsen. Há uma profundidade de vida interior que só encontrei neste livro. Clarice também me abastece, mas Jacobsen consegue me abastecer com uma literatura muito mais forte. Parece que as palavras foram escolhidas com tanto esmero que o texto beira o perfeito. Os sentimentos e paisagens são muito “ bem-ditas” e o mundo interior de cada personagem foge completamente ao lugar comum ressoando constantemente na alma de qualquer um—basta ter vida interior.
Já aqueles que não possuem vida interior ( que é aquela capacidade de saber-se consciente de sua própria consciência e sentir o que disso advêm) eu recomendo uma leitura mais “ divertida” ou simplesmente que liguem a TV no Faustão: vai dar na mesma. Quem não suporta a programação dominical sugiro então: compre um Niels Lyhne hoje e comece a leitura. Um orgasmo infinito lhe espera.
Boa leitura.

3 comentários:

  1. eu comecei meu ano com Arthur Schnitzler...

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  2. Menino, gostei da tua escrita. "Basta ter vida interior"... perfeito! Estou prestes a iniciar minha experiência com Jacobsen, nesse diálogo único que é leitura (eu faço parte dos que vieram, como vc disse, das indicações de rilke, um dos meus grandes poetas-amigos-mentores das verdades da vida). Vim parar aqui no seu blog por um lindo acaso literário, voltarei mais vezes. Água viva é o meu livro para ler eternamente... Um gde abraço.

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