Neste primeiro mês do ano estou vivendo de releituras. Reli Niels Lyhne, obra do grande escrito dinamarquês Jacobsen, e agora estou relendo pela terceira ou quarta vez Uma aprendizagem, de Clarice. Sinto que coisas que antes eu só vislumbrava como a sombras tornam-se mais concretas. A dor principalmente e sua função existencial como algo do qual não podemos e nem devemos escapar. Não há nada que possa substituir a dor no Ser; ser é uma dor exponencial, e normalmente sempre aumenta. Não se pode cortar a dor, porque não há nada no mundo que possa entrar em seu lugar- os vícios entram aqui. Um vício só imita um tapume de uma dor, não veda. E vício é tudo: das drogas ao amor, ódio, vingança, carência. Tudo é um vício quando não é dor. Sentir a dor e tudo que ela diz e o que não diz, não há outro caminho para Ser. Deixo-vos hoje com um poema que uma amiga me mandou, Sandra Helena:
"... ser forte é estar seguro
de mãos cicatrizadas
e querer renovado...
é trancar as portas dos
fundos e pôr-se à janela...
alojar a dor n'algum canto
d'alma e aceitá-la sem
maior desacordo...
aprender a tê-la...
sem imaginá-la..."
se pra ser tem que doer..eu sou.
ResponderExcluireu não sei... ser forte pra mim tem gosto de limão!
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