segunda-feira, 2 de março de 2009

Hoje é dia de chuva.


Eu precisava ser resgatado-- escreveu na folha solta e deixou ao lado. Parece que a vida passou mais rápido do que eu.
São pensamentos soltos que deixei passar pela minha cabeça hoje. É difícil poupar o blog de um tom confessional em dias como hoje: quando a chuva cai e os anos começam a pesar como a mão de Deus. Quando a chuva traz exemplos de tantos outros que superaram seus arredores tão mais rápido; quando tudo ao meu redor informa o passo lento de meu desejo. E quando a chuva traz a lança fina da imperiosa vida; sem mistério, sem fantasia ou imaginação. Quando a vida, de repente, arregaça sua crueldade. A empáfia do viver no corpo. E não é da velhice que lhes falo, no entanto, o corpo sente a pressa de viver, enquanto a cabeça cai ao lado tonta de ter que viver tudo dentro dela.
É quando a chuva cai que percebo todas essas coisas: o som da música, os lugares, corpos e pessoas; e outras chuvas... E tantas outras possibilidades. Tudo num passado não vivido dentro de um presente que anuncia tudo; de tudo bebo; quero tudo que há. Tudo. Ao mesmo tempo. Engolfo-me. Gafadas rápidas, cheias de ópio. Sem goles; tudo de uma vez só. É que o presente se impõe tão fortemente com medo do passado...Que o futuro foge de mim. E eu aqui sentado sinto meu corpo vibrar em todas as cores que há no mundo; em todos os cheiros e as peles expostas ao sol reclamam minha vingança. Devo vingar-me de mim mesmo, ao custo de muita dor ou muito prazer. Vai acabar dando no mesmo. E meus olhos largados ao longo do rio me olham, ao longe, me secam. Sugam-me a vida. Pedem-me, não. Suplicam-me que eu viva mais e que tudo ao meu redor se eleve. Eu quero a levitação da vida. Ter os pés mais rápidos ...Mais velozes que meu passado. Meu presente pede tudo ao mesmo tempo e por ele meu corpo exige a morte mais lenta que eu possa achar. Não sei se concederei todos os desejos; mas minha imaginação sustentou minha saúde, até agora. Diz meu corpo: é chegado o tempo; e não há mais como esperar. A vida tem que ser, e será , porque ela vive sem mim, um mandamento. Eu vou obedecer. Sem escolhas, sem desculpas, sem pretérito.
Hoje é dia de chuva.

2 comentários:

  1. Quanta sanidade. Essa é a coisa que mais admiro em ti, essa tua juventude sã. Aprendi com Danuza que, quando cai uma chuva forte, deve-se ir para a rua e lá ficar por uns dez minutos até se encharcar, pois faz bem à saúde. E que a humanidade se divide em dois tipos de pessoas: as que usam guarda-chuva e as que não usam.

    "Cessou a tempestade é tempo de bonança, dona liberdade chegou junto com a esperança".

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  2. Acho q vou me viciar nesse blog. Isso é um texto seu ou uma música?
    Ao ler...senti uma certa emoção, angustia, dor, alegria, certeza, incerteza... Um verdadeiro turbilhão de sentimentos... Com certeza minha ALMA foi tocada com essas palavras...Irei reler em outra oportunidade.
    Um abraço!

    Sâmia Raquel.

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