Borges fica na minha estante de vidro. Sentado a observar meu sono. De vez em quando ele me chama; eu recuso. Sou teimoso; ouço e denego seu chamado em troca da preguiça tão amada. Mas, mal sei eu que Borges me chama porque me ama. Porque sua língua quer passar na minha e me ensinar um sofrimento mais leve; tênue e até doce.
Ontem tomei coragem e resolvi beijá-lo. Passamos horas juntos na cama. Ele me ensinou uma língua que ás vezes esqueço que é minha também; e quando ele escreve ele, sem saber me lê.
Eis um dos poemas para mim ele leu.
DE QUE NADA SE SABE ( Jorges Luís Borges)
A lua ignora que é traquila e clara
E nem ao menos sabe que é lua;
A areia, que é areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
Tão alheias são as peças de marfim
Ao abstrato xadrez como a mão
Que as rege. Talvez o fado humano
De breves sortes e apenas sem fim
Seja instrumento de Outro. Nós o ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não traz defesa.
Vãos também são o temor, a incerteza
E a truncada orãção que iniciamos.
Que arco terá lançado esta seta
Que sou? Que cume pode ser meta?
belo não?
Olá Rafael, aqui é Irvina (Morena no orkut) da Unifor, não sei se vc lembra, sou amiga da Marta e da Rebeca, enfim, passei aqui pra ler as suas belas palavras e me deparei com esse texto de Borges realmente belíssimo. Gostaria de parabenizá-lo pelo blog,é muito bom, aliás, a sua cara!
ResponderExcluirAbraço, Irvina Sampaio.
Olá Rafael,
ResponderExcluirsincerramente, coisas como esta, escrita pelo Borges, me deixa deslumbrado e feliz. É algo de grande valor para aqueles que sabem apreciar as coisas belas da vida.
Valeu! Esta postagem foi expetacular.
Um grande abraço.
Glaber
Jorges Luís Borges é sempre uma boa pedida.Tudo que poderia falar a respeito da postagem seria redundante e pequeno. Calo-me então e sugiro outro nome: Fernando Pessoa .Fica aqui uma sugestão.
ResponderExcluirAbraço, Mário