quinta-feira, 30 de abril de 2009

Esta noite que se foi, estive reunido com um grupo de diletos amigos. Conversamos sobre tudo e, como não podia deixar de ser, fizeram-me a pergunta que não se cala: então, que diferença há entre uma análise e uma psicoterapia?

Este tema é árduo. Mas eu diria que a medicina e a psicoterapia partem de um padrão de saúde dito como normal e se utiliza de uma terapêutica a fim de curar o paciente.

A psicanálise, no entanto, parte de outra postura. Uma psicanálise inclui um posicionamento ativo do analisando em seu processo e, principalmente em seu sofrimento. Uma psicanálise não conduz a um destino pré-estabelecido. Pelo contrário, numa psicanálise, alguém só descobre seu destino no caminho. Um analista no máximo caminha ao lado ou um passo atrás. Uma psicoterapia pretende eliminar um sintoma, uma queixa trazida. Uma análise não possui a eliminação do sintoma como principal meta. A meta de uma análise é, antes de tudo , que alguém se dê conta de sua participação em seus sofrimentos; que alguém se dê conta de sua responsabilidade e , acima de tudo, de seu desejo. O percurso de alguém que faz análise é uma verdadeira “ reinvenção” de sua história de vida. Aquele que faz uma análise é alguém que tem a possibilidade de construir sua própria ética; é alguém que planta sua própria árvore do conhecimento do bem e do mal e dela come, sem culpa. E por comer deste fruto percebe, inexoravelmente, que está nu. Mas, o desamparo produzido por uma experiência analítica não paralisa, antes lança o sujeito no mundo que, se é espinhoso e cheio de abrolhos possibilita também o trabalho e a criatividade.
O vídeo que segue continua no mesmo assunto.

Um comentário: