quarta-feira, 13 de maio de 2009

Divulgação

Vale conferir este evento. Enfim assunto sério levado a sério.


26 de junho de 2009



O Mestrado de Psicanálise, Saúde e Sociedade da UVA e o

Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da UERJ



Convidam para o Colóquio



"AS HOMOSSEXUALIDADES NA PSICANÁLISE"

Por ocasião dos 40 anos de Stonewall



Coordenação: Antonio Quinet e Marco Antonio Coutinho Jorge





Argumento



Stonewall, 28 de junho de 1969 é o marco histórico do início do movimento de emancipação e liberação dos homossexuais e do combate à homofobia, quando os clientes desse bar de Nova York reagiram vigorosamente à batida policial de praxe e inauguraram com esse ato o movimento gay que se alastraria por todo o mundo. Aos 40 anos de Stonewall encontramos, por um lado, transformações nos costumes e nas leis que apontam para uma maior liberdade de expressão da opção homossexual e, por outro lado, uma grande repressão manifesta em atos que vão da descriminalização das agressões e até assassinatos contra homossexuais, assim como na revelação de que o maior índice de depressão e suicídio se encontra dentre as pessoas cuja escolha é por parceiros do mesmo sexo. Desde então, em todo o mundo, estudos dentro e fora das Universidades têm se dedicado ao tema de múltiplas maneiras: estudos sobre gênero, identidade, teoria queer, etc..



Há 30 anos, Pink Floyd lança a música Another brick in the wall. A psicanálise também vai contra o muro (the wall) do racismo do discurso dominante, que tende a fazer todos andarem no mesmo passo, situando em reservas delimitadas – os guetos – aqueles que se opõem à marcha comum. Brequando o "ó" dessa situação, a psicanálise se opõe ao preconceito mortificador do sujeito que o reduz a um significante de exclusão.



We don’t need no education. We don’t need no thought control. A psicanálise se opõe à pedagogia do desejo, pois esta é uma falácia. Não se pode educar a pulsão sexual. Não se pode desviá-la para acomodá-la aos ideais da sociedade. A pulsão segue os caminhos traçados pelo inconsciente que é individual e singular. A pulsão não é louca, ela obedece a uma lógica determinada pelos avatares do Nome-do-pai, a lei simbólica a que todos estamos submetidos.



Ao responder a uma mãe preocupada com a homossexualidade do filho, Freud apontava, já em 1935, que esta não é nenhuma desvantagem, nem tampouco uma vantagem, "ela não é motivo de vergonha, não é uma degradação, não é um vício e não pode ser considerada uma doença". Para a psicanálise, assim como a homossexualidade, o interesse exclusivo de um homem por uma mulher, e vice-versa, também merece esclarecimento e não tem nada de óbvio. A investigação psicanalítica, diz Freud em seu premiado texto sobre Leonardo da Vinci, opõe-se à tentativa de separar os homossexuais dos outros seres humanos como um "grupo de índole singular", pois "todos os seres humanos são capazes de fazer uma escolha de objeto homossexual e de fato a consumaram no inconsciente". A psicanálise é, segundo Lacan, o avesso da "civilização", a qual impõe ora a renúncia pulsional ora a exigência de um gozo vigiado e controlado.



Em que a psicanálise tem contribuído no debate com a sociedade sobre esse tema? Neste evento os psicanalistas retomam os conceitos de Freud e de Lacan para trazerem à luz para a sociedade o que a psicanálise tem a dizer sobre o assunto. E avaliam a literatura psicanalítica atual sobre o tema, cujas elaborações norteiam a posição de muitos analistas em sua prática clínica no manejo com um desejo que "não ousa (ou ousava) dizer seu nome". Estaria o psicanalista acompanhando as transformações da sociedade que repercutem em sua clínica? Estaria ele apto a responder à subjetividade de sua época? E o movimento gay – estaria disposto a escutar o psicanalista?



Pretendemos fazer ver neste colóquio o quanto a presença maciça da psicanálise nos mais diversos âmbitos contribuíu, ao longo do século XX, para a radical transformação da cultura, com uma maior liberação dos costumes no que tange às sexualidades e, consequentemente, às homossexualidades.



Antonio Quinet e

Marco Antonio Coutinho Jorge

3 comentários:

  1. onde isso vai acontece? no rio???? muito, muito pertinente e interessante. eu concordo com todas as linhas deles e suas. concordo com a lógica do desejo e acho que ela é plausível, necessária. eu acho que lutaria pra te defender, e lutaria para vc ter o direito de fazer o que faz. apenas, eu não consigo. talvez, não tenha tentado. :***

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  2. Isso, defenda seu direito de dar a bunda!!! Rafael:Nosso Heroi!

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  3. Acredito que a sociedade sempre é hipócrita, como dizia Nelson Rodrigues.Assim como negros, os homossexuais estão conquistando cada vez mais direitos e isso passa por um processo de conscientização gradual, sendo a psicanálise uma ciência que ajudará na compreensão deste tema.

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