O que mais ouvi na vida é que sou chato, insuportável, irascível e exigente. Sim, sempre falaram a verdade a meu respeito. Gosto das coisas densas, importantes e graves e um dos meus maiores defeitos/qualidade é dar gravidade àquilo que pode parecer corriqueiro ou desimportante. É que são com essas “ besteiras” que fazemos todo o ludibriar da vida. Toda essa dança de cores desbotadas que são as relações humanas; esses trejeitos e falatório que chamamos de comunicação, e que não comunica nada porque uma palavra pode ter infinitos sentidos já que ela não significa o que se escreve, mas o que se ouve. E o fonema tem todos os sentidos possíveis no ouvido alheio – daí todos os “disse-me-disses” da vida.
Escrever para mim serve para deixar marcos; quando finco uma estaca de decisão na vida venho ao blog e escrevo. Tento dar novos sentidos; tento compreender num dito aquilo que me atravessa a garganta. E tanto me atravessa a garganta hoje:
O medo. O medo do incalculável; pavor do inesperado. Aquilo que Lacan diria depois a “tiquê”, isto é, aquilo que vem como que acaso; o tropeço do acaso que rompe com a continuidade das coisas: um acidente, a morte, a doença, as partidas...
A superficialidade. Tudo hoje é muito, exagerado, grande e intenso. Porque tudo é raso. As pessoas são rasas, amizades são como uma compra no Mac – rápidas e utilitárias. O vampirismo emocional reina e quando você se recusa a sustentas as fantasias alheias... Aí então, prepare-se para não ter mais amigos. É óbvio que sei que toda relação sustenta-se em algum tempo de simbiose, mas eu disse simbiose e não vampirismo. O vampiro é uma sanguessuga; não te dá nada. Já a simbiose tem suas trocas, inversões e alimentações. Hoje cada um se transforma numa máquina de usufruto. Querem simplesmente gozar do outro e encontrar em alguém um sustentáculo para fantasias e ilusões. Eu não agüento sustentar fantasias fora do divã. Quer me contar anedotas? Enganar-me? Fingir ser gente? Então, deite- no meu divã e alugue meu tempo. Mas, amizade c’est une autre chose. E portanto, chega um tempo da vida que começamos a perder essa necessidade doente de confirmação e de ser compreendido. Você começa a se dar o direito de ser mal compreendido, porque tudo é mal-entendido nessa coisa de falar! Outro dia alguém me disse que meu blog tem um tom profético e que isso era desagradável. E se eu for um profeta? Ei de agradar a todos? Profetizo para mim mesmo; no entanto, se minhas palavras ecoam em alguém e se alguém sente-se compelido a ouvi-las como profecias, que posso eu fazer? Não coloco verdade aqui não seja verdade antes no peito de um leitor. Eis que o dito e o dizer é algo que se faz aí em seus olhos e não aqui em meus dedos. Posto que o que é dito nem sempre é o que se quis dizer ou mesmo não sei se carregar dizer algum. Quem escreve para si escreve.
Atravessa-me a garganta a falta de poder que sinto. Quando me sinto fraco perante meu próprio juízo. Quando perco para mim mesmo é quando mais sinto medo. E estou apavorado porque eu sou meu maior inimigo. Meu desejo, meu gozo e minha pulsão. Todo é meu e não posso por a culpa em ninguém. Que maior desespero há de não poder culpar alguém? Quando toda a responsabilidade de vida recai sobre mim? Há! A liberdade das liberdades! Eu, o autor de minhas graças e desgraças. E pobre do homem que sem recursos culpa a Deus. Deus não é o artífice de mãos atadas, mas também não é o vigia do universo. Eis o mundo em nossas mãos... Hércules sofreria menos!



Oi Rafa, como você está?
ResponderExcluirAh obrigado! agora consegui me reorganizar como precisava e pretendo continuar com as análises! ;)
Lendo teu post fiquei pensando nessa dimensão do dizer e observo uma ousadia muito favorável no que diz, ciente de que cada um será capaz de assimilar o escrito de um modo, tu fala da maneira como pensa e sobre o que quer.
Isso é rico e bastante viável já que (conforme escrito) vivemos talvez o ápice da superficialidade dos discursos.
Gosto da maneira como se expressa, enigmático muitas vezes, mas espontâneo.
Saudades de ti,
fique bem
bjs.
Um livro que pode ser útil pra vc se assim o desejar.
ResponderExcluirAMOR RESTAURADO
MARIO BERGNER
Nao sou louco nao. Impulsivo sim.hushushus louco NÂO
Do "louco" que um dia vai encontrar vc. QUE A PAZ DE JESUS ESTEJA COM VC
Rafael Pinheiro , NADA É POR ACASO, E AQUI NESTE CASO, CHEGUEI AO ACASO, GOSTEI MUITO, VOCÊ TEM O DOM DA PALAVRA, SABE MANEJAR O TEXTO, ONDE FICAMOS AGRACIADOS COM O CONTEÚDO, MEUS CUMPRIMENTOS,
ResponderExcluirDESEJANDO SEMPRE MUITO SUCESSO, SEREI UMA SEGUIDORA DESTE ESPAÇO BEM ESTRUTURADO,
Efigênia Coutinho
in New York