Ficar em casa na sexta-feira a noite parece ser um dos atos mais revolucionários nos dias de hoje. Enquanto todos entram no frenesi histriônico quando o sol começa se por na sexta,ao contrario, eu começo a me entediar. A obrigação de entretenimento me enerva, pior do que as sextas-feiras só o carnaval e as micaretas. Em especial o famigerado Chiclete com Banana que atrais multidões insandecidas pelos tambores de Moloque. A cada dia as pessoas precisam de mais estímulos, mais e mais entretenimento para tirá-las do tédio em que vivem. A chata pergunta de fim de semana : “ qual é a boa?” é emblemática: vidas vazias e cansadas durante a semana requerem um fim de semana de torpores sem fim. Há uma obrigação de “curtir” ao máximo os dois dias de folga e sentir tudo ao mesmo tempo na maior intensidade possível; é como se quisessem fazer uma reserva de felicidade em dias de vacas magras. Ocorre que como na historia bíblica, as vacas magras comem as poucas vacas gordas e quando chegamos na segunda-feira voltamos à realidade vazia. Não é a toa que quase todo mundo encara o inicio da semana como um castigo celeste; há um misto de culpa pela improdutividade e excessos cometidos juntos com a febril certeza de que se gastou muita energia e dinheiro e se obteve pouca ou nenhuma satisfação. A promessa da “ boa” da sexta não se concretizou.
É como o brilhante diálogo entre a dominatrix e seu cliente no filme Shortbus. Enquanto ela faz seus preparativos para sodomizar o entediado filhinho de papai que a contratou ele se põe a fazer perguntas numa trôpega tentativa de intimidade. Ele pergunta: como é sentir um orgasmo pra você?
--É como se o tempo tivesse parado e eu estivesse sozinha.
--- E você fica triste depois de gozar?
---Sempre. Porque o tempo não parou e eu não estava sozinha.
Todas as tentativas das pessoas hoje são para sentir alguma, mas os excessos, ao contrário, embotam nossos sentidos e as experiências de prazer precisam ser sempre mais intensas. É por isso que recusar todos os convites e ir pra cama com o Jô numa sexta não é tão patético quanto voltar de madrugada decepcionado porque a noite não cumpriu sua doce promessa.


"...me deixem fora dessa euuforia de três dias...", dizem versos de uma canção que eu gosto.
ResponderExcluirConcordo com a tua análise.