segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O bom Freud.

O velho Freud com a razão mais uma vez. É preciso lê-lo para não esquecer do sentido que precisamos dar a Psicanálise e evitar que ela perca sua força justamente aí onde é sempre atacada. Aqui um trecho do texto  Inibição, sintoma e angustia, 1926

Muitos autores tem dado grande ênfase à fraqueza do Eu em relação ao Isso e aos nossos elementos racionais em face das forças demoníacas dentro de nós, e exibem forte tendência para transformarem o que eu disse em pedra angular de uma Weltanschuung psicanalítica. Contudo, por certo o psicanalista , com seus conhecimentos da forma como o recalque atua, deve, justamente ele, ser impedido de adotar um ponto de vista tão extremo e unilateral.
Devo confessar que não sou de modo algum parcial quanto à construção de Weltanschauunges*. Tais atividades podem ser deixadas aos filósofos, que confessadamente acham impossível empreender sua viagem pela vida sem um bom guia dessa espécie para proporcionar-lhes informações sobre todos os assuntos. Aceitemos humildemente o desprezo com que nos olham, sobranceiros, do ponto de observação de suas necessidades superiores. Mas visto que nós não podemos também abrir mão de nosso orgulho narcísico, ficaremos reconfortados com o pensamento de que tais “ manuais para a vida” ficam logo desatualizados, de que é precisamente nosso trabalho míope, tacanho e insignificante que os obriga a aparecer em novas edições, e de que até mesmo os mais atualizados deles nada mais são do que tentativas para encontrar um substituto para o antigo, útil e todo-suficiente catecismo da Igreja. Somente uma pesquisa paciente e perseverante, na qual tudo esteja subordinado à única exigência da certeza, poderá gradativamente ocasionar uma transformação. O viajante surpreendido pela noite pode cantar alto no escuro para negar seus próprios temores;mas, apesar de tudo isso, não enxergará mais que um palmo adiante do nariz.
*visão de mundo.
Como sempre Freud dá uma de suas tacadas certeiras; duras e com o perigo de serem mal compreendidas como cabe a todo psicanalista.


2 comentários:

  1. Sim, o cantar do viajante é para negar seus próprios temores, mas também é um alivio psicofísico.

    Quero aproveitar e lhe convidar para ler “Para o final a contemplação” no meu http://jefhcardoso.blogspot.com
    Será um prazer lhe receber.

    “Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)

    ResponderExcluir