domingo, 9 de janeiro de 2011

Patas pra que te quero?

Quem sabe o perigo de se transcender a própria natureza?  Já fizemos isso quando nos tornarmos o que se classifica hoje, tal vulgarmente, como humano.  É preciso apreender quando a nossa “ humanidade “ começa a nos atrapalhar. Não há nada mais difícil do que encontrar esse insondável equilíbrio entre ultrapassar a natureza e em sucumbir a ela quando impossível ultrapassá-la.  O que foge disso é sofrimento basicamente moral ou religioso. Mas, há também o sofrimento real somente comparável ao momento quando a corça tranquilamente pasta e seu predador a surpreende com garras e dentes. Neste momento ou é fugir ou ser presa.  Ao  ultrapassarmos o perigo da vida selvagem não conseguimos escapar ao perigo da vida; ele está em nós, amalgamado – como uma infiltração primitiva no centro de nossa experiência. Sendo assim, nossas tão louvadas capacidades intelectuais superiores nos causam tantos problemas quanto trazem soluções e é aí que mora o perigo de sermos vítimas passivas da angustia. Ela vem para cobrar aquilo que nunca nos abandonou quando elevamos as nossas patas para os céus. 

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