às vezes sinto uma pressão, uma intensidade imensa de seriedade como se toda a vida se manifestasse na ponta dos meus dedos e eu tivesse que simplesmente me curvar a algo. Uma pessoa grande, como uma escultura suntuosa que eu vejo nascer de dentro; algo heróico e ao mesmo tempo de uma resignação tão pura. Não é fraqueza. É força. Muita força. Algo que se move em mim e quer falar; que se prostra. É quase uma adoração. Não. Não é quase, é adoração. É sério. É circunspecto. Tenaz e acima de tudo é muito grave. Nesses momentos confundo tudo com tristeza. Porque aprendi que sentir que as coisas são graves e importantes é tristeza; mas não é sempre tristeza, nem apatia e nem “ depressão”. É simplesmente a seriedade dos animais. É a gravidade do mundo natural. É um elefante em marcha. É o contemplar de um leão. Sou eu maior do que eu. Nessas horas sinto vontade de chorar e choro copiosamente. Choro em reconhecimento; choro na constatação de que ver pode cegar. Choro em exaltação. A verdadeira plenitude do Espírito quando a percepção das coisas assombra um homem e ele ao levantar a cabeça olha o horizonte e tudo que pode ver é seu corpo ereto, em duas patas a contemplar o infinito.
Isso é Deus.
Isso é.
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