sexta-feira, 27 de maio de 2011

Divã para quê?

Hoje trago pra vocês meu texto publicado no jornal O POVO sobre a séria global Divã. Aproveito e faço um breve comentário sobre o trabalho do analista.

Leia AQUI.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A banda mais horrível da cidade.

Texto publica hoje na FOLHA e que eu disponibilizo aqui para os não-assinantes. Eu assino embaixo...pra quem gostou da Banda mais bonita da cidade...eu só lamento.  Aí no texto tudo que eu disse e um pouco mais...pra vocês verem que eu não sou o único que pensa assim né?

ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR cby2k@uol.com.br

A banda mais horrível da cidade

SURGIU UM novo saco de pancadas para descolados: a horrenda A Banda Mais Bonita da Cidade, coletivo de hippies de Curitiba.
Bombaram nos últimos dias com clipe de "Oração", hino igrejeiro que, parece, será a "Andança" do século 21. "Andança", como o pessoal de certa idade sabe, assombrou faculdades e festinhas de bichos-grilos por décadas, com seus cantos e contracantos e letra "purinha" ("Por onde for/quero ser seu par").
O clipe de "Oração", como reza a moda, foi feito em plano-sequência, ou seja, sem cortes. Também como dita a tendência, no clipe um sujeito sai na caminhada e vai encontrando seus amiguinhos.
É a mesma fórmula da abertura de alguns programas de TV, do comercial da Net com o mala do violãozinho, e do clipe de "Nightwalker", de Thiago Pethit (já zoado nesta coluna -mas que pelo menos tem a deusa Alice Braga, e não um bando de hippies).
Mas vamos voltar a "Oração" e à Banda. Na semana passada foi uma zoação geral com os caras, provavelmente porque não são considerados indies o suficiente. O clipe do Pethit, gravado em Higienópolis, é "lindo". Mas os pobres jecas de Curitiba apanharam.
Desculpem, indies paulistanos, mas A Banda Mais Bonita da Cidade é tão indie quanto vocês. Porque a inspiração é, obviamente, o Arcade Fire, e o estilo de celebração coletiva que consagrou. Só que não é exatamente celebração, mas uma alegria postiça, histérica -como num ritual da seita Renascer, ou numa missa da Renovação Carismática.
Cada vez mais anódino e assexuado, o indie brasileiro é pai legítimo da Banda Mais Bonita. A mãe é o Arcade Fire. E os filhos, espero não estar mais por aqui quando eles surgirem.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Vida.

Agora eu sei.  Nos movimentos de idas e vindas quando se tenta esticar os limites de uma existência, agora eu sei. Estiquei o meu. O elástico voltou; sem frouxidão alguma. Mais rígido que nunca ao ponto zero de onde agora irei continuar. Não é um recomeço- é seguido. Caminhado seguramente como eu sempre fora, só que agora com a certeza do que não sou eu e menos certezas do que sou. Certeza alguma. Mas tendo experimentado caminhos oferecidos agora vejo tão claramente minha pele. Sinto, sorvo e suspiro o cheiro de estar bem em sua própria pele e não quero mais nada senão acomodar-me suavemente à pele que a natureza me deu. É o silêncio profundo antes da onda, só que neste caso não há onda alguma. A maré é calma, grande na extensão que se apruma. Agora é reorganizar tudo e simplesmente me lançar na serenidade que é ser eu mesmo.  Hoje não vejo motivo algum para esforço; ser si mesmo é mais fácil do que se imagina. É o eterno retorno que se leva a vida toda para realizar; neste caso é o primeiro dos eternos retornos e sempre, sempre se retorna ao mesmo ponto. Só que mais vivo, em alguns mais forte, em outros mais suave... A repetição torna-se mais limpa e transparente até que se chegue ao doce profundo que é a morte. Antes disso é a vida se realizando como der ou puder ou quiser. 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pater et Filius

Para quem não sabe, informo que serei titio. Tive o prazer de passar alguns dias no confinamento com meu cunhado, responsável pela dádiva que será receber um novo membro na família Pinheiro. Conversamos muito sobre a paternidade, já que ele será um pai jovem e de primeiríssima viagem. Como diz o ditado: Mater certissima, pater semper incertus. O pai sempre entra na relação enviesado, em segunda-mão e quase sempre depende da boa vontade materna para se fazer presente com sua prole. Caso não conte com a boa vontade materna, ele precisa buscar forças naquilo que lhe foi transmitido por seu próprio pai para invadir o domínio materno e fazer valer seu Nome. Isto é, se a maternidade é algo que todos tomamos como um “dom” natural, a paternidade é, por excelência, simbólica, e requer do homem que esteja bem arrimado ao chão de seus antepassados...
Falo tudo isto para chegar ao ponto que me diz respeito: para ser pai é preciso, antes de mais nada, ter sido filho. Não é a toa que Cristo precisou ser Filho a fim de aperfeiçoar por meio de sua vida a divindade e através de sua morte a humanidade. O acento é sempre posto sobre a morte de Cristo; eu o ponho agora sobre sua vida. Deus viveu como filho para aperfeiçoar a si mesmo enquanto divindade: Um pai não é pai sem antes ser filho.
Aqueles que fazem análise sabem o quanto algúem se estrebucha num divã para dar conta de ser filho. A  frase de Goethe  famosa na pena de Freud se mostra exemplar: . “Aquilo que herdaste de teu pai, conquista-o para fazê-lo teu". Conquistar neste contexto pode deslizar em variados significados. O que me vem agora em específico é o de “ lutar numa batalha”; “ tomar posse de um território”. Numa batalha há sangue, mortos e feridos. Numa luta dessa magnitude, quem pode sair dessa em paz? Ou como se diz, “ bem resolvido”? Nunca se sabe. O que eu sei é uma verdade que só tem a minha própria experiência como filho para atestar. Se é verdade que o pai é sempre incertus, esta incerteza ecoa tanto do lado do pai quanto do lado do filho. Se o pai luta para fazer-se pai frente ao amor insano de uma mãe, ao filho cabe também livrar-se um dia da incerteza de sua filiação e entregar-se sem medo ao abraço paterno. Não é fácil ser filho de um pai, mas é de uma paz sem comparação. Como diz o antigo hino: “ Paz, paz quão doce paz, É aquela que o Pai me dá". Sei bem que alguns não tem pai, outros tem motivos bem concretos para odiá-lo- é a vida selvagem também. Outros também, nunca se tornam filhos do pai, permanecendo eternamente com a  pesada alcunha de serem  " filhos da mãe"... Mas, muitos, como eu, estão muito mais enredados em sua própria incerteza do que nas atitudes do pai real. Nos casos triviais, como é o meu, a responsabilidade está em nosso lado de atravessar o vale da fantasia de não estar a altura do amor paterno e descansar na certeza de que o pai está ao nosso lado. Lutar com o pai é necessário, mas bom mesmo é quando se consegue, finalmente, separar o pai idealizado do pai real de carne que está bem na nossa cara. E ele, tanto ou mais do que nós, deseja ser amado, abraçado e reconhecido.



sábado, 7 de maio de 2011

Amor é corpo.



                                                                  Mamãe. 
Parabéns mamães...

Muitos filhos acham que o amor de um filho por sua mãe é auto-evidente, ou seja, não necessita ser dito ou demonstrado porque toda mãe sabe que o filho ama.  Eu não sou mãe, e pelo que sei ser mãe é uma experiência quase incomunicável- é necessário passar pela experiência no corpo e na alma, só assim alguém pode saber o que é ser uma mãe. Nem o pai sabe; só o corpo materno sabe. De todo modo, de uma coisa eu sei- as mães não tem toda essa certeza de serem amadas por seus filhos.  O que ocorre é que as mães tem a sensação de que o amor que elas sentem é inexplicável, mais forte do que elas. Ontem mesmo conversando com uma mãe escutei ela me dizer que se o filho morresse antes dela, ela jamais suportaria.  Eu ouso discordar. A força materna persiste, insiste e sobrevive. É mais forte do que ser mulher ou homem- é uma função humana superior e imperiosa para nossa vida como espécie humana... E assim a mãe persiste mais uma vez, mais ainda.  Ser mãe é um vaticínio mais forte do que qualquer mulher; por isso que, mesmo as que não têm filhos próprios sobrevivem a um destino tão trágico, porque ser mãe é sobreviver sempre e apesar de... Assim, permanecem mães para sempre, com outra força, outro sofrer. Minha homenagem vai para estas também. 

 Todavia, as mães erram num ponto: os filhos as amam sofregamente também.  Se o corpo é o álibi para tamanho amor, não se deve esquecer que os filhos são mais parte do  corpo feminino do que as mulheres do corpo do filho. Acredita-se que as marcas subjetivas mais primordiais são transmitidas ainda no útero. Assim, o amor de um filho por uma mãe é também inexplicável. Prova disto temos aqueles que não tiveram mães ou  foram por elas maltratados e abusados e ainda assim continuam desejando amar uma mãe...
Amor é corpo. Amor não são palavras, estas dão vida e sentido ao corpo, mas o duro do amor é o corpo a corpo- é a marca indelével de que um corpo marcou o outro. Então, mãe e filhos estão marcados eternamente para se amarem, uns sabem disso, outros aquiescem, alguns estrebucham, outros se debatem, mas não há filho indiferente a sua mãe. Na verdade, os casos de mães indiferentes aos seus filhos parecem ser mais comuns que filhos indiferentes a suas mães...
Tergiverso...
Tudo isso para tentar provar a minha própria mãe que a amo tão intensamente como sou amado. Admito que não deva ser fácil ser mãe de dois psicólogos, e, sobretudo de um projeto de psicanalista em construção. Saber que seu filho vai a análise falar,entre tantas coisas, de sua mãe deve ser uma facada no coração. Mas, eu sempre digo: isso não é falta de amor.  É amor demais. É o amor único de um filho por sua mãe que, digo temerariamente, nem Freud explica. Porque no fim das contas não se explica mesmo. Amor é corpo e o corpo, bem... o corpo é vivido. O resto é só Dito e Dizer...
Te amo mãe, parabéns.
Parabéns também a todas as mães- veteranas e as marinheiras de primeira viagem.;)

Rafael. 

Amanhã post especial.

Amanhã postagem especial para o dia das mães com o título: Amor é corpo.