sexta-feira, 27 de maio de 2011

Divã para quê?

Hoje trago pra vocês meu texto publicado no jornal O POVO sobre a séria global Divã. Aproveito e faço um breve comentário sobre o trabalho do analista.

Leia AQUI.

Um comentário:

  1. Oi Rafael! finalmente consegui ler o texto!rsrsrsrs

    Achei muito legal apresentar ao público geral o que é de fato o objetivo da análise. Acho que os psicólogos clínicos de modo geral deveriam ser mais claros, como seu texto foi, no que é o seu papel e o que ele faz, porém sem cair no "falar sem dizer nada" (muito comum dos psicólogos) ou na banalização da clínica. Acho que o público leigo precisa ter mais acesso a bons textos como esse para poder saber se é isso que de fato eles procuram.

    Só não sei se eu concordo totalmente com a crítica ao "divã". Só assisti um episódio da série, então não posso falar diretamente sobre ela, mas o episódio que eu vi estava diretamente contextualizado com o filme, que esse sim eu gostei muito. Eu gostei do filme porque ele aborda justamente o que você falou e acho que a forma como ele fez foi muito bem feita. No filme, a análise não a faz parar de sofrer, muito menos lhe dá metas claras do que fazer da vida. Mas sim, lhe coloca no lugar de sujeito e a reconhecer a potencia trágica da vida. O lugar do Lopes é um lugar não de protagonista, mas realmente de analista. Acho que diretor conseguiu apontar quem de fato é o protagonista da história. No filme, aparecem várias cenas com ela falando com ele como se tivesse respondendo os questionamentos dele (o que mostra o lugar ativo do analista) e inclusive o momento dela deitar a primeira vez no divã - deixando até transparecer de forma sutil a mudança isso trás no processo dela.

    Quando assisti o filme Divã me lembrei muito das idéias levantadas pelo Calligaris do lugar do psicoterapeuta. O psicoterapeuta não é a estrela do processo nem merece ser agradecido, ele é exatamente como o Lopes, ou seja, a sombra que questiona, indaga e incomoda, mas o mais importante não é a "pergunta" (que não aparece no filme) e sim a "resposta" (o que ela produz na potência da vida).

    Realmente não sei se o seriado respeitou essa dimensão criada no filme (que na verdade é baseada em um livro, ou vice-e-versa, não tenho certeza), mas sei que no filme realmente mostra o que a clínica produz: um desvio que não é bom ou ruim, pois atravessa toda moralidade. No filme, ela tem um amante, desfaz um casamento, sofre a perda de uma amiga, entra em crise sem nunca se ater a promessa da felicidade eterna que muitas psicoterapias prometem, mas sim ao que a vida tem a oferecer: a tragicidade. Com ela só uma coisa a fazer, se posicinar.

    Abraços!
    Marcus Cézar

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