Esperança. Alguem muito especial sugeriu que eu escrevesse sobre esperança. Talvez hoje seja um bom dia para falar sobre o Esperar. Sobre a esperança que me dá paz. Deixarei de lado um pouco os contos por hoje ou será que não...acho que não.
...era como se sua alma estivesse pacata, santa e sem lutas. A luta tinha acabado . Tanta luta por nada- pensou em voz alta. Tanta luta e sacrifício de sua alma por alarmes inacabados e difusos. Sempre fora alarmada; vivia e ainda vive a vida feita de alarmes. Vive no assombro de cada momento- na iminência do catastrófico sobrevir ; destemida sempre vivera, insistia
Espera inacabada também...tudo em sua vida era inacabado e gostava disso. Viver o inacabado era a única forma que encontrara para ter paz. Sentia que no fim tudo seria terrível. Hoje, por motivos que sabe, mas não quer contar, estava
Sentiu que tinha a vida em suas mãos; como se de uma súbita tomada de consciência relembrasse o útero – paz divina de quem sabe que não pode morrer. De repente uma potência tomou seu ser: seria a vida a insistir novamente?
Não soube. Só sentia um renascimento espontâneo de uma nova chance para viver. Do inacabado fez o infinito- tomou o eterno pelo rabo e viajou sem limites...Fronteira do espaço entre si mesma e o fim de tudo. Deixou o tédio de lado...Sim, pelo menos hoje tentaria não gozar de sua melancolia..Haveria de ter novas formas de alegria. Sim, alegria pura, porque ser alegre é o máximo que se pode esperar da vida. Ser feliz é pretensão de ingênuos. Pretensiosa ela não era. Estar alegre era um brando alento para uma alma tão inquieta e volátil.
Sentiu sua alma fugir sem pressa...Correu como o vento corre..pra frente, para todos os lados...com força e sem rumo. Correu por cabelos por aí...Gente dispersa e errante...ventilou bocas e casamentos...sua alma foi e nunca voltou. Ela nem queria mesmo ter alma. Isso é coisa para atribulados- pensava com desassossego, pois não tinha certeza disso.
Sem alma e morta para a espera entregou-se ao Ser mais límpido que conhecia: seu corpo e sua conexão com o Eterno. Entrego-se sem reserva àquilo que não compreendia. Sentiu-se contente...um passo para se sentir alegre. Deitou-se mansa sobre a cama mal arrumada...acendeu um cigarro e fumou de uma vez.
_ sem alma ninguém te recrimina. Falou bem baixinho..sussurrando quase. Sossegada deixou o sono leva-la. Foi pra bem longe, para os sonhos aonde não era perseguida. Segui sozinha...foi um gozo sem tristeza. Fechou a boca e dormiu.
Muito bom!!!
ResponderExcluirpaarbens
savio
e mais uma vez voltamos à alma... essa que por mais que vc tente pensar com o cérebro... sentir com o coração... respirar com o pulmão...faz tudo isso com ela.
ResponderExcluirE a esperança? No final das contas é somente a certeza de que esperaremos confiantes, é aquele porto seguro, o alvo, aquilo que vc olha e por causa dessa visão continua caminhando...por dias, por meses, por anos... sabendo que está fazendo a coisa certa, pq quando há esperança não há dúvida!
adorei esse texto...sinceramente!