quarta-feira, 2 de abril de 2008

da arte de falar pouco.


Ano passado li um livro chamado " A arte de escrever" de Shcopenhauer.Mas, neste momento que vivo hoje gostaria que ele tivesse escrito " A arte de falar pouco". Na verdade das verdades seria melhor que eu aprendesse a arte de nada falar, mas isso é absolutamente impossível- principalmente para uma pessoas falante como eu .
A questão é que no muito falar há também muita incompreensão. Você fala e as pessoas raramente lhe compreendem. Cada um entende como bem entende e como lhe chega. Recentemente falei para uma amiga que eu realmente não me importava com nada ou ninguem ao meu redor; que eu não me importava com a vida alheia. Bem, isso já me causou certo constrangimento já que rapidamente recebo o título de intolerante, egoísta e outras características tidas como " inumanas". Estou pagando o pato por falar demais.É fato que eu realmente não me importo com pessoas eu não conheço ou que não tenho muito contato. Não tenho medo de afirmar isso categoricamente: não me importo e mal sei da existência. Entretanto, não se da´da mesma forma com as pessoas que eu quero bem.
Resolvi parar para analisar um pouco o que as pessoas pensam que seja alguem " tolerante". Eu conheço poucas pessoas realmente tolerantes com os defeitos das outras. Não conheço ninguem, do meu círculo de amizades que tolere as diferenças alheias; o que elas normalmente fazem é fingir bem melhor do que eu, mas por dentro se envenenam de ódio e agonia enquanto alguem se reclama da vida. Demonstrar as emoções em nossa cultura não é um comportamente reforçado pelos demais. Somos ensinados que é muito melhor parecer ser alguem tolerante, que se importa. É como o racismo. Ninguem tem problemas com os negros; contanto que alguem próximo não resolva se casar ou namorar com um negro ( a).
O que seria também uma pessoa altruísta?
Dei uma pesquisadinha na wikipedia e olha só o que veio:

"a palavra altruísmo foi criada em 1830 pelo filósofo francês Augusto Comte para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou coletivas).

Além disso, o conceito do altruísmo tem a importância filosófica de referir-se às disposições naturais do ser humano, indicando que o homem pode ser - e é - bom e generoso naturalmente, sem necessidade de intervenções sobrenaturais ou divinas.

Na doutrina comtiana, o altruísmo pode apresentar-se em três modalidades básicas: o apego, a veneração e a bondade. Do primeiro para o último, sua intensidade diminui e, por isso mesmo, sua importância e sua nobreza aumentam. O apego refere-se ao vínculo que os iguais mantêm entre si; a veneração refere-se ao vínculo que os mais fracos têm para com os mais fortes (ou os que vieram depois têm com os que vieram antes); por fim, a bondade é o sentimento que os mais fortes têm em relação aos mais fracos (ou aos que vieram depois)."



Bem, tendo em vista esta definição devo dizer que nem eu , nem nenhuma pessoa que eu conheço é altruísta. A grande maioria das pessoas espera ser tratado da mesma forma que trata os outros. Isso não é altruísmo.

Então, parece que eu não sou tão anormal em não ser altruísta. Para que eu o seja será preciso , contrariamente à própria definição de altruísmo, uma intervenção divina. Neste sentido, pode-se dizer que resta em mim uma pequena centelha de humildade: sei que para que eu seja tudo isso que as pessoas esperam de mim será necessário uma tremenda intervenção divina.

2 comentários:

  1. Cheguei aqui por meio do Google, pesquisando com o verbete "falar pouco" porque tenho o "defeito" de falar demais... eu não conhecia a origem da palavra altruísmo, sequer havia me interessado em pesquisar. Certamente temos diferenças razoáveis, inclusive por ter visto pessoas em minha vida genuinamente altruístas, fazendo perguntar-me se vale a pena para elas serem assim resignadas. Em meus momentos egoístas penso que certamente não valeria mesmo, pois algumas morreram dedicando-se a outras pessoas ou movidas por ideais esperando um mundo melhor que nunca chega. Certamente morrer acreditando num ser divino que nos recompensará por nossos atos caridosos deve ser consolador, embora eu não consiga compreender a dimensão deste pensamento e a satisfação obtida por este ato safricial em prol de outrem. No entanto, nos meus estados de lucidez, percebo que se cada um se concientizasse e fizesse um ato individual de solidariedade e altruísmo haveria uma diferença, iniciaría-se um movimento contrário ao prevalencente egoísmo, egocentrismo, hedonismo e outros ismos que colaboram para a solidão humana... Nós vivemos a era dos individualismos, e os poucos grupos idealistas que existem parecem um bando de fanáticos. Não posso dizer que eu não me importe com pessoas a minha volta, mesmo as que eu não conheça. O homem é um ser social, de modo que suas ações se refletem no grupo para o bem ou para o mal. Sinto falta das ideologias inflamadas de paixão, dos pensamentos sinceros de um mundo melhor, mas fui tomado pela desconfiança nos discursos empolados e decepcionado pelas esperanças não concretizadas... Vivo dos prazeres mais próximos, das pequenas ações que roubam um sorriso, como dizer um BOA NOITE a alguém nunca visto! BOA NOITE!

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  2. Olha.. esse seu post tá tão bom mas tão bom que peço permissão para citá-lo com merecidos créditos na minha página.
    Um abraço, adorei.

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