sexta-feira, 2 de maio de 2008

Paris te amo


Existem programas de sexta-feira a noite que me encantam muito. Um deles é ficar em casa na companhia de poucos amigos ( quando digo poucos quero dizer realmente, pouquíssimos amigos; no meu caso, dois), abrir um vinho, ou uma coca, ou quem sabe simplesmente copos d’água; alugar um filme e se refestelar. A escolha de hoje foi “ Paris je t’aime”. Um filme singelo, porém, de uma beleza singular. A proposta do filme é mostrar o cotidiano de pessoas que moram em Paris. Nunca tinha visto um filme que mostrasse Paris tão nua perante as câmeras: sem eufemismos ou uma imagética nostálgica. Paris está crua na vida de cada personagem que vive seu “ pão de cada dia”. não se ouvem lamentos ou um sentimento niilista ou com pretensões existencialista. Se eu quiser dar uma categoria devo alojá-la na literatura. Assistir ao filme é como ler uma coletânea de contos; a mesma rapidez e fluidez de um bom conto. Cada estória flui sem começou ou fim deixando o espectador com a mesma sensação de “ falta-a-ser” que é tão própria da vida.
Sendo hoje sábado, recomendo o mesmo programa aos solitários de plantão que andam por aí reclamando da vida chata que levam: vá à locadora mais próxima e peça “ Paris te amo”. Você vai adorar. Quem sabe ajude a ampliar sua solidão. É como eu disse para um amigo esses dias: “ a gente não luta contra a solidão...para vence-la é preciso deixar que ela nos vença...É preciso amplificar nossa solidão até que se escute para que ela veio. Mas, é preciso escutar. A solidão fala, mas enquanto reclamamos dela não escutamos sua voz”. Falando nisso...Sugiro também a leitura de Rilke, o poeta. Fará muito bem a qualquer um: solitário ou apaixonado.

Um comentário:

  1. Ví “ Paris je t’aime” faz uns dois meses. Quando ví o trailer, acho que a uns cinco meses atrás me apaixonei. É um filme com uma grande singularidade e verdades "não inventadas". Um ótimo filme para ver acompanhado ou mesmo, sozinho. Parabéns, Rafael!
    Você sempre me surpreende com boas indicações e um gosto ímpar para as coisas boas e amargas da vida.
    Abraço!

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