Antes de um acordo ideal entre o dito e o dizer, queremos dar lugar à suprema diferença entre o dito e o dizer de quem fala, e que leve em conta também a possibilidade de modificarmos nossa posição subjetiva em relação ao dito.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Livrai-me , " Aquilo que há".
*Começamos finalmente a entender o propósito do amor; refratário que agora estamos aos beijos mofados e dos líquidos amargos das bocas estrangeiras. E dos corpos que ardem sem que seus donos saibam por quem ardem; mas seus braços abraçam friamente, sem dolo, sem desejo, sem tristeza. Você também consegue ver que tempo se perde entre as pernas sem beleza, sem viço- -escurecidas pela máquina franksteiniana do gozo?
Teria você coragem de abandonar seus próprios dentes a morder sua língua na hora da dor? Estamos perdidos neste quarto sem ar, enforcados e dependurados sobre nosso próprio suor. E o peso das palavras vazias ditas sem humor, sem pudor. Porque o pudor alimenta o amor que antes tínhamos por tudo. Quase nada é neutro em nossas vidas, porque somos culpados de atentar contra nosso próprio ardor.
Somos daqueles que pulam a fogueira intacta, intocada e sem pranto. E é o pranto que evita nossa perdição... No choro, na dor, na luta, aí está nosso descanso prometido.
Livrai-me! Oh! “ Aquilo que há”! Livrai-me Aquilo que há!
E tu queres ser leve? Despojado de disso tudo? Do cheiro vil dos vampiros? Como renascer sem morrer? Mas, é contra essa morte que lutas; com tudo que tens te debates contra os espinhos de tua coroa. É preciso uma coroa de espinho para aquele que vai ressurgir. A ressurreição dos valentes... Daqueles que permaneceram até o fim, e a lição de tudo isso é que o apressado deveras come cru. Ah que temos comido tudo cru, apressadamente corremos aos limites sem bordas do ponto mais distante do tempo.
Será que você vai me ouvir? Sim, porque queremos, e isso eu sei, o pudor das virgens, o ardor que delas se sorve pode arder por séculos... E por trás de nossas vidas seu desejo espreita.
Ah quiséramos ser virgens pálidas a bordar cartas de amor... O ensinamento de um coração que ainda espera, porque meu coração já cansou de aguardar aquilo que do sexo se desfaz e cai...cai aos nossos pés. Sim, Babilônia está caindo, mas que se faça ouvir meu grito de meu peito: que caia minha Babilônia! Dá paz ao meu leito de sonhos...
E tu que sabes do amor?
*Carta aberta aos amantes do amor
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