"Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." – Evangelho de João.
Iniciei o processo de minha morte, e será morte matada, não morte morrida. Tenho pressa em morrer. Preciso dar fim a minha vida, àquilo que chamo de vida humana. Ao que eu chamo “Rafael” e por todos sou chamado. Cometerei um suicídio agressivo, quero deixar marcas por todo meu ser. Verei meu ser caído aos meus pés e só assim entrarei no descanso. Esta é a única forma de vencer aquilo contra o qual sucumbo todos os dias, eu mesmo: minha fé em mim, meu amor, meu apreço por mim, meu espírito forte. Tudo irá morrer..Já venho morrendo lentamente, mas agora será morte súbita. Não deixarei cartas. Quando me acharem irão encontrar algo novo, de supetão vou derrubá-los da cadeira, pelo susto e ver: e tu quem és? E eu nada responder. Suportarei a falta de olhares? Sim, porque para um morto, para aquele que não mais deseja nada, que não está preso ao que vem de um outro, ninguém olha. Meus olhos não dirão mais nada e ao mesmo tempo dirão tudo que sempre quis dizer; dirão inclusive aquilo que os outros querem dizer para mim.
Vivi até aqui. A partir de minha morte, já não mais vivo, mas se viverá em mim e por mim.
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