segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Hoje na Folha: Criar igreja e se livrar de imposto custa R$ 418

Olhem só..Acho que vou abrir uma Igreja, super lucrativo não? Tá aí explicado porque todo dia surge uma igreja nova! Que palhaçada.

Reportagem de Hélio Schwartsman, da equipe de articulistas da Folha, mostra que bastam cinco dias úteis e R$ 418,42 para criar uma igreja no Brasil com CNPJ, conta bancária e direito de realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).




A reportagem, publicada neste domingo na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), informa ainda que não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja nem se exige um número mínimo de fiéis --basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório.



Além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos) e ISS (serviços), entre outros impostos. Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas.



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sábado, 28 de novembro de 2009

Belos lamentos

Neste sábado voltei a Rilke, mais uma vez ao " Cartas a um jovem poeta". Sentia-me desolado e sonolento quando me deparei com este trecho: " Por isso, meu caro, ame a sua solidão e suporte a dor que ela lhe causa com belos lamentos".
"belos lamentos", que construção. Somente a poesia pode dar um salto tão grande e formular um " bem-dizer" de tal ordem. Bem-dizer a angustia e o sofrimento, eis aí o desafio de uma humanidade. Escrevendo isto me dou conta de que dar a sua solidão a alguém deve ser algo muito sério. Dar a solidão de graça a alguém que não pode recebê-la ou que fará pouco caso, ou ainda que não tem como compreendê-la e nem abraça-la é o mesmo que lançar pérolas aos porcos.
Como achar o equilíbrio ?
Enquanto isso eu fico com estas lindas duas palavras que unidas me fizeram me sentir tão bem: belos lamentos.
Belos lamentos: encontrei mais uma metáfora, na verdade na figura de um oxímoro para definir melhor o que a Psicanálise nos ensina no conceito de Desejo.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Corpo.






Saí do consultório e fui direto pra Litorânea dar uma corridinha básica. Faltei academia e precisava purgar meus fantasmas abdominais suando um pouco. Corri uns 15 minutos sem parar e, já esbaforido quis parar. Não parei. Veio uma sensação de que eu nunca tentei me superar. Desde da adolescência que parei na superação; sempre fui um pouco covarde e nos jogos de basquete nunca me esforçava tanto. Achava que eu não precisava me esforçar, que seria mais fácil assim. Uma indolência primitiva. Provavelmente tangenciada por meu Édipo, tão mal resolvido. Assim, resolvi continuar a correr, sem parar. “ Rafael, conhece-te e ti mesmo”. E que melhor forma de se conhecer do que sentir no corpo a dor do seu limite? Queria levar ao extremo a dor do meu corpo e sentir o suor e meu coração me dizer, batendo forte e cansado, até onde eu poderia ir? Eu queria me superar. Realizar algo fruto de uma superação, ainda que fosse chegar ao próximo poste de luz. Fiz. Senti a dor de realizar algo sozinho, com meu próprio corpo como abrigo e instrumento. O corpo é a resposta para a solidão. Saber usá-lo, como fiz ontem ainda que incipientemente. Sentir o corpo e superá-lo dá a sensação de que com o nosso corpo jamais podemos estar sozinhos, só não o conhecemos ainda. O calor que dele emana, a força de domar suas próprias raízes. Talvez o que Paulo dizia: sujeitar o próprio corpo e dominá-lo. Ele sabia bem.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Criminalização da homofobia. Mais ainda!!

Li este texto hoje e achei ótimo. A luta pela criminalização da homofobia deve continuar. Não adianta os homofóbicos de plantão continuarem a me agredir com seus comentários pérfidos. Se a lei passar vocês serão devidamente punidos por atos de agressão. O medo da população homofóbica é que esta lei os impede de continuar perpetuando anos de humilhação aos homossexuais. No Brasil e principalmente nordeste termos como " viado", " qualhira" e " bicha" são usados como as piores ofensas que alguem pode usar. Leiam.



Ditadura Gay


por Antonio Prata, Seção: Crônica do Metrópole 00:21:50.

“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o país iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.

Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos “O início da Ditadura Gay no mundo!”. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.

Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com dezoito anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!

Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”

Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting, viveriam de esmolas? Bem, talvez não...

Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Déli sendo percorridas pela banda de Ipanema.

Se bem que... Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da Dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!

A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganhar! Basta ir ao http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Realização.

Passou o ano da Intolerância, passou o ano da Resistência, e agora vem o ano da Realização. Aliás, hoje meu analista arrasou comigo enquanto eu contava para ele o nome do novo ano que se aproxima. Eu disse:
--ah...Agora vem o ano da realização, porque ano passado foi o ano da resistência.
Ao que ele prontamente responde:
__ Hum, vamos parar de resistir e vamos desejar.

 Eu fiquei besta e saí da sala com o rabo entre as pernas. De fato depois de dois anos resistindo é hora de começar a realmente desejar e a realizar meu desejo. Como fazer isso ainda não sei ao certo, mas sinto que, como diria o Totoleke show: a sorte é sua e a hora é essa.

Que venha o ano da realização.

VOTE A FAVOR! VOTE CONTRA A HOMOFOBIA.

O Senado Federal está com uma  enquete para saber a opinião pública acerca da lei que pune a discriminação contra homossexuais. Sejam sensatos e votem.

VOTE CONTRA HOMOFOBIA

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Criminalização da Homofobia.

As minhas opiniões acerca do tema homofobia sempre causam frisson, mas não posso deixar de comentar. É um tema no qual precisamos insistir se quisermos viver numa sociedade verdadeiramente plural e onde há o mínimo de espaço para que cada um discirna sobre sua própria natureza humana. A natureza humana é plural, nunca foi unívoca como quer a Igreja e, ás vezes no passado, a ciência.


Segundo o site Congresso em foco, ainda na questão da lei que criminaliza a homofobia o senador Crivela, capacho da IURD continua lutando para amenizar o projeto de lei da Senadora Fátima Cleide. Além de excluir o termo “orientação sexual” da lei contra a homofobia, em seu voto em separado, Crivella também elimina pontos considerados inaceitáveis pelos pastores evangélicos. O mais sensível deles, na visão dos religiosos, é o que prevê até três anos de prisão para quem “impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência (de homossexuais) em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público”. É o caso, por exemplo, dos templos religiosos. Por mais que  não se queria Crivela representa o interesse dos evangélicos como um todo e , qual deles em sã consciência tem caráter o suficiente para se opor a poderosa Universal do Reino de Macedo? Nenhum deles. Nem mesmo os irrustidos,que cá entre nós devem ser vários...Desses que pagam travesti pelas ruas aí ...







No fundo disso tudo está somente uma questão: as igrejas evangélicas querem ter toda a liberdade do mundo para continuarem a oprimir os homossexuais com sua pregação travestida de santidade e boa intenção. Querem também ter a liberdade de se recusarem a aceitar que um homossexual freqüente suas reuniões. Eles realmente acham que um casal gay vai pra igreja pra ficar se agarrando durante o culto? Poupe-me. Na verdade, são os casais héteros que não se desgrudam nem para cantar ou orar; ficam de mãozinhas dadas e trocando carícias o culto tudo, mas isso não choca ninguém, choca?


Marcelo Crivela quer substituir o termo “ orientação sexual “ simplesmente por “ sexo”. Bem, eu gostaria que ele me explicasse a qual sexo ele se refere! Outro dispositivo excluído pelo bispo da Universal é o que torna crime “impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público” de homossexuais nos quais isso seja permitido aos heterossexuais. “Daqui a pouco vão fazer sexo debaixo das nossas janelas e não poderemos dizer nada, porque será discriminação, será crime”, protestou recentemente o senador Magno Malta (PR-ES), também pastor evangélico e o mais feroz opositor ao projeto no Senado. O medo do senador é de que mesmo ein? Crivella também exclui, em sua proposta, o dispositivo que prevê até cinco anos de reclusão para quem recusar, impedir ou prejudicar a entrada e a ascensão de homossexuais, em função da orientação sexual, em “qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional”.“Os homossexuais também têm de aprender a lidar com a diferença de pensamento e opinião. O Estado não pode se meter na religião. Caso esse projeto vire lei, o pastor homossexual não vai poder ser demitido. Os professores dos institutos bíblicos e das escolas dominicais também não, porque têm vínculo empregatício”, reclama o senador fluminense.





Minha santa gente de Deus ! Se as igrejas forem demitir todos os pastores gays, funcionários, professores, cantores, líderes de células e seja mais lá o que seja...Fechem as portas”! O que eles querem é espaço para uma verdadeira caça às bruxas. O poder que a igreja tem se restringe a duas coisas, e isso vale pra igreja romana e para a evangélica: poder de realizar o casamento e realizar os sacramentos. Como a igreja evangélica dispensa os sacramentos ela inventa suas macumbas cristãs, como campanhas e maldições a fim de manter o pobre rebanho à rédeas curtas. Os homossexuais abalam exatamente sua principal força: o casamento, já que eles trazem a baila um novo tipo de família, inaceitável por ser uma abominação. Vejam mais uma opinião do excelentíssimo senhor senador Magno Mata:
Magno disse mais: “Minha preocupação agora é que hoje a pedofilia é tida como doença mental. No mundo espiritual, pra mim, isso é demônio. Mas se nós aprovarmos esse texto dizendo que não podemos discriminar a opção sexual, pra mim, legaliza a pedofilia. O pedófilo, sob orientação do advogado, vai dizer pro juiz que é sua opção sexual. Ele vai dizer ‘minha opção sexual, menina de sete ou nove anos’. Não poderão ser tratados como loucos ou criminosos”.


Para Magno Malta, o PLC 122/06 é uma “aberração” e institui uma inusitada ditadura no país. “Proponho aos senadores que ele morra no ninho. Não sei nem por que passou na Câmara. Da maneira como está posto, estamos instituindo uma ditadura homossexual no Brasil”, declarou.
 E mais, veja o nível do senador...:


Qualquer indivíduo agora pode levar uma jumenta pra dentro de Casa, porque o Ibama só pune se for animais exóticos ou silvestres. A bestialidade de levar uma jumenta é uma opção sexual, ninguém pode dizer nada. Necrofilia, opção sexual”, disse o senador, em aparte a um colega
Minha gente, fica claro o que o senador pensa sobre os homossexuais: são uma aberração e uma bestialidade. Será que é tão difícil compreender que aqui não se trata de liberdade religiosa? Liberdade de culto os evangélicos têm todo dia para falar suas asneiras e hipnotizar multidão de dizimistas e ofertantes, o que mais eles querem? Eles têm toda liberdade do mundo para extorquir, enganar, tripudiar do sofrimento alheio com promessas fajutas de curas milagrosas, o que mais eles querem? Liberdade de pensamento religioso não é dar o direito que se demitir um funcionário simplesmente porque ele é homossexual, isso é regredir mil anos dos direitos de um cidadão! Os homossexuais são tratados por estes senadores como cidadãos de segunda classe, como uma escória que não merece os mesmo direito que todo cidadão.





Pra terminar queria saber mesmo porque eles querem liberdade para pregar contra o homossexualismo em seus púlpitos? Lhes falta outro tema para tratar em suas mensagens? Isso só comprova minha tese de que a igreja em geral só sabe pregar sob um ponto pedagógico negativo, ou seja, o que não se pode fazer. Quase ninguém prega sobre o que se deve fazer como cristão. Jesus quase nunca fazia esse tipo de mensagem. Sua pregação era sobre o Reino. Estes senadores são como aqueles dos quais Jesus falava: não entram no Reino e nem deixam os outros entrar. Continuo a favor da lei que criminaliza a homofobia, assim como estou contra qualquer fobia social, contra negros, mulheres, idosos, crianças e etc. no passado não muito remoto os negros não considerados nem gente! As crianças no início do século moderno não eram reconhecidas como necessitando de nenhuma atenção especial por parte do Estado. O ECA ( Estatuto da criança e adolescente ) é super recente, é de 1990. As mulheres na Grécia antiga não eram cidadãos. As coisas mudam. Os direitos são conquistados sempre na luta, no embate políticos de forças em oposição. É preciso que se lute, um dia,certamente, doa a quem doer, os homossexuais também serão cidadãos de pleno direito e, tal como as mulheres, negros e crianças assumiram seu espaço na sociedade brasileira. 









A igreja evangélica busca tanta força institucional porque é morta. Uma igreja viva não depende de leis para funcionar: ela funciona mesmo sobre forte oposição. Ela funciona mesmo com Roma em chamas. Ela cresce e funciona com vida mesmo quando seus líderes são mortos à espada ou queimados numa estaca. Ela cresce com as diásporas. Ela floresce em meio ao tecido fino de uma sociedade, mesmo quando um Imperado proibi seus fiéis de servir a Deus e os obriga a lhe prestar reverência. A igreja só começou a morrer quando Constantino   “ legalizou “ suas práticas e criou assim a religião. Uma igreja viva não teme os homossexuais...O senador Magno Mata fala do diabo, mas ele mesmo  esquece que Paulo nos adverte que nossa luta , de fato, não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades dos ares...Potestades estas perante as quais ele também se curva.


Que Deus tenha misericórdia de todos nós. 


domingo, 8 de novembro de 2009

Fame! Vem pro meu lado forever!!







Como já diria Sandrá de Sá: Vemmmmmm....Vem pro meu lado forever!


Acabo de chegar do cinema onde vi " Fame", um excelente remake do filme de Allan Parker, bem na minha década predileta—80s.
Saí do filme querendo saber dançar, cantar...Como diria Fivelinha, eu queria saber agora cantar, dançar e representar!
Para os que amam o gênero musical corram agora pra o cinema, o filme é uma perfeição do estilo “ Chicago” de musicais. Dançarinos e cantores mostrando que praticamente tudo é possível ao corpo humano. Minha alma é super piegas, mas ao mesmo tempo guarda em mim todos as personagens desse mundo. A maior dificuldade para mim é ser pequeno, é talvez aprender algo com a  história de um dos dançarinos do filme.


Kevin é um dançarino que precisa dançar melhor do que todos para agradar sua duríssima professora de balé. Kevin entra na escola de Performing Arts cheio de fé em si mesmo e de que com um pouco de esforço ele vai atingir a superação que precisa para entrar em uma grande companhia de balé. Durante os quarto anos na famosa escola nova-iorquina ele se esmera, mas nunca parece conseguir chegar lá. Ao fim do curso, sua professora friamente lhe sugere procurar outra profissão, como por exemplo, dar aulas de balé, já que ele jamais conseguiria ser o grande bailarino que desejava. Kevin esbarrou em seu limite mais duro: seu corpo e seu talento. Depois de uma tentativa de suicido que não se concretizou, Kevin decidiu aceitar as circunstâncias voltando para Iwoa onde irá assumir a escola de dança de sua mãe. Sua fala final é : “ quero me tornar o melhor professor de dança que já existiu”.


As razões para Kevin ter me tocado tão profundamente são tantas e tão inconscientes que seria pedantismo meu uma auto-análise. No entanto, se uma coisa preciso aprender é isso: aceitar as circunstâncias. Que a felicidade é uma alquimia que se realiza no possível e que o impossível não existe posto que é meramente um apanhado de ilusões. Já o possível é o embate duro e seco que se faz na vida, concreta e fora dos filmes.
Eis novamente o desejo em sua mais prodigiosa dignidade; Kevin ensinou bem isso: quem deseja é porque não pode.
Uma boa semana a todos e lembrem-se:
Nem tudo é possível, mas vejam que belo é realiza algo:



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Invenção

Preciso mudar tudo! Tudo em minha vida precisa de mudança. Agora, por onde começar? Estava aqui pensando sobre um destino de viagem para o Réveillon e acabei percebendo, pressentindo na verdade ( como li recentemente a verdade se parece muito mais com um pressentimento do que com uma certeza objetiva) que preciso de uma mudança. O mais desafiador é que essa mudança só depende de mim. A primeira mudança é que não temi o tom confessional que um blog cria; nos últimos meses tentei fugir deste tom, mas não tem como. Este blog é fruto de minha vida, de meu percurso como humano, como psicólogo, como psicanalista e também de minha própria análise pessoal: meus embates e meus debates com minhas pulsões e com minhas palavras. É assim que se faz uma mudança. De repente as palavras se agrupam e você sente que a compreensão enfim se fez. Que uma força emerge de não se sabe onde e te dá energia para andar, para mexer os membros.  Meu corpo primeiramente sempre soube e fala dessa mudança. Se remexe tentando me acordar. Mas, o certo é que preciso me autorizar algumas mudanças, autorização de que deve vir exclusivamente de mim. Ao contrário do que pensam alguns, eu penso muitos nos outros, porque no fundo ainda dependo da opinião que os outros nutrem ao mesmo respeito e com ela lançam luz sobre quem eu sou, já que eu mesmo pareço estar confuso quanto a isso. Entretanto, à proporção que vou mudando, de luz em luz, um facho de luz corta meus olhos e eu vejo claramente. É o tempo de compreender. E sabem quando eu fui mais certo de quem eu era? Na minha adolescência. Sou um nostálgico desse tempo. Do fim de minha adolescência e início da fase dita adulta. Por um momento eu vivi intensamente quem eu era. E depois esqueci. But It´s all coming back...All coming back to me now.  Hoje eu quero, tranquilamente deixar que essa mudança acontece, sem anunciação ou performance. Somente uma solene afirmação daquilo que eu agora entendo como meu desejo. E o conceito de desejo se descortina perante a mim e isto é o que eu devo fazer: o desejo não existe, eu devo “ inventar o que fazer”, como diziam nossas avós: “ menino, vai inventar o que fazer”, isto é, vai dar um destino para esse comichão, pra essa pulsão, para esse não-sentido que te assola. Então, é isso pessoal, desejar é inventar o que fazer com o não-senso, com a dor, com a pulsão, com a solidão, com  vazio, comigo mesmo, com os outros. É fazer algo bem feito com o buraco que escapa, com aquilo que falta à minha felicidade. E o que falta quando me sinto infeliz? O que falta quando me sinto só? Ninguém pode me dar, senão somente eu a correr ao redor da casa, como antes eu bem fazia e simplesmente, sozinho e com minha própria autorização...Inventar o que fazer.