Preciso mudar tudo! Tudo em minha vida precisa de mudança. Agora, por onde começar? Estava aqui pensando sobre um destino de viagem para o Réveillon e acabei percebendo, pressentindo na verdade ( como li recentemente a verdade se parece muito mais com um pressentimento do que com uma certeza objetiva) que preciso de uma mudança. O mais desafiador é que essa mudança só depende de mim. A primeira mudança é que não temi o tom confessional que um blog cria; nos últimos meses tentei fugir deste tom, mas não tem como. Este blog é fruto de minha vida, de meu percurso como humano, como psicólogo, como psicanalista e também de minha própria análise pessoal: meus embates e meus debates com minhas pulsões e com minhas palavras. É assim que se faz uma mudança. De repente as palavras se agrupam e você sente que a compreensão enfim se fez. Que uma força emerge de não se sabe onde e te dá energia para andar, para mexer os membros. Meu corpo primeiramente sempre soube e fala dessa mudança. Se remexe tentando me acordar. Mas, o certo é que preciso me autorizar algumas mudanças, autorização de que deve vir exclusivamente de mim. Ao contrário do que pensam alguns, eu penso muitos nos outros, porque no fundo ainda dependo da opinião que os outros nutrem ao mesmo respeito e com ela lançam luz sobre quem eu sou, já que eu mesmo pareço estar confuso quanto a isso. Entretanto, à proporção que vou mudando, de luz em luz, um facho de luz corta meus olhos e eu vejo claramente. É o tempo de compreender. E sabem quando eu fui mais certo de quem eu era? Na minha adolescência. Sou um nostálgico desse tempo. Do fim de minha adolescência e início da fase dita adulta. Por um momento eu vivi intensamente quem eu era. E depois esqueci. But It´s all coming back...All coming back to me now. Hoje eu quero, tranquilamente deixar que essa mudança acontece, sem anunciação ou performance. Somente uma solene afirmação daquilo que eu agora entendo como meu desejo. E o conceito de desejo se descortina perante a mim e isto é o que eu devo fazer: o desejo não existe, eu devo “ inventar o que fazer”, como diziam nossas avós: “ menino, vai inventar o que fazer”, isto é, vai dar um destino para esse comichão, pra essa pulsão, para esse não-sentido que te assola. Então, é isso pessoal, desejar é inventar o que fazer com o não-senso, com a dor, com a pulsão, com a solidão, com vazio, comigo mesmo, com os outros. É fazer algo bem feito com o buraco que escapa, com aquilo que falta à minha felicidade. E o que falta quando me sinto infeliz? O que falta quando me sinto só? Ninguém pode me dar, senão somente eu a correr ao redor da casa, como antes eu bem fazia e simplesmente, sozinho e com minha própria autorização...Inventar o que fazer.
amei o texto! é correndo e encontrando as soluções que encontramos a resposta para o nosso Eu.
ResponderExcluirHoje foi um dia que eu não consegui inventar o que fazer. Apesar de ter muito que eu deveria ter feito...nao fiz quase nada e por pouco nao passo o dia sendo levada pela inercia. Vim para a Faculdade pensando...se nao fosse o trabalho, hoje nao me moveria. Achei isso ruim e patético. Também preciso inventar o que fazer!
ResponderExcluirTambém tive uma avó que me mandava inventar o que fazer... Palavras cirúrgicas. Formidável reflexão. Pontuou o meu dia. E cheguei aqui, hoje, por acaso.
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