Neste sábado voltei a Rilke, mais uma vez ao " Cartas a um jovem poeta". Sentia-me desolado e sonolento quando me deparei com este trecho: " Por isso, meu caro, ame a sua solidão e suporte a dor que ela lhe causa com belos lamentos".
"belos lamentos", que construção. Somente a poesia pode dar um salto tão grande e formular um " bem-dizer" de tal ordem. Bem-dizer a angustia e o sofrimento, eis aí o desafio de uma humanidade. Escrevendo isto me dou conta de que dar a sua solidão a alguém deve ser algo muito sério. Dar a solidão de graça a alguém que não pode recebê-la ou que fará pouco caso, ou ainda que não tem como compreendê-la e nem abraça-la é o mesmo que lançar pérolas aos porcos.
Como achar o equilíbrio ?
Enquanto isso eu fico com estas lindas duas palavras que unidas me fizeram me sentir tão bem: belos lamentos.
Belos lamentos: encontrei mais uma metáfora, na verdade na figura de um oxímoro para definir melhor o que a Psicanálise nos ensina no conceito de Desejo.
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